ForaDeJogo.net - Paços de Ferreira 2009/2010


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Futebol Clube Paços de Ferreira
Nome: Paços de Ferreira
Associação: AF Porto
Cidade: Paços de Ferreira
Estádio: Mata Real
Ano de fundação: 1950
Sede: Rua Capitão Praça
Apartado 26
4594-909 Paços de Ferreira
Web: www.fcpf.pt
Plantel 2009/2010
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Treinadores
T Ulisses Morais
Paulo Sérgio
Staff
Rui Rodrigues(ADJ)
Entradas
Leonel Olímpio (26)Gil Vicente (II)
Baiano (22)Belenenses (I)
Manuel José (28)CFR Cluj   (I)
Pizzi (19)Sp. Covilhã (II)
Maykon (25)Belenenses (I)
Candeias (21)Recreativo   (II)
Rondón (23)Pontassolense (II B)
Fábio Pacheco (21)Rebordosa (III)
Livramento (27)Rio Ave (I)
Romeu Torres (22)Aves (II)
André Leão (24)CFR Cluj   (I)
Bruno di Paula (20)Internacional PA   (JUN)
Carlitos (20)Oliveirense (II)
António Filipe (24)Gondomar (II)
Roncatto (23)Belenenses (I)
José Coelho (19)Benfica (JUN)
Ciel (27)Ceará   (B)
Leandrinho (23)Herediano   (I)
Jason (18)Hume City   (JUN)
Filipe Mendes (24)Estrela Amadora (I)
Leal (21)Rebordosa (III)
Diarra (20)RCK Ougadougou   (I)
Berlin (21)Atlético Monzón   (III)
Liga Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Cássio15Baiano6Paulo Sousa11Leandrinho
45António Filipe84Pedro Queirós16Leonel Olímpio18Rondón
77Filipe Mendes3Jason25Fábio Pacheco31Pizzi
84Coelho14Jorginho50André Leão32Candeias
  4Danielson96Filipe Anunciação37Carlitos
  5Ozéia8Pedrinha81Manuel José
  17Kelly30Bruno di Paula7Maykon
  19Ricardo22Leal10Cristiano
    77José Coelho29Roncatto
    88Livramento9William
      20Romeu Torres
      28Diarra
      13Berlin
      21Ciel
Em renovaçãoJorge Carneiro

08/09 havia terminado em beleza com o apuramento para a Liga Europa via Taça de Portugal, mas havia a certeza que a espinha dorsal da equipa, outrora muito valiosa e formada na ressaca da primeira qualificação para as competições europeias, actualmente não dava para mais do que lutar bravamente para fugir à despromoção. Os motivos eram vários: algumas das antigas jovens promessas não tinham atingido o patamar que delas se esperava (Cristiano, Edson Nobre) enquanto outros começavam a sentir nas pernas o peso dos anos (Pedrinha, Filipe Anunciação, Jorginho e Paulo Sousa) e havia ainda os emblemáticos que se retiravam (Carlos Carneiro e Pedro). Um ciclo estava a terminar, não tendo sido surpresa a chegada de vários reforços durante o Verão para construir uma nova equipa quase de base para recuperar a identidade ganhadora pacense.

A temporada oficial iniciou-se logo a meio de Julho com a disputa das pré-eliminatórias da Liga Europa frente aos longínquos Zimbru Chisinau e Bnei Yehuda, da Moldávia e de Israel respectivamente. Sem surpresa a aventura Europeia terminou logo aí, numa fase precoce do calendário em que os pacences competiam enquanto consolidavam os seus processos e o seu onze, enquanto algumas das outras equipas da Liga ainda definiam os seus planteis. Seguiu-se a natural derrota na Supertaça frente ao muito mais poderoso FC Porto, com o Paços a dar alguma luta mas a deixar a ideia que mesmo havendo qualidade no plantel ainda seria necessário adquirir alguma maturidade e estabilidade para se construir uma verdadeira equipa. O início do campeonato seguiu esta mesma linha, com várias alterações no onze de partida para partida e um futebol algo disconexo mas sem ser desagradável. O maior problema parecia residir na defesa, onde por um motivo ou outro ninguém conseguia agarrar um lugar entre o quarteto; e na baliza, onde Cássio não inspirava particular confiança. O ataque também não estava particularmente profícuo mas cumpria os mínimos; e a verdade é que se o Paços poucos jogos ganhava, também poucos perdia, sabendo manter-se em posições tranquilas e pouco entusiasmantes da tabela. À 7ª jornada, na despedida do seu técnico Paulo Sérgio, o Paços era 10º classificado com um score de 5 golos marcados e 7 sofridos, aos quais correspondiam 1 vitória, 4 empates, 2 derrotas.

