ForaDeJogo.net - Estrela Amadora 2008/2009


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Clube de Futebol Estrela da Amadora
Nome: Estrela Amadora
Associação: AF Lisboa
Cidade: Amadora
Estádio: José Gomes
Ano de fundação: 1932
Sede: Av. D. José I - Estadio Jose Gomes
2720-175 - Amadora
Web: www.cfeamadora.net
Plantel 2008/2009
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Treinadores
T Lázaro Oliveira
Lito Vidigal
Staff
Jorge Simão(ADJ), Lázaro Oliveira(ADJ)
Entradas
Varela (23)Recreativo   (I)
Fernando Alexandre (22)Mafra (II B)
Nuno A. Coelho (22)Portimonense (II)
Hugo Gomes (28)Pontassolense (II B)
Vidigal (35)Livorno   (A)
Rui Varela (24)Olivais e Moscavide (II B)
Ney Santos (27)Joinville   (I E)
Nélson Pedroso (23)Ribeirão (II B)
Vítor Vinha (21)Académica (I)
Tengarrinha (19)FC Porto (I)
Mustafa (23)Ben Hur   (II)
Celsinho (19)Sporting (I)
Monteiro (19)Ribeirão (II B)
Têti (29)Cabofriense   (I E)
André Marques (19)Estrela Amadora (JUN)
Jardel (25)
Garavano (25)Rampla Juniors   (I)
Filipe Figueró (23)Boavista RJ   (C)
Liga Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Nélson25Hugo Gomes8Jardel7Pedro Pereira
24André Marques16Vítor Vinha13Vidigal5NDiaye
77Filipe Mendes18Nélson Pedroso65Fernando Alexandre10Monteiro
  21Ney Santos14Marco Paulo29Varela
  32Vítor Moreno20Celestino9Anselmo
  3Filipe Figueró28Marcelo Goianira15Rui Varela
  4Nuno A. Coelho11Celsinho17Adul
  6Mustafa99Têti22Garavano
  12Hugo Carreira    
  26Tengarrinha    
Prova de ResistênciaJorge Carneiro

Boa notícia para o adepto romântico: mesmo no sobre-comercializado futebol moderno, pervertido e dominado por dirigentes corruptos, empresários e atletas mercenários, ainda há espaço para histórias super-heróis, figuras sobre-humanas que desafiam a sua condição e se dispõem a superar qualquer obstáculo. Na Amadora, esta época reuniram-se cerca de 30 destes elementos; nem todos conscientes do destino que tinham acabado de escolher, quase todos em busca de afirmação a fim de servir de suporte para outros voos, e uns poucos determinados apenas em continuarem a usufruir do prazer de jogar futebol.

Depois de boa prestação no Ribeirão, o ex-internacional Angolano Lito Vidigal estreou-se assim como treinador de primeira liga com tarefa homérica: reunir uma pequena amostra de permanências, somar-lhe um conjunto de jogadores maioritariamente jovens, inexperientes e/ou oriundos de escalões inferiores, mais os inevitáveis Brasileiros semi-anónimos, e a partir desta base dispersa construir primeiro um plantel, e depois uma equipa capaz de garantir desportivamente a manutenção no principal escalão. Provavelmente teria plena consciência que o desafio não seria simples e que a sua falta de experiência em nada contribuiria para o tornar mais fácil, mas provavelmente nem ele ou os seus jogadores terão sido informados que como dificuldade adicional teriam de alcançar os seus objectivos sem o conforto financeiro que um ordenado mensal normalmente proporciona. É que se já nos anos anteriores António Oliveira se tinha destacado pela sua capacidade de construir planteis sem possuir meios financeiros para os sustentar, esta temporada a sua filosofia atingiu todo um novo nível; dado que sem que jamais os atletas parassem de chegar à Reboleira não lhes foi pago muito mais que somente um mês de ordenados. Consequentemente futebolistas profissionais viram-se subitamente incapazes de pagar rendas ou, em casos mais extremos, de se alimentarem sem a ajuda de colegas; situações que claramente afectaram o estado físico e anímico dos tricolores, colocando-os desde início numa posição desvantajosa face à restante concorrência.

