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Clube de Futebol Estrela da Amadora
A constante metamorfose tricolorJorge Carneiro Uma equipa que realize uma boa época e perca as suas melhores estrelas no final da mesma como consequência normalmente sucumbe às pressões e expectativas no ano seguinte. É isso que a história diz, pelo menos; e o Estrela perdeu tão somente Bruno Vale, Maurício, Santamaria, Coutinho, Paulo Machado, Semedo e Manu, praticamente um onze titular quase todo feito de empréstimos. A própria saída de Toni Conceição, talvez farto da falta de continuidade na formação dos plantéis, obrigou também a uma troca tardia de treinador - e já com tantos atrasos acumulados o clube começou a contratar e a pedir emprestados ainda antes de se conhecer o novo timoneiro, o que mais tarde viria a originar algumas situações embaraçosas para a própria direcção. É que, ao chegar ao Estrela, Daúto Faquirá não se limitou a utilizar os recursos existentes, preferindo antes requisitar jogadores que conhecia bem; o que originou uma segunda onda de entradas, e uma nova de saídas que inclua alguns atletas contratados menos de um mês antes. Estávamos então mesmo às portas do início do campeonato, e esse foi o último capítulo da atribulada pré-época amadorense... Face aos acontecimentos registados no Verão ninguém estranhou que o arranque tricolor fosse extremamente negativo (6 derrotas e 1 empate nos primeiros 7 jogos!), com Daúto a forçar um 4-4-2 demasiado povoado no miolo sem que os seus jogadores conseguissem corresponder - na defesa pontificavam flops como Carreira e Wescley; o meio campo mostrava-se pouco dinâmico ou ágil, em parte por incluir Cleiton e o veteraníssimo Marco Paulo; e entre a tripla Jones / Dário / N'Diaye não surgiu quem marcasse um golo. O técnico mostrou então a humildade e a inteligência necessárias para questionar as suas próprias escolhas: o 4-4-2 deu lugar a um 4-3-3 que exigia menos correrias aos elementos do onze, e mesmo as escolhas para titulares foram gradualmente sendo modificadas de modo a dar oportunidade a algumas revelações. As modificações surtiram efeito e ao virar o campeonato o Estrela somara 16 pontos e encontrava-se já tranquilamente várias posições acima da linha de água, tendo também deixado para trás o futebol trapalhão e lento para adoptar agora um sistema de passes curtos pouco amplo e nada contundente mas agradável à vista, e em que o ponto forte era a recém-descoberta solidez defensiva. Com efeito, Tony (mais tarde Rui Duarte), Fonte, Amoreirinha e Edu Silva formaram um autêntico quarteto de luxo, com os centrais a mostrarem-se exímios na marcação e muito sólidos pelo ar e os laterais a dominarem todo o seu flanco. Até final da época, mesmo com Tony a abandonar o plantel em Dezembro rumo ao Cluj e Rui Duarte a tomar o seu lugar, mantiveram-se como autênticos bastiões de segurança e tranquilidade - disfarçando até o facto de nem Paulo Lopes nem Pedro Alves serem mais do que opções meramente razoáveis para a baliza. E foi assim, com um plantel completamente distinto tanto em termos de composição como de características gerais, que o Estrela conseguiu manter exactamente a mesma classificação que tinha alcançado na época anterior. A política de contratações em vigor para reduzir ao máximo as despesas leva a que as saídas sejam numerosas, entre atletas que findam contrato e emprestados que retornam a casa; mas é certo é que o clube da Reboleira não perderá tempo a olhar para trás e, em vez de lamentar as perdas, concentrar-se-à em formar um novo plantel e construir uma equipa. E pelo menos a próxima pré-temporada não será tão atribulada quanto a anterior, já que Daúto Faquirá está assegurado como treinador. Menos mal, já só falta arranjar jogadores... Momento Chave: E. Amadora 1-0 Vit. SetúbalO Estrela partia para este jogo perdido num cenário no mínimo aterrorizante: último classificado, 1 ponto conquistado, 2 golos marcador e uns nada invejáveis 13 sofridos; várias experiências falhadas e nenhum onze base ainda definido. Daúto resolveu apostar pela segunda vez naquele que se viria a revelar o melhor quarteto defensivo e que na jornada anterior tinha conseguido conter com relativo sucesso o ataque Benfiquista; reintroduziu Tiago Gomes nos titulares a fim de juntar mais dinâmica e capacidade de passe à intermediária; e trocou Jaime por Rui Borges para ganhar outra mobilidade nas costas dos pontas de lança. Do outro lado um Vitória seguro e ainda consistente, que