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Entrevista com... André Portulez
Realizada em 2009-09-17
Futebol vs Ed. FísicaNa minha opinião isso passa por dois factores fundamentais: se os horários dos treinos e das aulas permitirem estar nos dois sítios penso que não há dificuldade para que ambas as actividades sejam conciliáveis; se os horários dos treinos nao permitirem a presença nas aulas, terá de se abdicar depois de muito do tempo livre que estaria destinado para outras coisas para se meter a matéria em dia. Sim, penso que em ambos os sentidos há uma aprendizagem a ser feita e alguns dividendos a tirar disso. Por exemplo, um professor é o condutor de um grupo e como jogador sou membro desse mesmo grupo, conseguindo-me aperceber das dificuldades do seu líder e podendo dessa forma ajudá-lo. Isto é só um exemplo, pois poderíamos ficar aqui muito tempo a falar sobre isso, mas no essencial da questão sim... ajuda-me bastante! Não me sinto um exemplo porque não atingi ainda títulos na minha carreira que me permitam pensar que sou um exemplo. No entanto acho que sou um caso que soube perceber que nem todos os jogadores ganham dinheiro na sua carreira para uma independência financeira vitalícia, e também entendo que tenho capacidades que podem ser aproveitadas não só para jogar futebol mas também para outras coisas, e acho também que o ecletismo nunca fez mal a ninguém. Mas se me permite deixar um conselho a todos os jovens que começaram agora a jogar futebol quero dizer-lhes que o futebol pode ser aquilo que é mais importante para eles na vida, mas que têm de ter consciência que as coisas nem sempre corre como desejaríamos, daí que tenhamos de nos precaver estudando! Até porque se repararem no meu caso, foi o facto de ter levado os estudos a sério e de ter ido estudar para o estrangeiro que me permitiu jogar no estrangeiro e estar agora aqui a dar esta entrevista.... Início de CarreiraComecei a jogar nas escolas da Naval, em 1995. Iniciei-me como médio ofensivo, mas nos juniores fui adaptado a médio defensivo e assim tornei-me num jogador mais polivalente, daí que actualmente também não tenho qualquer tipo de problemas em jogar como médio interior. O salto deu-se com uma simples ida a treinos de captação do clube por minha iniciativa própria, no entanto eu já tinha sido observado anteriormente por eles só que nada se concretizou. Saí logo no final da época pura e simplesmente porque surgiu o interesse da Académica e como eu tinha também o objectivo de mais tarde frequentar a Universidade em Coimbra ajudou ao facto de me poder deslocar para mais perto de casa, para um clube de enorme prestígio! Mas o ano que passei no Boavista foi óptimo e tive a oportunidade de trabalhar com 2 excelentes treinadores: mister Amarante e o prof.João Aroso, que é hoje em dia o preparador físico do Sporting A transição de júnior para sénior é muito complicada. Tudo muda, é entrar num mundo diferente, sem dúvida. É a altura em que muitos jogadores que estão habituados a ser opção regularmente deixam de o ser (comigo felizmente nao aconteceu) e isso pode levar a muitas desistências. Não havendo acompanhamento tudo se torna mais difícil, e este desacompanhamento aliado à desilusão pode levar à triste situação que referi anteriormente. AcadémicaPassei lá 3 anos muito bons, sempre fui muito acarinhado por toda a gente. Significa para mim gostar de um clube que tem adeptos em todo o país e que tem a ideologia do jogador/estudante, infelizmente um pouco desvanecida nos últimos anos. O historial do clube é fantástico! Não foi o historial do clube que me inspirou a entrar no ensino superior, essa era uma ideia que eu já tinha, no entanto não quero deixar de referir que de facto no meu ano de caloiro a Académica me pagava o quarto em Coimbra e me pagava a propina, o que acho ser desde logo um incentivo bastante activo para qualquer estudante universitário! Actualmente não sei como correm as coisas, pois houve mudanças, entraram caras novas e sairam algumas pessoas desde há 4 anos para cá, portanto não me compete a mim tecer comentários sobre um assunto para o qual não estou habilitado a responder. HungriaA ideia surgiu quando na minha primeira época de sénior eu estava a jogar no Marialvas e decidi que iria fazer ERASMUS no ano seguinte se conseguisse conciliar essa actividade com o futebol. Só me aventuraria se houvesse possibilidade de jogar. Ora bem....por onde devo começar? Ok... Em Dezembro de 2006 comecei a pensar nesta situação e informei-me sobre os locais onde poderia fazer ERASMUS, para assim poder pesquisar sobre onde existiam equipas de 1a e 2a ligas para poder treinar à experiência. Entretanto o Facucho disse-me que ia regressar à Hungria para jogar e fui com ele, embora não tivéssemos jogado na mesma equipa. No inicio tudo foi complicado, mas contei com a ajuda de um rapaz de 17 anos que jogava nas camadas jovens do Integral DAC e que tratava de tudo o que fosse necessário: desde tradutor a reparar-me o computador, a tratar-me das papeladas necessárias, foi fantástico! Já na vida social as coisas no primeiro mês foram complicadas, pois eles ainda são um pouco fechados e as burocracias tropeçam umas nas outras, principalmente para os estrangeiros...