Lito Vidigal foi capaz de avaliar correctamente a situação e, face às condições disponíveis, desfez-se de qualquer sonho de glória e fez o que lhe era possível: abdicou completamente de trabalhar estratégias ofensivas e concentrou-se em implementar o rigor defensivo que foi o ponto mais forte do Estrela 2009, colocando 7 a 8 jogadores a realizarem tarefas para as quais normalmente basta alocar 5 atletas. Só que contrariamente ao que se possa pensar não foi simplesmente o estacionar de um autocarro em frente à baliza de Nélson: foi antes o executar de uma ocupação de espaços perfeita; um 4-3-3 com sectores muito próximos e pressionantes que, sem bola, não deixava oponentes armarem o seu jogo. Já com bola nos pés e à excepção da super-estrela Silvestre Varela a equipa mostrava o seu lado negro, armando um futebol confuso e muitas vezes ridiculamente curto e em que meio campo e laterais evidenciavam todas as suas carências ofensivas. Mesmo assim, sem ideias, sem dinheiro e contra todas as previsões o Estrela apresentava-se sólido jornada após jornada, uma equipa com vontade e entreajuda incríveis em que mesmo elementos sem experiência competitiva cumpriam com grande competência as suas tarefas e indicações.

Todos os contos épicos têm um momento negro, um nemesis que ameaça destruir o objectivo pelo qual os protagonistas se batem; e nesta nossa história, por circunstâncias que escapam ao controlo de qualquer dirigente (sim, mesmo aqueles que não assumem responsabilidades) o maior perigo apresentou-se sob a forma do pré-mercado de Inverno, que se revelou bastante nefasto para os tricolores e que esteve à beira de comprometer a permanência. Primeiro foi mesmo Lito Vidigal a abandonar o barco, transferindo-se a meio de Novembro para a Honra quando ocupava o 6º lugar da Liga Sagres e alcançara o apuramento para os oitavos da Taça. Depois foi Têti, craque da equipa e o único da fornada de Brasileiros com algum currículo que se cansou de jogar sem receber e optou por regressar ao Brasil. O central Filipe Figueiró não fez por menos e acompanhou o compatriota, também farto de mal conseguir figurar em convocatórias. Infelizmente, uma lesão sofrida por Mustafá que à partida não parecia ser grave conseguiu prolongar-se por um terço da temporada, deixando o já demasiado desgastado capitão Carreira como única solução para acompanhar Nuno André Coelho no centro da defesa.... isto é, até também este se deixar seduzir pela perspectiva de efectivamente ver um ordenado a cair na conta e abandonar a Reboleira para jogar na China. Subitamente restavam somente soluções de recurso para uma posição de importância cirúrgica, mas nem estas foram inteiramente felizes; o experiente Vidigal - que alinhou também como extremo-esquerdo, médio ofensivo e até, pasme-se, na sua posição de origem de médio defensivo - praticamente terminou a temporada à 16ª jornada, assolado por problemas físicos; Tengarrinha, que vinha para reequilibrar o plantel, teve também a sua dose de lesões alternadas com exibições menos felizes; e assim até Vítor Moreno e Ney passaram pelo centro da defesa, à falta de melhores alternativas. Tanta infelicidade levou a que o plantel passasse a ideia de desequilibrado e de mal preparado, mas a verdade é que nos momentos cruciais soube sempre dar a volta por cima.

E prontos, por entre dificuldades e intempéries várias mais uma vez o Estrela conseguiu concretizar o merecido objectivo de permanecer entre os grandes do futebol Português por mais um ano, pelo menos no plano desportivo. Resta agora ver se um ano a poupar ordenados foi suficiente para António Oliveira regularizar a situação financeira do clube, ou se os jogadores que conquistaram o direito de brilhar ao mais alto nível o terão de fazer dispersos por outros emblemas. Um final feliz na Reboleira, mas ainda em aberto...