dispunha de todas as suas melhores peças para atacar os 3 pontos. Na Reboleira assistiu-se a um bom espectáculo de futebol, com ambas as equipas a procurarem o golo e os guarda-redes a responderem à altura, mas seria o Estrela a ser feliz - já depois de lançar dois flanqueadores para actuar em 4-3-3 - quando a 10 minutos do fim Paulo Sérgio assinou o seu único momento de glória entre os tricolores e sentenciou a primeira vitória amadorense. A partir daí deu-se a ascensão amadorense rumo a um campeonato tranquilo, e que seria condimentado apenas pelas vitórias frente ao Belenenses em casa e frente ao FC Porto no Dragão (de longe o resultado mais surpreendente ao longo da caminhada dos bicampeões). Figura: José FonteAté ao início do ano passado não tinha um percurso muito interessante nas camadas jovens, mas num ápice tudo mudou com a transferência para o Vit.Setúbal. Apareceu de surpresa no plantel principal, conquistou um lugar na equipa titular por mérito próprio, rescindiu contracto por salários em atraso, assinou com o Benfica, e terminou a época emprestado ao Paços a fim de ganhar rodagem na liga principal. Já este ano nova cedência a um clube de poucas ambições, mas onde teve oportunidade de encontrar Amoreirinha, com quem formou uma dupla defensiva consistente e tremendamente dominante pelo ar. Foi aliás sobre este autêntico par de torres que assentou a base do sucesso tranquilo do Estrela esta época, com Fonte a contribuir com os seus centímetros, bravura e apurada capacidade posicional. Aos 24 anos falta-lhe agora um desafio num clube com ambições de conquista, em que lhe seja pedida maior amplitude de marcação e onde não tenha à sua frente toda uma equipa preocupada em defender; basicamente, um desafio que o faça crescer enquanto jogador. Interessados em acolhê-lo pelo menos não faltam. Revelação: Tiago GomesUm dos muitos produtos da formação do Benfica que termina a ligação ao clube sem uma oportunidade de se mostrar, Tiago Gomes vinha de uma temporada excepcional ao serviço de Odivelas e Oriental quando chegou à Reboleira, catalogado como um médio ofensivo que gostava de ter a bola dos pés. Talvez em parte por já ter essa posição bem preenchida, Faquirá não entendeu o mesmo e colocou-o a jogar como médio interior, obrigando o jovem a desdobrar-se mais do que nunca e a adoptar um estilo de jogo mais prático em relação ao que se encontrava habituado. As exibições corresponderam no imediato e Tiago Gomes conseguiu tornar-se desde logo indiscutível num sistema que adoptava quatro médios centrais, sendo que no panorama de então era o único jogador que conseguia interpretar correctamente a dinâmica de movimentações exigida pelo seu treinador. Apesar das derrotas na fase inicial, com o passar das jornadas o rendimento foi subindo ainda mais, à medida que a timidez própria de estreante se ia dissipando e se ia também consolidando a adaptação a um campeonato mais técnico; e nem a mudança de sistema táctico beliscou minimamente o estatuto de indiscutível que por esta altura já estava mais do que conquistado. Até final da temporada foi assumindo mais e mais o papel de maestro da equipa, papel em que, não impressionando pela sua visão de jogo, consegue mesmo assim brilhar graças à lucidez demonstrada, associada a grande rapidez de pensamento e execução - permitindo-lhe assim coordenar transições rápidas para o ataque com grande personalidade, sem quebras de ritmo, e sem descurar minimamente aspectos defensivos, num estilo semelhante ao internacional Maniche. Naquilo que foi um prémio mais do que merecido, culminou a boa época com a chamada para os trabalhos à Selecção sub-21, uma estreia absoluta a nível de representação das cores nacionais. Decepção: JonesEra o grande nome para a frente de ataque tricolor até à chegada de Dário, e se o Moçambicano desiludiu as expectativas dos adeptos, Jones ainda conseguiu fazer pior. Até nem demorou a demonstrar boas capacidades individuais como drible e toque de bola, mas os golos sempre teimaram em não aparecer; e face às oportunidades desperdiçadas e não vendo forma de inverter a situação, Daúto acabou por tentar converter o ponta de lança móvel num falso extremo. Perdido e inadaptado à posição, acabou por perder ainda mais margem de manobra dentro do clube e a actuar mais e mais desmoralizado; e terminaria a época com um registo disciplinar mais gordo do que o próprio pecúlio: zero golos, 5 amarelos e um vermelho. |
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