ForaDeJogo.net - U. Leiria 2010/2011


Nome:
Pass:
Registo Recuperar
.



União Desportiva de Leiria
Nome: U. Leiria
Associação: AF Leiria
Cidade: Leiría
Estádio: Dr. Magalhães Pessoa
Ano de fundação: 1966
Sede: Avenida Herois Angola (Galerias Alcrima)
Apartado 3074
2401-904
Web: www.uniaodeleiria.pt
Plantel 2010/2011
<<   >>
Treinadores
T Pedro Caixinha
Staff
João Bastos(ADJ), Sá Pinto(ADJ)
Entradas
Gottardi (24)Toledo Work   (I E)
Diogo Amado (20)Odivelas (II B)
Marcos Paulo (21)Le Mans   (I)
Paulo Sérgio (28)Académica (I)
João Silva (20)Everton   (I)
Leandro Lima (24)Cruzeiro   (A)
N'Gal (24)Nástic   (II)
Zhang (21)Mafra (II B)
Fabrício (25)Operário (II B)
Iturra (26)Univ. Chile   (I)
Rodrigo Silva (27)Nacional (I)
Cacá (27)Odense   (I)
Carlos Daniel (15)U. Leiria (JUN)
Cepeda (20)Sertanense (II B)
Arthuro (27)Al Dhafra   (I)
Luiz Carlos (22)Monte Azul   (I E)
Renato Saldanha (26)Toledo Work   (I E)
Obradovic (23)Mladost Lucani   (I)
Liga ZON Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Djuricic25Hugo Gomes7Paulo Sérgio27N'Gal
12Luiz Carlos26Panandetiguiri16Iturra9Rodrigo Silva
85Gottardi22Obradovic20Marco Soares14Zahovaiko
91Mika80Patrick21Marcos Paulo18Fabrício
  3Diego Gaúcho6Diogo Amado19João Silva
  5Paulo Vinícius4Pateiro50Arthuro
  13Bruno Miguel29Cacá83Carlão
  23Renato Saldanha8Rúben Brígido99Zhang
  30Mamadou Tall11Silas  
  77Zé António70Leandro Lima  
    90Cepeda  
    94Carlos Daniel  
Bombardear sem muniçãoJorge Carneiro

A saída conflituosa de Lito Vidigal, depois de ter apresentado uma prestação satisfatória na época anterior, abriu a pré-temporada e surpreendeu os adeptos e a generalidade da critica desportiva, ainda hoje se desconhecendo quais as razões por detrás do conflicto com João Bartolomeu. Seria o maior destaque de um Verão pouco agitado em transferências, tendo a União sofrido apenas as já previstas baixas do matador Cássio e do jovem centrocampista André Santos, ambos rumo a patamares superiores; e em contrapartida adquirido uma série de atletas promissores mas não especialmente entusiasmentes, como Leandrinho, Zhang e Marcos Paulo. Tudo somado, se em termos de qualidade do plantel não se poderia dizer que se tivesse ganho alguma coisa com o defeso, já a nível da equipa técnca todos estavam de acordo: mesmo os eventuais contestatários de Lito concordavam que esta não seria a forma ou a altura apropriada para dispensar o técnico, prejudicando logo aí as ambições da equipa que este ano passavam pela qualificação para a Liga Europa.

Pedro Caixinha foi o nome que se seguiu ao leme perante a desconfiança generalizada, apresentando um curriculo modesto e demasiado ligado a José Peseiro e com a condicionante de iniciar as suas funções já um pouco tarde, em meados de Julho. Temia-se o pior para a União e sem dúvida que o início não foi especialmente entusiasmante, com apenas uma vitória nos primeiros 5 jogos perante adversários acessíveis e somente dois golos marcados. No entanto já nesses jogos dava para ver que os processos colectivos estavam bem implementados, com Silas em grande destaque exibicional e todos os restantes atletas perfeitamente cientes dos seus papéis dentro do campo, e parecendo apenas faltar maior produtividade atacante. Assim, quando Carlão começou a concretizar as oportunidades que os colegas lhe arranjavam rapidamente a União começou a subir na tabela classificativa e a projectar cada vez melhores espetáculos sobre o relvado. Não havia como negar, Pedro Caixinha tinha conseguido superar as dúvidas em seu redor e rapidamente montado uma equipa alegre e desinibida - Gottardi era supresa entre os postes, a defesa segurava, Paulo Sérgio um rochedo a trinco, Pateiro uma lança que esticava a equipa muitos metros em cada pique enquanto Silas se contorcia e esgueirava entre linhas inimigas; e na frente N’Gal desestabilizava e criava espaços que Carlão usava para bombardear. Estávamos então na 14ª jornada e o 83 era o vice-melhor marcador da liga, e a U.Leiria o 4º classificado com promessas de surpreender ainda mais.