Momento: 13ª jornada - Estrela Amadora 1-0 Naval

Num campeonato em que os tricolores mais uma vez não oscilaram muito na classificação e incidiram sempre entre os tranquilos 8º e 11º lugares, foi após a 12ª jornada que se verificou a situação mais tensa, com o 11º lugar de então a significar apenas dois curtos pontos de vantagem sobre o primeiro concorrente abaixo da linha de água. Mais: a última vitória para a Liga datava já há três meses e 7 rondas atrás; Lito Vidigal havia abandonado a Reboleira um mês antes e para a recepção à Naval o treinador substituto Lázaro Oliveira não podia contar com Figueiró nem Mustafá para o centro da defesa, ou Têti na frente. A Naval por seu lado apresentava condições semelhantes: apenas mais um ponto, e sectores defensivo e ofensivo com prestações ligeiramente superiores. Nova derrota arriscava fazer resvalar a turma da Amadora para águas turbulentas, de onde a parca experiência do plantel dificilmente poderia salvar.

A partida foi mal jogada, com o meio campo mais criativo da Naval a ser anulado pela raça conjunta de Fernando Alexandre e Goianira, enquanto os mais produtivos elementos dos figueirenses, os extremos Davide e Marinho, viam os seus esforços anulados pela eficácia dos centrais Nuno André e Vidigal. A partida arrastava-se desinteressante e sem lances de perigo, quando a poucos instantes do intervalo e na sequência de um canto Pedro Pereira resolveu insistir numa bola perdida e cruzou com régua e esquadro para a cabeça do matador Anselmo, que fuzilou a baliza à guarda do desamparado Peiser. A segunda parte ainda trouxe um par de sustos para o inspirado Nélson, mas no geral os estrelistas souberam congelar todas as tentativas da Naval de chegar à igualdade adaptando-se a cada novo trunfo lançado por Ulisses Morais para o relvado. No final do desafio, os 3 pontos amealhados significavam que a vantagem para os lugares de despromoção aumentava para um total de 5, e garantia também o regresso a um mais tranquilo 9º lugar. E mais importante que isso, significava também uma injecção de moral nos já então emocionalmente desgastados jogadores, e evitava uma possível crise com resultados imprevisíveis.

Estrela: Silvestre Varela.

A época no Recreativo não lhe correu totalmente de feição, mas face à sua idade, prestígio e mesmo ao que produzira em Espanha não deixou de causar uma imensa surpresa a sua chegada a um clube com a dimensão do Estrela, mesmo que numa clara tentativa de rapidamente saltar para outro patamar. Assinou por uma temporada pouco antes do fecho das inscrições e mesmo sem grande entrosamento ou preparação física rapidamente provou que as suas qualidades se mantinham intactas, acrescentando alguma credibilidade a um sector que por tradição se previa amorfo. E se não deixa de ser um facto que jamais o Estrela se aproximou da imagem de um rolo compressor ofensivo, tal não se deve com certeza ao internacional jovem Português - sempre posicionado sobre a esquerda e beneficiando ou não de uma referência ao centro que distraísse, Silvestre Varela foi jornada após jornada o mais perigoso jogador dos tricolores e não raras vezes o único a conseguir desenhar lances ofensivos de forma concisa e perigosa.

Acerca de Varela, convém apontar que o seu jogo evoluiu bastante nos cinco anos que já distam desde a sua aparição pelos sub-21. Actualmente não é mais o avançado centro corpulento e rápido que despertou a curiosidade do país; tornou-se antes um extremo agressivo e sem medo do choque que, para além de todas as tarefas que caracterizam um homem de ala comum, possuí ainda aquela rara capacidade de executar diagonais e concretizar que diferenciam os de classe mundial. Esta época conseguiu somar uns nada modestos 6 golos, tendo em conta a posição que ocupa e a equipa em que alinha; mas impressionou mais a Varelo-dependência que se criou em seu redor. Não raras vezes o Estrela abdicou por completo de avançar sequer para contra-ofensivas, limitando-se a entregar a bola ao seu 29 ainda antes do meio campo adversário para que este - sem apoio, frise-se - conseguisse furar por entre médios, laterais e centrais numa sucessão de sprints e correrias de que quase sempre conseguia retirar dividendos. Varela não foi simplesmente o melhor do ataque estrelista; Varela foi o ataque estrelista. Para o ano voltará a actuar a um nível superior e tentará aproveitar a oportunidade que o FC Porto lhe concedeu, tendo agora de comprovar que já deixou de ser uma grande promessa para se tornar um grande jogador.

