ForaDeJogo.net - Belenenses 2006/2007


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Clube de Futebol "Os Belenenses"
Nome: Belenenses
Associação: AF Lisboa
Cidade: Lisboa
Estádio: Restelo
Ano de fundação: 1919
Sede: Avenida Do Restelo
1400-015 - Lisboa
Web: www.osbelenenses.com
Plantel 2006/2007
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Treinadores
T Jorge Jesus
Staff
Miguel Quaresma(ADJ)
Entradas
Costinha (32)U. Leiria (I)
Cândido Costa (25)Sp. Braga (I)
Eliseu (22)Varzim (II)
Rodrigo Alvim (22)Paraná   (A)
Nivaldo (26)Paulista   (B)
Marco (28)Sp. Braga (I)
Carlitos (29)Gil Vicente (II)
Manoel (28)Vitória Guimarães (I)
Fernando (25)Académica (I)
Garcés (25)Nacional de Montevideo   (I)
Gonçalo Brandão (19)Charlton   (RES)
Roma (27)Pumas   (I)
Mancuso (24)Marítimo (I)
Marco Pinto (18)Belenenses (JUN)
Superliga
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Marco2Amaral5Rúben Amorim24Carlitos
24Marco Pinto14Mano6Sandro Gaúcho27Cândido Costa
70Marco Aurélio16Sousa7Mancuso8Eliseu
73Costinha4Rodrigo Alvim18Pinheiro20Fábio Januário
  28Gonçalo Brandão10Silas21Djurdjevic
  3Vasco Faísca11Zé Pedro77Fernando
  13Rolando  19Roma
  17Gaspar  22Manoel
  25Nivaldo  30Dady
      99Garcés
De Bestas a BestiaisPedro Gonçalves

A época 2005/06 fechou de forma amarga para o Belenenses, com a derrota na última jornada contra o Gil Vicente que garantia a manutenção dos gilistas e causava a despromoção aos azuis; mas depois de uma pré-época marcada pelo caso Mateus, a situação invertia-se nos tribunais e seria precisamente o clube de Barcelos a possibilitar a “repescagem” dos de Belém. Entre recursos e desenvolvimentos a confusão prolongou-se até bem depois de a época 2006/07 se ter iniciado, o que viria inclusive a resultar em perda de pontos para um Gil Vicente agora na Liga de Honra.

Polémicas à parte, o Belenenses apresentou-se para esta temporada com uma equipa bastante forte que conseguiu conquistar um lugar na Taça UEFA da próxima época devido a um bom 5º lugar, e que até poderia ter sido um 4º (apenas atrás dos 3 grandes) não fosse o Belenenses perder os últimos 3 jogos fora de casa - um conjunto de desafios difíceis, contra o campeão FC Porto; contra o eventual 4º classificado, o Braga; e a fechar contra o vice-campeão, o Sporting.

No entanto, a situação do Belenenses até nem começou da melhor forma, somando apenas uma vitória nos primeiros seis jogos e um total de três nos primeiros 11 - com apenas 7 golos marcados até aí. Assim no final do primeiro terço do campeonato a equipa parecia estar mais voltada para lutar uma vez mais pela manutenção do que propriamente por objectivos mais elevados - o que até nem seria de estranhar dado que grande parte da estrutura do ano anterior se tinha mantido. Por esta altura destacavam-se os homens do meio-campo, capazes de criar bom futebol bem como arquitectar várias ocasiões de golo para os homens mais adiantados desperdiçarem... Os nomes em evidência eram portanto Rubén Amorim, Silas e acima de todos, José Pedro. Em simultâneo, a defesa - orfã das referências Pelé e Marco Aurélio - também apresentava qualidade, com Nivaldo e o jovem Rolando no centro e Rodrigo Alvim na esquerda. No lado direito da defesa encontravam-se as maiores dúvidas já que o habitual titular Amaral não conseguiu atingir os patamares exibicionais apresentados aquando da sua chegada ao Restelo, e as alternativas, Sousa ou o central adaptado Gaspar não estiveram melhor. Na baliza, o experiente Costinha que viveu uma carreira recheada de altos e baixos, abandonou o 8 e 80 e fixou-se no 44, não deslumbrando mas também não comprometendo.

Onde residia então o maior problema deste Belenenses? Detendo na altura o segundo pior ataque da liga não era de estranhar que residisse nos avançados da equipa. Roma assinou apenas um golo durante a época enquanto Manoel conseguiu marcar ainda menos, e a revelação Dady tinha apenas dois golos no seu pecúlio. Mas a extraordinária subida de forma do cabo-verdiano viria a revelar-se a solução ideal... Na segunda volta, Dady ganhou definitivamente a titularidade, que até então disputava com Manoel, e a recuperação começou a verificar-se de forma gradual. À entrada para o último terço do campeonato o Belenenses encontrava-se no oitavo lugar a um ponto dos lugares de acesso à UEFA; e começou esse último terço com umas impressionantes cinco vitórias consecutivas (Dady contribuiu com golos para cada uma) que colocaram a equipa nos lugares europeus, para não mais de lá sair.

Para além do bom campeonato que fez, os azuis do Restelo foram ainda finalistas da Taça, onde eliminou vários adversários de divisões secundárias até chegar às meias-finais. O sorteio foi portanto bondoso, mas é bom não esquecer que FC Porto e Benfica caíram aos pés de equipas de escalões secundários. O último obstáculo para garantir o acesso ao Jamor seria vencer o espetacular Sporting de Braga; um obstáculo superado num jogo equilibrado e decidido no prolongamento. Já na final, o sonho prolongou-se até bem perto do fim, quando Liédson “acordou” o Belenenses para a realidade - e esta realidade consistia num bilhete para a Europa mas nenhum troféu para colocar nas suas vitrinas. Ainda assim, uma realidade quase “de sonho” para uma equipa que há um ano atrás estava com os 2 pés na Liga de Honra.

