ForaDeJogo.net - Estrela Amadora 2006/2007


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Clube de Futebol Estrela da Amadora
Nome: Estrela Amadora
Associação: AF Lisboa
Cidade: Amadora
Estádio: José Gomes
Ano de fundação: 1932
Sede: Av. D. José I - Estadio Jose Gomes
2720-175 - Amadora
Web: www.cfeamadora.net
Plantel 2006/2007
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Treinadores
T Daúto Faquirá
Staff
Lázaro Oliveira(ADJ)
Entradas
Marco Paulo (33)Estoril Praia (II)
José Fonte (22)Paços de Ferreira (I)
Luís Loureiro (29)Sporting (I)
Dário (29)Vitória Guimarães (I)
Rui Duarte (25)Boavista (I)
Tiago Gomes (20)Odivelas (II B)
Jaime Jr. (27)U. Leiria (I)
Pedro Alves (27)Belenenses (I)
Paulo Sérgio (22)Belenenses (I)
Nuno Viveiros (23)Skoda Xanthi   (I)
Sérgio Marquês (29)Olhanense (II)
Moses (25)Olhanense (II)
Tiago Gomes (19)Benfica B (II B)
Edu Silva (24)Náutico   (B)
Jones (22)Friburguense  
Cleiton (26)Rio Ave (I)
Yoni (27)Galdar   (III)
Daniel Silva (26)Grémio Anápolis  
Marcelo Resende (19)Estrela Amadora (JUN)
Wescley (22)Corinthians   (A)
Júnior António (20)Vasco da Gama   (A)
Superliga
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Paulo Lopes18Tony6Luís Loureiro7Zamorano
25Pedro Alves80Rui Duarte20Jordão10Paulo Sérgio
  3Tiago Gomes Júnior António13Nuno Viveiros
  27Edu Silva8Daniel Silva21Rui Borges
  2Amoreirinha14Marco Paulo24Yoni
  4Hugo Carreira19Sérgio Marquês9Anselmo
  16Wescley30Tiago Gomes15Moses
  22Pedro Simões29Jaime Jr.54Dário
  90José Fonte35Marcelo Resende99Jones
    55Cleiton5NDiaye
A constante metamorfose tricolorJorge Carneiro

Uma equipa que realize uma boa época e perca as suas melhores estrelas no final da mesma como consequência normalmente sucumbe às pressões e expectativas no ano seguinte. É isso que a história diz, pelo menos; e o Estrela perdeu tão somente Bruno Vale, Maurício, Santamaria, Coutinho, Paulo Machado, Semedo e Manu, praticamente um onze titular quase todo feito de empréstimos. A própria saída de Toni Conceição, talvez farto da falta de continuidade na formação dos plantéis, obrigou também a uma troca tardia de treinador - e já com tantos atrasos acumulados o clube começou a contratar e a pedir emprestados ainda antes de se conhecer o novo timoneiro, o que mais tarde viria a originar algumas situações embaraçosas para a própria direcção. É que, ao chegar ao Estrela, Daúto Faquirá não se limitou a utilizar os recursos existentes, preferindo antes requisitar jogadores que conhecia bem; o que originou uma segunda onda de entradas, e uma nova de saídas que inclua alguns atletas contratados menos de um mês antes. Estávamos então mesmo às portas do início do campeonato, e esse foi o último capítulo da atribulada pré-época amadorense...

Face aos acontecimentos registados no Verão ninguém estranhou que o arranque tricolor fosse extremamente negativo (6 derrotas e 1 empate nos primeiros 7 jogos!), com Daúto a forçar um 4-4-2 demasiado povoado no miolo sem que os seus jogadores conseguissem corresponder - na defesa pontificavam flops como Carreira e Wescley; o meio campo mostrava-se pouco dinâmico ou ágil, em parte por incluir Cleiton e o veteraníssimo Marco Paulo; e entre a tripla Jones / Dário / N'Diaye não surgiu quem marcasse um golo. O técnico mostrou então a humildade e a inteligência necessárias para questionar as suas próprias escolhas: o 4-4-2 deu lugar a um 4-3-3 que exigia menos correrias aos elementos do onze, e mesmo as escolhas para titulares foram gradualmente sendo modificadas de modo a dar oportunidade a algumas revelações. As modificações surtiram efeito e ao virar o campeonato o Estrela somara 16 pontos e encontrava-se já tranquilamente várias posições acima da linha de água, tendo também deixado para trás o futebol trapalhão e lento para adoptar agora um sistema de passes curtos pouco amplo e nada contundente mas agradável à vista, e em que o ponto forte era a recém-descoberta solidez defensiva. Com efeito, Tony (mais tarde Rui Duarte), Fonte, Amoreirinha e Edu Silva formaram um autêntico quarteto de luxo, com os centrais a mostrarem-se exímios na marcação e muito sólidos pelo ar e os laterais a dominarem todo o seu flanco. Até final da época, mesmo com Tony a abandonar o plantel em Dezembro rumo ao Cluj e Rui Duarte a tomar o seu lugar, mantiveram-se como autênticos bastiões de segurança e tranquilidade - disfarçando até o facto de nem Paulo Lopes nem Pedro Alves serem mais do que opções meramente razoáveis para a baliza.

E foi assim, com um plantel completamente distinto tanto em termos de composição como de características gerais, que o Estrela conseguiu manter exactamente a mesma classificação que tinha alcançado na época anterior. A política de contratações em vigor para reduzir ao máximo as despesas leva a que as saídas sejam numerosas, entre atletas que findam contrato e emprestados que retornam a casa; mas é certo é que o clube da Reboleira não perderá tempo a olhar para trás e, em vez de lamentar as perdas, concentrar-se-à em formar um novo plantel e construir uma equipa. E pelo menos a próxima pré-temporada não será tão atribulada quanto a anterior, já que Daúto Faquirá está assegurado como treinador. Menos mal, já só falta arranjar jogadores...

