ForaDeJogo.net - Académica 2008/2009


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Associação Académica de Coimbra
Nome: Académica
Associação: AF Coimbra
Cidade: Coimbra
Estádio: Municipal de Coimbra
Ano de fundação: 1876
Sede: Rua Infanta D.Maria, 23
3030-330 - Coimbra
Web: www.academica-oaf.pt
Plantel 2008/2009
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Treinadores
T Domingos Paciência
Entradas
Eder (20)Tourizense (II B)
Sougou (23)U. Leiria (I)
Luiz Nunes (27)Juventude de Caxias   (B)
Licá (19)Tourizense (II B)
Saleiro (22)Vitória Setúbal (I)
Amoreirinha (23)UTA Arad   (I)
Peskovic (32)Gornik Zabrze   (I)
Hélder Cabral (24)Vejle   (I)
Diogo Gomes (22)J. Malucelli  
Gonçalo Santos (21)Tourizense (II B)
Garcés (27)CSKA Sofia   (A)
André Fontes (23)Tourizense (II B)
Rui Nereu (22)Tourizense (II B)
Edson (20)Belenenses (I)
Júlio César (24)Valdevez (II B)
Carlos Aguiar (29)Liverpool Montevideu   (I)
Madej (26)LKS Lodz   (I)
Sarmento (23)Varzim (II)
Liga Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Rui Nereu19Pedrinho8Júlio César11Lito
24Pedro Roma30Pedro Costa23Pavlovic16Licá
29Peskovic7Cléber Manttuy6Madej22Sarmento
  55Hélder Cabral17Cris18Sougou
  2Amoreirinha20André Fontes21Eder
  4Luiz Nunes28Nuno Piloto39Saleiro
  5Berger33Tiero99Garcés
  13Gonçalo Santos85Diogo Gomes  
  15Orlando9Carlos Aguiar  
  25Edson10Miguel Pedro  
Herança pesada para Rogério GonçalvesMário Amonte

Balanço positivo para o futebol da Associação Académica de Coimbra – Organismo Autónomo de Futebol na época 2007/2008, com o principal objectivo da equipa – a manutenção – a ser atingido muito antes do que vem, infelizmente, sendo habitual em anos anteriores. Na segunda volta, a boa prestação da equipa fez mesmo alimentar nos adeptos o sonho de que conseguiria algo mais: intrometer-se na luta por lugar que desse acesso às competições europeias. Afinal, mais por mérito dos adversários do que por demérito próprio, a Académica não conseguiria atingir esse patamar, apesar de uma época marcada por um registo muito acima da média nos jogos disputados em casa, onde apenas perdeu com o F.C. Porto, que se viria a sagrar Campeão Nacional, e com o Benfica. De resto, desportivamente falando, apenas uma nota negativa: o afastamento precoce da Taça de Portugal por culpa de um Estrela da Amadora que foi a Coimbra jogar fechadinho na defesa e que marcou o único golo do jogo naquela que foi a sua única oportunidade.

Para o Campeonato, a época até nem começou muito bem, com uma derrota – e, mais do que isso, uma exibição confrangedora – na Reboleira, mas duas vitórias em casa nas duas jornadas seguintes, frente ao Rio Ave e ao Vitória de Setúbal, deram aos adeptos a ilusão de que a equipa poderia vir a fazer, como fez, um campeonato tranquilo. Contudo, as jornadas seguintes retiraram algum optimismo: sete jogos consecutivos sem ganhar, com empates em casa frente ao Nacional e ao Braga e na Trofa e derrotas com Benfica (em casa) e com Marítimo, Belenenses e Porto, fora, onde, à 10ª jornada, consegue marcar pela primeira vez na condição de visitante. Se é verdade que, nos jogos fora de casa, os pontos – e até os golos – tardaram em surgir, a verdade é que foi em sua casa que a Briosa foi conseguindo subir lugares, ultrapassar adversários e atingir uma classificação como há muitos anos não se via para os lados de Coimbra. Aquele golo marcado no Dragão, bem pode ter sido o ponto de viragem para o tal campeonato tranquilo, porque a partir dessa jornada, o percurso da Académica foi feito sempre em ascensão. Analisando o desempenho da equipa a cada cinco jornadas, pode ver-se a estabilidade da equipa em termos classificativos

