ForaDeJogo.net - Académica 2011/2012


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Associação Académica de Coimbra
Nome: Académica
Associação: AF Coimbra
Cidade: Coimbra
Estádio: Municipal de Coimbra
Ano de fundação: 1876
Sede: Rua Infanta D.Maria, 23
3030-330 - Coimbra
Web: www.academica-oaf.pt
Plantel 2011/2012
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Treinadores
T Pedro Emanuel
Staff
Filipe Gouveia(ADJ)
Entradas
Marinho (28)Naval (I)
Cédric (19)Sporting (I)
João Real (28)Naval (I)
Edinho (28)Marítimo (I)
João Dias (24)Trofense (II)
David Simão (21)Benfica (I)
Abdoulaye (20)Sp. Covilhã (II)
Rui Miguel (27)Kilmarnock   (I)
Saulo (29)Rio Ave (I)
Flávio Ferreira (19)Sp. Covilhã (II)
Nivaldo (22)Tourizense (II B)
Danilo (26)Macaé   (C)
Magique (18)Académica (JUN)
Reiner Ferreira (25)ASA Arapiraca   (B)
Júlio César (27)Aves (II)
Fábio Luís (27)Porto Alegre FC   (I E)
Fábio Santos (18)Académica (JUN)
Jerry (20)Liga Muçulmana   (I)
Mvom (18)Fortuna Yaoundé   (II)
Willian (17)Sport Recife   (B)
Liga ZON Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Peiser2João Dias8Habib Sow3Sissoko
12Ricardo41Cédric50Diogo Melo18Magique
24Fábio Santos26Nivaldo88Júlio César20Marinho
  55Hélder Cabral10Adrien Silva82Saulo
  4Flávio Ferreira22David Simão19Rui Miguel
  5Berger7Hugo Morais23Diogo Valente
  13João Real85Diogo Gomes9Fábio Luís
  15Orlando99Danilo17Eder
  21Abdoulaye  36Edinho
  30Mvom  25Jerry
  35Reiner Ferreira  28Willian
73 anos depoisJorge Carneiro

A Académica viveu um ano de extremos e de emoções muito fortes, chegando a envolver-se na luta pela Liga Europa, guerreando desesperadamente pela manutenção ao longo de 16 jornadas sem vitórias, e finalmente fechando 2011/2012 a erguer a Taça de Portugal. Nada assim tão atípico, se verificarmos que ainda na temporada anterior o percurso para o campeonato até foi bastante semelhante - a vitória no Jamor é que faz toda a diferença e transformou todas as frustrações em sonho e euforia.

Pedro Emanuel foi o nome seguinte de uma já longa linhagem de treinadores com ligações ao FC Porto a assumir o comando técnico da Académica, substituindo Ulisses Morais que meses antes conseguira evitar a despromoção. O jovem técnico fazia a sua estreia enquanto treinador de equipa principal, contando com vários empréstimos de clubes grandes para compôr o plantel. De entre as aquisições destacavam-se o extremo Marinho à vizinha Naval e os empréstimos de Cédric e Abdoulaye, jovens em busca de afirmação ao mais alto nível, enquanto nas partidas Sougou e Nuno Coelho eram as baixas mais lamentadas. As expectativas depois de um ano difícil eram moderadas - pedia-se apenas um campeonato tranquilo à equipa.

O início dos estudantes foi avassalador, com 4 vitórias conseguidas nas primeiras 6 jornadas e muitos golos marcados a conferirem a Académica como o terceiro melhor ataque da prova. Éder marcara já mais vezes do que em qualquer outra época e Adrien e Sissoko eram surpresas agradáveis de um conjunto bem mais objectivo, veloz e agressivo em comparação com a melhor Académica de Jorge Costa. A natural vaga de optimismo que se criou entre os adeptos resistiu a alguma desacelaração de resultados e à eliminação prematura da Taça da Liga e, pelo contrário, foi até alimentada pela estrondosa vitória frente ao FC Porto (3-0) que eliminou os dragões da Taça de Portugal.

