ForaDeJogo.net - Naval 2009/2010


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Associação Naval 1º de Maio
Nome: Naval
Associação: AF Coimbra
Cidade: Figueira da Foz
Estádio: Municipal José Bento Pessoa
Ano de fundação: 1893
Sede: Apartado 2052
Estádio Municipal Figueira Foz
3080-036 - Figueira Da Foz
Web: www.naval1demaio.com
Plantel 2009/2010
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Treinadores
T Augusto Inácio
Fernando Mira
Ulisses Morais
Staff
Fernando Mira(ADJ)
Entradas
Gomis (20)Guingamp B   (CFA)
Fábio Júnior (26)Campinense (BRA)   (B)
Kerrouche (23)Gazelec Ajaccio   (CFA)
Giuliano (28)Campinense (BRA)   (B)
Tandia (25)Villemomble   (CFA)
Ouattara (24)Olympiakos Volou   (II)
Lupède (25)RC Flechois   (CFA2)
N'Kake (23)Villemomble   (CFA)
Adriano (19)Santa Cruz RS   (I E)
Bellagra (23)Blois   (CFA2)
Liga Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Jorge Batista2Tiago Rannow5Lazaroni11Edivaldo Bolívia
16Peiser7Carlitos25Godemèche77Marinho
24Bruno Jorge31Zé Mário Gilmar17Ouattara
  6Daniel Cruz19Baradji9Michel Simplício
  45Camora30Giuliano22Tandia
  3Lupède8N'Kake28Fábio Júnior
  4Diego Ângelo10Davide23Bellagra
  13João Real15Alex Hauw39Kerrouche
  20Adriano21Kovacevic  
  26Gomis    
A barreira franco-luso-BrasileiraJorge Carneiro

Ponto prévio: o 8º lugar final é muito lisonjeiro para a Naval, quer para a qualidade individual dos seus jogadores, quer para a qualidade do futebol jogado na Figueira da Foz. Premeia uma série de opções discutíveis de mercado, uma troca de treinador no mínimo infantil - sem menosprezo para o bom trabalho de Augusto Inácio - e, uma vez mais, para um estilo de jogo medíocre e sem risco, assente em lançar bolas da defesa/meio campo defensivo para a inspiração de Bolívia, Marinho ou de quem lá mais andasse. A qualidade do futebol pode certamente ser explicada pela reconstituição do plantel levada a cabo por Aprígio Santos que, certamente invejoso do sucesso Cissohko e procurando imitar a fórmula, importou um autêntico contentor de amadores dos distritais Franceses sem grande critério. Como consequência directa o plantel ficou preenchido com uma terceira linha de atletas físicamente portentosos mas muito limitados em todos os restantes aspectos (e portanto inutilizáveis), obrigando assim os seus treinadores a manter a aposta na base da época anterior, que já de si tão mau futebol havia praticado. Ulisses Morais criticou publicamente a opção e viu-se rapidamente silenciado; Inácio aceitou o desafio de salvar o plantel, mas na penumbra cedo começou a encostar e a dispensar os elementos de menor valor, a substitui-los por algumas mais-valias escolhidas a dedo no mercado de Vera Cruz, e a recuperar os melhores valores individuais de 08/09. No final da temporada verificou-se que o plantel incluiu 9 Portugueses - maioritariamente em papeis secundários - 10 Brasileiros e 11 jogadores gauleses (contabilizando também N'Kake), mais um Kovacevic que confirmou o estatuto de flop.

Recomeçando então a análise à temporada: no seguimento de uma pré-época recheada de franceses e maus resultados, Ulisses Morais deu sequência às exibições nos amigáveis e não conseguiu vencer nenhum dos seus primeiros 3 jogos. Pior que isso, questionou a valia dos seus próprios jogadores, o que foi a gota de água para que Aprigio ignorasse dois anos de bons serviços a fim de satisfazer o impulso de demitir o seu treinador. Entraram em cena o bombeiro Mira e depois o recém-regressado a Portugal Augusto Inácio, estava a Naval posicionada em 15º lugar com um contentor de jogadores para devolver à procedência, 8 golos sofridos e um marcado... por Rolando, na própria baliza. Um panorama desolador que foi afastado por Kerrouche. Ainda mal chegado à Figueira da Foz, já Inácio delineara uma estratégia para aproveitar o seu jogo de cabeça, apostando no pé esquerdo de Camora e no direito de Marinho para garantir que a bola chegava nas melhores condições à pequena área. O fulgor durou 4 jogos e rendeu três vitórias e um salto para o 9º posto, com o pódio de melhores marcadores ao final do primeiro terço do campeonato a ser constituído por 1º - Kerrouche, 5 golos; 2º - Diego Ângelo e Rolando, com um golo.

Daí para a frente pouco há a reter, com o percurso a caracterizar-se por muitos jogos a jogar para o empate e poucos ou nenhuns resultados desnivelados ou inesperados, e para o facto de que sem a contribuição de Kerrouche a Naval perdeu toda a noção de caminho para o golo, apontando o paupérrimo total de 4 nos 10 jogos seguintes. Felizmente o problema não se verificava para a Taça de Portugal, onde paralelamente a equipa ia trilhando caminho, beneficiando de muita fortuna nos sorteios para evitar planteis da primeira liga e derrubando adversários menores com grande dificuldade - mas vencendo de uma forma ou de outra. Viriam a baquear apenas na meia-final frente ao secundário D.Chaves, derrotados essencialmente pela garra e organização defensiva flaviense - que foi mais do que suficiente para segurar o débil poder de fogo navalista - e pela inspiração de Ricardo Rocha e de Edu.