Para o comando entrou então Ulisses Morais, que nem se estreou da melhor maneira: duas derrotas perante Marítimo e U.Leiria que levaram os castores ao 13º lugar, posição mais baixa que viriam a ocupar na liga. Mas se os resultados não eram positivos pelos menos permitiram ao treinador conhecer melhor a matéria prima que tinha à disposição, e como daí retirar o máximo rendimento possível. Foi então quebrando com algumas opções do seu antecessor, fazendo questão de juntar três centrais na retaguarda; re-fixar Ricardo na posição de central, e adiantar Maykon no terreno de modo a tirar melhor partido do seu poder de fogo uns metros mais à frente. Com estas medidas mais algumas contratações muito interessantes no mercado de Inverno o Paços iniciou então o seu melhor período no campeonato, conseguindo uma recuperação notável que colocou os castores a olhar de frente para a Europa. Entre a 10ª e a 21ª jornada os castores apenas foram derrotados por duas vezes - Naval e o vice-campeão Sp. Braga - apesar de medirem forças com pesos pesados como o FC Porto e o Sporting. No campo espalhava-se futebol irreverente a uma velocidade desconcertante, e as defesas ruiam das laterais até ao centro. Pizzi , Maykon e Di Paula, mas também Manuel José, Candeias e Livramento eram as faces maiores de uma equipa positiva e ofensiva, abrindo auto-estradas dentro de campo e criando muitos lances de perigo para William Arthur finalizar com competência. Marcaram-se 19 golos nesse período, dois terços do total da temporada e uma média de quase dois por jogo, um óptimo registo para uma equipa com as ambições do Paços.

A senda de vitórias e boas exibições consecutivas parecia catapultar o Paços novamente para atacar a Europa... até chegar Abril, quando a Europa atacou o Paços. À Mata Real chegava uma proposta proveniente da Rússia para a compra de William Arthur, a referência da frente de ataque que não enjeitou a possibilidade de dar o salto salarial. Convém acrescentar que após duas óptimas primeiras épocas o avançado vinha dando sinais de desmotivação e desconforto na temporada corrente, com alguns episódios pontuais de indisciplina. A partida do seu goleador trouxe uma grande dor de cabeça para Ulisses Morais, pois mais do que o bom rendimento de William, que mesmo contrafeito assinara 10 golos só para o campeonato, o pior era que o plantel não dispunha de uma alternativa credível - havia apenas os pouco utilizados Romeu Torres e Berlin, ambos sem ritmo. O Português ganhou o lugar, mostrou entrega e vontade nas 5 jornadas que faltavam, mas apenas conseguiu facturar um golo... com os restantes companheiros a conseguirem apenas outros 3 nesse período. Uma produção ofensiva fraca que custou a queda para o 10º lugar final e que descarrilou por completo um sonho Europeu, a dada altura parecia um bónus perfeitamente alcançável. De qualquer forma a tranquila posição final adequa-se à valia do plantel e premeia todo um processo de maturação levado a cabo com tempo e critério - e a esse respeito convém deixar uma palavra de apreço para a direcção do clube, que conseguiu preparar rapidamente um plantel de qualidade no Verão e responder às necessidades identificadas com pequenos mas bons ajustes no Inverno. Para coroar a manutenção e o campeonato tranquilo, o Paços ganhou ainda uma base de jogadores jovens que, a manter-se, são um garante de qualidade para 2010/2011 e que podem muito bem ser a base de mais qualificações europeias. A renovação segue a bom ritmo.

O momento: 21ª jornada: Paços 5-3 Vit.Setúbal, o canto do cisne

Destaque natural da temporada. Não foi só o jogo em que os castores mais golos marcaram, foi também mais um em que muitos sofreram, conforme habito nesta época. A jogar em casa, num terreno muito pesado e frente a um adversário não tão simples como a classificação prometia, e que se encontrava em franca recuperação após um início muito muito complicado. O sadinos seguiam lutando bravamente pelos três pontos e conseguindo dignificar o espetaculo, e foram estes aliás a abrirem o activo, com o felino Keita a inaugurar o marcador logo aos 3’ com um tento muito consentido pelos centrais pacenses, tal como outros que se seguiriam. O Paços por sua vez reagiu em fúria e os golos de Pizzi, William e Maykon viraram o resultado ainda antes do intervalo e concederam até alguma tranquilidade para abordar o resto do jogo. Hélder Barbosa é que não concordou e chamou o Setúbal de volta ao desafio logo após o reatamento com o tento da tarde, um magnífico pontapé de primeira aos 53’ e de fora da área. Teve então a palavra Danielson, a anular a reacção do Vitória ao aproveitar enorme falha do infeliz Mário Felgueiras para repôr a vantagem de 2 golos. Seguiu-se um período de alguma acalmia no jogo - pelo menos na marcha do marcador, dado que o Vitória jamais desistiu de lutar - antes da classe de Paulo Regula e a apatia dos centrais da casa recolocarem a desvantagem sadina em apenas um golo. Os visitantes aproveitaram no imediato a vantagem moral e lançaram-se em busca do empate, mas não demorou muito a que Maykon aproveitasse os espaços concedidos para lançar um cruzamento milimétrico para William facturar. Jogo encerrado aos 86’ e novamente Mário Felgueiras a ficar mal na foto.