Tirando os clubes grandes, onde acho que Portugal leva uma incomparável vantagem ao nível de dimensão, os clubes médios têm bastantes semelhanças ao nível de massa adepta e de projecção na imprensa. Sim, a Hungria lembra-se de mim e já recebi contactos para regressar, no entanto tudo esbarrou em aspectos financeiros. Tenho também vários amigos que contactam diariamente comigo e que me expressam a vontade deles em ter-me de volta a jogar lá na liga principal. Acho que Portugal venceu justamente e que vai vencer outra vez. Os húngaros a nível psicológico pareceu-me que jogaram com um complexo de inferioridade em relação a nós, não acreditando em si mesmos. Achei inacreditável que com o resultado desfavorável eles defendiam sempre atrás da linha de meio campo com 11 jogadores, não tiveram o mínimo de ambição, não criaram uma única situação de perigo em jogada de lance corrido. Em Portugal a história não será muito diferente, daí que eu ache que se Portugal tiver bom poder concretizador até poderá obter uma vantagem mais dilatada do que em Budapeste. ValonguenseRecebi propostas de clubes de escalões profissionais e do estangeiro, no entanto, uma lesão com que vim da Hungria aliado ao facto de me faltar o estágio pedagógico para terminar a licenciatura levou-me a tomar esta opção que, em termos de carreira futebolística não foi naturalmente a melhor. No entanto gostava de realçar que fui sempre bem tratado pelas gentes do Valonguense. TochaEm Agosto lesionei-me gravemente num período de experiência em Salamanca e quando fiquei apto para competir em Janeiro surgiu o interesse do Tocha e eu aceitei o desafio. Os campeonatos semi-profissionais portugueses são campeonatos duros, no entanto parece-me que a qualidade também existe. As lesões podem acontecer a qualquer um e em qualquer momento da carreira de um futebolista. Período de descontos: ConclusõesJogar noutros campeonatos é uma ambição que tenho, mas tem de ser conjugado o aspecto financeiro para que o desafio seja suficientemente aliciante. Continuo a querer passar por experiências novas, pois a vida com desafios que não sejam monótonos torna-se muito mais interessante e eu quero desfrutar dela dessa forma. Não me parece que isso seja sintomático do estado do futebol português, apenas vejo isso por um prisma de naturalidade, pois a minha história de facto acho que foi de todo interessante, ir para fora para estudar e acabar por jogar também, conseguir conciliar futebol e ensino superior mesmo num país estrangeiro e com vários obstáculos a ultrapassar. Naturalmente seria pelo facto de os estrangeiros virem acrescentar qualidade, no entanto, em alguns casos acho que tal se verifica somente por interesses económicos, interesses económicos estes que muitas vezes não são tão claros quanto isso. Qualquer jogador que passe pela Académica pensa em regressar. Como já referi é um clube que deixa marca, portanto, a resposta é afirmativa!
Prof. Tó Miranda, foi meu treinador nos juniores da Académica e marcou-me muito, tem uma competência inatacável e métodos de trabalho com os quais me identifico na plenitude. Penso que o futebol hoje em dia é uma actividade onde muitas vezes não há qualquer espécie de ética e onde muita gente é atropelada. Mas uma coisa também é certa: imprensa, jogadores, treinadores e empresários, só para falar daqueles que referiu, todos eles são necessários para que o futebol vá progredindo, porque se há alguns a fazerem mal o seu trabalho também há quem o faça bem e isso é que contribui para a evolução do jogo. Se só houvesse consenso não haveria lugar ao progresso. Sou também obrigado a concordar que todo este sistema se tornou mais complexo do que há 14 anos quando comecei a jogar, mas isso será sempre assim, existirão sempre mudanças, umas para melhor outras para pior... Cada elemento te de se preocupar em fazer moralmente bem a sua parte e assim acredito que tudo ficará melhor. Encaro o futebol da mesma forma que encaro há muitos anos: com o prazer de jogar e a vontade de trabalhar para atingir patamares mais elevados e conseguir atingir sempre objectivos mais altos. Nunca fico contente, tento sempre propôr-me a novos desafios. A época que joguei na Hungria foi a mais marcante pelas razões que fui apresentando ao longo da entrevista. Em relação ao futuro neste momento só penso em trabalhar à espera de uma oportunidade para jogar a um nível superior, o Portulez professor para já vai tirar o mestrado e continuar a dar as suas aulas. Depois logo se vê... O ForaDeJogo.net agradece a fantástica disponibilidade de Portulez e deseja-lhe um rápido regresso aos relvados. No entretanto gostávamos de convidar os nossos utilizadores a deliciarem-se com uma colectânia de grandes momentos do jogador em solo Húngaro, para dar a conhecer toda a sua classe e qualidade técnica. Aviso: as execuções que vai ver podem provocar aplausos e olés... |
Aniversariantes
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