ForaDeJogo.net - Vitória Setúbal 2008/2009


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Vitória Futebol Clube
Nome: Vitória Setúbal
Associação: AF Setúbal
Cidade: Setúbal
Estádio: Bonfim
Ano de fundação: 1910
Sede: Rua Cidade Pau, 6
2900-306 - Setúbal
Web: www.vfc.pt
Plantel 2008/2009
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Treinadores
T Carlos Cardoso
Daúto Faquirá
Staff
Conhé(ADJ), Edmundo Silva(ADJ)
Entradas
Bruno Vale (25)Varzim (II)
André Marques (20)Freamunde (II)
Laionel (22)Boavista (I)
Pedro Alves (29)Estrela Amadora (I)
Leandro Lima (22)FC Porto (I)
Kieszek (24)Sp. Braga (I)
Mateus (25)Estrela Amadora (I)
Cissokho (20)Gueugnon   (II)
Joeano (28)Académica (I)
Paulo Regula (19)Vitória Setúbal (JUN)
Anderson do Ó (27)Levadiakos   (I)
Saleiro (22)Fátima (II)
Leandro Carrijo (22)Portuguesa   (A)
Zoro (24)Benfica (I)
Michel (23)União São João   (II E)
Moisés (17)Vitória Setúbal (JUN)
Bruno Moraes (23)
Filipe Brigues (17)Vitória Setúbal (JUN)
Danilo Portugal (25)Ipatinga   (A)
Liga Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Milojevic2Michel3Hugo7Bruno Gama
23Bruno Vale13Filipe Brigues5Danilo Portugal27Moisés
27Pedro Alves14Janício6Sandro11Bruno Ribeiro
31Kieszek22Cissokho8Elias9Laionel
  55André Marques16Ricardo Chaves10Bruno Moraes
  4Robson24Paulo Regula19Leandro Branco
  15Auri20Leandro Lima81Joeano
  80Anderson do Ó21Mateus99Saleiro
  83Zoro  91Leandro Carrijo
Em estratégia que ganha, não se mexeJorge Carneiro

Em equipa que ganha, não se mexe. É uma máxima interessante, cheia de lógica e cujos resultados normalmente confirmam a sua eficácia. O Vitória não teve oportunidade de a aplicar dado que muitos dos artistas que compunham o memorável plantel de 07/08 não pertenciam aos quadros do clube e rumaram a outras paragens, mas procurou pelo menos aplicar a mesma estratégia que no ano transacto. Assim, Carlos Costa assegurou diversos reforços por empréstimo, todos jogadores com reputação e na sua maioria já com créditos bem firmados no futebol luso; atletas que assegurassem se não o mesmo êxito, pelo menos a mesma qualidade de jogo que os seus antecessores. E, com Carvalhal a iniciar novo projecto no Asteras Tripolis, assegurou um treinador igualmente jovem e ambicioso, mas já com algumas épocas de primeira divisão no currículo: Daúto Faquirá.

O técnico Moçambicano, habituado pelas limitações do Estoril e do Estrela Amadora a montar equipas para jogarem para a manutenção, via-se pela primeira vez ao comando de uma equipa a disputar as competições Europeias. Procurou implementar um 4-4-2 de povoamento a meio-campo que permitia manter simultâneamente em jogo a estrela Leandro Lima e o seu jogador-fetiche Mateus, providenciando-lhes ao mesmo tempo toda a liberdade que necessitassem por força da presença nas suas costas de dois médios defensivos consagrados como Ricardo Chaves e o capitão Sandro. A defesa, por outro lado, mantinha-se quase inalterada: apenas Cissohko entrava para a lateral esquerda, substituindo com vantagens Jorginho, que acompanhara Carvalhal para a Grécia. Já no ataque pretendeu combinar os estilos distintos do móvel Laionel e do mais posicional Carrijo, subtraindo um destes a fim de reforçar o miolo com Elias quando necessário.