Momento Chave: Paços de Ferreira 0-2 Belenenses

Antes desta partida o Paços de Ferreira era quinto classificado com Belenenses imediatamente abaixo; mas os do Restelo venceram a partida na Mata Real e esses lugares inverteram-se.

Foi um jogo que moralizou a equipa (viria a ganhar mais três jogos consecutivamente) já que foi a primeira vez na época que o clube se colocou nos lugares de acesso à Europa, sendo que o feito foi conseguido frente a um adversário directo e no terreno deste. Para além de ter sido a primeira vez, foi também a última e definitiva. Depois de conseguir entrar nos lugares que dão acesso à UEFA o Belenenses não voltou a sair.

Figura: José Pedro

Numa época de bastantes vitórias é natural que vários jogadores se tenham destacado. Deram nas vistas durante esta época o central Nivaldo ou os médios Ruben Amorim e Silas, por exemplo, mas aquele que no desempenhar das suas funções em campo mais conseguiu desequilibrar a balança para o lado do Belenenses foi José Pedro.

Mesmo para aqueles que acompanham a Superliga com bastante atenção, José Pedro é um jogador que se começou a destacar há bem pouco tempo; possivelmente lembrar-se-ão da sua estreia no Belenenses em 2004/05. Certamente não terá passado indiferente a quem viu a sua fantástica exibição no 4-1 ao Benfica (na 14ª jornada) coroada com 2 golos. Na altura tinha já 26 anos. Na época anterior tinha subido com o Vitória de Setúbal à Superliga e certamente os adeptos sadinos ainda não se terão esquecido. Poucos se lembrarão com clareza que fez parte de um plantel (onde não conseguiu encontrar o seu espaço) do Boavista de Jaime Pacheco e antes disso foram tempos passados na 2ªB maioritariamente ao serviço do Barreirense. Resumindo, José Pedro tem 3 anos de primeira divisão, incluindo duas boas épocas mais esta fantástica, a da explosão… aos 28 anos (29 em Outubro). A capacidade física vai e vem enquanto a classe perdura, e José Pedro tem classe para dar e vender. É um dos melhores criadores de jogo da liga, e consegue complementar essa faceta com um bom remate de longe; e ainda capacidade de execução de bolas paradas, como o comprovam os 8 golos obtidos esta época - 10ª melhor marca da liga. Excluindo pontas de lança, apenas Simão e Lucho marcaram mais.

Um senão: foi expulso por 2 vezes esta época (já na época de estreia no clube tinha sido por uma vez). Devido a esta situação falhou 4 jogos, 3 dos quais o Belenenses perdeu. E se é verdade que este facto ajuda a demonstrar a sua influência, é também verdade que se não os tivesse falhado, talvez não fosse necessário estar a falar dessas 3 derrotas.

Revelação: Dady

Dady foi uma surpresa esta época, especialmente se tivermos em consideração a sua experiência no ano anterior em Belém. Mas foi igualmente uma surpresa na segunda volta, se tivermos em consideração apenas a primeira, altura em que disputou um lugar no onze durante o primeiro terço do campeonato e só fez três jogos completos. Mesmo quando entrava em campo, e apesar de já demonstrar alguma capacidade, ainda não se revelava produtivo. Para azar do Belenenses (ou sorte como se veio a verificar mais tarde) os restantes avançados produziam ainda menos, e essa situação abriu caminho ao mais alto dos avançados do plantel para começar a segunda volta a titular. Em boa hora: na segunda volta 10 dos seus 15 adversários sentiram na pele a capacidade goleadora do cabo-verdiano (2º melhor marcador da liga), o que muito contribuiu para que o Belenenses possa estar de volta à Europa do futebol. Faltou marcar à Académica, Boavista e aos 3 grandes. Para isso Dady terá de esperar mais um ano.

Decepção: Marco Aurélio

Pinheiro, que foi estrela no Estoril, nunca se conseguiu impor no Belenenses; Djurdjevic, que foi um jogador importante no Vitória de Guimarães, conseguiu ter este ano uma época ainda mais discreta que a anterior; Manoel, que marcou bastantes golos entre o Gil Vicente e o Moreirense, apesar das oportunidades que teve no início da época continuou a não apresentar argumentos que motivem a sua presença na Superliga (o ano anterior em Guimarães tinha sido igualmente apagado). E o que dizer de Marco Aurélio? Oito anos a titular no Belenenses, cinco (consecutivos) dos quais como totalista, para além de época e meia como titular indiscutível no Farense, e a sua primeira meia época em Portugal como titular no Rio Ave... O imperador desconhecia a noção de suplente até esta época. E num ápice perdeu não só a titularidade, mas também o lugar na convocatória. Costinha foi o guarda-redes titular e Marco o suplente, e apenas quando Marco era titular (na ausência de Costinha) é que Marco Aurélio figurava no banco de suplentes. Assim, jogou apenas os dois últimos jogos da época e concluiu a sua carreira com uma derrota expressiva por 4-0 frente ao Sporting, onde ainda por cima não se exibiu em grande nível. Uma carreira notória na Superliga portuguesa, mas concluída da pior forma possível.


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