5ª Jornada 10º lugar
10ª Jornada 13º lugar
15ª Jornada 11º lugar
20ª Jornada 11ª lugar
25ª Jornada 8º lugar
30ª Jornada 7º lugar

A partir da 11ª jornada, os resultados foram surgindo – sobretudo em casa, sublinhe-se uma vez mais – com o ponto alto a ser alcançado em Alvalade, onde a equipa arrancou um empate. A zero, claro, mas com uma portentosa exibição de Peskovic que desde o princípio da época vinha a ser muito contestado pelos adeptos. Por um lado porque tinha “atirado para o banco” o titular habitual, Pedro Roma, mas também porque neste seu primeiro ano em Portugal demonstrava alguma dificuldade na comunicação com os seus colegas do sector defensivo, coisa que, aliás, se continuaria a verificar até ao final do campeonato.

A estabilidade de resultados que a Académica viveu a partir da 11ª jornada, contrastou com a instabilidade no balneário. No mercado de Inverno, ou mesmo depois de ele ter fechado, saíram cinco jogadores, curiosamente todos de origem estrangeira: Carlos Aguiar (Uruguai), Cléber e Edson (Brasil), Garcês (Panamá) e Pavlovic (Sérvia). O plantel aportuguesou-se com as entradas de Amoreirinha, Carlos Saleiro e de Hélder Cabral, a que se juntou o brasileiro Júlio César, o menos utilizado de todos, com apenas 45 minutos disputados na primeira jornada da segunda volta, em Vila do Conde. A necessidade de “reajustar” o plantel, que se tem sentido ano após ano, sobretudo devido a apostas nos mercados da América do Sul, mostra que a direcção da Briosa tem pecado por alguns erros de casting. O cada vez maior afastamento dos adeptos relativamente à equipa – as assistências são cada vez em menor número, nos jogos disputados em Coimbra – pode ser uma consequência da falta de identidade que a cidade e a região sentem para com uma equipa composta, sobretudo, por jogadores estrangeiros. Apenas 14 dos jogadores que a Académica inscreveu nas fichas de jogo nasceram em Portugal – e dois deles nem sequer chegaram a jogar. Mais: não há qualquer jogador no plantel que tenha nascido no concelho e apenas um nasceu no distrito de Coimbra – André Fontes, nascido em Tábua, mas que não passou de suplente não utilizado em cinco ocasiões. A identidade da equipa com a cidade e a região pode mesmo vir a sofrer mais um revés com a anunciada saída de Nuno Piloto e de Pedro Roma (fica? não fica? – José Eduardo Simões que responda) que não nasceram em Coimbra, mas foram adoptados pela cidade e pelos adeptos devido aos muitos anos que têm “de casa”. É impossível os adeptos identificarem-se com atletas que chegam sem cartel e saem do clube passados alguns meses sem que se sinta que tenham deixado qualquer valor acrescentado...

Mas isso são contas de outro rosário, de que este “balanço de 2008/2009 não é mais do que um pedido de reflexão aos dirigentes da Académica. Na temporada que agora terminou, o onze-base da Académica foi este:

Peskovic - Capaz do melhor, como no jogo da Luz e, sobretudo, em Alvalade, revelou dificuldades de comunicação com os seus colegas da defesa. Melhoraria sem dúvida para o ano. Se ficasse...
Pedrinho - Médio-ala de raiz foi utilizado a lateral direito por Domingos Paciência no seguimento do que já acontecia no Varzim. Sólido a defender, tem de melhorar as sua incursões ofensivas, sobretudo os cruzamentos para a área.
Luiz Nunes - Chamada a substituir Kaká, patrão da defesa no ano passado, fez esquecer o seu compatriota, vendido para a Alemanha, o que já não é pouco. Perigoso para as redes adversárias nas bolas paradas, marcou um golo.
Orlando - Seguro na defesa, marcou dois golos preciosos, de cabeça, na sequência de bolas paradas. Um desastre como marcador de livres.
Pedro Costa - Com uma genica inversamente proporcional à estatura física, foi adaptado ao lado esquerdo da defesa e nunca comprometeu.
Nuno Piloto - Ganhou espaço com a saída de Pavlovic e vai deixar a equipa órfã de capitão com a sua própria saída. Por ele passava todo o jogo da Académica.
Cris - Discreto mas eficaz a defender, incorpora-se bem no ataque e surge muitas vezes em posição de rematar com perigo à baliza adversária. Bom jogo de cabeça na área adversária.
Tiero - Marcou o golo da vitória no Estádio da Luz, mas poderia ter marcado outros. Está finalmente a atingir o patamar que dele se esperava quando, há já quatro anos veio para Portugal.
Lito - Novamente o melhor marcador da equipa. Apesar dos seus 34 anos, continua rápido e difícil de parar no um contra um.
Miguel Pedro - Irrequieto e sempre perigoso no meio campo adversário, teve uma época aquém do que dele se esperava.
Sougou - Uma seta permanentemente apontada à baliza adversária. Marcou quatro golos e poderia ter sido ainda mais determinante para a equipa não fossem duas expulsões que o atiraram para a bancada durante cinco jogos.