A estratégia não resultou, simplesmente. Começou por falhar o meio-campo, muito pouco organizado e incapaz de produzir jogo ofensivo como se esperaria. Sem bolas jogáveis também o ataque se viu de mãos atadas, embora quando as oportunidades surgiam Carrijo se mostrasse muito perdulário. Na baliza Bruno Vale transmitia intranquilidade à sua defesa, onde Auri cometia falhas e Janício reavivava pecados antigos que se pensavam bem enterrados. No geral o Vitória apresentava-se um conjunto muito estático, com poucas movimentações colectivas e uma falta de profundidade que inviabilizava qualquer dinâmica ofensiva. Daúto teve tempo e condições para procurar soluções, mas sem sucesso; e assim abandonou o clube após a 14ª jornada. O Vitória encontrava-se então em 14º lugar com os mesmos pontos do 15º, o Trofense, tendo uma das piores defesas do campeonato e o pior ataque da prova - apenas 7 tentos no total, e já se tinha despedido das restantes competições em que se encontrava envolvido. Pior que tudo, verificava-se uma grave crise directiva motivada pela partida de Carlos Costa e que deixava o plantel desapoiado e psicologicamente diminuído, da qual resultaram incumprimentos burocráticos e salariais que inevitavelmente afectava o rendimento dos atletas profissionais.

Carlos Cardoso, homem residente em Setúbal e o habitual bombeiro do clube, assumiu uma vez mais o comando do plantel para tentar milagre semelhante a 06/07, onde conseguira que um conjunto desmotivado e quase sem valor futebolístico se mantivesse na primeira divisão. Recebeu como auxílio o experiente avançado Joeano e o guarda-redes polaco Kieszek, tendo tido de abrir mão de Cissohko, do ignorado Saleiro e do lesionado capitão Sandro; a partir daí, mesmo que totalmente desapoiado por uma direcção inexistente, teria de conseguir gerar uma equipa a partir dos jogadores com que já contava.

Com a experiência que tem, cedo compreendeu que apenas extrairia maior rendimento se conseguisse resolver as carências no meio-campo e no processo defensivo. Conseguiu o registo ligeiramente superior de 14 pontos e no seu reinado a equipa alcançou registos ofensivos mais condignos, mas o melhor mérito vai mesmo para a maior solidez evidenciada pelo seu conjunto, com os sectores próximos uns dos outros e um estilo de progressão mais apoiado. Também descobriu Regula, a grande revelação sadina que se tornou a melhor muleta disponível para Leandro Lima na organização de jogo; reinventou Hugo como um trinco brutal na recuperação e muito seguro na saída para o contragolpe, e acabou com as tentativas de coabitar Mateus e Leandro no centro do terreno, convertendo o ex-Estrela num falso ponta de lança. Pelo ainda meio valorizou a cantera do clube, revelando jovens como o buliçoso Moisés, Brigues e Bruno Bolinhas. Um desempenho simplesmente fabuloso.

Os 26 pontos finais amealhados são pouco mais de metade dos conseguidos na temporada anterior, mas face às extremas adversidades registadas não podem deixar de ser considerados um enorme sucesso e uma demonstração do que é a alma vitoriana. A instituição não foi capaz de assegurar condições de trabalho a Carlos Cardoso nem aos seus profissionais, e enquanto assim suceder não se podem exigir vitórias e taças à equipa. Afinal, como Sandro afirmou, foram os jogadores que se salvaram a si mesmos.

O momento: 27ª jornada: Vitória de Setúbal 2 - 1 Paços de Ferreira

Com 4 derrotas consecutivas os sadinos encontravam-se na pior fase da temporada e arriscavam-se a cair em zona de despromoção, até porque uma delas fora frente ao concorrente directo Belenenses e reduzia a diferença pontual entre as equipas para somente 1 ponto. Novo desaire complicaria imediatamente as contas e colocaria o Vitória sobre imensa pressão. Os maiores temores pareceram confirmar-se logo aos 5 minutos de jogo, quando na sequência de um canto Ricardo conquistou as alturas a Auri e cabeceou sem qualquer hipótese para o Kieszek. Felizmente, na jogada seguinte Carrijo fez algo raro: conseguiu aproveitar os espaços conquistados pela movimentação e a assistência de Bruno Gama para assinar o golo do empate, numa finalização com muita classe e tranquilidade.

Consciente da importância do desafio o Vitória de Setúbal carregou no acelerador e o meio campo constituido por Hugo, Ricardo Chaves, o veterano Ribeiro e Leandro Lima começou a superiorizar-se ao do Paços, anulando todas as investidas individuais, cortando linhas de passe e carrilando jogo para os avançados. O prémio veio perto do intervalo, com uma transição rápida a permitir a Bruno Gama surgir com muito espaço frente a Danielson, que sem outras opções acabou por derrubar o extremo em falta dentro da área. O experiente Auri converteu sem hipóteses para Cássio e colocou os adeptos em festa.