As partidas simultâneas de Silas e Carlão mudaram tudo. O Leiria terá encaixado cerca de 2 milhões e meio por dois atletas que tinham chegado praticamente a custo zero, mas por outro lado perdera as suas duas maiores referências ofensivas de uma assentada só. Pese embora toda a boa vontade bem como a indesmentível aplicação dos jogadores a União iniciou aí um percurso perigosamente descendente. À 18º jornada estavam já no 8º posto fruto de 3 derrotas e um empate, tendo marcado apenas um golo e por intermédio do lateral Paulo Vinicius. Para piorar, Zhang lesionou-se com gravidade quase no imediato, ele que vinha a perfilar-se como o mais provável candidato à sucessão na frente de ataque e que com isso pôs cobro à sua época de afirmação. A somar a isso ainda a rescisão recente de Arthuro, assim de repente Caixinha via-se apenas com os terrivelmente ineficazes Rodrigo Silva e Zahovaiko como opções para fazer dupla com N’Gal na frente - e o Camaronês não só atravessava uma fase mais apagada como também terminaria a temporada muito precocemente no departamento médico. Sem munição para manter a postura e com cada mau resultado a evidenciar ainda mais as carências existentes não houve outra possibilidade que não recorrer ao mercado para cobrir as lacunas e, quiçá, acrescentar ainda mais qualidade ao futebol praticado. Os nomes que chegaram então conseguiram finalmente gerar alguma expectativa: João Silva vinha emprestado pelo Everton depois de ter apontado 13 golos na nossa Honra no ano anterior; juntamente com o Brasileiro Fabrício, goleador nas divisões secundárias Portuguesas. E haviam ainda Iturra, craque consagradíssimo no seu Chile natal e titular da selecção; e Cacá, criativo Brasileiro com muita experiência acumulada na Europa. A direcção mostrava dessa forma que não se poupava a esforços para manter o clube na luta pela Europa.

As boas intenções, no entanto, não saíram de forma alguma premiadas. Os reforços nunca se adaptaram devidamente ao ritmo da primeira divisão portuguesa, com a excepção de João Silva que chegou em más condições fisicas e só nos desafios finais deu um ar da sua graça. Privado do seu ataque fantasista e produtivo e com a intermediária igualmente em quebra de rendimento não foi com certeza a defesa, ponto fraco do ano anterior que não fora nunca reforçado, a compensar. A União chegou ao ridiculo de somar uma humilde vitória em 14 jogos consecutivos, entre a 15ª e a 28ª jornada.

Curiosamente o Leiria terminou com o exacto número de pontos da edição 2009/2010, piorando o seu registo ofensivo e falhando ainda em melhorar significativamente a sua eficácia defensiva. Ou seja, em ano de mudança de objectivos o resultado ficou situado exactamente no mesmo patamar, parecendo ainda ter algo a evoluir antes do emblema poder voltar a reclamar o estatuto de Europeu. Ou talvez apenas um pouco mais de sorte com as lesões.

O momento: 13ª jornada U.Leiria 3 - 1 Sp. Braga, guerra de nervos

A União vinha protagonizando uma temporada muito interessante e recheada de bons momentos, mas à qual faltava ainda um brilharete frente aos grandes para apimentar um pouco mais o percurso. Os confrontos com Sporting e Porto tinham-se traduzido em duas derrotas, e à 13ª jornada chegava ao Lis o Sp.Braga, que depois de um início muito fraco vinha dando sinais de enormes melhorias e que prometia ir rapidamente intrometer-se na luta pela Champions.

Pedro Caixinha empregou uma estratégia mais ofensiva que o habitual e que exigia a Silas e especialmente a Pateiro que realizassem muito trabalho de sapa a fim de não desguarnecer a intermediaria. O Braga até se colocou primeiro em vantagem, após enorme falha de Diego Gaúcho num canto, mas depois viu-se à rasca para segurar a circulação de bola diabólica dos leirienses e as suas movimentações na linha da frente, para o qual Domingos não se encontrava preparado. Seria Silas a decidir o rumo da partida, conquistando muito bem um penalty e expulsando o recém-entrado Miguel Garcia e concedendo logo aí uma enorme vantagem para a sua equipa. Carlão tratou de concretizar o castigo e poucos minutos depois viria mesmo a bisar, colocando a União na frente do marcador. Os arsenalistas ainda foram causando calafrios aqui e ali, mas sem nunca mais conseguirem recuperar o domínio da partida; e com o passar dos minutos foram esgotando tanto a condição física como o seu próprio discernimento. Como consequência disso nos 10 minutos finais viram mais dois jogadores ser expulsos, e ainda Silas confirmar a surpresa por intermédio de nova grande penalidade. Seria o brilharete da temporada para os homens do Lis...

