ForaDeJogo.net - Belenenses 2009/2010


Nome:
Pass:
Registo Recuperar
.



Clube de Futebol "Os Belenenses"
Nome: Belenenses
Associação: AF Lisboa
Cidade: Lisboa
Estádio: Restelo
Ano de fundação: 1919
Sede: Avenida Do Restelo
1400-015 - Lisboa
Web: www.osbelenenses.com
Plantel 2009/2010
<<   >>
Treinadores
T António Conceição
João Carlos Pereira
Entradas
Lima (26)Avaí   (A)
Barge (25)Estoril Praia (II)
Beto (33)Recreativo   (I)
Celestino (22)Estrela Amadora (I)
Bruno Vale (26)Vitória Setúbal (I)
Miguelito (28)Marítimo (I)
Nélson (33)Estrela Amadora (I)
Tiago Gomes (22)Osasuna   (I)
Marcos António (26)PAOK   (I)
Fajardo (30)Panthrakikos   (I)
Yontcha (26)Otopeni   (I)
Devic (25)Estrela Vermelha   (I)
Ivan (27)Estoril Praia (II)
Mustafa (24)Huesca   (II)
Fellipe Bastos (19)Benfica (I)
Freddy Adu (20)Mónaco   (I)
Romário (19)D. Chaves (II B)
Fábio Marques (18)Belenenses (JUN)
Filipe Paiva (18)Belenenses (JUN)
Dani (19)Belenenses (JUN)
Igor (21)Sevilla B   (II)
Thiago Schmidt (25)Feirense (II)
Azeez (18)Belenenses (JUN)
Liga Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
 Thiago Schmidt7Mano6Gabriel Gómez22Fredy
1Assis27Cândido Costa56Pelé55Fajardo
3Nélson5Tiago Gomes10Celestino25Freddy Adu
16Bruno Vale21André Pires20Fellipe Bastos9Yontcha
  13Rodrigo Arroz4Barge17Igor
  15Devic81Miguelito89Romário
  18Mustafa59Azeez90Lima
  23Filipe Paiva11Zé Pedro19Dani
  28Marcos António14André Almeida  
  33Beto26Ivan  
  65Fábio Marques    
  80Diakité    
Garrafa de Vitalis na prateleira SagresJorge Carneiro

Despromovidos em campo, mas extremamente eficientes na secretaria. Um rótulo indesejado que começava a colar-se ao Belenenses depois de mais uma temporada em que a má posição classificativa não tivera consequências reais e escondera uma gestão terrível na escolha do plantel e treinador, após um par de anos em bom plano sob o comando de Jorge Jesus. No caso concreto de 2009 foi a despromoção administrativa do Estrela da Amadora - numa decisão tomada pela Liga já bem próximo de Agosto - que proporcionava uma nova oportunidade aos azuis de repensar a sua estratégia e também de provar o seu valor dentro das quatro linhas.

A decisão tardia da Liga chegou então quando o mercado de transferências se encontrava já avançado e com vários atletas já garantidos, e apesar das declarações públicas de que o clube sempre contara em absoluto com a manutenção no principal escalão e que se encontrava a formar um plantel para participar na Sagres, até aí era notória a preferência por contratar jogadores mais físicos e combativos, mais adaptados à realidade da liga Vitalis. Só após a confirmação da presença no escalão maior é que aterraram Beto, Adu, Celestino e Lima, jogadores com boa relação com a bola e de créditos mais firmados no panorama nacional. Só que mesmo com estes reforços, o plantel continuava a contar com demasiados ex-juniores sem experiência: Assis, André Pires, Filipe Paiva, Fábio Marques, André Almeida, Pelé, Fredy e Romário, um terço dos jogadores no total. A aumentar a desconfiança geral, não se assistia a grandes esforços para colmatar a maior lacuna evidenciada no ano transacto: o centro da defesa. Devic e Rodrigo Arroz, que em épocas anteriores tinham demonstrado pouca competência, constituiam mesmo assim as melhores opções para emparelhar com o ex-internacional Português Beto. E, finalmente, o desinteresse na continuidade do capitão Silas e dos avançados Vinicius Pacheco e Marcelo foram decisões questionadas por diversos sócios, no que parecia uma lógica curiosa de não premiar as melhores unidades de 2009 enquanto se segurava os mais limitados. A qualidade do plantel era posta em causa ainda antes do campeonato se iniciar.

