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Vitória Futebol Clube
Heróis da LigaJorge Carneiro O início de 2007/2008 encontrou os Sadinos em regeneração, ainda a recuperar o fôlego pela miraculosa manutenção na liga principal mesmo no limite e pelo quase fatal drama económico que por pouco não levou à desistência da prova. O orçamento para a nova época foi portanto cuidadosamente elaborado e seguido de forma a reabilitar a saúde financeira do clube e evitar as dificuldades financeiras que haviam tornado o Vitória tristemente célebre, mesmo que para isso o clube - no plano teórico - se visse obrigado a sacrificar a sua competitividade. Parte do plano passou por reconstruir um plantel de rastos praticamente a partir do zero, tendo Carlos Costa \"investido\" em atletas a custo zero e empréstimos de outros clubes para satisfazer os pedidos de Carlos Carvalhal - aliás também ele um treinador a necessitar de um sucesso, depois de uma meteórica passagem pelo Beira-Mar e um fracasso em Braga. Tal como a pré-época indiciava, o início do Vitória não foi fulgurante (3 empates nas três primeiras jornada) mas mesmo assim colheu muita gente de surpresa pela qualidade do futebol apresentado, e a partir da 4ª jornada iniciava alguns resultados mediáticos de que são exemplo a vitória por 3-1 ao europeu Braga e de seguida o empate com sabor a pouco em Alvalade; tudo isto intercalado com suscessos na Carlsberg Cup. A defesa mostrava-se invulgarmente inexpugnável, mesmo os laterais que outrora eram identificados como pontos fracos; o meio-campo muito coeso a defender e desdobrável a subir no terreno; e o ataque chamava a atenção pela mobilidade que invariavelmente confundia a estratégia defensiva dos adversários. Os setubalenses eram por esta altura uma equipa claramente em crescimento e apresentando cada vez mais destaques individuais, fruto da melhoria de rendimento do sector ofensivo e que agora complementava a eficácia na rectaguarda. Assim, a primeira derrota surgiria apenas à 11ª jornada e seria às mãos do futuro campeão FC Porto; seria a única da primeira volta, concluída na 5ª posição com 24 pontos (a meros 2 da Champions League). As saídas de Matheus e de Edinho na reabertura de mercado ajudaram os depauperados cofres do Vit. Setúbal mas também limitaram as hipóteses da equipa de futebol lutar por uma classificação ainda melhor na Bwin; tendo a ausência dos dois avançados se tornado cada vez mais evidente à medida que o campeonato caminhava rumo ao seu termo e o plantel denotava cada vez maior desgaste físico. Apesar de Pitbull e Eduardo crescerem cada vez mais em importância e em qualidade exibicional, os sadinos simplesmente já não dispunham de argumentos para conseguir manter o mesmo nível - foi sem qualquer surpresa que a segunda parte da época se revelou especialmente penosa, com apenas 1 vitória nos últimos 6 jogos e exibições pobres. O saldo final limitou-se a um 6º lugar com 45 pontos que mesmo assim deixava o Setúbal qualificado para a taça UEFA, e que acima de tudo foi uma melhoria indiscutível em relação aos atribulados 14º e 8º das épocas anteriores. O trabalho de Carlos Carvalhal rendeu-lhe não só o rejuvenescimento da sua imagem profissional, como ainda o reconhecimento de toda a massa associativa - novamente unida em torno do clube, algo que se tinha perdido durante a presidência de Chumbita Nunes - e um lucrativo contrato com o Asteras Tripolis da primeira divisão Grega. Momento Chave: Final Carlsberg Cup - Vit. Setúbal 0-0 Sporting (3-2 após g.p.)O trajecto do Vitória nesta competição foi entusiasmante e marcado por óptimas exibições colectivas, enquanto do outro lado o Sporting vinha praticando o seu característico e agradável futebol de progressão. Eram promessas de bom espetáculo, traídas por uns sadinos muito desgastados na frente, já a acusarem claramente as limitações impostas pelo mercado de Inverno; enquanto do outro lado a pouco inspirada equipa leonina não conseguia furar a organizada teia defensiva dos adversários. Em 90 minutos enfadonhos apenas havia a reter as boas exibições de ambos os guarda-redes e os lampejos de classe de Cláudio Pitbull, que mesmo desacompanhado se desdobrava em todos os papéis na frente de ataque. O apito final de Pedro Proença deu o mote para a lotaria da marcação de grandes penalidades, só que a fragilidade evidenciada ao longo da temporada pelos leões nesse aspecto colocava-lhes uma pressão acrescida sobre os ombros e significava