ForaDeJogo.net - Paços de Ferreira 2007/2008


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Futebol Clube Paços de Ferreira
Nome: Paços de Ferreira
Associação: AF Porto
Cidade: Paços de Ferreira
Estádio: Mata Real
Ano de fundação: 1950
Sede: Rua Capitão Praça
Apartado 26
4594-909 Paços de Ferreira
Web: www.fcpf.pt
Plantel 2007/2008
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Treinadores
T José Mota
Entradas
Filipe Anunciação (28)Aves (I)
Paulo Sousa (32)APOP   (I)
Chico Silva (29)Trofense (II)
Ferreira (23)São Bento  
Dedé (25)Trofense (II)
Wesley (26)Grasshopper   (I)
Rovérsio (23)Gil Vicente (II)
Kiko (28)Coruripe   (C)
Paulo Gomes (32)U. Leiria (I)
William (24)Ipatinga   (B)
Furtado (24)CSKA Sofia   (A)
Carlos Carneiro (31)Walsall   (II)
Valdir (23)Naval (I)
Fernando Pilar (28)Porto (PE)   (C)
Fábio Paim (19)Trofense (II)
Fábio Pacheco (19)Rebordosa (III)
Márcio Carioca (24)Ceará   (B)
Jorginho Sousa (19)Paços de Ferreira (JUN)
Edson Di (27)Coruripe   (C)
Liga Bwin.com
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Pedro18Mangualde6Paulo Gomes7Edson
12Coelho30Ferreira25Fábio Pacheco15Ricardinho
24Peçanha3Chico Silva66Paulo Sousa88Fábio Paim
  5Antunes96Filipe Anunciação10Cristiano
  23Valdir8Pedrinha11Edson Di
  4Rovérsio77Dedé13Renato Queirós
  14Luiz Carlos17Fernando Pilar9Márcio Carioca
  16Kiko80Wesley20Furtado
  55Tiago Valente  74Carlos Carneiro
      90William
      99Jorginho Sousa
Ligados à maquinaJorge Carneiro

O ano de 2007 marca o final da melhor temporada de sempre do Paços de Ferreira, bem como a primeira participação do clube nas competições Europeias; mas marca também o desmembramento de uma grande equipa, cujos jogadores se viram incapazes de resistir aos euromilhões de outros países mais fortes no plano económico. Falando apenas do onze-base, foram Geraldo, Antunes, Paulo Sousa e Elias a ser transferidos no final da época; e já antes haviam partido Ronny, Didi e Dani. Quase todas as figuras do plantel que terminaram o campeonato no 6º lugar portanto, mas nenhuma saída terá pesado tanto quanto a do capitão Paulo Sousa rumo ao Chipre, habitual pilar de liderança e pêndulo tanto na defesa como na construção de jogo. Sem a sua presença em campo e a sua capacidade de rapidamente se reposicionar em função do momento, o futebol dos castores perdeu segurança, consistência, e principalmente a identidade que durante anos tinha permitido praticar um futebol solidário, em bloco, com vários jogadores a progredirem rapidamente no terreno - subitamente gerando espaços aproveitáveis pelos homens na frente - e de seguida a fecharem determinadamente os caminhos para a sua baliza. Paulo Sousa era o homem que lia na perfeição as subidas dos companheiros e conseguia colocar rapidamente a bola no espaço vazio, colocando-se quase imediatamente de forma a ganhar segundas bolas e assim interceptar eventuais contra-ataques, protegendo a defesa e permitindo o ataque continuado. Apesar de ter regressado em Janeiro e imediatamente ter subido a qualidade exibicional da equipa, durante a sua ausência os mecanismos de compensação perderam-se quase por completo, também reflexo da profunda remodelação do sector.