Por altura do mercado de transferências a Briosa era um destino obrigatório para olheiros de outros clubes. Berger e Sissoko foram vendidos, Éder mesmo seco de golos também esteve quase a garantir um bom encaixe (mas em vez disso originou apenas um caso) e Adrien, Aboulaye e Diogo Valente também foram conotados com transferências eminentes. Apesar destas saídas e de diversas lesões prolongadas a intenção de José Manuel Simões e seus pares era lutar pela qualificação para a liga Europa e para isso procuraram reforçar o plantel com empréstimos de atletas com créditos firmados - chegaram Edinho, David Simão e Saulo nessas condições, mais Reiner e Mvom numa segunda linha, e contava-se ainda com o regresso do capitão Orlando como uma mais-valia.

Todavia Orlando lesionou-se após 18 minutos de competição, agravando uma maldição de problemas físicos entre os centrais que já vitimara Real e ainda viria a abranger Reiner e mesmo a adaptação Habib. Fragilizados numa posição fulcral, a Académica arrancara para uma inacreditável série de 16 jornadas sem vencer para o campeonato e entre Dezembro e Maio apenas somaram 7 pontos - 6 derrotas consecutivas entre a 23ª e 28ª jornada! - caindo da 6ª para a 15ª posição da tabela, que colocava a Briosa na Honra. Não faltam explicações para o sucedido: falta de opções para o eixo da defesa, abaixamento de forma de unidades importantes, desconcentrações nos últimos minutos, opções menos credíveis de Pedro Emanuel (Diogo Valente no banco?!) e, a partir de determinada altura, pura falta de confiança. Para além disso mesmo para a Taça de Portugal o percurso era marcado pelo sofrimento. O secundário Leixões estivera a 5 minutos de eliminar a Briosa nos oitavos, caindo de exaustão depois no prolongamento. O CD Aves também pregara um susto nos quartos, enquanto a Oliveirense a duas mãos foi um osso muito duro de roer que se bateu de igual para igual. A chegada à final foi celebrada não apenas pelo acontecimento em si, mas pelas dificuldades encontradas e ultrapassadas no caminho.

As duas vitórias finais frente a Vitória de Setúbal e de Guimarães, com Edinho a marcar em ambas, salvaram o conjunto da despromoção e colocaram-nos no 13º lugar. Foram também a melhor injecção de confiança que a equipa poderia pedir, permitindo-lhes entrar em campo no Jamor de forma confiante e descomplexada, com os jogadores preparados para correr atrás de um sonho que os colocaria na história do clube... e que terminaria mesmo com Orlando a erguer o troféu!

O momento: Aconteceu Taça!

Aos 4 minutos de jogo Adrien disputou uma bola com Polga, David Simão abriu rapidamente para Diogo Valente que cruzou de forma primorosa para a cabeça do pequeno Marinho. Este não tremeu e lançou a festa entre 15000 adeptos dos estudantes que se encontravam nas bancadas, juntando várias gerações diferentes na crença intensa por uma vitória no Jamor, com passaporte para a Liga Europa. Seguir-se-iam mais alguns bons momentos e a natural dose de sofrimento, mas a Briosa apontava logo ali o resultado final de um dos momentos mais bonitos da sua história. 73 anos depois a Taça de Portugal voltou a morar em Coimbra.

A figura: Adrien Silva, leão à caça de títulos

Em boa hora o Sporting aceitou cedê-lo à Académica - de outra forma dificilmente teria conquistado títulos, alinhado na sua posição favorita e provado sem margem para dúvidas o enorme erro que foi retirá-lo do plantel verde e branco. Paulo Bento quis fazer dele o 6 do seu Sporting durante épocas a fio e com isso acabou por desgastar a imagem do jovem médio, que foi obrigado a passar dois anos fora da casa mãe para mostrar qualidades. Neste 2º ano de Académica, onde entrou para à partida ocupar o espaço deixado por Nuno Coelho, explodiu com todas as expectativas.

