ForaDeJogo.net - Académica 2009/2010


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Associação Académica de Coimbra
Nome: Académica
Associação: AF Coimbra
Cidade: Coimbra
Estádio: Municipal de Coimbra
Ano de fundação: 1876
Sede: Rua Infanta D.Maria, 23
3030-330 - Coimbra
Web: www.academica-oaf.pt
Plantel 2009/2010
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Treinadores
T André Villas-Boas
Rogério Gonçalves
Staff
Zé Nando(ADJ)
Entradas
Nuno Coelho (21)Villarreal B   (II)
Ricardo (26)U. Leiria (II)
João Ribeiro (21)Naval (I)
Emídio Rafael (23)Portimonense (II)
Miguel Fidalgo (27)Nacional (I)
Paulo Sérgio (27)Al-Ettifaq   (I)
Licá (20)Tourizense (II B)
André Fontes (24)Tourizense (II B)
Vouho (22)Santa Clara (II)
Bruno Amaro (26)Nacional (I)
Bru (24)Paphos   (I)
Amaury Bischoff (22)Arsenal   (I)
Christo Amessan (18)Tourizense (II B)
Barroca (22)Tourizense (II B)
Bibishkov (26)Steaua Bucareste   (I)
Liga Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Rui Nereu19Pedrinho8Paulo Sérgio6Christo Amessan
12Ricardo30Pedro Costa66Nuno Coelho18Sougou
24Pedro Roma22Emídio Rafael17Cris10Miguel Pedro
31Barroca55Hélder Cabral20André Fontes11Lito
  2Amoreirinha28Bru16Licá
  4Luiz Nunes33Tiero25João Ribeiro
  5Berger61Bruno Amaro14Miguel Fidalgo
  15Orlando85Diogo Gomes21Eder
    7Amaury Bischoff27Vouho
      32Bibishkov
Desperdício tardioMário Amonte

A herança que Domingos Paciência deixou a Rogério Gonçalves revelou-se afinal mais pesada do que havíamos imaginado. Após uma época “de sonho” em 2008/09, a passagem do treinador que a Direcção da Associação Académica de Coimbra – Organismo Autónomo de Futebol escolheu, foi meteórica e marcada por um conjunto de resultados muito aquém do esperado.

Consumada a saída de Domingos Paciência, a opção por Rogério Gonçalves não foi pacífica nem entre a Direcção presidida por José Eduardo Simões nem entre a massa associativa academista. O clima de desconfiança que imediatamente se instalou face ao treinador levou rapidamente a crispações de que resultou o seu despedimento após sete jogos em que a equipa conimbricense não logrou ganhar uma única vez, registando apenas três empates – pecúlio demasiado magro para as expectativas que a época anterior havia criado. A Académica começou no último lugar, com uma derrota em Braga, e vítima de um conjunto de resultados invulgar – empate nos restantes sete jogos – ficando desde logo como a única equipa da I Liga sem qualquer ponto amealhado. Terá sido, esse também, um mau presságio que nem o empate na jornada seguinte, na recepção ao Paços de Ferreira, viria desmentir. As jornadas seguintes avolumaram a descrença, com uma derrota caseira com o Sporting, uma derrota em Olhão, mesmo jogando contra uma equipa muito cedo reduzida a dez jogadores, novo empate caseiro, com o Belenenses e empate em Vila do Conde. A primeira vitória tardava e José Carlos Simões via subir de tom, jornada a jornada, a contestação a Rogério Gonçalves.

Na sétima jornada, a derrota, embaraçosa, no Calhabé, frente a um Marítimo que tinha acabado de despedir Carlos Carvalhal e que se arrastava nos últimos lugares da classificação, foi a gota de água: além de perder o jogo, Rogério Gonçalves deixou de ter condições para continuar a orientar uma equipa a que faltavam resultados e sobrava intranquilidade. Mais do que a chegada de um novo timoneiro, a equipa e os adeptos pareceram livrar-se de um peso com a saída de Rogério Gonçalves. Na jornada seguinte, ainda sem tempo para que André Villas-Boas pudesse mudar alguma coisa, a Académica surge desinibida no Dragão, perde, mas disputa o resultado, marcando dois golos que dão alento. E fez-se a viragem: à nona jornada, vitória caseira, frente ao Vit. Guimarães. A seguir, empate – cedido já nos descontos – na deslocação a Leiria, antes de outra vitória caseira, novamente categórica, sobre o Vit. Setúbal. De repente, a Académica marcava golos, quase não sofria, e jogava um futebol bonito. A derrota – pesada, por 0-4 – na Luz, com um super-Benfica, não arrefeceu os ânimos e, no regresso a casa deu-se nova vitória, face ao Leixões, um adversário directo na luta pela manutenção, repetida na recepção à Naval, duas jornadas depois. Pelo meio, uma derrota na Madeira, com o Nacional, por 4-3. Num ápice, a Académica, que cinco jogos antes ocupava o último lugar da classificação, acaba a primeira volta em 10º lugar. Vive-se um período de euforia em Coimbra e olha-se mais para cima. Criam-se expectativas para um possível assalto aos lugares europeus, muito também por demérito dos habituais candidatos a esses postos.