Após o intervalo o Vitória ainda arrancou um par de lances de perigo, mas viria progressivamente a recuar no terreno para se proteger das investidas de um Edson Nobre endiabrado. Ainda assim o notável trabalho de sapa de Hugo e de Ricardo Chaves permitiu que Kieszek não fosse tão colocado à prova como esperaria, e a verdade é que ainda foram os setubalenses a desperdiçar algumas oportunidades de golo. Os 3 pontos conquistados colocaram o Vit.Setúbal num temporário 13º lugar, com 3 pontos de vantagem sobre a linha de água; seria a última vitória da época e faria toda a diferença nas contas finais. Tivesse esta partida terminado aos 5 minutos e os sadinos estariam por esta altura a planear a participação na Honra...

Estrela: Bruno Gama

Uma das poucas figuras sobreviventes da mítica armada de 07/08, regressou neste defeso aos sadinos nas mesmas condições que anteriormente: emprestado pelo FC Porto a fim de acumular maior experiência. É que apesar da sua performance na temporada transacta ter sido bastante positiva, ainda assim pareceu sempre faltar alguma objectividade ao seu futebol: Bruno driblava bem, tentava bons passes, movia-se rapidamente e sabia posicionar-se, mas raramente materializava os seus esforços em assistências ou golos; e assim o destaque foi naturalmente para companheiros mais eficazes como Matheus ou Pitbull.

Comprovando que todas as expectativas em seu redor não eram infundadas este ano registou uma evolução notável a todos os níveis, aparecendo como um jogador mais rápido, mais forte, mais eficaz. Melhorou especialmente no aspecto físico, mostrando-se muito mais capaz na hora de arrancar com a bola controlada e suportar um ou dois choques de adversários antes de decidir o curso da jogada a tomar. É hoje um jogador muito mais dinâmico, capaz de executar tão rápido quanto pensa e tornando-se um desafio sério de marcar ou de parar para os defesas adversários.

Apesar dos curtos 21 anos apresentava-se já como um dos elementos mais experientes do plantel, cumprindo a sua 5ª época na primeira divisão, e essa experiência já se reflecte na confiança do seu jogo. Mesmo numa posição em teoria menos influente foi Bruno o comandante da equipa; o primeiro a receber a bola no meio campo e, ora descobrindo desmarcações com passes de rotura; ora driblando para explorar corredores e diagonais, a decidir qual a forma que a jogada deveria tomar. Só precisa de melhorar a nível de golos marcados; tem capacidades para assegurar 5 ou 6 golos por temporada ou até mais, se se ocupar das bolas paradas; mas esta temporada assinou apenas dois.

Incompreensível foi a pouca confiança nele depositada pelos seus treinadores. Daúto desde a pré-época que deixou claro que Bruno Gama não cabia no seu 4-4-2, reduzindo-o a uma opção para agitar (e de que maneira) o jogo na segunda parte. A pressão dos adeptos e as óptimas exibições de Bruno dentro de campo provaram ao técnico que não fazia sentido manter o seu melhor jogador no banco; mas o mesmo viria a fazer o insuspeito Carlos Cardoso na segunda metade da época, devolvendo Bruno Gama ao banco entre a 16ª e a 20ª jornada e substituindo-o em diversas outras ocasiões. Mesmo assim conseguiu terminar como o 4º atleta mais utilizado, apenas atrás de Janício, Robson e Ricardo Chaves.

Ainda com contrato por mais um ano com o FC Porto dificilmente integrará o plantel portista já em 2009/2010, face à quantidade de estrelas que figuram para as alas e às carreiras de outros ilustres emprestados. É pena, pois Bruno Gama já demonstrou que mesmo com 21 anos o seu futebol já tem dimensão para mais que as margens do Sado. Espera-se agora que não desperdice a carreira nas divisões secundárias de Espanha ou nos paraísos mediterrânicos do Chipre ou Grécia...

Revelação: Paulo Regula

Cissokho foi o primeiro atleta a evidenciar-se no plantel sadino, ganhando a André Marques a titularidade no lado esquerdo da defesa e mantendo-a completamente fora do alcance da concorrência. No entanto, manda a verdade dizer-se que muitos dos argumentos demonstrados pelo Francês foram essencialmente no plano físico, dado que as suas exibições se limitaram a ser regulares, nalguns casos até discretas.