Se pensarmos que, destes onze, Peskovic e Nuno Piloto já rubricaram com outros clubes e que a continuidade de Pedrinho, Orlando e Miguel Pedro ainda não está garantida, não podemos deixar de constatar que Rogério Gonçalves, próximo treinador da Briosa, recebeu uma pesada herança.

O momento: Peskovic e Licá

Além da própria classificação final, a que os adeptos já não estão habituados, quero salientar dois momentos de “poesia”. O primeiro, assinado por Peskovic, nos últimos segundos do jogo de Alvalade, quando o autocarro estacionado pela Briosa à entrada da área ameaçava gripar. O guarda-redes sérvio defendeu um remate, desferido à queima-roupa, mesmo em cima da linha de golo. Nem o facto de o jogo ter sido parado pelo árbitro instantes antes retira beleza àquela defesa. O segundo momento alto da temporado - em termos de beleza futebolística - foi protagonizado por Licá, autor do terceiro golo na vitória por 3-1 sobre o Marítimo. Vejam no you tube, porque eu não tenho palavras para descrever esses dois momentos.

Figura: Lito.

Tem 34 anos, mas continua rápido e acutilante no ataque. Foi o jogador mais vezes utilizado por Domingos Paciência (29 jogos disputados) e voltou a ser o melhor marcador da equipa, com sete golos apontados. Para um extremo, numa equipa que se afirmou, sobretudo, pela coesão defensiva, é obra! Em apenas dois anos, granjeou junto dos adeptos uma grande simpatia e com o abandono de Nuno Piloto e talvez de Pedro Roma, perfila-se como o próximo capitão, responsável também por transmitir a quem chegar a mística da Académica.

Revelação: Domingos Paciência.

Numa equipa em que os protagonistas foram jogadores já estabelecidos, houve ainda assim tempo para apreciar a evolução de jogadores como Licá e Edér, por exemplo. Mas será extemporâneo dar a qualquer destes jovens avançados (apenas um golo marcado, cada um) o “título” de revelação da época. Domingos Paciência teve este ano a sua primeira temporada completa na I Liga, depois da experiência interrompida em Leiria e de ter chegado a Coimbra no ano passado, já com o campeonato a decorrer. Com um plantel desequilibrado conseguiu a melhor classificação da Académica desde há muitos anos e ficou a ideia de que poderia ter ainda feito muito melhor caso tivesse voz activa na contratação de jogadores.

Decepção: Garcês e Carlos Aguiar

Duas, grandes: Garcês e Carlos Aguiar. O panamiano chegou rotulado de goleador e com fama de indisciplinado. Confirmou mais este atributo do que aquele e desapareceu no Natal, deixando a equipa coxa de pontas-de-lança e forçando a aquisição de Carlos Saleiro. Se voltar, que seja para levar o que deixou e não foram certamente saudades... De Carlos Aguiar dizia-se que era melhor do que o irmão Luís, que no ano passado foi um dos grandes responsáveis pela recuperação classificativa da Académica na segunda volta. Também ele não confirmou os pergaminhos com que chegou. Apenas seis jogos disputados - nenhum completo - e a saída antes do final da época, por alegados problemas familiares. Por razões diferentes de Garcês, também não deixa saudades.


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