ForaDeJogo.net - Naval 2008/2009


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Associação Naval 1º de Maio
Nome: Naval
Associação: AF Coimbra
Cidade: Figueira da Foz
Estádio: Municipal José Bento Pessoa
Ano de fundação: 1893
Sede: Apartado 2052
Estádio Municipal Figueira Foz
3080-036 - Figueira Da Foz
Web: www.naval1demaio.com
Plantel 2008/2009
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Treinadores
T Ulisses Morais
Staff
Fernando Mira(ADJ)
Entradas
Peiser (28)Gueugnon   (II)
Edivaldo Bolívia (22)Atlético Paranaense   (A)
Jorge Batista (31)Leixões (I)
Alex Hauw (26)Gueugnon   (II)
João Real (25)Sp. Covilhã (II)
Daniel Cruz (26)Paraná   (B)
Michel Simplício (22)Brasil de Pelotas   (I E)
Camora (21)Beira-Mar (II)
Baradji (24)Martigues   (NAT)
Kovacevic (20)Radnicki Obrenovac   (III)
Zé Mário (18)Naval (JUN)
Tiago Rannow (25)Chapecoense   (I E)
Bruno Jorge (23)Estoril Praia (II)
Liga Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Jorge Batista2Tiago Rannow5Lazaroni17João Ribeiro
16Peiser7Carlitos25Godemèche70Davide
24Bruno Jorge31Zé Mário8Gilmar27Saulo
  6Daniel Cruz19Baradji45Camora
  13Igor Rocha15Alex Hauw77Marinho
  3Paulão10Dudu9Michel Simplício
  4Fabrício Lopes20Kovacevic18Edivaldo Bolívia
  66Diego Ângelo  20Marcelinho
  83João Real  11Tiago Freitas
Regresso à GáliaJorge Carneiro

Um campeonato em quebra não é novidade para a Naval que já em 2006/2007 tinha apresentado o mesmo comportamento de abrir com boas exibições, prometendo espectáculo e revelar toda uma panóplia de novos talentos, mas a terminar de forma modesta e com falta de soluções, passando a ideia de que não faria mal se se disputassem menos 5 ou 6 jornadas do que na realidade. Concretamente, os figueirenses terminaram numa 13ª posição que acaba até por ser lisonjeira face à qualidade do futebol praticado, mas chegou a abrir a temporada em 4º lugar e a terminar o primeiro terço em 8º numa altura em que o meio campo gaulês e as correrias desenfreadas de Marinho ainda surpreendiam estratégias defensivas.

Inversão total na política de aquisições, com o aparente desinvestimento no mercado português para antes explorar uma estratégia que, mesmo não sendo novidade, já não era seriamente utilizada desde 2000/2001: o mercado francês. No passado como resultado dessa aposta apareceram figuras em Portugal como Jean-Pierre, Tixier e Costé, que viriam a ter sucesso na Figueira da Foz e mais tarde em outras equipas e escalões. Este ano chegaram Peiser, guarda-redes de larga experiência em diversas ligas, Baradji, uma versão bem mais modesta de Patrick Vieira; e Hauw, o mais renomado do trio e um tecnicista da escola do Lyon; que se juntaram ao já residente compatriota Godemeche. Nenhum deles desiludiu nem nenhum deles superou as expectativas, mas juntos formaram um núcleo que implementou uma nova forma de jogar na Figueira da Foz; mais táctica e menos físico; mais velocidade de execução e menos desiquilibrios; mais regularidade e menos genialidade.

