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Vitória Futebol Clube
Na borda do abismo, parte 2Jorge Carneiro 2005/2006 foi uma época extremamente atribulada para as bandas do Sado, com trocas intensas de treinadores, jogadores e até de presidente; e a falência sempre por um fio, a ameaçar e a tolher os destinos do clube. Os atletas que não abandonaram em Janeiro cerraram os dentes e conseguiram dignificar a camisola até final da temporada, muito embora os pontos resultantes do bom início de época tenham sido determinantes no honroso 8º lugar final; mas finda a época muitos optaram por seguir para outras paragens, quiçá fartos da instabilidade constante que morava para os lados de Setúbal. Foi, portanto, de bem perto da estaca zero que o Vitória partiu já esta pré-época para construir o plantel que atacaria a Bwin Liga. Repleto de ilustres desconhecidos, nomes ainda em busca da afirmação total, e de alguns atletas já em final de carreira, as únicas referências de qualidade eram o trio de capitães constituído por Sandro, Nandinho e Bruno Ribeiro; e ainda a suposta estrela da companhia, o Argentino La Paglia. Uma equipa que oferecia muito poucas garantias, tal como aliás o inexperiente treinador que era Hélio. Depois de uma pré-temporada modesta a época abriu com a disputa da Supertaça frente ao campeão FC Porto, de que resultou também a primeira derrota: num pesado 3-0 que deixou pálida imagem da valia setubalense e revelou desde logo algumas carências defensivas. A estreia na Liga Bwin não foi tão má, num empate em casa a uma bola contra a Académica; mas logo se seguiu a primeira derrota, em Belém e frente a um trémulo Belenenses que mesmo assim se impôs facilmente com um 2-0. Entrou então em cena o clássico bombeiro sadino: Carlos Cardoso. Estreou-se com pesada derrota frente à Naval (3-0) mas, sem ter tido sucesso na tentativa de elevar o nível exibicional da equipa, ainda assim conseguiu conquistar quase o dobro dos pontos que António Conceição tinha amealhado: 15, o que perfez um total de 24 pontos. O Vitória acabaria por se manter na Bwin Liga, mas segurou a lanterna vermelha até à última jornada... Momento Chave: Naval 1 - 2 Vit.SetúbalDesde a 12ª jornada que o Vitória andava a alternar classificativamente entre os lugares de descida e o 14º lugar, imediatamente acima da linha de água, incapaz de produzir resultados ou sequer exibições que possibilitassem alguma tranquilidade. Quando à 28ª jornada caiu na última posição da tabela e com os adversários directos a terem calendários mais favoráveis, poucos terão acreditado que os sadinos teriam alguma hipótese de se manter na primeira... e foi contra todas as expectativas que o Setúbal somou uma vitória fora na ronda final frente à Naval. Janício ia deitando tudo a perder com um falhanço que permitiu a Elivelton estrear-se a marcar logo aos 9 minutos, colocando assim os figueirenses em vantagem, mas a violenta reacção setubalense chegou antes do intervalo e foi traduzida nos golos de Auri (17m) e Ayew (33m), este após verdadeira jogada de raiva da estrela Varela. Na segunda parte uma Naval conformada não chegou a colocar Milojevic à prova, facilitando a tarefa dos visitantes de segurar o triunfo, e findo o apito final... Festa sadina! Figura: VarelaO Setúbal apresentou esta época um plantel muito heterogéneo e com pouca qualidade, onde até os melhores atletas pouco mais produziram do que exibições algo irregulares. A grande excepção foi Varela, que após meia época de adaptação ao ritmo da Superliga acabou por se impor em definitivo no onze, onde aliás alinhou em todos os 30 jogos mantendo sempre uma bitola exibicional distintamente superior à dos companheiros. Apelidado de "Drogba" por partilhar a posição dentro de campo e o estilo combativo e muito móvel do Costa-Marfinense, por diversas ocasiões foi o único a conseguir jogar futebol de entre os sadinos, numa solidão que apenas acentuou ainda mais o contraste entre as exibições frouxas do Vitória e a intensidade voraz do avançado. Com efeito Varela é um jogador muito objectivo e sempre em movimento, que não desiste, que