Contrastando com o 6 estático e de jogo monótono, o Adrien "número 8" combina classe e liderança com muita disponibilidade física, enchendo o meio campo a defender e a atacar. Melhor a correr com a bola do que a soltá-la (aspecto em que claramente tem de melhorar) consegue abrir defesas pelo meio ou através de derivações da ala para dentro, aproveitando depois para assistir os colegas ou tentar ele mesmo o golo. E ainda remata forte e colocado, como se pode verificar pelos 7 tentos apontados no total de todas as competições. Um poço de força e de energia cuja forma individual ditou também a forma da Académica ao longo deste ano e que, diz-se, está no horizonte da selecção principal a curto prazo.

À partida teria lugar cativo no novo Sporting - especialmente vendo-se o que Elias não rendeu no seu lugar - dizendo-se no entanto que se encontra incompatibilizado com Sá Pinto e que não terá espaço no plantel 2012/2013. A confirmar-se será ainda outro tiro no pé dos reponsáveis leoninos, mas também uma oportunidade para o jovem médio evoluir numa equipa mais competitiva.

A revelação: Habib, rochedo senegalês

Alguns anos nas divisões inferiores de França e internacionalizações pelas selecções jovens do Senegal permitiram-lhe o salto para Portugal em 2009/2010 para representar a União de Leiria, vendo o seu vínculo rescindido ainda antes do final do primeiro mês e acabando por perder toda a época em litígio com o clube. A Académica deu-lhe uma oportunidade no ano seguinte embora as expectativas sobre si por esta altura fossem baixas, e em Coimbra passou de Pape Sow a Habib e de médio defensivo a central. Primeiro sofreu enquanto recuperava a condição física, seguindo-se a espera por uma vaga no onze que demorou a surgir; e quando finalmente esta apareceu no eixo da defesa naturalmente não conseguiu impressionar, incapaz de disfarçar a falta de experiência e de rotinas no lugar. Apenas viria dar um ligeiro ar da sua graça nos últimos encontros da época e já enquanto médio, adivinhando-se como candidato provável à dispensa.

Ironicamente terá mesmo sido o facto de poder alinhar como defesa que permitiu a sua permanência no plantel, dada a escassez de opções de raiz. No entretanto impressionou Pedro Emanuel na pré-época ao ponto de começar logo à primeira jornada como titular no vértice mais recuado do meio-campo, exibindo finalmente as suas capacidades aos adeptos. Sólido como um rochedo, é muito vigoroso e consegue estar 90 minutos a forçar o contacto físico com os adversários sem acusar qualquer desgaste, destacando-se também por ter uma área de acção muito alargada em relação aos jogadores típicos na sua posição. Instrumental a proteger a costas dos colegas mais ofensivos, com a bola nos pés preocupa-se em levantar a cabeça e tentar construir jogo - embora não esconda alguma ingenuidade, sobretudo ao nível do timing para executar o passe.

Terminou contrato com o clube e falhou os últimos jogos do campeonato e Taça por lesão, impossibilitando uma despedida dos adeptos à altura das exibições que assinou. Mas mesmo muito valorizado e tendo nesta altura muito mercado a renovação com a Académica não é impossível, até pelo apelo da Liga Europa.

Desilusão: Éder, Éderzito.

Avançado jovem, lutador, internacional por Portugal e já com alguns anos de Briosa, Éder tem uma série de características que lhe granjeou o carinho especial dos sócios. Beneficiou de muita paciência dos técnicos com que trabalhou em Coimbra para crescer enquanto jogador, apontando uns meros 21 golos em 4 temporadas de utilização frequente pelo clube e demonstrando uma falta de eficácia exasperante em muitas alturas que, em outros emblemas, seria facilmente uma sentença de morte.

Foi portanto uma enorme desilusão para todos que, na primeira vez em que estava a conseguir facturar com um mínimo de regularidade, Éder tenha optado por se incompatibilizar com a direcção através de falhas disciplinares graves juntamente com o comportamento grosseiro no decurso das negociações com o West Ham. Com esses gestos terminou mais cedo a sua temporada - ficando-se por uns banais 5 golos para a Liga - e inverteu a relação com os adeptos, saindo de Coimbra pela porta mais pequena e perdendo o direito a participar nos capítulos decisivos da conquista da Taça de Portugal.


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