A alteração no estilo não trouxe grandes vantagens dado que, feitas as contas, a Naval somou menos 5 pontos, 2 vitórias e 1 golo marcado que na arrojada época transacta, melhorando apenas no registo defensivo ao poupar em 6 golos consentidos - e mesmo essa melhoria provavelmente ter-se-á devido ao facto de Peiser, mesmo não sendo mais do que um guarda-redes regular, não cometer as obscenidades que Taborda e Wilson Júnior foram alternando em 07/08. De resto, a diferença verificou-se principalmente ao nível da qualidade do futebol, sendo que apesar do esquema e do modelo de jogo se manterem o 4-3-3 de contra-ataque perdeu velocidade com a deslocação de Davide para uma das alas e com a implementação do novo trio de meio-campo, constituído no miolo por Baradji (ou Godemeche), Lazaroni e Hauw um pouco mais adiantado. Um trio de choque e com qualidade na gestão da posse da bola, mas pouco dinâmico e ainda menos elástico para chegar até à área adversária. Os laterais Carlitos e Daniel Cruz apesar de esforçados e seguros na tarefa de fechar o corredor também não conseguiram contribuir significativamente para assistir colegas adiantados como antes o faziam Mário Sérgio e China. Muito poucos argumentos ofensivos, portanto: apenas um Marcelinho em má forma, uns fogachos ocasionais de Bolívia e muitas, muitas correrias acutilantes do sempre inconformado Marinho, que terminaria a época de rastos e em evidente défice físico.

A campanha no campeonato foi, como já se disse, em quebra; largamente superada pela da Taça de Portugal, onde os figueirenses beneficiaram de um bom calendário para chegar aos quartos de final. As primeiras 10 jornadas trouxeram futebol de alguma qualidade, 3 vitórias e 3 empates que redundaram na 8º posição, sendo que durante este período enfrentaram todas as equipas mais fortes da liga. O segundo terço não trouxe diferenças significativas em termos de pontuação, com 3 vitórias e... 2 empates em 10 jogos a causarem um ligeiro resvalar para a 10ª posição e a esconderem um futebol bem mais arrastado que no arranque, mesmo que com um calendário mais acessível. A última fase da época é que trouxe a estocada final: apenas uma vitória solitária frente a um Leixões também em clara crise de resultados, a eliminação da taça de Portugal frente ao finalista vencido Paços de Ferreira e jogadores em evidente sofrimento físico e anímico.

O 13º lugar com confortáveis 5 pontos de vantagem sobre a linha de água é ainda assim um prémio para a gestão de Ulisses Morais, que com um plantel muito limitado a todos os níveis e um orçamento curto que não permitiu contratações de grande impacto conseguiu mesmo assim construir uma equipa sóbria, da qual espremeu todo o rendimento possível. Só que este Verão o mercado ameaça levar as poucas mais-valias restantes do plantel, colocando um desafio acrescido na preparação da próxima época... e se fazer omoletes com poucos ovos ainda é possível,será que Ulisses consegue o mesmo efeito sem praticamente nenhum? Tem a palavra Aprígio Santos...

O momento: Taça de Portugal, 1/8 de final - Paços de Ferreira 5 - 3 Naval.

Sem momentos relevantes ou resultados excepcionais no campeonato - à excepção da incaracterística e acidental vitória sobre o FC Porto à 7ª jornada - a eleição do jogo mais destacado vai para a eliminação da Taça de Portugal frente ao finalista vencido, o Paços de Ferreira. O motivo: não só para frisar a boa carreira dos navalistas nesta competição, como também porque foi um jogo que reuniu muitas das características marcantes da Naval ao longo de 2008/2009.

O clube atingia os quartos finais graças a uma sucessão de oponentes de dificuldade menor: primeiro o Boavista de S.Mateus, emblema da 3ª divisão, batida por 1-0 por uma equipa de segunda linha e que terminaria o jogo com somente 9 jogadores. Seguiu-se o Belenenses, primodiviosionário mas a atravessar a sua pior fase, com a Naval a desperdiçar uma vantagem de dois golos para aplicar a estocada decisiva a meros 5 minutos do final do prolongamento. O oponente seguinte, já nos oitavos, foi o Portimonense de Vítor Pontes, que consentiu a única vitória clara para os figueirenses (3-0) mas que cedeu somente após a expulsão por acumulação do jovem trinco Nuno Coelho.

