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Entrevista com... Cláudio Pitbull
Realizada em 2009-11-22
O nome de Cláudio Mejolaro dirá muito pouco ao adepto comum; mas o nome de guerra de Cláudio Pitbull trará imediatamente à memória um avançado que é muito mais do que um goleador, apresentando-se como um jogador de raça, completo e capaz de ajudar de ajudar a equipa em todas as zonas do terreno.
Revelou-se no Grémio de Porto Alegre, o seu clube de coração, acumulando golos e exibições que chamaram a atenção de clubes maiores. O FC Porto abriu-lhe as portas da Europa, mas a partir daí seguiram-se uma série de empréstimos que o levaram a diversas partes do mundo. Regressou ao Brasil para segurar o Fluminense e o Santos no Brasileirão, esteve brevemente na Arábia, ajudou à salvação da Académica, liderou uma das melhores equipas do Vit.Setúbal dos últimos anos, brilhou a grande altura na Roménia. No entretanto, a sua forma de estar em campo e fora deste conquistou adeptos e colegas de equipa em todos os emblemas que representou.
De regresso a Portugal e depois de uma pré-temporada na Madeira caracterizada por imensos problemas físicos, Cládio promete regressar brevemente à forma que o notabilizou na Europa e no Brasil.
Aquecimento: as perguntas generalistas do costume
Preferências clubísticas: que emblema o faz vibrar?
Grêmio!
Ídolos e referências, todo o jogador e adepto tem algum. Quem o inspira?
O "baixinho" Romário e os dois Ronaldos.
Como começou a jogar futebol? Conte-nos a sua história.
Comecei a jogar pelada nas ruas, até que um dia um treinador da base do Grêmio - nome dele é Machado - viu-me jogar na rua e me convidou para um teste no clube.
Algum jogo na sua carreira que se destaque, em termos individuais ou colectivos?
Tem alguns jogos marcantes. Lembro-me de 1 jogo contra o São Paulo que fiz 2 gols; e outro contra o Vitória em que fiz 2 também.
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De onde vem a alcunha de Pitbull?
Quem me deu a alcunha foi o António Lopes (reputado treinador Brasileiro). Ele falou que eu era forte, não perdia a bola e era sempre bravo, e brincou com isso. Me chamou de "Pitbull" e eu não gostei, mas depois com o tempo pegou e nunca mais saiu.
Brasil: a afirmação
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Apareceu ao mais alto nível ao serviço do Grêmio de Porto Alegre. Ainda se recorda das suas raízes? Considera-se um jogador à imagem do clube?
Nunca vou esquecer as minhas raízes... foram 10 anos de casa. Sim, considero-me bem Gremista, com raça e vontade de vencer.
Afirmou-se no Brasileirão depois ao serviço do Juventude. Alguma nota da temporada em Caxias?
Nota 8! Faltou só o título... Perdemos nos quartos de final para o Grêmio, mas não joguei nesse jogo.
Regressou ao Grêmio para confirmar atributos e marcou 19 golos no Brasileirão, uma marca fantástica de que nunca mais esteve sequer perto de alcançar. De onde surgiu tanto golo? Jogava numa posição mais adiantada do que tem mostrado na Europa?
Eu sou uns dos maiores artilheiros das categorias de base do Grêmio, sempre fiz gol. Aqui na Europa jogo numa posição diferente e nunca me deram espaço... a não ser no Setúbal.
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Portugal
Como surgiu a hipótese de ingressar no FC Porto? Foi uma oportunidade repentina, ou já tinha havido contactos anteriormente? Tinha outros convites da Europa?
Sim, foi um contacto mito rápido. Tinha mais propostas mas a melhor foi mesmo a do Porto.
Chegou à Invicta na mesma altura em que uma carismática figura do FC Porto, Derlei, partia rumo à Russia. Os jornais apontavam o Cláudio como um jogador de características muito semelhantes: uma versão mais jovem do Ninja, um goleador muito físico, móvel, raçudo. Sentiu que lhe colocaram nas costas um manto muito pesado?
Não, nunca senti. Não gosto de me comparar com ninguém, mais sei que e o Derlei tinha feita uma excelente época e é um grande jogador. Não foi por isso que não vinguei... apenas não tive oportunidades.
Sentiu que era um jogador "de Victor Fernandez" e que de alguma forma pagou com Couceiro?
Para ser sincero sim, pois o Victor Fernandez tinha-me dado confiança e sempre falou que eu ia jogar. Mas logo cedo mandaram ele embora, e depois com o Couceiro - que é um grande treinador e uma grande pessoa também - a verdade é que não tive oportunidades.
