ForaDeJogo.net - Paços de Ferreira 2011/2012


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Futebol Clube Paços de Ferreira
Nome: Paços de Ferreira
Associação: AF Porto
Cidade: Paços de Ferreira
Estádio: Mata Real
Ano de fundação: 1950
Sede: Rua Capitão Praça
Apartado 26
4594-909 Paços de Ferreira
Web: www.fcpf.pt
Plantel 2011/2012
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Treinadores
T Henrique Calisto
Luís Miguel
Rui Vitória
Staff
Serginho Botelho(ADJ)
Entradas
Luiz Carlos (25)Freamunde (II)
Ricardo (30)Shandong Luneng   (I)
Vítor (27)Penafiel (II)
Luisinho (26)Aves (II)
Melgarejo (20)Independiente FBC   (I)
Josué (20)VVV Venlo   (I)
Michel (24)Penafiel (II)
Tony (30)Vitória Guimarães (I)
William (28)Vitória Setúbal (I)
Eridson (21)Tourizense (II B)
Irobiso (18)Paços de Ferreira (JUN)
Fábio Faria (22)Benfica (I)
Diogo Figueiras (20)Pinhalnovense (II B)
Backar (19)FC Porto (JUN)
Arturo Álvarez (26)Real Salt Lake   (I)
Sassá (22)Ipatinga   (C)
Michel Lugo (24)Guarany Bagé   (II E)
Marcelo Tché (23)Santa Helena   (I E)
Jonas (18)Paços de Ferreira (JUN)
Luís Barros (17)Paços de Ferreira (JUN)
Reinaldo Lobo (23)Itaúna   (II E)
Julio Aguilar (24)Independiente FBC   (I)
Liga ZON Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Cássio22Marcelo Tché8André Leão18Sassá
24Luís Barros23Diogo Figueiras96Filipe Anunciação21Arturo Álvarez
45António Filipe80Tony6Vítor81Manuel José
  15Luisinho10Luiz Carlos11Caetano
  17Nuno Santos7Josué25Melgarejo
  20Backar  9Irobiso
  2Ozéia  16Michel Lugo
  3Reinaldo Lobo  26Jonas
  4Fábio Faria  99William
  5Javier Cohene  28Julio Aguilar
  14Eridson  30Michel
  19Ricardo    
Calisto ao ataqueJorge Carneiro

Na ressaca de um ano brilhante seguiu-se uma época bem mais discreta, com a equipa a ser obrigada a adaptar-se às muitas mudanças na sua estrutura e a não conseguir dar uma resposta rápida. Rui Vitória sofrera muitas perdas entre os seus indiscutíveis, nomeadamente com atletas em final de contrato e regressos de empréstimos, e sem encaixes financeiros que permitissem assegurar a contratação de valores mais seguros restaram então as arrojadas apostas em estrangeiros desconhecidos e em atletas dos escalões inferiores. As expectativas não eram elevadas portanto, o que pelo menos retirou alguma pressão ao desempenho dos nortenhos - o objectivo ficou fixado apenas na manutenção.

O próprio Rui Vitória, ele mesmo uma revelação da temporada transacta, acabaria por não ficar muito tempo ao leme da equipa, aceitando o ambicioso desafio de orientar o instável Vitória de Guimarães logo após a 3ª jornada e tendo no entretanto conquistado 4 pontos que estavam em linha com os objectivos. Luís Miguel, também ele um jovem técnico ainda com pouco para contar, foi a aposta de risco que se seguiu mas com resultados bem menos interessantes: entre um calendário mais exigente, asneiras próprias, limitações óbvias do plantel que herdara e o progressivo desgaste psicológico dos seus jogadores, esteve 8 jornadas à frente da equipa e deixou-a no último posto da classificação, somando os mesmos 4 pontos que Rui Vitória e sendo ainda eliminado da Taça de Portugal. Por esta altura o futebol praticado é miserável e o Paços o conjunto que mais golos sofre na Liga, e assim apesar de uma ou outra revelação interessante como Luisinho ou Michel o ambiente na Mata Real é por esta altura de profunda preocupação: a manutenção parece estar seriamente em risco.

Sem mais tempo a perder, a direcção inverteu a fórmula de apostar em técnicos desconhecidos e faz regressar então Henrique Calisto à Mata Real, após 10 anos de intenso sucesso na Ásia. Com uma objectividade desarmante o treinador traça de imediato o diagnóstico da equipa, concluindo que a defesa é fraca e inexperiente, os processos a meio-campo precisam de ser trabalhados, o ataque está a corresponder mas beneficiaria de mais opções. A incursão no mercado de Inverno é assim cuidadosamente planeada e faz chegar reforços decisivos para o sector mais recuado: Ricardo e Ozeia regressam para o centro, Tony chega para tapar o buraco na lateral direita, Arturo Alvarez é a estrela exótica que pode fazer qualquer uma das alas. Finalmente, a partida inesperada de William Arthur é compensada pelo interessante Julio Aguilar, que também acaba por não ficar muito tempo.