Já em finais de Janeiro deu-se por fim o encontro frente ao Paços, num jogo disputado sob forte temporal e num relvado sem condições para proporcionar um bom espectáculo, tal a sobrecarga de água. As intermediarias de ambas as equipas tiveram de aplicar o máximo das suas capacidades para conseguirem lutar pela posse de bola e canalizar jogo para os seus avançados, tendo até conseguido emprestar pormenores de alguma qualidade em condições muito adversas, mas ambas foram traídas pelas más performances das suas defensivas. Os dois golos do dinâmico Marinho, fruto da sua reconhecida velocidade e capacidade de finalização e a que se somou ainda o tento de belo efeito do artista-operário Dudu, foram totalmente anulados pelos 5 marcados pelos castores. Em comum a todos, sempre muitas falhas defensivas à mistura: dois penalties cometidos, uma enorme falha de marcação, um auto-golo e uma péssima cobertura de Peiser, em tarde muito negativa das referências Carlitos, Huaw e Davide e polvilhadas ainda pelo pouco habitual desacerto de Paulão. Pecados que foram repetidamente vistos em outros jogos e que impediram uma época com outro patamar de sucesso.

Estrela: Paulão

Os 39 golos sofridos nas 30 jornadas acabam por ser um registo muito aceitável para uma equipa apenas regular no plano defensivo e que frequentemente consentiu demasiada liberdade a atacantes contrários, sendo que o mérito deste sucesso vai quase exclusivamente para um único dos seus centrais. \"Em terra de cegos quem tem um olho é rei\", e com tantas exibições fracas a compôr a defesa é apenas natural que a Paulão bastasse ser regular para alcançar alguma notoriedade. Nada mais falso; o gigante Brasileiro fez questão de ser enorme também nas suas exibições e fartou-se de compensar as escorregadelas de laterais limitados e um Diego Ângelo em crise de confiança, aproveitando para revelar uma mobilidade dentro da sua área que o seu tamanho e a competência dos parceiros em anos anteriores não faziam prever. A combinação entre o seu 1,90m e a frieza com que actua cria uma sombra difícil de escapar por qualquer avançado, tornando-o também quase invencível pelos ares - como atestam os seus 3 golos - e incrivelmente eficaz no um para um. Mais: apesar de todo o poderio bruto que possuí Paulão sabe bem como domar a sua força e aplicá-la de forma quase cirúrgica, cometendo assim muito poucas faltas e vendo um número anormalmente baixo de cartões amarelos - apenas um em toda a liga, apenas 2 nos 35 jogos que no total realizou pela Naval. A rever, falta-lhe alguma intuição na forma como acompanha o desenrolar da jogada quando não se encontra de frente para a bola, sendo um pouco vulnerável a lançamentos para as suas costas e diagonais para a área. Uma fragilidade que seria menos evidente se, lá está, o seus parceiros fossem também eles mais eficazes nas suas funções, o que não sucedeu este ano.

Ao fim da terceira época a bom nível no clube e com o contrato prestes a expirar não se perspectiva que a Naval consiga convencer o seu sub-capitão a assinar novo vínculo ou sequer a considerar permanecer na Figueira. Resolver este problema é o desafio que se coloca à gestão de Aprígio Santos, sendo que face aos ecos de interesse que vêm surgindo de diversas ligas provavelmente terá de encontrar rapidamente um novo diamante.

Revelações: Bolívia e Lazaroni

Edvaldo Hermoza aterrou em Portugal com pouco mais no currículo que o facto de ser um produto das escolas do Atlético Paranaense; apenas mais um Brasileiro sem historial de relevo e perseguindo o sonho de triunfar nas ligas europeias. Lazaroni aterrara no ano anterior, procurando não só a glória na Europa mas também deixar para trás o estigma de ser filho do reputado treinador Brasileiro, Sebastião Lazaroni. Os objectivos de ambos para esta época eram igualmente diferentes: Evaldo, preparado para na Naval assumir antecipadamente o papel de substituto do compatriota Marcelinho, que acabaria por não deixar o clube. Lazaroni, recuperar o tempo perdido e procurar a afirmação que lhe escapara na primeira temporada, onde lesões musculares e a excelente época de Delfim o empurraram para a obscuridade.