A participação na taça UEFA não foi feliz, tendo o sorteio colocado o já rotinado AZ Alkmaar no caminho dos estreantes; e apesar da óptima imagem deixada e de no conjunto dos dois jogos o Paços poder reclamar o título de melhor equipa, a verdade é que foram os Holandeses a seguirem em frente, fruto da vitória por 1-0 no Bessa. Já sobre o percurso do Paços de Ferreira no campeonato não há muito a escrever, dado que desde cedo se tornou evidente que a valia da equipa pouco tinha a ver com a do ano anterior; e os sinais que já vinham da pré-época acentuaram-se após a despedida da Europa - o que talvez faça supor que esta terá tido um maior efeito psicológico sobre os jogadores do que seria de prever. A primeira vitória viria apenas à 7ª jornada frente ao Estrela da Amadora, a segunda apenas à 11ª; e no final da primeira volta já se encontrava no 15º lugar com que viria a concluir o campeonato. A segunda metade do campeonato ainda conseguiu ser mais frustrante dado que a produtividade do sector ofensivo melhorou muito com as entradas de William Arthur e Paim mais a explosão de Wesley - atingindo até os mesmos 31 golos da temporada anterior - mas esta subida de forma foi traída pela derrocada final do sector defensivo que condizentemente se sagrou o 2º pior da liga, com uns incríveis 49 golos sofridos.

José Mota é um técnico que já provou a sua competência por diversas vezes e que ao longo de muitos anos sempre cultivou uma imagem de seriedade e extremo profissionalismo. Infelizmente esta época viu-se incapaz de fazer frente à enorme tarefa que seria reconstruir rapidamente um plantel e incutir-lhe os mecanismos que permitessem formar uma equipa unida e agressiva, como é a imagem de marca dos pacenses. Como se não bastasse, mesmo unidades fulcrais como Peçanha e Luiz Carlos não estiveram ao nível evidenciado noutros anos; e contratações à partida seguras, como Furtado, Paulo Gomes e Rovérsio não renderam o desejado e nem fizeram esquecer figuras do passado. Assim, o experiente técnico Português será até dos que terão menos responsabilidades no fracasso que foi 2007/2008, mas mesmo nestas condições é inaceitável o clima de constante guerra aos diversos árbitros que foram passando pela Mata Real. Para o treinador foi o ano de despedida do clube que certamente mais o terá marcado na sua carreira, mas o futuro afigura-se risonho dado que certamente não lhe faltarão ofertas para a nova época. Para o clube, perdida a continuidade no escalão maior dentro dos relvados, resta-lhe apenas esperar pela decisão definitiva do processo Apito Final...

Momento Chave: U. Leiria 1-1 P. Ferreira

Defrontar a União de Leiria versão 2007/2008 foi desafio que nunca assustou ninguém, mesmo que o lanterna vermelha viesse a conseguir uma surpreendente subida de forma já depois de condenado e os visitantes se vissem privados das suas principais figuras, Wesley e Paulo Sousa, ambos por lesão. Ainda assim dificilmente o Paços poderia pedir melhor adversário para concluir a luta pela permanência, enfrentando um clube incapaz de mobilizar a sua massa adepta e a exibir graves lacunas em todos os sectores enquanto o concorrente Leixões defrontava um Marítimo a atravessar a sua fase mais espetacular da época. Os homens da capital do móvel entraram a todo gás e sob a batuta de Pedrinha criaram várias chances de perigo, mas iam revelando muitas fragilidades nas tentativas de deter os contra-ataques do Leiria, que ia conseguindo responder e desperdiçando oporturnidades de golo. Ainda assim foi William Arthur a inaugurar o marcador, mas a partir daí Peçanha viu-se obrigado a aplicar-se para aguentar a vantagem até ao intervalo. O descanso não trouxe melhorias ao Paços que continuou a mostrar-se incapaz de controlar ou de matar definitivamente o jogo, atacando com qualidade mas não conseguindo fechar os caminhos para a sua baliza; e o nervoso acentuou-se após o Leixões ter sofrido o golo que o colocaria de regresso à Honra, com vários jogadores deixado-se deslumbrar pela momentânea permanência e permitindo mais veleidades a um Leiria ferido no orgulho. E foi assim que a um minuto do fim do encontro Éder Gaúcho desviou um cruzamento para a baliza e enterrou definitivamente o Paços na zona de despromoção, que não obstante ainda ter lutado para reagir já não dispôs de tempo para concretizar as suas intenções. As imagens do encerramento da partida com vários jogadores das duas equipas envolvidos em confrontos físicos foi uma triste página final na história desta série dos dois clubes na primeira liga...