Se é verdade que chicotadas psicológicas poucas vezes têm sucesso, neste caso os resultados observados não deixam quaisquer dúvidas quanto à eficácia da mudança. O Paços começa a crescer e após 3 ou 4 semanas de trabalho volta a ser uma equipa organizada e competente sobre o relvado, assente numa defesa muito sólida, experiente, e num meio-campo finalmente optimizado que utiliza apenas peças já existentes, mas reordenadas no relvado. Com uma postura manifestamente ofensiva o ataque passa de cumpridor a temível (23 golos na 2ª volta) e Michel assume-se mesmo como um dos avançados mais interessantes a alinhar em Portugal, secundado por Melgarejo, um extremo revelação. E mesmo jogadores até aqui com prestações discretas, como Vítor e Luiz Carlos, crescem a olhos vistos e começam a conquistar o respeito dos adversários.

Com exibições sempre em crescendo, os pontos vão-se acumulando e o Paços vai-se gradualmente afastando das zonas mais críticas da classificação até atingir águas mais tranquilas. Os empates nas jornadas finais frente a FC Porto, Braga e o europeu Marítimo servem como certificado de competência e são pequenos pontos de destaque na época. Os castores terminaram assim a campanha num tranquilo 10º lugar, perfeitamente compatível com os objectivos iniciais e que acaba por ser muito positivo dadas as difíceis circunstâncias da temporada, bastando lembrar que somava meros 8 pontos no final da primeira volta e que na segunda conseguiu amealhar 23. Muito do mérito pertence a Henrique Calisto, que infelizmente sempre assumiu não ter interesse em continuar em Portugal dada a maior rentabilidade dos empregos na Ásia. Parte deixando um plantel consolidado e recheado de valores interessantes, permitindo uma perspectiva optimista para 2012/2013 e facilitando bastante o trabalho do seu sucessor.

O momento: U.Leiria 2-4 Paços de Ferreira, sair do poço

Tarde de bom futebol e de tentos aos pares em Leiria. Ogu, o melhor dos anfitriões, marcou dois golos tremendos para a União local, intermediados por um bis oportuno de Manuel José a corresponder à boca da baliza. Com empate ao intervalo, Michel fecharia a tarde com mais dois na segunda parte, ambos a finalizar jogadas letais e inteligentes de Melgarejo. Apesar do resultado e da marcha do marcador sugerir alguma discussão sobre o relvado os nortenhos trucidaram o Leiria, superiorizando-se na batalha do meio-campo e dando largas a um futebol alegre e de circulação rápida e incisiva.

O mais relevante foi no entanto que o Paços saía finalmente da zona de despromoção, coroando um ascendente exibicional que já se vinha verificando há pelo menos 4 jogos consecutivos e que reflectia bem o trabalho de Calisto. Entre a 15ª e a 18ª jornada os castores somariam mesmo 3 vitórias e um empate, ascendendo ao 12º posto e desde então nunca mais regressando às posições de descida.

A estrela: Melgarejo, matador escondido

Extremo esquerdo muito perigoso que apareceu este ano em Portugal. Chegou como mais um anónimo jovem sul-americano contratado pelo Benfica e de imediato colocado a rodar à experiência noutro emblema, contando apenas com algumas internacionalizações sub-20 para abrilhantar o seu cartão de visita. Se a chegada à Mata Real não entusiasmou os adeptos - Caetano era o menino bonito dos associados para a mesma posição - os primeiros treinos trataram logo de indiciar que estava ali um jogador diferente, com capacidades técnicas raramente vistas no futebol mais físico e veloz do Paços.

As primeiras impressões não enganaram e o paraguaio Impôs-se com grande naturalidade no onze pacense, chamando a atenção pela capacidade de romper pelos flancos e, principalmente, pela inteligência e à-vontade na concretização. Com efeito, Melgarejo aproveitava a capacidade de Luisinho de fazer todo o corredor para frequentemente surpreender os adversários através de fugas venenosas da linha para o centro, surgindo depois solto em frente à baliza para finalizar com frieza e eficácia dignas de um matador puro-sangue. Acumulando execução perfeita atrás de execução perfeita somou 10 golos para o campeonato e mais um para a Taça que tornaram o paraguaio como o castor mais mortífero da temporada, com a tal “agravante” de teoricamente alinhar numa posição longe da baliza.