André Villas-Boas anda na boca de meio mundo. O Sporting, diz-se, desdiz-se, pretende-o. O F.C. Porto não diz nada e desdiz-se ainda menos. José Eduardo Simões prolonga o contrato do jovem treinador, mas a verdade é que a partir daqui a tranquilidade que a equipa vinha patenteando parece abalada e deixa de ganhar em casa. É verdade que ganha dois jogos seguidos fora – ao Sporting, na 18ª jornada, e ao Belenenses, na 20ª, sempre por 2-1 – mas a “possibilidade europeia” esfuma-se com uma sequência de sete jogos sem ganhar e mas nenhuma vitória no Estádio Cidade de Coimbra: voltaria às vitórias apenas na 28ª jornada, em Matosinhos, onde garante matematicamente a manutenção. No jogo seguinte, perde a última possibilidade de ganhar um jogo em casa na segunda volta e cede um empate, novamente ao cair do pano, frente ao Nacional. Os golos sofridos nos últimos minutos com influência na repartição de pontos foram uma infeliz constante para a Académica. Vejamos:

  • 1ª Jornada – Braga, fora (0-1), golo de Meyong, aos 86 minutos (perde de um ponto).
  • 3ª Jornada – Sporting, casa, (0-2), golo de Djaló, aos 85 minutos.
  • 7ª Jornada – Marítimo, casa, (2-4), golo de Bruno, aos 82 minutos.
  • 8ª Jornada – Porto, fora (2-3), golo de Farías, aos 82 minutos.
  • 10ª Jornada – Leiria, fora, (1-1), golo de Diego Gaúcho, aos 90 minutos (perde dois pontos).
  • 16ª Jornada – Braga, casa (0-2), golo de Matheus, aos 90 minutos.
  • 17ª Jornada – Paços de Ferreira, fora (1-2), golos de Ricardo, aos 84 minutos e Romeu Torres, aos 90 minutos (perde três pontos).
  • 23ª Jornada – Porto, casa (1-2), golo de Cristian Rodríguez, aos 87 minutos (perde um ponto).
  • 24ª Jornada – Guimarães, fora (0-1), golo de Rui Miguel, aos 85 minutos (perde um ponto).
  • 26ª Jornada – Setúbal, fora (1-1), golo de Henrique, aos 90 minutos (perde dois pontos).
  • 27ª Jornada – Benfica, casa, (2-3), golo de Ruben Amorim, aos 80 minutos.
  • 29ª Jornada – Nacional, casa (3-3), golo de João Aurélio, aos 90 minutos (perde dois pontos).

Sem estes golos sofridos nos últimos dez minutos de jogos, a equipa de Coimbra teria mais doze pontos. Mas a verdade é que as partidas terminam quando o árbitro apita pela última vez, normalmente para além dos 90 minutos de jogo…

Além de uma prestação “intermitente”, na I Liga, a Académica teve um bom desempenho na Taça da Liga (eliminada pelo F.C. Porto, nas meias-finais da competição). Na Taça de Portugal foi eliminada em casa pelo Beira-Mar, no desempate por grandes penalidades, num jogo que deveria ter ganho.

Individualmente, alguns comentários sobre os jogadores que formaram a equipa-base da Briosa:

  • Ricardo / Rui Nereu – Nenhum convenceu, de forma que foram alternando na baliza, não fazendo esquecer um Peskovic que, no ano passado, embora muito intranquilo fez aquilo que se exige a um guarda-redes: garantiu pontos. Nem Ricardo nem Rui Nereu estiveram à altura e, na nossa opinião, foi na baliza que residiu o principal ponto fraco da Académica. Peiser, que chega da Naval como reforço para a próxima época, deve entrar na equipa “de caras”. Boa aquisição.
  • Pedrinho – Continua fiável a defender, raramente falha. É a atacar que sente maiores dificuldades, ele que até fez a sua formação numa posição mais avançada no terreno. Impreciso a cruzar, precisa treinar mais essa componente.
  • Orlando – Capitão de equipa, comanda a defesa de Coimbra. Autoritário e respeitado por colegas e adversários, começa a impor-se como uma referência de uma equipa a que faltam jogadores “da casa”. Continuou este ano a ser um dos marcadores de serviço de pontapés-livres. Nessa condição marcou um golo, ao Sporting, mas de resto este sempre muito desinspirado.
  • Berger – Resgatado por André Villas-Boas, depois de proscrito por Domingos e Rogério Gonçalves, o que quase o levou à saída do clube. Aproveitou bem a lesão de Luiz Nunes, de quem se esperava que fizesse dupla com Orlando. Acabou por ser um esteio da defesa, muito forte na marcação e no jogo aéreo. Seguro na defesa e perigoso nas bolas paradas na área contrária.
  • Emídio Rafael – Atirou Pedro Costa para o banco de suplentes e afirmou-se como titular indiscutível no lado esquerdo da defesa. A boa época que assinou catapultou-o para a ribalta e vai agora lutar por um lugar no onze do F.C. Porto, levado pelo seu treinador André Villas-Boas. Como ponto fraco da época, o penálti que falhou contra o Beira-Mar, para a Taça de Portugal. Quem é que marca um penálti assim?
  • Nuno Coelho – Percorre quilómetros no meio-campo, ajudando na defesa e surgindo com regularidade a tentar o pontapé de longe. Ofensivamente não foi feliz, mas realizou uma excelente época. Uma agradável surpresa.
  • Cris – Outro jogador que abandona Coimbra quando começava a ser uma referência para os adeptos. Batalhador, um poço de energia na busca da bola e de espaços vazios para receber o passe de um colega e rematar de longe. Bom jogo de cabeça na área adversária. Uma pena que parta.
  • Tiero – Também vai sair. Fortíssimo no remate de meia-distância, também é capaz de causar alguns calafrios aos seus próprios companheiros e adeptos, com faltas de concentração inexplicáveis em zona defensiva.
  • Éder – Uma pena que tenha falhado tantos jogos por lesão. Afirmou-se como um ponta de lança rápido e possante, por vezes trapalhão mas muitas vezes capaz de toques de classe. Muito forte no jogo aéreo, aproveitando bem a sua compleição física que lhe dá a vantagem de alguns centímetros sobre a maioria dos seus adversários. Vamos acompanhar de perto e com muito interesse a progressão deste jovem.
  • João Ribeiro – O mais criativo dos avançados de Coimbra. Perde-se por vezes em dribles desnecessários e individualismo exagerado, que o conjunto não pode aproveitar. É, também, um jovem promissor. Sai para o Vit. Guimarães.
  • Sougou – O melhor marcador da equipa, põe a cabeça em água aos seus adversários, com uma velocidade por vezes estonteante. Falhou apenas um jogo, melhorando no capítulo disciplinar relativamente à época anterior.

O momento: 7ª jornada: Académica - Marítimo

Sexta-feira, 2 de Outubro. O jogo Académica – Marítimo abre a sétima jornada. Com a contestação a subir de tom, 2.514 espectadores pedem à Direcção da Briosa que actue. O avolumar do resultado torna a decisão fácil de tomar. Não há condições para manter Rogério Gonçalves à frente da equipa. O divórcio consuma-se, abrindo espaço à entrada de Villas Boas e à salvação da Briosa.

Figura: Sougou.

Este ano foi ele o melhor marcador da equipa, em vez de Lito, menos utilizado. Impressionante como um corpo franzino tem capacidade de choque e velocidade para ganhar tantas vezes aos defesas contrários. Actuando na direita ou na esquerda, por vezes mesmo na posição de ponta-de-lança, representa um perigo constante para o adversário.

Revelação: André Villas Boas / Éder.

Apareceu e pediu-se-lhe o milagre. Fê-lo e, ainda por cima, de uma maneira relativamente fácil. Transfigurou a equipa e o seu futebol, tornando-a criativa, fazendo a circulação de bola só possível de acontecer com jogadores tranquilos e confiantes. Desnecessárias as rábulas quanto à sua saída para o Sporting e posterior acordo com o F.C. Porto. Um bom treinador não se vê apenas no banco…

Éder pertence a uma espécie em vias de extinção – é ponta-de-lança, uma pérola rara capaz de despertar o apetite de clubes com meios financeiros que não permitirão que a Académica o guarde. Sem ser um matador de eleição e mesmo com muitos aspectos técnico-táticos para evoluir, esta temporada destacou-se pela boa resposta às necessidades da equipa, trabalhando imenso para preencher a vaga na frente de ataque.

Decepção: Amaury Bischoff / Bibishkov.

Quem? Ah, sim, esses! Bischoff chegou com excelentes referências e passagens pelo Estrasburgo, Werder Bremen e Arsenal. Esteve lesionado e foi apenas utilizado num jogo na Liga, infelizmente aquele que ditou o afastamento de Rogério Gonçalves. Nunca foi escolha de André Villas-Boas e acabaria por ser emprestado ao Desp. Aves. Regressa este ano para o tira-teimas: as referências eram justificadas?

Bibishkov protagonizou a única contratação da Académica no mercado de Inverno. Para quê? Também utilizado por apenas uma vez, escassos 17 minutos, à 21ª jornada, na derrota caseira com o Rio Ave. Mais valia ter-se guardado o Licá – foi emprestado ao Trofense – um jovem da casa. Teria sido muito mais útil.


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