Apesar de tudo ainda teve oportunidade de jogar na Liga dos Campeões, e conviveu com estrelas do futebol mundial como Luís Fabiano, Diego, Quaresma, Maniche ou Vítor Baía... Valeu a pena?
Sim valeu, tirei um aprendizado de tudo isso. Sempre aprendemos algo novo com cada experiência.
Brasil: a cofirmação
Regressou ao Brasil com ideia de rodar e voltar mais tarde ao Dragão, ou considerava Portugal como uma porta fechada?
Sempre tive vontade de regressar para mostrar o meu valor pois nao é à toa que o Porto vai atrás de alguém.
Representou Santos e Fluminense neste seu regresso, mas em ambos os casos as épocas desses clubes foram algo decepcionantes. Que se passou?
Não concordo com esse termo "decepcionantes", pois pelo menos joguei e fiz alguns golos. Mas de facto não mostrei tudo aquilo que sabia.
Já conquistou 2 estaduais e uma taça pelo Grêmio e teve oportunidade de jogar em outros 2 históricos do futebol Brasileiro, mas ainda não venceu qualquer Brasileirão... Ainda espera um dia poder vir a ganhar o campeonato do seu país?
Com certeza que sim! Tenho vontade de voltar a jogar no Brasileirão e sentir aquele calor, aquela vibração. No Brasil os estádios estão sempre cheios e a torcida é muito mais apaixonada...
Arábia Saudita
De permeio entre Santos e Fluminense, o Al-Ittihad. Normalmente a Arábia é um retiro na fase descendente da carreira de um jogador, uma oportunidade de amealhar algum dinheiro em detrimento de competitividade e exposição mediática. Porque aceitou então a transferência para o Al-Ittihad, ainda jovem?
Fui pra esse clube na Arábia pois era o campeão da Ásia e disputaria o Mundial de Clubes no Japão, mas chegando lá fiquei 1 mês na pré-época na Itália e no dia da convocação para a competição o treinador do time - que era Romeno (Anghel Iordanescu) - não me convocou e assim eu pedi para ir embora pois era jovem, e sem o incentivo do Mundial não tinha nada por que ficar.
Como descreve o futebol na Arábia a nível de infraestruturas? Um jogador profissional tem todas as condições de que necessita?
É um futebol semi amador... mas em termos de condições até que tem algumas estruturas boas.
Considerou a hipótese de se acomodar e permanecer na Arábia?
Não, nem pensar.
Portugal - o regresso em grande
Regressou a Portugal em 2007, emprestado à Académica. O plantel procurava apenas escapar à descida e o Claudio mesmo não tendo sido titularíssimo (se não me engano devido principalmente a problemas físicos) ainda assim esteve sempre em bom plano. Recorda-se desses tempos?
Tive um bom início mas o treinador - Manuel Machado - não me deixava jogar 90 minutos e foram 6 meses que passaram rapido, não joguei muito.
A Académica manisfestou-se desde logo interessada em mantê-lo; Cajuda afirmou publicamente que o queria no plantel do Vitória de Guimarães, e na verdade só nos últimos dias da pré-época é que chegou a Setúbal. O seu destino estava tão indefinido como parecia? Porquê escolheu o Vitória então?
Sim, na altura tive várias opções e tudo foi decidido nos últimos dias, quando o Carvalhal foi a minha casa e me convenceu a ir para Setúbal.
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As expectativas de início de época no Sado já apontavam para uma época de sucesso, ou foi algo que foi surgindo com o passar das jornadas?
Não... A gente sabia que podiamos fazer uma grande epoca, mas no inicio nunca pensamos que ia chegar tão longe. Com o tempo o grupo foi-se unindo e sentimos que poderiamos ir cada vez mais longe e fomos mesmo... e fizemos história.
Para além do papel essencial que representava dentro das quatro linhas também era frequente vê-lo envolvido em brincadeiras com o resto do grupo, sempre bem disposto e a contribuir para a união geral. Concorda que foi a alma do Vitória de Setúbal 07/08?
Nao me considero a alma, mas sim uma das peças mais importantes do grupo.
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Apesar da óptima época de 07/08, a verdade é que poucos jogadores confirmaram o valor que demonstraram no Sado. Afinal, o que tinha o "seu" Vitória de especial?
Eu acho que o nosso segredo era a união e honestidade do grupo, todo o mundo se ajudava para vencer as dificuldades.