Pouco depois da partida do lateral esquerdo rumo à glória no FC Porto surgiu no onze um médio centro proveniente das escolas do clube, lançado às feras pela falta de opções para o centro do terreno. O capitão Sandro havia terminado a época, Danilo nunca a havia sequer começado, Elias, Leandro Lima e Mateus alternavam exibições de baixo nível, e Bruno Gama encontrava-se na sua segunda travessia pelo banco; foi altura de Paulo Regula ter uma oportunidade de demonstrar as suas capacidades. Foram apenas 3 jogos consecutivos antes de também ele se lesionar quando se preparava para somar a primeira internacionalização sub-21, mas que permitiram criar enormes expectativas em seu redor; 3 jogos em que Regula conseguiu incutir no meio-campo a ordem e a geometria que tinham desaparecido com Sandro, e acrescentado-lhe ainda uma maior amplitude e elasticidade, inéditas esta temporada. Regressou apressadamente à 22ª jornada ainda bem a tempo de confirmar atributos; mas já sem conseguir o mesmo efeito bombástico, tendo até terminado o campeonato mais cedo fruto da expulsão por acumulação frente ao Leixões à 29ª jornada. Nos 722 minutos que já acumulou mostrou que é um centro-campista de qualidade superior com a bola nos pés e um jogador abnegado e atento no restante, na mesma linha que a antiga glória sadina Hélio; mas a real dimensão das suas capacidades só poderá ser confirmada na próxima época.

Desilusões: Bruno Vale e Leandro Lima

Dois jogadores que chegaram ao Sado por empréstimo do FC Porto, vindos de épocas decepcionantes e procurando renovar a própria imagem que, por motivos diferentes, se começava a desgastar. Cada um deles veio substituir uma figura do Vitória vencedor da Taça da Liga, ambos criaram expectativas, e ambos saíram pela porta pequena no final da temporada.

Bruno Vale parecia uma opção de luxo para substituir Eduardo, um internacional A que quase tinha marcado presença no Mundial de 2006 e que já tinha provado qualidades na baliza de Portugal sub-21 e, mais tarde, ao serviço do Estrela da Amadora. Com características físicas semelhantes ao bracarense e até uma maior experiência, tinha contra ele apenas o facto de ter jogado pouco ao serviço do U.Leiria há duas épocas e de na pretérita temporada ter sofrido uma situação semelhante ao serviço do secundário Varzim. Chegou assim ao Sado para estagiar um pouco mais antes de assumir as redes do seu clube de sempre, o FC Porto, mas a experiência não foi nada positiva. Daúto entregou-lhe a titularidade e o guardião respondeu torto, com muita insegurança nas suas intervenções, muitas dificuldades nas bolas pelo ar e um nervosismo indesfarsável no jogo de pés. Somou 12 jogos entre campeonato, Taças e Europa, e ao fim de uns quantos erros comprometedores foi dispensado e relegado para opção secundária, tendo estado até a um passo de abandonar o clube em Janeiro. Com três falhanços nos últimos 3 anos e as péssimas exibições desta época Bruno Vale já não detém crédito junto dos principais clubes Portugueses, e ameaça tornar-se um caso sério de uma carreira desperdiçada.

Leandro Lima chegou na temporada passada ao FC Porto para substituir o prodígio Anderson e começou logo a causar desconforto ao afirmar à imprensa que desejava triunfar rapidamente a fim de sair para o Chelsea ao final de um ano. As suas exibições não corresponderam à sua facilidade para produzir declarações, viu-se envolvido no conhecido escândalo de falsificação de idade e, após a temporada passada em que não jogou muito, foi enviado para o Sado a fim de substituir Pitbull no papel de maestro da equipa e assim procurar restaurar a sua imagem bastante abalada. No Vitória teve o mérito de ser um dos jogadores com mais minutos de utilização (o 6º de todo o plantel), só que as suas exibições estiveram muito longe de imitar as de Pitbull. É verdade que tem um toque de bola talvez superior ao actual jogador do Rapid, mas perde para este numa série de outros registos: não é tão esclarecido, tem um timing para soltar a bola bem mais imperfeito, remata muito menos vezes e com menor sucesso, e é claramente mais fraco no aspecto físico. Foi também prejudicado pelas tentativas de se compatibilizar no mesmo onze que o mais estático Mateus, obrigando-o por muitas vezes a derivar para uma das alas; mas isso não justifica as exibições fracas, traduzidas no facto de não ter assinado um único golo para a liga. Esperava-se bem mais de Leandrinho, que certamente não alinhará com o azul do Chelsea nas próximas épocas.


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