ainda uma importante vantagem psicológica para os setubalenses. Os temores sportinguistas viriam a confirmaram-se: Eduardo corou a sua exibição com a defesa de 3 remates, inscrevendo o seu nome na História do futebol e garantindo um troféu para as vitrines do estádio do Bonfim. Estrela: PitbullChegou ao Porto no difícil período pós-Mourinho para substituir Derlei enquanto avançado móvel numa altura em que se encontrava muito em alta no Brasil; mas cumpriu apenas 5 jogos incompletos antes de partir para empréstimos sem grande brilho a Santos, Fluminense e Al-Ittihad. O regresso a Portugal deu-se através de nova cedência, desta vez à Académica; onde apesar de limitado por pequenas lesões e pelas estrondosas prestações de Filipe Teixeira conseguiu deixar boa imagem como médio ofensivo. Novamente sem espaço no FC Porto, foi colocado de novo na lista de cedências para 2007/2008, tendo a direcção sadina vencido a concorrência; e a aposta não poderia ter sido mais acertada dado que na sua primeira temporada iniciada em solo luso afirmou-se como o maestro da espantosa orquestra sadina. Se é verdade que do meio-campo para a frente todos os jogadores deste plantel sabiam tratar e conduzir a bola com mestria, somente o pequeno Brasileiro é que já detinha a maturidade e leitura de jogo necessárias para a saber fazer chegar ao sítio certo. Outros pontos fortes evidenciados foram a mobilidade ofensiva: as diagonais da ala para uma posição mais central do terreno permitiram manter o meio-campo e o ataque unidos; enquanto as derivações do centro para a ala esquerda muitas vezes abriam espaços para as entradas em velocidade de Elias e Janicio. De resto, evidenciou muita qualidade técnica, dotou os sadinos com outra capacidade na marcação de bolas paradas e contribuiu ainda com várias assistências para golo e o título de melhor marcador da equipa na liga Bwin. Próximo passo: limpar a pálida imagem deixada no Dragão! Revelação: RobsonSurpresa também na época passada então ao serviço do Gondomar, o gigante Robson foi por isso premiado com a transferência para o não menos gigante (embora adormecido) Vitória de Setúbal. Contudo a concorrência do eterno Auri e do mais conceituado Léo Bonfim, a que se juntava ainda o recuperado Hugo Vieira, não parecia prometer um grande número de presenças no onze; só que o Brasileiro adaptou-se de forma surpreendentemente simples a um futebol com mais espaços e melhores interpretes do que aquele que enfrentara na liga Vitalis. A dupla que formou com Auri manteve uma regularidade e coesão impressionantes, não sendo poucos os que notaram as semelhanças com aquela em que Auri combinava com José Fonte e que chegou a formar a dupla menos batida da Europa. Para alcançar todo este sucesso Robson teve apenas de manter uma atitude humilde e concentrada dentro e fora de campo, e de fazer uso da sua irrepreensível leitura dos lances - atributos que sobressairam ainda mais do que a sua constituição física. Sussurra-se que poderá abandonar o Bonfim rumo ao estrangeiro, tal a quantidade de clubes interessados e prontos a cobrir a clausula de rescisão. Decepção: Léo MacaéA campanha do Vitória de Setúbal não deu azo a grandes desilusões a nível individual, tendo o clube apostado maioritariamente em valores jovens e desconhecidos que se superaram largamente ou em atletas consagrados que nunca defraudaram as expectativas. Léo Macaé situava-se algures num ponto intermédio de anonimato e de consagração dado que mesmo semi-desconhecido em Portugal, ainda assim os 11 golos no modesto Corinthians Alagoano durante a primeira metade de 2007, um passado sempre a facturar em bons clubes do seu país - Vasco da Gama, Americano e Figueirense - e a elevada reputação que detém no Brasil tornavam-no uma contratação tão espectacular quanto surpreendente, atendendo à actual condição do grêmio sadino, e especialmente no que toca às suas finanças. As suas exibições durante a pré-época não entusiasmaram muito, lançando as bases para uma primeira volta sem contribuição nas gloriosas campanhas nas taças e um embaraçoso total de 11 minutos para o campeonato, dividido por dois jogos. Adivinhava-se a partida em Dezembro e o Vitória chegou a acordar a cedência ao Gondomar (Liga Vitalis) a fim de ajudar à adaptação ao futebol luso, mas um desiludido Léo Macaé avançou para a rescisão de contrato e regressou à sua pátria para representar o secundário Coruripe. |
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