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Futebol Clube do Porto
O ano perfeitoMiguel Torres Um ano em que se ganha todas as competições é um ano perfeito. Um ano em que se ganha todas as competições excepto a Taça da Liga por erros do terceiro guarda-redes é um ano perfeito na mesma. Quando André Villas-Boas surgiu ao comando do clube no Verão, muitos colocaram dúvidas se seria o homem ideal para o lugar, sobretudo tendo em conta a boa prestação de Domingos no ano anterior à frente do Braga. Logo na altura senti bastante confiança no treinador. Pior que Jesualdo Ferreira não seria e a forma como a Académica jogava em 2009/2010 (impressionante o 3-2 no Dragão na sua estreia como treinador principal) dava alguma confiança. Por outro lado era portista assumido, algo que já não acontecia há algum tempo neste clube, o que lhe dava alguma margem de manobra entre os adeptos. Desde logo, falou num futebol de posse de bola e controlo de jogo, mesmo referindo que iria manter o 4-3-3 que serviu de base a Jesualdo Ferreira. E foi fiel aos seus princípios. Em termos de jogadores, poucas foram as diferenças para o ano anterior. Otamendi alternou com Maicon no lugar de Bruno Alves e Moutinho ficou com o lugar de Raul Meireles. As restantes contratações, embora não tenham encontrado lugar no onze principal formaram uma segunda linha sempre pronta a funcionar. Em termos tácticos, apesar do esquema não ser diferente e da equipa-tipo não diferir muito do ano anterior, aconteceu uma verdadeira revolução. Jesualdo Ferreira defendia um trinco clássico, que se limitava a ter papel defensivo e a passar a bola aos médios interiores. Por sua vez estes tinham muita tendência a cair sobre as alas, apoiando os extremos e não permitindo grandes subidas dos laterais. Por fim, um dos extremos funcionava muitas vezes como segundo ponta-de-lança, cabendo geralmente esse papel a Hulk. Com Villas-Boas a única semelhança será mesmo essa. Hulk partindo das alas em direcção ao centro. O 4-3-3 deste ano foi muito mais dinâmico e, em algumas formas, inovador. Uma característica bastante importante e inovadora corresponde à subida dos laterais em simultâneo (algo pouco comum num sistema táctico com 3 defesas). Nesses casos, os dois centrais abriam para as alas e o pivot defensivo recuava. Deste modo, o 4-3-3 transformava-se num 3-4-3, assegurando um jogo a toda a largura do campo sem descompensar as áreas mais recuadas. Mas o papel do pivot defensivo não se ficava por aqui. Fernando (na maioria dos casos), tinha também ordens para subir, quando um dos laterais ficava ou mediante um recuo de um médio mais ofensivo. Este pivot tinha uma função activa no ataque e não o papel de um central mais adiantado como acontecia no ano anterior. Curiosamente, Fernando, que era o “polvo” nos tempos de Jesualdo Ferreira brilhou menos quando tinha condições para se impor ainda mais, revelando-se algumas insuficiências a nível técnico para o lugar. Em sentido contrário, Guarín, de vocação mais ofensiva, teve excelentes exibições neste lugar. Exemplo disso foi a vitória em casa ao Marítimo, na qual marcou dois golos, sendo o primeiro um dos melhores de sempre no Estádio do Dragão. Relativamente aos médios interiores, o seu jogo era muito mais vertical, com constantes presenças na cabeça da área, permitindo uma circulação de bola capaz de encostar o adversário bem junto à baliza e, por outro lado, garantindo recuperações no último terço do terreno. Moutinho era o jogador que sabia ler melhor o jogo, posicionando-se sempre no local certo. Belluschi e Guarín foram ocupando o outro lugar numa competição muito saudável. Belluschi destacou-se pela técnica e criação de espaços atrás dos defesas e Guarín pelo seu poder de finalização, com dez golos em todas as competições. Por fim, um banco com segundas linhas importantes, que chegaram a ser titulares em algumas alturas da temporada. Destacam-se Beto, Maicon, Ruben Micael, James Rodriguez, Cristian Rodriguez e, em algumas alturas da temporada, Sereno e Emídio Rafael também deram o seu contributo. Walter e Souza, jogadores com nome no Brasil apareceram menos, mas o primeiro ainda teve tempo para marcar dez golos e a fazer um hat trick frente ao Limianos. Quanto ao evoluir da época, pouco haverá a dizer sobre um campeonato com 27 vitórias e 3 empates e o domínio absoluto na Liga Europa. A forma como Villas-Boas geriu o plantel, fazendo duas ou três pequenas alterações jogo a jogo e um trabalho físico muito interessante, reduziu o número de lesões musculares e permitiu uma frescura pouco comum. Nunca vimos uma equipa cansada. O único momento menos bom terá ocorrido em Janeiro, uma altura com poucos jogos importantes. Foi aí que o Porto perdeu com o Nacional (por capricho) e com o Benfica. Nessa altura destacaram-se as lesões de Falcao (que até foi bem substituído por Hulk) e de Álvaro Pereira, que não teve um substituto à altura nos primeiros jogos, até Emídio Rafael ganhar ritmo competitivo. A derrota com o Benfica terá sido resultado de uma defesa descompensada, talvez o único erro de Villas-Boas, com Maicon e Sereno do lado esquerdo a deixarem a equipa manca. As duas derrotas para a Liga Europa foram apenas fruto dos resultados da primeira mão. No caso do Sevilha com muitos falhanços à mistura e no caso do Villareal por desconcentrações de quem já se sentia na final. Quanto ao resto, ganhar, ganhar e ganhar… com apenas cinco empates pelo meio. O momento: Supertaça Benfica 0 – Porto 2O domínio foi tão grande que em nenhuma altura da época o campeonato este descontrolado. O primeiro dos jogos oficiais foi fundamental para toda a tranquilidade, com uma vitória justa e com uma exibição que quase pediu uma goleada. Bastou um jogo para as ideias em relação ao desenrolar da temporada mudarem. A figura: HulkPodia ser Falcao, até porque ambos têm um número semelhante de golos na temporada, mas Hulk esteve sempre lá. Até com o Limianos jogou os 90 minutos. Foi o melhor marcador do campeonato, ainda teve tempo para mais de dez assistências e pôs todas as defesas em sobressalto. Aliás, foi também responsável por alterações tácticas nos sistemas dos adversários, a começar pelo Benfica que saiu vergado por 5-0 no Dragão. A revelação: James RodriguezNa sua primeira temporada, e após alguns meses de adaptação, James Rodríguez foi muito importante para dar consistência à equipa na altura em que Falcao se lesionou. Jogou bastante, apesar de não ser muitas vezes titular e coroou a temporada com um hat-trick na final da taça. Nada mal para um jogador de 19 anos. Contudo, nos próximos anos terá que explodir definitivamente. A desilusão: SouzaInternacional pelas camadas jovens do Brasil, Souza teve dificuldades em impor-se num meio campo muito competitivo. Quando entrou não comprometeu mas também não se destacou. No entanto, notava-se que o que fazia nos treinos não era suficiente para convencer o treinador. A próxima temporada poderá ser decisiva para mostrar que tem valor e não apenas potencial. |
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