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Entrevista com... Sérgio Realizada em 2010-11-28

Nasceu e viveu desde sempre em Matosinhos - nada mais apropriado portanto que também tenha sido aí que tenha nascido e vivido para o futebol, numa carreira umbilicalmente ligada ao período dourado do Infesta e, mais recentemente, do vizinho Padroense. É que mesmo somando agora 44 anos e sendo o mais veterano de entre os atletas nos nacionais, Sérgio continua a ser um dos trunfos do emblema do Padrão da Légua, que carregou das distritais até à IIª divisão.

Aquecimento: as perguntas generalistas do costume

  • Não é para dar vantagem aos oponentes, mas quais os seus pontos fortes e as suas fraquezas?
  • Neste momento o ponto forte é a visão de jogo que tenho. Quanto a fraquezas já falta alguma velocidade longa, que curta ainda tenho. Curioso que há uns anos atrás era ao contrário.

  • Lembra-se de quando e porquê decidiu praticar futebol num clube?
  • Com 18 anos fui convidado para jogar nos amadores do Café Lisbonense. Como era pescador não podia treinar, mas aceitei porque os jogos eram aos Sábados à tarde e não precisava de treinar à semana.

  • Preferências clubísticas: que emblema o faz vibrar?
  • Leixões, claro!
  • Ídolos e referências, todo o jogador e adepto tem algum. Quem o inspira?
  • Sempre gostei de ver Zidane.

  • Como começou a jogar futebol? Conte-nos a sua história.
  • Comecei a jogar futebol como um miudo normal do meu tempo - na rua, porque não havia as condições que há agora.

  • Algum jogo na sua carreira que se destaque, em termos individuais ou colectivos?
  • O jogo com o Benfica para a Taça de Portugal.

  • Qual o seu onze para a Selecção nacional neste momento de renovação?
  • De momento a Selecção está no bom caminho e não precisa de sugestões.

    Café Lisbonense

  • Começou a carreira num clube amador. Algumas memórias desse período?
  • As memórias que tenho são muito boas. Aprendi muita coisa, tive a sorte de apanhar jogadores que apesar de serem amadores tinham grande quadidade.

  • Existem grandes diferenças entre jogar em clubes da distrital ou amadores?
  • As diferenças não são muitas, só que na distrital já se treina mais vezes. Os planteis estão melhor preparados.

  • Já passou bastante tempo desde que o Sérgio jogou a esse nível, mas acha que hoje em dia vale a pena os olheiros estarem atentos aos clubes amadores? Ainda há valores por descobrir aí?
  • Há muitos bons jogadores em todo o lado, à espera de ter uma oportunidade. Precisam apenas que apostem neles...

    Infesta

  • No final dos anos 90 e início dos anos 2000 o Infesta parecia um forte candidato a subir às ligas profissionais. Quais eram os segredos do balneário?
  • Simples: tinhamos muito bons jogadores! E ainda um bom lider ao leme.

  • Nesta altura em que o clube aparecia mais na imprensa o Sérgio era já apontado como uma das suas figuras. Com 15 anos a menos, recebia muitos contactos para ir jogar para emblemas maiores ou para o estrangeiro?
  • Para o estrangeiro nunca, mas 1ª e 2ª divisão sim. Por algum motivo nunca foi possível concretizar-se.

  • Quando deixou o Infesta já tinha alguma idade. Nessa altura não lhe passou pela cabeça pendurar as botas?
  • Passar, passou. Mas entretanto o mister Mata estava no Padroense que tinha descido à distrital e achou que eu ainda tinha capacidades para ajudar. Fui logo com muito agrado.

  • Por falar nisso, como se deu a sua saída? Não deve ter sido simples terminar uma relação de 18 anos....
  • Foi uma situação normal, acabou um contrato de trabalho e acharam que já não era mais útil. Tudo bem.

  • Abandonou o Infesta sensívelmente na mesma altura que Augusto Mata, houve alguma relação entre a saída de ambos?
  • Não foi bem na mesma altura, saí 3 anos mais tarde. Logo, não há relacção.

  • E desde aí o Infesta tem vindo a piorar de época para época... É só coincidência? ;)
  • Pura coincidência...

  • Está nos seus planos regressar ao Infesta, seja como atleta ou noutras funções?
  • Como atleta vai ser dificil, mas para outras funções quem sabe...

    Padroense

  • Trocou então de clube, mas manteve-se no mesmo concelho. Matosinhos é uma paixão?
  • Calhou o mister Mata estar no Padrão e ainda bem, mas o facto de ser perto de casa ajudou bastante.