Revelação: Nuno André Coelho

O título de \"revelação\" não lhe assenta totalmente bem, uma vez que poucos apaixonados do futebol não teriam por esta altura já decorado o comprido nome de guerra de Nuno André Coelho; apesar de contar com apenas 23 anos, este central já cumpriu uma época no poderoso Standard Liége e foi presença assídua nos Sub-21. Para os menos atentos no entanto só agora é que o nome começa a ganhar fama própria, uma vez que é a primeira vez que o duriense pisa os relvados da primeira liga.

Com o acumular de épocas de sucesso viu-se resgatado pelo FC Porto às camadas jovens do Penafiel a tempo de completar a sua formação no Dragão, limitando-se a fazer valer a eficácia e o físico desenvolvido que já então o caracterizavam para alcançar algum destaque entre os colegas. Seguiu-se um empréstimo surpreendente para o futebol belga durante o qual não jogou muito, mas em que sem dúvida amadureceu o seu jogo e a sua mentalidade. Por esta altura começava também a surgir nos sub-21, disputando o lugar no onze de parceiro de Manuel da Costa e, mesmo sendo visível que não possuía a exuberância técnica dos concorrentes, ainda assim conseguia transmitir outra solidez ao sector que só por si o confirmava como um atleta acima da média. Seguiu-se então uma não menos surpreendente passagem pela liga Vitalis para representar o Portimonense, no que à primeira vista soou a uma despromoção mas que permitiu testar o central num futebol mais duro e frenético do que todos os que experimentado até à data; e foi uma também uma introdução ao que, já esta época, Nuno André Coelho viria a enfrentar na Reboleira. E foi na Amadora que chamou a si todos os holofotes, pulverizando toda a concorrência no plantel e apresentando-se ao longo de 29 jornadas como um defensor fiável e extremamente eficaz; imperial nas alturas e ágil e elástico pelo chão; e muito, muito contundente e agressivo a cortar espaços aos avançados adversários. Contas feitas, marcou um golo - de livre directo, note-se -; falhou apenas a 9ª jornada por problemas físicos; e somou quatro curtos cartões amarelos, para um jogador na sua posição. O regresso ao seu FC Porto já em 2009/2010 é uma possibilidade fortíssima, sendo que muitos já o imaginam no papel de herdeiro da mítica camisola 2...

Desilusão: Celsinho

Dadas as diferenças brutais a nível de clima e estilo de futebol com o seu Brasil natal compreende-se que a passagem pelo Lokomotiv não tenha corrido de feição; dada a sua juventude e a instabilidade que se vivia no plantel da turma de Alvalade percebe-se que o Sporting não tenha também resultado. O que já não se compreende é porque é que na Amadora, uma equipa sem qualquer organização ofensiva e cujos treinadores procuraram conceder toda a liberdade táctica que Celsinho pudesse eventualmente necessitar para desequilibrar, tenha produzido exibições paupérrimas e falhado a toda a linha na tentativa de procurar afirmação fora de Vera Cruz. Fora contratado a fim de substituir o compatriota Mateus, mas mesmo sendo superior a nível técnico e físico não foi capaz de o fazer esquecer; e consequentemente o seu crédito em Portugal ameaça começar a esgotar-se. Mais incompreensível é tendo em conta que enquanto os colegas de balneário se viam a braços com dificuldades diárias e meses de salários em atraso ainda assim conseguiam somar exibições mais convincentes que o 11 Brasileiro, cujo ordenado era pago na íntegra pelo Sporting.

A seu favor, tem apenas 20 anos o que dá ainda muito tempo para aprender com os erros; e mesmos os fracassos recentes não apagam os pormenores e as exibições fantásticas ao serviço da Portuguesa e das selecções jovens do Brasil. Mas convém não desperdiçar muito mais épocas, pois essas temporadas começam a ficar enterradas num passado cada vez mais distante e cada vez menos credível...


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