Dois anos depois da partida o Cláudio ainda é das primeiras opções por parte dos adeptos setubalenses para reforçar o Vitória. Acredita num regresso?
Com certeza que sim! Eu nunca vou esquecer os vitorianos e o clube Vitória de Setúbal, e um dia ainda vou voltar a vestir aquele manto especial.
Roménia
Quando todos - adeptos do FC Porto incluídos - esperavam a sua reintegração no plantel dos Dragões, eis que surge a notícia do empréstimo para o Rapid. Foi tão apanhado de surpresa como a generalidade dos adeptos? Como decorreu o processo?
Sim, totalmente de surpresa. Depois desse processo eu perdi as esperanças em voltar ao Porto para jogar. Pois não foram justos e nunca me deram as oportunidades que merecia.
Como correu a adaptação ao Leste?
Foi uma adaptação muito fácil porque tinha mais Brasileiros no plantel e também aprendi a falar Inglês. Adorei Bucareste, é um bom lugar pra se morar, tirando o frio.... =)
Desportivamente como lhe correu a experiência? De acordo com a imprensa local o Claudio assinou várias prestações fantásticas, dando sequência ao que tinha feito em Setúbal... confirma?
Sim confirmo. Fui eleito a melhor contratação de Verão na Roménia com 83 por cento dos votos, e sou muito querido lá mesmo.
Tem convites para regressar à Roménia?
Este Verão tive 2 convites de lá, e um deles era para jogar a Liga dos Campeões pelo actual campeão Unirea.
Portugal - na Madeira
A ida para o Marítimo não deixou de causar alguma surpresa. O que o motivou a aceitar o convite da Madeira? Que peso teve Carlos Carvalhal nessa opção?
Isso foi uma historia que um dia vou contar, mas não agora. O Carvalhal ajudou um pouco mas não foi decisivo.
A época até ver não lhe está a correr de feição. Ainda podemos esperar grandes feitos do Pitbull no Marítimo?
Cheguei um pouco mais tarde na pré-temporada e comecei atrás do resto do grupo, mas aos poucos tenho vindo a recuperar e a entrar em forma. Agora estou esperando uma oportunidade que ainda não tive. Assim é dificil.
Conclusões
Melhor onze de colegas e ex-colegas seus?
Muito dificil de escalar, nem tento....
Em Portugal os jogadores de nacionalidade Brasileira encontram clubes de braços abertos para os receber e condições ímpares para uma adaptação rápida. Isso basta para convencer a emigrar? Que mais há que motive?
O jeito que o povo Português nos recebe é muito bom. Muitos atletas não têm mercado no Brasil, e aqui são bem tratados.
As invasões constantes de atletas Brasileiros tornaram alguns Portugueses um tanto ao quanto xenófobos em relação aos sul-americanos. Concorda? Já sentiu alguma vez isso na pele?
Sim concordo e já estive em algumas situações assim, mas é de se entender também. Não é uma situação nada simples.
Sente alguma amargura para com o FC Porto pela forma como tem gerido o seu trajecto?
Com o clube e instituição FC Porto eu não tenho nada a reclamar, e nem com os seus adeptos. Tudo o que posso falar é que não tive oportunidades... só isso.
Brilhou no Brasil, esteve na Arábia, brilhou em Portugal, brilhou na Roménia. Em quantos mais campeonatos pretende deixar a sua marca? Algum em especial que sonhe em experimentar?
Tenho vontade de jogar na Espanha, Inglaterra ou Itália; seria meu sonho qualquer uma destas ligas.
É um jogador já com algum nome tanto no Brasil como na Europa. A Canarinha ainda é um sonho para o Claúdio? Acredita que tem lugar numa selecção de superestrelas?
Tenho o sonho de vir a vestir a Canarinha, mas sei que é mesmo muito difícil...
Se fosse convocado, jogaria por Portugal?
Não, não jogaria. O meu sonho é a Canarinha.
O ForaDeJogo.net agradece a disponibilidade de Cláudio e deseja-lhe um rápido regresso ao estrelato e ao nível a que habituou os seus adeptos. O bom futebol agradece!
Comentários
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De facto, o Cláudio queixa-se e tem razão. O FC Porto não lhe dá opurtunidades, infelizmente. O dia, em que anunciaram a sua contratação em 2005, apanhou toda a gente de surpresa, pois Pitbull era uma das grandes promessas do futebol mundial. A falta de opurtunidades, não deixa que se imponha no Porto. Boa sorte, Cláudio, e continua a lutar. ;)