A estratégia dos azuis não era assim segredo para ninguém: montar a equipa em torno de referências de renome como Nélson, Beto e José Pedro, e completá-la com jovens provenientes da cantera de grande potencial. Só que a sorte não esteve do seu lado e os seus principais elementos sofreram problemas físicos - Beto com um sem-número de lesões musculares menores, Nélson obrigado a terminar a carreira numa altura em que era a maior figura do plantel, Cândido Costa parado a maioria da temporada, e Yontcha, surpresa pela positiva na frente de ataque, também cedo a ver-se fora de combate. Sobraram assim vagas para elementos pouco rodados e que, mal grado a dedicação inigualável, não estavam ainda prontos para serem atirados às feras. Os remendos e a inexperiência em geral tornavam o Belenenses uma equipa confusa em campo, pouco expedita a trocar a bola e a descobrir soluções para progredir no terreno e globalmente mal posicionada, com muitos espaços abertos no seu meio-campo. Uma equipa simultaneamente frágil e pouco ofensiva, que se desnorteava com facilidade e era permeável em bolas paradas, e com poucos lugares agarrados por uma referência clara. Uma equipa bem encaminhada para a Vitalis.

João Carlos Pereira, técnico com alguns anos e poucos êxitos no primeiro escalão, esteve 14 jornadas à frente da equipa. Deixou-a em último lugar, com más exibições, o título de pior ataque da prova e ainda uma defesa fraca, mesmo assim disfarçada pela altíssima performance de Nélson. Para o seu lugar entrou António Conceição, também ele sem grandes credenciais a defender mas vindo de uma óptima temporada na Roménia, lançando as bases para o Cluj recuperar o ceptro local. Não se pode dizer que tenha sido uma troca com bons frutos dado que os azuis nunca voltaram a conseguir escapar-se para acima da linha de água, nem as exibições melhoraram consideravelmente, nem o modelo de jogo sofreu grandes alterações, tudo isto apesar da chegada de bons reforços como Miguelito, Marcos António, Mustafá e Fajardo; mas pelo menos num aspecto esteve consideravelmente melhor que o seu antecessor, ao somar o dobro dos golos marcados em sensivelmente o mesmo período de tempo.

O folego final já após a despromoção ser uma realidade matemática, com duas vitórias e 7 golos marcados nos últimos 2 jogos, trouxe alguma justiça tardia à equipa e lançou algumas dúvidas sobre até onde este mesmo plantel poderia ter chegado com mais experiência e menos pressão nas costas, de alguma forma confirmando que mais do que falta de qualidade, escasseava principalmente traquejo aos jogadores. Convém aliás destacar os vários valores que despontaram esta temporada em Belém e que certamente ainda regressarão a este escalão no futuro: para além de Lima e de Barge, houve ainda espaço para o rigor de André Pires na lateral esquerda, a personalidade de André Almeida a meio-campo, a velocidade de Fredy na frente, entre outras aparições menos regulares. E, como bónus, os 6 pontos permitiram ainda subir um posto na classificação e igualar o posicionamento da temporada anterior, abrindo a porta a novo sonho de salvação administrativa. Agora, sem outros clubes em risco de falirem ou notícias de despromoções por processos de corrupção, todos os olhos estão na SAD e nos argumentos que esta conseguir descobrir e apresentar para manter o clube entre os maiores - sendo o Belenenses, nunca se sabe... De qualquer forma, caso se confirme a participação na Honra pelo menos o Belém possui já uma óptima base para atacar o ceptro nessa temporada, uma vez que conta com um conjunto de jogadores entrosados, de qualidade e que já tiveram direito a um ano de estágio na Sagres antes de disputar o seu campeonato.

Momento: 16ª Jornada - Belenenses 1-3 Leixões

António Conceição estreara-se na ronda anterior ao comando do Belenenses e conseguira um empate frente ao Vitória de Setúbal que recuperara um lugar na classificação. O seu segundo desafio seria frente ao Leixões e novamente em casa, no que seria uma oportunidade excelente de conseguir ganhar vantagem sobre um adversário directo na luta pela manutenção. Só que o que poderia ser um momento de glória vir-se-ia antes a revelar como um suicídio colectivo, com os jogadores a acertarem tiros nos pés sucessivos que comprometeram o resultado do jogo. Diakité, trinco de origem mas já habituado à dobrar indisponibilidades entre os centrais, deu o mote ao ver dois amarelos e cometer um penalty ainda antes do primeiro terço do desafio, e Hugo Morais não desperdiçou a chance de colocar o Leixões na frente do marcador. António Conceição, agora com menos um atleta em campo, arriscou e ao intervalo retirou os jovens André Almeida e André Pires para fazer entrar os não menos jovens Pelé e Fredy, uma substituição elucidativa quanto à gama de opções disponíveis no plantel. A troca pretendia não só colocar mais um tampão no centro do terreno como também abrir a frente de ataque Belenense, um movimento arrojado que fazia sentido face aos deslizes constantes da dupla Tucker e Trombetta no centro da defesa matosinhense.