Estrela: Wesley

Wesley não é propriamente um desconhecido para o público Português, tendo este ano consumado a sua terceira passagem pelo nosso país. Afirmara-se no Penafiel como um médio ofensivo com um pé esquerdo fabuloso, capaz dos mais preciosos detalhes, e como um jogador atípicamente eficaz na finalização, para a sua posição. Somou 22 golos em somente duas épocas nos durienses, marcando essencialmente através de ressaltos e dos espaços criados pelo ponta-de-lança Roberto, mas exibindo também qualidades na marcação de bolas paradas. Seguiu-se o salto para a liga Espanhola, o regresso a Portugal para meia época em bom plano na histórica despromoção do Vit.Guimarães, um ano novamente pouco activo no Alavés, e finalmente a cedência ao Paços, já com a época em andamento. A idade tem-no tornado menos dinâmico nas subidas de rompante até à área contrária, mas continua a ser muito criativo e poderoso no drible, furando entre defensores sem nunca deixar de proteger a bola antes de delicadamente a colocar fora do alcance dos guarda-redes, ou a soltar com grande precisão rumo a colegas bem posicionados. Esta época começou por jogar ora na posição mais ofensiva do meio-campo, ora descaído para uma das faixas laterais; mas quando José Mota percebeu que não dispunha de nenhum avançado centro suficientemente consistente entregou a posição a Wesley, ganhando uma máquina de marcar golos à qual os castores estiveram ligados para sobreviver. Em apenas 21 jogos o Brasileiro marcaria um total de 11 golos - 8 deles na segunda volta, quando passou a ter maior liberdade nas suas acções - juntando-se a esses uma quantidade considerável de assistências; tudo junto vale uma enorme quantidade de pontos preciosos que mantiveram o Paços na disputa pela manutenção até ao final. Mesmo que o clube consiga permanecer entre os grandes não é crível que o criativo se mantenha no plantel, dado ainda deter contrato com o Alavés e ter demonstrado uma valia bem superior à do clube nortenho.

Revelação: Dedé

Em 04/05 era figura do modesto "O Elvas", na 3ª divisão; em 05/06 teve época fulgurante no Portosantense, então na 2ªB; em 06/07 foi a maior surpresa do recém-promovido Trofense, na Honra; e o culiminar veio em 07/08, quando chegou à Bwin Liga, às competições Europeias e à selecção principal de Angola - com participação na CAN - representando o Paços de Ferreira. Chegou para assumir o papel de motor da equipa que fora desempenhado por Elias na temporada anterior, sendo o primeiro tampão às investidas adversárias e um condutor de jogo com a bola nos pés. Dedé mostrou ser um médio de físico maciço e pulmão inesgotável, destacando-se também por saber entregar a bola jogável aos companheiros ainda que não sendo esse propriamente o seu ponto mais forte. Os seus dribles conduzindo a bola velozmente no meio-campo adversário foram uma arma bem empregue pelos pacenses para desestabilizar os seus oponentes; com especial incidência no desafio em casa frente ao AZ, no qual terá sido o melhor em campo. Não chegou para fazer esquecer o seu antecessor e certamente que Dedé já não será nenhum jovem com margem de progressão para corrigir os seus pontos fracos - a leitura de jogo, nomeadamente - mas a sua bravura e generosidade foram surpresas muito agradáveis numa equipa atípicamente perdida e confusa. Ainda está muito tempo de se tornar uma referência no futebol dos castores.

Decepção: Furtado

Furtado regressou a Portugal com um estatuto completamente diferente do que detinha à partida para a Bulgária, vendo nos castores a oportunidade ideal para demonstrar a sua evolução nos grandes palcos. José Mota nunca escondeu a fé nas capacidades do avançado, mostrando-se desde sempre na disposição de apostar nele para primeira opção no eixo do ataque, a fim de tentar melhorar os tradicionalmente pobres registos goleadores da equipa. A tarefa não parecia muito difícil, especialmente quando se verificava o paupérrimo rendimento do sector ofensivo pacense na época transacta. Furtado demonstrou pormenores de qualidade em diversas ocasiões - sendo a exibição frente ao Estrela claramente o seu ponto mais alto, até por ter rendido o seu único tento na prova - mas destacou-se sobretudo pela ineficácia deprimente na face do golo, não conseguindo concretizar as oportunidades flagrantes que os colegas produziam para si. O saldo final resume-se a um único tento e ao longo afastamento das opções do treinador bem antes do final da época, e ainda à certeza de que dificilmente continuará na capital do móvel em 2009. Depois do sucesso na Bulgária Furtado terá ainda de provar as suas capacidades em solo lusitano.


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