Nome:
Pass:
Registo Recuperar
Ficha de jogadorOutras entrevistas

Entrevista com... Ruben Gravata Realizada em 2010-10-24

Formado e apaixonado por Sporting, Rubén Gravata foi uma das referências da formação leonina, um artista do meio campo que chegou a capitanear atletas como Adrien Silva, Fábio Paim e mesmo Daniel Carriço. O salto para júnior marcou a despedida de Alvalade e - já como sénior - o início da travessia pelo deserto que incluiu vários emblemas da 3ª divisão nacional. Não se conformou com o seu destino e com a escassez de oportunidades e procurou no estrangeiro pela chance que não lhe deram em Portugal, assinando uma exótica transferência para a primeira divisão de Malta e para o recém-promovido Marsaxlokk. O sucesso não se fez esperar: é titular, tem-se destacado no onze e está agora a ressurgir no plano internacional.

Aquecimento: as perguntas generalistas do costume

  • Não é para dar vantagem aos oponentes, mas quais os seus pontos fortes e as suas fraquezas?
  • Em termos de pontos fortes destaco a técnica, qualidade de passe - tanto curto como longo -, visão de jogo, e a velocidade de execução. Quanto a fraquezas destaco o jogo aéreo.

  • Lembra-se de quando e porquê decidiu praticar futebol num clube?
  • Sim, tinha cerca de 6 anos e como adorava jogar futebol o meu pai colocou-me nas escolinhas dos Pelezinhos, um clube na zona de Setúbal.

  • Preferências clubísticas: que emblema o faz vibrar?
  • O Sporting, desde que nasci que é o meu clube!

  • Ídolos e referências, todo o jogador e adepto tem algum. Quem o inspira?
  • Ídolos vou destacar dois: Maradona e Messi. Em termos de referencias penso que Figo é um exemplo para todos os jovens jogadores seguirem.

  • Como começou a jogar futebol? Conte-nos a sua história.
  • Como disse atrás quando tinha cerca de 6 anos o meu pai colocou-me a jogar num pequeno clube na zona de Setúbal de nome Pelezinhos. Só podia jogar torneios amigáveis devido á minha idade, mas logo no primeiro ano comecei a ser observado por um olheiro do Sporting.

  • Algum jogo na sua carreira que se destaque, em termos individuais ou colectivos?
  • Sim, dois. Em primeiro destaco o jogo em que me tornei campeão nacional de juvenis pelo Sporting, em que precisávamos de ganhar em casa frente ao Leixões e o golo da vitória surgiu já nos descontos. Em segundo destaco a minha estreia na primeira liga Maltesa, dado que a estreia numa primeira liga é algo muito importante para um jovem jogador.

    Sporting

  • Como e quando começou a jogar no Sporting?
  • No dia que fiz 8 anos um olheiro do Sporting levou-me a uns treinos de captação, lembro-me que foi nos pavilhões junto ao antigo estádio de Alvalade. Estavamos imensos miudos mas ao fim de 15, 20min chamaram-me para assinar um papel em como faria parte da equipa de Escolas na época seguinte. E assim foi, passado 2 ou 3 meses fiz a estreia com a camisola do Sporting.

  • Teve o privilégio de se formar numa escola que gerou médios talentosos como Figo, Dani, Ronaldo e Nani, apenas para citar alguns dos mais mediáticos. O que faz a formação do Sporting que os restantes clubes não fazem?
  • O Sporting tem um acompanhamento e uma dedicação muito grande aos jogadores da formação, lembro-me que as outras equipas olhavam mais para o tamanho dos jogadores do que propriamente para a qualidade. O Sporting conta com gente competente que consegue muito cedo detectar a capacidade de um jogador independentemente da altura ou peso.

  • A decisão de sair para a Madeira foi sua, ou o Sporting é que tomou a iniciativa?
  • Foi uma decisão em conjunto com o Sporting, ambos achámos que seria melhor para a minha evolução ser emprestado no primeiro ano de junior e jogar com mais regularidade.

  • Depois de se investir alguns anos no clube, suponho que se sinta bastante a hora da saída...
  • Foi algo bastante complicado, pois desde criança sempre tive o sonho de vestir a camisola da equipa principal do Sporting. Ao fim de 9 anos a representar o clube é lógico que custa bastante sair.

  • Já abandonou Alvalade há alguns anos, mas se uma oportunidade inesperada surgisse - veja-se o que está a acontecer com Salomão - regressaria a casa?
  • Sem dúvida, não pensava duas vezes.