não dá uma bola por perdida, que não deixa os adversários relaxar; e acima de tudo que nunca enjeita uma hipótese de rematar à baliza adversária. Os 3 golos apontados à primeira vista não impressionam, mas explicam-se facilmente pela falta de alas direitos no plantel, o que obrigou a que jogasse toda a época encostado ao flanco. Mas mesmo essa restrição acabou por se revelar positiva, dado que permitiu a Varela desenvolver notoriamente alguns aspectos do seu jogo tais como os cruzamentos ou até mesmo o timing de drible; isso enquanto as suas diagonais partindo da lateral para o interior da área se tornaram numa das poucas armas de que a equipa dispôs. A premiar o seu crescimento, ao longo da época foi galardoado por diversas vezes com o prémio mensal para melhor jovem; e já depois do final do campeonato e numa altura em que era das poucas exibições positivas da selecção sub-21 de Portugal no Euro 2007 surgiu ainda o empréstimo para o Recreativo Huelva, que lhe abre as portas de Espanha... Revelação: MilojevicA surpreendente fuga cobarde de Rubinho para o Génova no final da pré-época deixou o Vitória sem titular na baliza e obrigou a uma intervenção rápida da direcção setubalense, naquela altura já sem tempo para minunciosos estudos de mercado. Chegou então ao Sado Milojevic, um ex-internacional jovem Sérvio, naquela que foi a primeira contratação para preencher a vaga deixada em aberto. O pouco que restava da pré-época não revelou predicados que o colocassem à altura de outros nomes no passado recente da baliza do Vitória - o seguríssimo Nuno Santos, o prodígio Paulo Ribeiro, o espectacular Tigrão, o carismático Marco Tábuas ou até o irregular Moretto - o que, acrescido aos problemas que surgiram com a sua inscrição, impediram que tivesse sequer uma única oportunidade no onze. Mas não foi tudo: com Marco Tábuas e o inexperiente João Paulo sem convencerem e a alternar na titularidade, a direcção entendeu por bem agir; e assim já mesmo em cima do final do prazo de inscrições ficou consumada a chegada ao clube do experiente internacional Português Nélson. Como reflexo imediato começaram a surgir notícias da dispensa de Milojevic, então dado como excedentário; mas apesar das boas exibições Nélson vir-se-ia a arrepender da opção tomada e rescindiria o seu contrato durante a pausa de Inverno. Milojevic não desaproveitou então a oportunidade caída do céu e agarrou a titularidade com ambas as luvas, fixando-se na baliza durante toda a segunda parte da temporada e conferindo finalmente alguma estabilidade ao sector. Exibindo-se com a concentração e confiança própria dos grandes guarda-redes, fez uso de elasticidade e agilidade surpreendentes para minimizar o fraco rendimento defensivo sadino. A confirmar na próxima época. Decepção: Marcelo LabartheO médio ofensivo que há duas épocas atrás chegou a Alvalade envolvido numa transferência do internacional Brasileiro Tinga para o Internacional de Porto Alegre começa a ficar sem espaço para demonstrar as suas capacidades. Do outro lado do Atlântico era apontado como sendo possuidor de rara familiaridade com a bola e da fantasia e irreverência dos predestinados, o que o fez parecer um óptimo negócio para o Sporting. O empréstimo para o Beira-Mar, então na competitiva liga de Honra e então orientado pelo técnico campeão leonino Augusto Inácio, pareceu uma compreensível tentativa de o introduzir ao futebol europeu e talvez de desenvolver alguma capacidade de choque extra; mas a verdade é que nunca passou de opção de reserva, pouco contribuindo para a triunfal campanha aveirense. Apontou-se então a falta de espaços característica da Honra como a causa para esta falha, sendo o empréstimo seguinte atribuído a um Vit.Setúbal primo-divisionário e em regeneração. Só que Labarthe voltou a não se impor no onze, desta vez numa equipa de qualidade muito duvidosa e que com o falhanço de La Paglia até desesperou por alguém que coordenasse o seu jogo ofensivo. Acabou por jogar ainda menos do que em Aveiro e deixou no ar a interrogação: Quo vadis, Labarthe?... |
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