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Defeso de tranquilidade por Tiago Lázaro em 2008-08-11

Na parte final de uma época de tormentas o Sporting Clube de Portugal vivia, inegavelmente, uma grave crise desportiva e directiva. Tudo e todos eram colocados em causa: jogadores, equipa técnica e directiva eram alvos da imprensa e dos sócios e adeptos do clube. Contudo, mantendo o rumo definido no inicio da época, e sem ceder a pressões internas e externas, a barca leonina acabou por fundear em bom porto: época desportivamente positiva conquistando a Super Taça e a Taça de Portugal; nova entrada directa na Liga dos Campeões e consequente alívio financeiro de curto prazo; prestigiosa campanha europeia com boas exibições na Liga dos Campeões e quartos de final da Taça UEFA.

Mas o céu limpo e vento de feição continuavam distantes de Alvalade. A Direcção Leonina ainda teria de ultrapassar o Cabo das Tormentas em polémica Assembleia Geral. Com o apoio de vários notáveis, e sobre a ameaça de afastamento no final do mandato, os órgãos directivos viram sufragados pelos sócios leoninos os principais pontos levados à votação. Assim, com o plano de reestruturação financeira aprovado, distante de mares tumultuosos e salpicos d’ Apitos Dourados, as velas verdes e brancas estavam preparadas para aproveitar todos os ventos favoráveis.

Provisionados com mais moedas de ouro do que em anteriores expedições, os marinheiros leoninos zarparam numa clara, precisa e inalterável rota na busca dos melhores tesouros futebolístico. Destaca-se desta expedição o objectivo de garantir os serviços de jogadores com créditos firmados e confirmados em Alvalade. Neste porto, foram contratados de forma definitiva Grimi e Ismailov e garantido os regressos de Marco Caneira e Rochamback.

Para não terminar “com um pé numa galera e o outro no fundo do mar” era importante garantir os valores que ficaram em terra e para isso encetou-se processos de renovação com jogadores base da equipa dos quais se destacam Polga, Tonel, Abel e Derlei - Derlei pelo seu empenho, dedicação e exemplo para o grupo. Nas antípodas de Derlei, a indisciplina e desrespeito de Stojkovick justificam plenamente o afastamento do titular da baliza sérvia e eliminou-se provável foco de tensão em mar alto da época 08/09.

Para colmatar necessidades prementes adquiriu-se Helder Postiga e Ricardo Baptista. Este último pode ter talento e margem de progressão mas é claramente uma contratação para o banco. Ou o Sporting transforma o Rui Patrício num Iker Casillas ou será pela baliza que a nau deixará entrar agua… muita agua… Saídas de Purovic, Farnerud e Celsinho ou a ascensão de Carriço à equipa principal são questões de gestão corrente dificilmente questionáveis e sem grande impacto no possível sucesso ou insucesso do grupo.

A manutenção das jóias da coroa (M. Veloso e J.Moutinho) deve-se a um mercado apático e sem transferências milionários pelo que não se deve atribuir este “êxito” a nenhum capitão-de-mar-e-guerra verde e branco. Já o plano de contingência gizado para essa eventualidade demonstra uma precisão, contenção e profissionalismo apenas visto nos últimos anos em mares do Norte.

Como referiu Paulo Bento em conferência de imprensa, o Sporting esta época parte um pouco à frente dos seus rivais pela luta do título. Sem dúvida! O Sporting perante o abismo do final da época transacta, deu um passo em frente! Superou-se, ultrapassou medos e fantasmas, criou um grupo forte, solidário, unido… uma base extraordinária que a Direcção soube aproveitar para, num defeso de tranquilidade, criar o Sporting 2008/09.