    União

  • Como se deu então a transferência para o União?
  • O treinador dos juniores do União na altura era o mister Nuno Naré que já tinha sido meu treinador nos infantis do Sporting. mostrou interesse em contar comigo e assim foi. No primeiro ano de júnior fui emprestado ao União, a época individualmente correu muito bem e o Sporting voltou a chamar-me no final. mas depois surgiu a contratacão do Yannick Pupo e preferi continuar na Madeira para jogar com regularidade.

  • Depois de conviver durante vários anos com a grandeza do Sporting, custou-lhe adaptar a um clube mais modesto?
  • Confesso que pensei que me custaria mais, mas felizmente tinhamos um plantel de enorme qualidade e a adaptação acabou por se tornar mais fácil. Entre outros estava lá por exemplo o Edgar Costa que representa agora o Nacional na Liga Sagres.

  • O último ano de júnior não lhe correu bem, com a despromoção à II Divisão. Que se passou nesse ano? O plantel não era forte o suficiente?
  • Esse ano tinhamos bons jogadores mas não éramos uma equipa unida o suficiente. Foi um ano com muitos problemas no clube e que acabou por se reflectir nos resultados.

  • Que balanço faz do período na União? Um jogador formado em Alvalade ainda tem algo a aprender na Madeira?
  • Aprendi e muito. Tanto em aspectos positivos como negativos, comecei a abrir os olhos para a verdadeira realidade no futebol.

    U.Montemor

  • Da Madeira para mais perto de casa, para Montemor.
  • Não foi o salto que estava á espera, mas a mudança para sénior é algo complicado.

  • Sentiu entao dificuldades nessa transição?
  • Algumas sim. É uma realidade diferente, um futebol mais duro e mais exigente.

  • Não teve a sorte de estar num plantel muito forte que facilitasse a adaptação ao futebol sénior. Olhando para trás sente que a sua evolução foi prejudicada?
  • Penso que não, até porque um aspecto positivo foi o de ter jogado praticamente toda a época. Um jogador para evoluir precisa acima de tudo de jogar.

  • Que balanço faz da passagem por Montemor?
  • A nivel de resultados negativo, mas foi um prazer representar o clube e partilhar o balneário com pessoas fantásticas.

    Portosantense

  • E de seguida deu-se o regresso à Madeira, para representar o Portossantense num momento conturbado. Sabia de antemão o que ia encontrar?
  • Sinceramente não. Sabia que tinham por hábito ter um plantel novo quase todas as épocas, mas não imaginei que o momento fosse tao conturbado.

  • Dados os problemas que se viviam no clube a época colectivamente até correu bem ao emblema de Porto Santo, mesmo sem atingir a subida. Como reagiram a direcção e os adeptos aos resultados?
  • Ficaram desiludidos por não se alcançar a subida, que era o grande objectivo.

  • Face ao produzido na Madeira houve alguma possibilidade de continuar no clube?
  • Não pensei sequer nisso pois foi uma altura bastante complicada para mim em termos pessoais e no qual achei melhor voltar para o continente e para junto da minha familia.

    Vigor e Mocidade

  • Finalmente a última paragem antes do estrangeiro: Vigor e Mocidade. Não lhe faz confusão andar a saltar entre a Madeira e o continente? =)
  • Confesso que já estou habituado...

  • Mesmo sendo ainda jovem jogou bastante nesta passagem por Coimbra. Sentiu que era a altura de dar o salto para outro nível, para mais do que a 3ª divisão?
  • Sim, penso que depois de ter jogado bastante e ter ajudado o clube a alcançar os seus objectivos, estava na hora de dar o salto para outro nivel.

    Malta

  • Como surgiu a hipótese Malta? Não é um destino comum para o jogador luso...
  • Foi uma oportunidade que apareceu sem estar a contar. Ligaram-me a dizer que um clube de Malta estava interessado em me observar e passado 3 dias estava a caminho.

  • Que tal tem corrido a adaptação? Quais as primeiras opiniões do país e do futebol?
  • Tem corrido bastante bem, toda a gente tem sido impecável comigo o que torna a adaptação mais fácil. É uma ilha pequena mas bonita com praias bastante agradáveis e com uma temperatura muito boa. Em termos futebolisticos está-me a surpreender pela positiva, pois joga-se um futebol bastante agradável e é um campeonato bastante competitivo e equilibrado.

  • Entre a 3ª divisão Portuguesa e a 1ª Maltesa notam-se grandes diferenças futebolisticas?
  • Sim sem dúvida. A 3a divisão portuguesa é muito fisica e joga-se pouco futebol. Na 1a Liga Maltesa joga-se um futebol mais atractivo, mais técnico, mais rápido, com uma diferença de ritmo muito grande.