As hipóteses de sucesso viriam no entanto a ser fortemente reduzidas quando a defesa azul ofereceu novo brinde: investida tranquila do Leixões pouco depois dos 60 minutos, com aparentemente todas as marcações correctas; abertura para a direita, cruzamento tenso, Pouga à vontade a encostar de cabeça sem que Bruno Vale tivesse hipótese de intervir. Pelo meio andava por lá Devic completamente apático, mas também passeavam Gomez e Pelé, todos a verem a bola passar. E volvidos 10 minutos o jogo fica definitivamente resolvido, com a asneira brutal de Gomez a oferecer a bola a Didi, que novamente perante a apatia chocante de Devic arranca para a baliza e fuzila o desesperado Bruno Vale. 3 golos, 3 fífias; o tento do recém-entrado Yontcha - este um pouco consentido pelo guardião Diego - apenas a instantes do final do desafio premiou apenas a atitude batalhadora do camaronês, a dar sequência a iniciativa de Pelé.

A consequência imediata do desaire foi o regresso instantâneo à última posição da tabela, mas as marcas psicológicas iriam ser sentidas pelos jovens atletas ainda durante várias rondas. O Belenenses iniciou aí um ciclo de 7 derrotas consecutivas para o campeonato que só terminaria 2 meses depois frente à Olhanense, e isso excluindo a eliminação da Taça às mãos do FC Porto, que viria mesmo a conquistar o troféu. A partir daí a manutenção já se encontrava longe demais...

Estrela: Lima, atacante sem suporte

Não é muito comum um avançado com tantas dificuldades na finalização gozar do prestígio e da aprovação geral que Lima conquistou no Belenenses, mas é igualmente raro um jogador juntar tantas características fáceis de simpatizar: é inteligente, muito móvel, capacidade técnica muito acima da média e ainda apresenta um apreciável poder de impulsão. E como se não bastasse, ainda serve de talismã: de cada vez que somou um tento, o Belenenses não perdeu o jogo em questão, o que numa equipa que foi derrotada em metade dos seus jogos é de assinalar.

Acerca de Lima, convém mencionar que a temporada no Belenenses não foi a sua estreia no futebol Português. Já em 2001 havia seduzido o Vizela a recrutá-lo para este lado do Atlântico, e maravilhado os responsavéis com a sua gama de capacidades técnicas e velocidade; mas não se conseguiu estabelecer totalmente em Portugal nem trouxe consigo a chuva de golos por que o clube nortenho ansiava. Assim retornou ao Brasil após a meia temporada de estreia a fim de acumular alguma maturidade, regressando a Portugal anos mais tarde para Belém, chegando como mais uma de várias contratações ofensivas mais ou menos jovens com potencial para resultar juntamente com Yontcha e Igor. O nigeriano, muito mais robusto e frio frente à baliza, começou por ganhar vantagem nas preferências de treinador e adeptos, mas viria a lesionar-se com gravidade e a abrir uma vaga que Lima agarrou. Sentiu então as dificuldades de jogar numa equipa inexperiente, sendo obviamente prejudicado pela falta de uma linha de suporte nas suas costas, dado que nenhum dos titulares Celestino e Gomez apresentam características ofensivas e a grande referência José Pedro realizou uma temporada abaixo das suas capacidades. Não lhe restou outra opção que não fosse criar as suas próprias oportunidades, enfrentando centrais olhos nos olhos em busca de espaços entre linhas e nesgas para cavalgar para a baliza; intrometendo-se no meio de barreiras aéreas para desviar cruzamentos e pressionando, pressionando sempre à procura da bola para demonstrar a sua magia. Impressiona a sua facilidade em esguiar-se com a bola colada ao pé, evitando rapidamente oponentes sem perder o equilibrio o que por sua vez faz com que chegue à baliza adversária quase sempre em boas condições para facturar.