  • Chegou ao Padroense com o clube nos distritais e foi um dos principais responsáveis pela subida até à 2ªB. Alguma vez imaginava uma evolução tão rápida?
  • Com gente competente como Augusto Mata e o presidente Germano Pinto, 2 homens com muitos anos de futebol, o trabalho só podia dar frutos.

  • Sente que a sua experiência é importante num plantel que é caracterizado pela juventude? Dá trabalho integrar os jovens que chegam todos os anos do Leixões e FC Porto?
  • Não dá trabalho nenhum! Logo que eles queiram aprender tudo se torna fácil.

  • Já teve oportunidade de jogar com vários atletas profissionais, alguns que alinharam mesmo no escalão principal. Sente que tem algo a aprender com estes, ou dentro de campo são todos iguais?
  • O facto de ter 44 anos não significa que saiba tudo, também aprendo muito com os mais novos...

  • Como é trabalhar com Augusto Mata, um dos treinadores mais históricos do nosso futebol, e qual acha ser o segredo da sua longevidade?
  • Sempre gostei da forma como ele trabalha. É um treinador que deixa sempre o jogador à vontade, e brincalhão. Só quem já foi treinado por ele é que sabe a maneira simples como trata os jogadores.

  • Em 2007/2008 no regresso à 3ª divisão o Padroense teve de lutar para não descer, mas na temporada seguinte conquistou a promoção. O ano passado também foi muito dificíl e a manutenção só foi conseguida no último jogo, mas agora o Padrão está só a 4 pontos do líder. É para chegar à Honra?
  • Nunca é fácil o primeiro ano, mas com a nossa humildade e muito trabalho lá comseguimos atingir os nossos objectivos. Este ano é somar o maior número de pontos para não passar pela aflição da época passada.

  • Este ano o clube foi colocado a jogar na zona centro, com deslocações para bem longe de casa. Os jogadores têm sido afectados?
  • Claro que afecta, é sempre mais cansativo os jogadores porque nos dia de jogo temos que nos levantar mais cedo. E mesmo para o clube é mais dispendioso assumir os custos das deslocações.

    Conclusões

  • Com base na sua curtíssima carreira e nas várias equipas por onde passou é capaz de eleger um onze formado com companheiros de equipa, actuais ou no passado?
  • É dificil formar uma equipa. Foram tantos bons jogadores que jogaram comigo ao longo de tantos anos que não arrisco. Mas era eu e mais 10 de certeza, ahah!

  • Destacou-se como avançado no Infesta e foi para essa posição que foi contratado para o Padroense. No entanto com o passar dos anos tem vindo a recuar no terreno e a experimentar novas funções. Qual a sua preferida?
  • Não, no Infesta era medio ala direito. Fui para o Padroense como segundo ponta de lança e nao me dei mal com essa posiçao, aliás marquei 23 golos.

  • Quando começou a jogar futebol, alguma vez pensou que chegaria aos 44 anos a jogar? Qual é o seu segredo?
  • Não esperava de facto estar a jogar, mas ainda aqui estou. Quanto ao segredo é simples: paixão pelo futebol!

  • Marca golos da mesma maneira que há 20 anos atrás, ou é preciso ir aprendendo truques pra continuar a enganar defesas e guarda-redes?
  • A forma de marcar golos é sempre a mesma, não há truque; mas os anos ensinam como devo chutar a bola em certas posições.

  • Por falar nisso, tem noção de quantos golos marcou no total da sua carreira e se constitui algum recorde?
  • Sei que tenho uma média de 13 golos por época...

  • Tem imensas épocas nos distritais e nacionais em que passou dos 15 golos. Nenhuma mágoa por não ter tido uma oportunidade em emblemas maiores?
  • Claro que sim, há alguma mágoa até porque gostaria de ter jogado na 1ª divisão, mas enfim não foi possível. Estou satisfeito com a carreira que consegui ter, embora pudesse ter chegado mais longe.

  • Para terminar, quais os objectivos actuais do Sérgio, com 44 anos? A Selecção sub-21 já não dá, mas há outros em vista? :)
  • Só tenho uma certeza: vou continuar a jogar à bola. Não sei onde, talvez nas velhas guardas ou com os amigos. Mas que vou continuar a jogar, isso é certo...

    O ForaDeJogo.net agradece a disponibilidade de Sérgio e deseja-lhe todas as felicidades desportivas e pessoais. Que continue a ser uma referência e um exemplo para todos os atletas!