  • Apesar da carreira sénior ainda não ter passado da 3ª divisão, tem um historial rico na formação. Foi o primeiro convite do estrangeiro que recebeu?
  • Não foi o primeiro. Há dois anos atrás recebi um de um clube na 3ª divisão Grega, mas não me agradou.

  • Sentiu-se forçado a emigrar para encontrar o seu espaço?
  • Sim, sem dúvida. Infelizmente em Portugal dão mais valor a um estrangeiro mesmo que tenha menos - às vezes muito menos - qualidade que um Português.

  • Não se pode dizer que estivesse muito bem servido na 3ª divisão, mas não se arrisca a perder visibilidade e mediatismo por ter emigrado para uma liga pouco competitiva?
  • É sempre um risco, mas entre jogar uma Primeira Liga e uma 3a divisão não penso duas vezes... Fiz a escolha acertada.

  • Apesar do Marsaxlokk ter jogado a 2ª Divisão no ano passado, já foi campeão recentemente e soma já algumas presenças nas competições europeias. Quais os objectivos do clube para esta época?
  • O principal objectivo é a manutenção, mas temos uma equipa experiente e com bastante qualidade. Acreditamos que com muito trabalho e uma pontinha de sorte podemos acabar nos lugares europeus!

    Conclusões

  • Com base na sua curta carreira e nas várias equipas por onde passou é capaz de eleger um onze formado com companheiros de equipa, actuais ou no passado?
  • Lamento mas não sou capaz de eleger um onze pois felizmente já tive oportunidade de trabalhar com muitos jogadores de enorme qualidade.

  • É sabido que muitas mudanças de local podem prejudicar a evolução de um jovem, tanto em termos pessoais como futebolisticos. O que pensa o Ruben, que viveu isso na pele?
  • Em termos de estruturas e metodologias de trabalho - e excluindo o Sporting, que se espera que tenha sido o melhor - qual o emblema em que encontrou as melhores condições?
  • Todos os clubes tinham boas condiçoes, embora longe das condiçoes extraordinárias do Sporting.

  • Alguns jovens talentos com passagem por grandes clubes - mesmo com presenças em selecções distritais e nacionais - perdem-se por não verem a carreira desenvolver-se de acordo com as expectativas, por vezes deixando mesmo de praticar. O Ruben sentiu isso a algum momento? Se sim, como é que um jogador luta contra essa situação?
  • Sim, senti. Principalmente no primeiro ano de sénior, em que foi um choque muito grande para mim cair numa 3ª divisão. Felizmente sempre fui muito forte mentalmente e nunca deixei de acreditar nas minhas qualidades.

  • Qual o papel dos empresários na sua carreira?
  • Tiveram um papel muito importante na oportunidade de vir para Malta. Hoje em dia no futebol é muito importante ter um empresário que trabalhe bem e que consiga criar oportunidades para o jogador, caso contrário torna-se muito complicado elas aparecerem.

  • Seguindo uma tendência que está na moda, se tudo correr bem e Malta o convidasse a integrar a sua selecção nacional, aceitava?
  • Era um caso a pensar na altura. Se visse que dificilmente chegaria a seleção nacional Portuguesa e que era o melhor para mim, porque não?

  • Por falar em Selecção, as ligas profissionais em Portugal têm mais estrangeiros do que nunca e a selecção nacional sofre com isso, através de uma escassez gritante de opções seleccionáveis. Tem alguma ideia sobre como dar a volta a esta situação?
  • Os clubes portugueses têm que de uma vez por todas apostar mais nos jogadores portugueses e dar o devido valor à qualidade do jogador português.

  • Qual o seu onze para a Selecção nacional neste momento de renovação?
  • Eduardo, João Pereira, Ricardo Carvalho e Pepe, F.Coentrão, Miguel Veloso, Raul Meireles e João Moutinho, Cristiano Ronaldo, Liédson e Nani.

  • Até onde pode chegar o Ruben Gravata?
  • A uma liga mais competitiva, e porque não a um grande na Europa ? Acredito e confio no meu valor, resta-me trabalhar e esperar por oportunidades melhores.

  • Para terminar, qual é o fascinio de jogar e viver em ilhas? :)
  • Não é propriamente um fascinio, é algo que simplesmente tem surgido e que até agora tem sido bastante agradável.

    O ForaDeJogo.net agradece a disponibilidade de Ruben e deseja-lhe todas as felicidades em solo Maltês; e de preferência um rápido regresso a Portugal para demonstrar as suas capacidades no nosso primeiro escalão.