Com a vitória o Paços mantinha-se na 6ª posição e seguia no trilho Europeu, conjugando um futebol ofensivo, envolvente e veloz com resultados entusiasmantes. Apenas três jornadas mais tarde dava-se a despedida de William e o inicio da queda a pique...

A estrela: Leonel Olímpio, o homem da maratona

Chegou a Portugal para alinhar na Honra ao serviço do Gil Vicente, afirmou-se no imediato como peça basilar do onze, e logo um ano - e 28 jogos - depois chegou a Paços de Ferreira, à primeira divisão e à Europa. A estreia na liga maior de Portugal poderia ficar marcada por um período de habituação ao novo ritmo e estilo de jogo, mas as 29 titularidades desmentem por completo essa possibilidade e tornam-no mesmo o atleta mais utilizado dos castores. E só não terão sido 30 pois Leonel falhou uma jornada - a 27ª - por castigo, derivado de completar uma série de 5 cartões.

O motivo de tanto sucesso? Porque parece ter mais pulmão e mais pernas do que o ser humano normal. Se no futebol intenso e musculado da Honra a sua resistência inesgotável era quase um requisito, já na Sagres esse atributo ganhou toda uma nova dimensão. Na intermediária pacense formou uma dupla de respeito com Filipe Anunciação, fortissima na contenção e rápida nos desdobramentos. De entre os dois era o Brasileiro que mais se desdobrava no terreno, entre compensações defensivas, pressão a adversários e transporte de bola para terrenos ofensivos; mantendo o rendimento quer quando alinhava a trinco, quer como médio de transição. Já no passe é que não é tão forte, faltando alguma precisão na forma como coloca nos colegas e perdendo especialmente alguns lançamentos mais longos.

Cumpridos 28 anos nesta época de estreia, só é pena que Leonel já não seja um jovem para poder ser seguido por um dos “grandes” Portugueses ou europeus. Mas ainda está bem a tempo de marcar esta década no novo meio-campo do Paços.

A revelação: Maykon, mohawk canhoto

Surpresa deste Paços de Ferreira. Fora parte integrante daquele possivelmente será recordado como o pior plantel do Belenenses de todos os tempos, mas mesmo no Restelo dava a ideia de não ser parte do problema, ainda que sem se conseguir exactamente afirmar como parte da solução. O Paços teve o mérito de conseguir reconhecer o seu potencial e oferecer a Maykon e ao seu colega Baiano uma nova oportunidade na primeira divisão para limpar a má imagem da estreia, sendo que ambos conseguiram retribuir em grande escala - muito maior do que provavelmente qualquer responsável estaria à espera.

A Maykon foi entregue o flanco esquerdo e ora como lateral, interior ou mesmo extremo, o seu pé canhoto causou momentos de terror nas defesas adversárias. A velocidade e colocação que consegue imprimir aos seus remates está bem explicita nos 7 golos que marcou, tendo mesmo vitimado adversários credenciados como FC Porto e Benfica no seu percurso para terminar como segundo melhor marcador do Paços. Mas para além do seu poder de fogo conta ainda com outras qualidades, nomeadamente a inteligência tática e a agressividade competitiva, que fazem com que, sem ser um jogador rápido, consiga criar a ideia de que está sempre em todo lado para receber a bola e assistir os avançados.

Com uma época muito negativa e outra muito positiva em Portugal, Maykon tem agora a palavra para desempatar e definir o quanto joga aquele penteado exótico à esquerda.

A decepção: Ciel e o alcoól

No papel tudo perfeito: um super-craque com nome feito no Brasil que a direcção pacense consegiu convencer a cruzar o Atlântico, aliciado com a perspectiva de se mostrar na Liga Europa. Os primeiros treinos e amigáveis mostraram não haver qualquer engano: Ciel era mesmo artista, combinando potência muscular, velocidade e uma finta curta que desconcertava adversários e prometia muitos, muitos estragos. O seu alcoolismo, no entanto, era uma faceta também já conhecida no Brasil e que acompanhou o jogador para Portugal, e o primeiro incidente em finais de Julho colocou mesmo em risco a sua permanência no clube. A direcção concedeu-lhe um voto de confiança e Ciel iniciou mesmo a temporada, só que novo caso em Dezembro foi a gota... de água que o empurrou de regresso ao Brasil.

No entretanto e mesmo normalmente jogando preso a uma ala, Ciel havia assinado algumas exibições interessantes com bons pormenores técnicos. Só que como não se chegou a estrear a marcar pelo Paços só reforça o rótulo de desilusão, face às suas capacidades e reputação.


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