Momento Chave: E. Amadora 1-0 Vit. Setúbal

O Estrela partia para este jogo perdido num cenário no mínimo aterrorizante: último classificado, 1 ponto conquistado, 2 golos marcador e uns nada invejáveis 13 sofridos; várias experiências falhadas e nenhum onze base ainda definido. Daúto resolveu apostar pela segunda vez naquele que se viria a revelar o melhor quarteto defensivo e que na jornada anterior tinha conseguido conter com relativo sucesso o ataque Benfiquista; reintroduziu Tiago Gomes nos titulares a fim de juntar mais dinâmica e capacidade de passe à intermediária; e trocou Jaime por Rui Borges para ganhar outra mobilidade nas costas dos pontas de lança. Do outro lado um Vitória seguro e ainda consistente, que dispunha de todas as suas melhores peças para atacar os 3 pontos. Na Reboleira assistiu-se a um bom espectáculo de futebol, com ambas as equipas a procurarem o golo e os guarda-redes a responderem à altura, mas seria o Estrela a ser feliz - já depois de lançar dois flanqueadores para actuar em 4-3-3 - quando a 10 minutos do fim Paulo Sérgio assinou o seu único momento de glória entre os tricolores e sentenciou a primeira vitória amadorense. A partir daí deu-se a ascensão amadorense rumo a um campeonato tranquilo, e que seria condimentado apenas pelas vitórias frente ao Belenenses em casa e frente ao FC Porto no Dragão (de longe o resultado mais surpreendente ao longo da caminhada dos bicampeões).

Figura: José Fonte

Até ao início do ano passado não tinha um percurso muito interessante nas camadas jovens, mas num ápice tudo mudou com a transferência para o Vit.Setúbal. Apareceu de surpresa no plantel principal, conquistou um lugar na equipa titular por mérito próprio, rescindiu contracto por salários em atraso, assinou com o Benfica, e terminou a época emprestado ao Paços a fim de ganhar rodagem na liga principal. Já este ano nova cedência a um clube de poucas ambições, mas onde teve oportunidade de encontrar Amoreirinha, com quem formou uma dupla defensiva consistente e tremendamente dominante pelo ar. Foi aliás sobre este autêntico par de torres que assentou a base do sucesso tranquilo do Estrela esta época, com Fonte a contribuir com os seus centímetros, bravura e apurada capacidade posicional. Aos 24 anos falta-lhe agora um desafio num clube com ambições de conquista, em que lhe seja pedida maior amplitude de marcação e onde não tenha à sua frente toda uma equipa preocupada em defender; basicamente, um desafio que o faça crescer enquanto jogador. Interessados em acolhê-lo pelo menos não faltam.

Revelação: Tiago Gomes

Um dos muitos produtos da formação do Benfica que termina a ligação ao clube sem uma oportunidade de se mostrar, Tiago Gomes vinha de uma temporada excepcional ao serviço de Odivelas e Oriental quando chegou à Reboleira, catalogado como um médio ofensivo que gostava de ter a bola dos pés. Talvez em parte por já ter essa posição bem preenchida, Faquirá não entendeu o mesmo e colocou-o a jogar como médio interior, obrigando o jovem a desdobrar-se mais do que nunca e a adoptar um estilo de jogo mais prático em relação ao que se encontrava habituado. As exibições corresponderam no imediato e Tiago Gomes conseguiu tornar-se desde logo indiscutível num sistema que adoptava quatro médios centrais, sendo que no panorama de então era o único jogador que conseguia interpretar correctamente a dinâmica de movimentações exigida pelo seu treinador. Apesar das derrotas na fase inicial, com o passar das jornadas o rendimento foi subindo ainda mais, à medida que a timidez própria de estreante se ia dissipando e se ia também consolidando a adaptação a um campeonato mais técnico; e nem a mudança de sistema táctico beliscou minimamente o estatuto de indiscutível que por esta altura já estava mais do que conquistado. Até final da temporada foi assumindo mais e mais o papel de maestro da equipa, papel em que, não impressionando pela sua visão de jogo, consegue mesmo assim brilhar graças à lucidez demonstrada, associada a grande rapidez de pensamento e execução - permitindo-lhe assim coordenar transições rápidas para o ataque com grande personalidade, sem quebras de ritmo, e sem descurar minimamente aspectos defensivos, num estilo semelhante ao internacional Maniche. Naquilo que foi um prémio mais do que merecido, culminou a boa época com a chamada para os trabalhos à Selecção sub-21, uma estreia absoluta a nível de representação das cores nacionais.

Decepção: Jones

Era o grande nome para a frente de ataque tricolor até à chegada de Dário, e se o Moçambicano desiludiu as expectativas dos adeptos, Jones ainda conseguiu fazer pior. Até nem demorou a demonstrar boas capacidades individuais como drible e toque de bola, mas os golos sempre teimaram em não aparecer; e face às oportunidades desperdiçadas e não vendo forma de inverter a situação, Daúto acabou por tentar converter o ponta de lança móvel num falso extremo. Perdido e inadaptado à posição, acabou por perder ainda mais margem de manobra dentro do clube e a actuar mais e mais desmoralizado; e terminaria a época com um registo disciplinar mais gordo do que o próprio pecúlio: zero golos, 5 amarelos e um vermelho.


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