Edvaldo realizou uma pré-temporada portentosa, apontando diversos golos e demonstrando uma combinação interessante de velocidade e drible que prometia desbloquear as tradicionais defesas cerradas presentes na liga Portuguesa, tornando o seu nome de guerra de Bolívia numa alternativa mais que credível para um Marcelinho em péssima forma; foi até com alguma surpresa que foi este último a figurar no onze nos primeiros jogos do campeonato. Lazaroni começou lenta e discretamente a pré-época, mas terminou-a com um lugar no onze que soube manter a salvo da concorrência; primeiro simplesmente jogando simples e certinho, e depois introduzindo uma boa dose de personalidade e classe no meio-campo. Bolívia esteve na equipa toda a temporada, alinhando em quase todos os jogos, embora nem sempre como titular e nem sempre como ponta de lança. A opção é compreensível; afinal as suas capacidades são também tremendamente úteis nas alas ou até à frente do meio-campo, insinuando-se por entre linhas e explorando caminhos para colocar a bola dentro de área; e se há ponto em que não é muito forte é na finalização em si, como atestam os seus dois modestos golos para o campeonato, mais um para a taça de Portugal. Lazaroni ainda assinou menos um tento, mas foi tremendamente eficaz na sua tarefa de proteger a sua área e organizar as saídas para o ataque, colocando a bola rápida e precisamente nos companheiros da frente. Ilustrativo da sua importância foi ter estado ausente durante o segundo terço do campeonato por nova lesão grave, e nesses 8 jogos a Naval perdeu um total de cinco, somando apenas duas vitórias.

Pela forma como rapidamente surgiram do anonimato para conquistarem o estatuto de referências, ambos são as revelações desta campanha; sendo crível que ambos ganharão ainda mais protagonismo num eventual próximo ano na Figueira.

Desilusão: Kovacevic

Sejamos justos: é difícil escolher um destaque pela negativa numa equipa em que quase nenhum jogador - nem mesmo os reforços - chegou alguma vez a entusiasmar. À partida seria uma classificação bem entregue a João Ribeiro, que partia na perspectiva de ser um dos valores confirmados nesta edição da liga mas que viu o seu destino traçado pela curta duração do seu contrato bem como pelo seu carácter mais irascível. Também Diego Ângelo não confirmou as promessas que fez em 2007/2008, exibindo-se a um nível bem mais baixo e desvalorizando fortemente o seu passe, mas ainda assim nunca atingindo patamares suficientemente baixos para ser atirado para o banco. Sobra assim Kovacevic: o título de desilusão não lhe assenta totalmente, dado que o seu parco rendimento desportivo deveu-se principalmente a problemas físicos e burocráticos e não tanto a questões de adaptação ou inspiração. Só que toda a publicidade e esforço financeiro que os Figueirenses fizeram durante larga parte do Verão - e que se arrastaria inclusive até ao inicio da liga - para poderem contar com o jovem organizador de jogo não foram obviamente justificados nos 4 minutos que Kovacevic somou. Aos problemas com o certificado internacional seguiram-se uma lesão gravíssima e respectiva recuperação; fechando a época com a pouca predisposição de Ulisses Morais em apostar no jovem, face às garantias que Hauw, Davide e até o reserva Dudu davam para ocupar o lugar. Com tantos factores a oporem-se à sua afirmação pode dizer-se que estava destinado a não jogar... Resta revê-lo numa próxima edição e esperar que, agora com a fortuna do seu lado, as expectativas geradas tenham correspondência nas capacidades que possuí.


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