Fala-se que poderá regressar já ao Benfica, sendo duvidoso afirmar que se encontra pronto para ombrear com nomes como Nolito, Bruno César e companhia por um lugar nos flancos encarnados. Por outro lado e tendo em conta que ainda tem somente 21 anos poderá ainda ser aposta para crescer na equipa B encarnada, quiçá como avançado centro dado que no papel parece ser a posição mais adequada para as capacidades que exibiu. Por enquanto a única certeza é que conquistou direito a provar os seus atributos num emblema com outras aspirações.

A revelação: Luisinho, o Coentrão da Mata Real

Com as partidas de Pizzi e Maykon, Caetano assolado por problemas físicos e Manuel José a ser necessário em posições mais recuadas um dos principais desafios do Paços de 2011/2012 passaria pela renovação das alas ofensivas. Luisinho, extremo veloz e trabalhador que se tinha evidenciado ao serviço do Desportivo das Aves, foi assim a primeira aposta de Rui Vitória para cumprir esse objectivo, seduzido pelo alto rendimento do jogador em qualquer uma das alas. A pré-temporada foi positiva e a estreia para o campeonato com um golo também - Vitória de Setúbal, logo na primeira jornada - fazendo antever uma afirmação tranquila do atleta no primeiro escalão. Todavia, se ofensivamente o Paços estava de boa saúde pelo contrário enfrentava graves limitações no sector mais recuado, onde centrais e laterais sofriam lesões e castigos a ritmo supersónico e obrigavam Rui Vitória a ser muito criativo para encontrar adaptações à altura.

Foi à 5ª jornada e já com Luís Miguel ao leme que o técnico entendeu recuar Luisinho para tapar a lateral esquerda, despoletando aí uma surpresa galática. O jogador já antes demonstrava pulmão e intensidade úteis a defender; mas dispondo agora de mais espaço para embalar em velocidade esses atributos ganhavam outra dimensão ofensiva, permitindo-lhe encher e dominar o flanco com grande exuberância mesmo quando em inferioridade numérica, num estilo a evocar o internacional Fábio Coentrão. A adaptação temporária rapidamente passou a ser uma mudança permanente de posição e daí para a frente Luisinho só falharia a 28ª jornada por castigo, formando com Melgarejo uma asa esquerda temida por todos os adversários.

Tem contrato por mais dois anos mas dadas as qualidades demonstradas é certo que não vai continuar a representar o Paços de Ferreira - a dúvida é mesmo se irá para um dos quatro grandes ou para o estrangeiro. Pena que tenha chegado tão tarde à primeira divisão, quando desde 2008/2009 - então ao serviço do Moreirense - que chamava a atenção dos mais atentos às competições inferiores, e assim aos 27 anos é uma revelação tardia.

A desilusão: William Arthur e Fábio Faria, o traidor e o traído

Foi o Paços que abriu as portas da Europa a William Arthur e que lhe deu a oportunidade de demonstrar as suas capacidades. Quando se lesionou com gravidade o clube soube esperar pelo goleador, quando recuperou e quis sair para a Rússia o emblema não lhe cortou as pernas; quando a carreira a partir daí caiu a pique lá estava a Mata Real para este ano o receber e para lhe conceder mais uma chance. Apareceu em muito má forma, com exibições tímidas e desinspiradas, mas Luís Miguel acreditou sempre no ponta de lança e Henrique Calisto também não lhe retirou a titularidade mesmo tendo somente um golo marcado e com Michel a entusiasmar muito mais. Infelizmente William pareceu determinado a trair a confiança nele depositada, acumulando momentos menos correctos até reagir mal a uma substituição, e, não contente, de seguida vir a público denegrir as opções de Calisto. Acabou por praticamente forçar o clube a chutá-lo pela porta pequena, e - pormenor delicioso - a recuperação do Paços arrancou logo de seguida.

De Fábio Faria, esperava-se que se afirmasse como uma mais-valia numa defesa frágil, recheada de buracos. As expectativas sairam furadas, infelizmente, e o central deu sequência à trajectória descendente da carreira, depois de ter brilhado intensamente antes de chegar ao Benfica. Acumulou erros individuais, falhas de concentração inexplicáveis e um largo excesso de faltas e de cartões que prejudicaram o Paços de Ferreira, ainda que notoriamente estivesse a esforçar-se para não comprometer. Em Janeiro o Paços renovou o centro da defesa e Fábio mudou-se para a sua querida Vila do Conde, mas nem aí foi feliz: logo ao primeiro jogo foi traído por uma insuficiência cardíaca que escapara aos exames médicos, e que pode significar o final precoce de uma carreira que já foi muito promissora.


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