Totais na sua época de estreia na Liga Sagres: 7 golos para o campeonato, 4 golos para a Taça de Portugal, mais um na Carslberg; somando assim total de 12 tentos, com a curiosidade de a maior vítima ter sido o FC Porto. Lima ficou no entanto a dever vários outros golos a si mesmo, tamanha a facilidade em insinuar-se dentro da área, criar lances evidentes de perigo e desperdiçá-las de seguida. A confirmarem-se os rumores da silly season, será o eleito para substituir Renteria no Sporting de Braga e terá agora a obrigação de concretizar o trabalho de um meio-campo a produzir lances para si.

Revelação: Barge, sempre cheio de gás

Tem apenas 26 anos mas ao mesmo tempo já chega muito tarde ao escalão maior do futebol Português, depois de formação no FC Porto e de algumas temporadas em bom nível na divisão de Honra. Competição aliás para onde foi contratado pelo Belenenses por indicação de João Carlos Pereira a fim de dar outra agressividade à ala direita do ataque; só que a despromoção forçada do Estrela "obrigou" os azuis do Restelo a repensar o seu plantel, onde Barge encaixou inicialmente como extremo esquerdo. Viria a ser desviado para médio centro, interior e até como lateral esquerdo, numa prova de confiança por parte dos seus treinadores que lhe admiravam a velocidade e a intensidade que cedo o tornaram como uma das referências do Belenenses na Liga. Não é que tenha ajudado resolver problemas mais graves como o caótico fio de jogo da equipa, mas pelo menos conseguia atenuar esse efeito com o pulmão extra que parecia emprestar aos companheiros, empurrando-os à força para mais perto da área adversária.

Barge é essencialmente um jogador de corrida, um transportador de bola voltado para o colectivo e que sem ser capaz de desiquilibrar por si só é ainda um desestabilizador, fazendo os adversários desposicionarem-se para o tentar conter e abrindo avenidas para a frente de ataque explorar. Depois resta-lhe apenas soltar a bola sem grande risco mas com muita segurança e precisão, e esperar que os colegas cumpram a sua parte. A fim de subir ao nível de uma figura de primeira divisão precisa ainda de evoluir e melhorar a sua capacidade de finalização, especialmente tendo em conta que se trata de um jogador ofensivo. 1 golo numa época é muito pouco, esconde bolas nos postes e diversos bons momentos de guarda-redes, mas o facto é que o seu remate forte e colocado merece muito mais resultados. Mas ao contrário de quase todos os seus colegas pode fazer um balanço positivo da temporada que fechou e aguardar serenamente pelo futuro: esta não foi a sua última aparição na primeira divisão.

Desilusão: Adu, o eterno menino-prodígio

Chegou juntamente com Fellipe Bastos emprestado tardiamente pelo Benfica, e tal como o colega viria a ser recambiado de volta para a Luz logo em Dezembro sem conseguir deixar a sua marca em Belém. No entretanto o timing da aquisição, o pouco entusiasmo geral no Restelo, e a gestão de plantel levada a cabo por João Carlos Pereira deram a entender que não fora uma aquisição avalizada pelo treinador e como tal, com muito pouca margem de manobra teria para errar - o que, tendo em conta a juventude e as experiências mais recentes de Adu, foram uma pressão adicional que certamente o jovem avançado não necessitava. A isso juntaram-se ainda uma série de problemas físicos que atrasaram progressivamente a sua integração na equipa, e finalmente a troca de treinador de João Carlos Pereira para António Conceição, o qual afastou o jogador à chegada ao clube.

Na sua meia temporada ao serviço do Belém não somou tempo suficiente para o equivalente a um jogo completo, tendo ficado apenas com a leve satisfação de ter realizado o primeiro jogo a titular na Europa para uma liga doméstica. Sem espaço também no Benfica perante a boa forma de Di Maria e Coentrão, jamais chegou a ser reintegrado e partiu de seguida para a Grécia rumo ao modesto Aris de Salónica, onde conseguiu activamente ajudar a equipa a escalar até um positivo 4º lugar. Mesmo assim o clube Grego não parece muito interessado em renovar o empréstimo e dificilmente o Benfica considerará Adu como uma opção válida para atacar o bi-campeonato; um desinteresse global que certamente não se adivinharia quando explodiu na sua pátria há 6 anos atrás e que o levou a ser conhecido pelo mundo fora como um dos maiores prodígios de todos os tempos em formação. Tem actualmente apenas 20 anos e ainda tempo de corrigir as suas lacunas e dar continuidade ao inicio fulgurante, mas dificilmente terá espaço em Portugal para o fazer. E agora? Qual será o próximo campeonato que o jovem globetrotter experimentará?


Quem somos1 Contactos Agradecimentos Detectou um erro ou tem uma sugestão?
ForaDeJogo.net 2010