Estrela: Silas e Carlão, a mira e o canhão

As duas maiores figuras do Leiria 2010/2011 foram precisamente o veterano internacional português e o portentoso ponta de lança brasileiro. Ambos já se encontravam no plantel do ano anterior mas não tinham atingido o máximo das suas capacidades - em especial Carlão, de quem se esperava muito mais. Este ano assumiram a linha da frente do Lis e protagonizaram uma campanha incrivelmente diabólica, até à sua partida precoce no mercado de Inverno.

Silas demonstrou uma combinação da mobilidade de um recém-promovido dos júniores com a visão de jogo e a capacidade de passe que destaca as lendas. Encheu o meio-campo na sua tarefa de orientar e apontar todas as lanças ofensivas leirienses, com natural destaque para Carlão para quem desbravou muitas florestas defensivas e a quem traçou avenidas rumo aos golos. Este também cumpriu integralmente o seu papel, arrastando e partindo adversários com a sua poderosa mobilidade e fulgor físico, procedendo depois ao natural fuzilamento dos guarda-redes adversários de qualquer ângulo ou com qualquer parte do corpo.

Ambos deixaram então a União de Leiria na reabertura de mercado e após a 14ª jornada; Silas rumo ao Chipre e Carlão para alinhar na liga japonesa. Na altura em que sairam o clube encontrava-se estacionado no 4º lugar, a dupla era directamente responsável por 10 dos 17 golos marcados e Carlão era mesmo o segundo melhor marcador da liga Zon Sagres. Depois disso... muita pólvora seca, com apenas mais 8 golos e 11 pontos até ao final do campeonato. Mais palavras para quê?

Revelação: Gottardi, raide surpresa à baliza

Depois da bela época de Djuricic coroada com a presença no Mundial poucos acreditariam que permanecesse em Leiria e ainda menos que largasse a titularidade. Mas foi exactamente o que aconteceu: ninguém chegou a fazer uma proposta aceitável pelo sérvio e este, frustrado, incorreu numa série de processos disciplinares que levaram a equipa técnica a conceder uma oportunidade ao desconhecido Gottardi.

E quem era afinal o número 85 da União? Um guarda-redes jovem e extremamente ágil, o que é especialmente surpreendente dada a sua altura e compleição física. A combinação destes dois atributos permite-lhe chegar a remates fora do alcance de guarda-redes normais, com uma velocidade de movimentos verdadeiramente supersónica ainda que por vezes os movimentos sejam pouco ortodoxos. Demonstra ainda alguma lacunas em algumas abordagens a lances, mas nada que não possa desenvolver mais num futuro próximo. É, em suma, um diamante bruto que, depois de ter andado perdido nos estaduais Brasileiros, irá certamente assinar uma carreira interessante na Europa. E essa terá sido mesmo a percepção da equipa técnica, já que o guardião se estreou logo à segunda jornada no onze, e face ao seu desempenho e à frustração que daí adveio, à 4ª Djuricic já nem figurava nas convocatórias. Entre reaparições episódicas do sérvio e as exibições interessantes do míudo Mika, e ainda a chegada do suplente Luiz Carlos em Janeiro, a concorrência de cortar à faca pelo posto obrigou-o a manter um nível elevadíssimo durante toda a época... mas Gottardi esteve sempre à altura. E ainda mostrou que quem lhe quiser conquistar o lugar terá de guerrear violentamente por uma oportunidade que seja.

Desilusão: Bruno Miguel, capitão caído

Na defesa da U.Leiria destacam-se dois nomes pela positiva: Zé António e Paulo Vinicius. Bruno Miguel não é, obviamente, nenhum destes dois atletas e pelo contrário assinou uma campanha para esquecer, à semelhança dos restantes colegas de sector. Os problemas físicos têm sido uma praga constante desde que assinou pela turma do Lis e este ano não foi excepção, perdendo mesmo a pré-época e as jornadas iniciais graças a uma rotura muscular. Regressou à 4ª jornada mas por pouco tempo, lesionando-se no decurso da 8ª e frente ao campeão FC Porto por um período de dois meses e não tendo assinado boas prestações no entretanto. Conseguiu reentrar no onze depois de recuperar totalmente, mas manteve-se lá apenas por duas partidas dado que, mais uma vez, as suas exibições não primaram pela qualidade. Daí até final estabilizou no banco de suplentes, servindo apenas de alternativa quando algum titular enfrentava algum impedimento; e despediu-se assim em baixa do emblema que capitaneava com orgulho.

Com a sua estrutura física, qualquer falta de confiança ou mesmo de ritmo diminuem-lhe a capacidade de reacção e tornam-no num atleta pesado e com pouca coordenação de movimentos - as sucessivas lesões e paragens foram assim sem dúvida alguma factores que prejudicaram directamente as suas exibições. Mas enfim, tudo isso é passado e, fechado o capítulo Leiria, agora é ver que batalhas é que a campanha na Roménia lhe reserva.


Quem somos1 Contactos Agradecimentos Detectou um erro ou tem uma sugestão?
ForaDeJogo.net 2010