As estatísticas finais mostram que a Naval conseguiu a 7ª melhor defesa do campeonato com 35 golos sofridos - poderiam ter sido menos não fosse o descalabro com o Braga - , mas combinou-o com o título destacado de pior ataque: apenas 20 golos, menos do que Cardozo ou Falcao marcaram individualmente. O ataque da primeira volta viveu sobretudo dos piques e das correrias de Marinho, e principalmente dos seus cruzamentos para golo (Kerrouche que o diga). O da segunda, com o pequeno extremo remetido para o banco em detrimento de Bolivia, viveu quase exclusivamente do efeito de Fábio Júnior, contratação de Inverno capaz de colocar uma defesa inteira a respeitá-lo em apenas 5 minutos de correria. Outra coisa que as estatísticas demonstram é que o mercado francês até pode ter muito potencial - Peiser e Godemeche provaram-no - mas possivelmente será melhor observar com atenção as ligas nacionais em vez dos desafios entre amadores. Felizmente, quase todos os contratos assinados não tinham duração para lá deste ano, livrando o clube de uma série de encargos indesejáveis.

O momento: 7ª jornada - Naval 3-2 Rio Ave

Com uma época muito discreta e quase sem motivos de interesse, o jogo à 7ª jornada acabou por ser o mais importante da temporada: foi a segunda vitória para a liga, o jogo com mais golos dos Navalistas - 15% do total da temporada! - e logo frente a um adversário em alta. Serviu também para Augusto Inácio apresentar as suas ideias acerca da estratégia a utilizar para o resto do campeonato, juntando muitos dos jogadores que viriam a constar no top de maior utilização em detrimento das aquisições gaulesas, e moldando o onze num 4-4-2 de contenção com uma intermediária pouco móvel mas capaz de colocar a bola nos homens da frente com rapidez e alguma precisão. A chave do triunfo esteve no meio-campo, onde o trio Lazaroni, Godemeche e Hauw, mais pujante, se superiorizou a Vilas Boas, Ricardo Chaves e Wires, menos elástico e teoricamente melhor na circulação de bola; e ainda desempenhou papel importante na anulação de Bruno Gama, principal agitador do adversário vila-condense. De resto, Kerrouche marcou mais dois golos muito fáceis aproveitando assistências venenosas do dinâmico Marinho, que demoliu a estratégia defensiva de Carlos Brito e se fartou de colocar gente na sua peugada.

Estrela: Diego Angelo - arriverdeci bambino!

De agradável surpresa em 07/08 a elo mais fraco da defesa em 08/09, passando pela frustração inerente à anunciada mas nunca concretizada transferência para Itália, muitas eram as interrogações acerca de qual Diego Ângelo se apresentaria em 09/10. Pela primeira vez sem o apoio da (grande) sombra protectora de Paulão, pedia-se "apenas" ao central formado no Santos que não só comandasse o seu depauperado sector defensivo, mas também que formasse uma dupla eficaz com um central limitado e sem experiência profissional como o era Gomis. Não se atemorizou, puxou dos seus galões e superou todas as expectativas à custa de muito suor e rigor, e pode com justiça reclamar uma boa quota-parte da prestação defensiva da Naval e da evolução registada pelo franco-guineense.

Diego Angelo é um central moderno, muito à vontade com a bola nos pés e capaz de oferecer mais à equipa do que carisma e segurança defensiva. É muito forte no primeiro passe, sendo frequente ser o primeiro a definir as jogadas atacantes a Naval; e a sua contribuição ofensiva também é de destacar, apresentado-se como o marcador por excelência de bolas paradas directas para além de um grande perigo aéreo nas restantes. Os seus 3 golos colocam-no aliás no pódio dos melhores marcadores navalistas e, como curiosidade extra, sempre que Diego marcou a equipa venceu o respectivo jogo, o que é muito significativo quando se fala de um poder ofensivo muito diminuto como o da Naval. A defender baseia-se na constituição física de impor respeito e na simplicidade de processos, atacando a bola com uma sofreguidão que esconde as suas capacidades técnicas. Quase intransponível pelo ar, duro e eficaz pelo chão, apenas se lhe pode apontar alguma falta de velocidade como defeito óbvio.

No mercado de Inverno começaram a circular rumores mais ou menos persistentes de uma suposta transferência para o Génova de Itália, desmentidos no final pela continuidade do jogador no plantel navalista, sem denotar qualquer oscilação na boa forma que vinha demonstrando. Só que terminada a temporada Aprigio Santos tratou imediatamente de confirmar o acordo, que aparentemente rende fundos suficientes aos figueirenses para estruturarem o próximo plantel com tranquilidade. Fica a certeza que parte desses fundos deverão ser empregues a encontrar uma referência para alinhar ao lado de Gomis, pois este dificilmente estará já pronto para sobressair sem um líder para o ensinar. Quanto a Diego, arriverdi e buona fortuna!

Revelação: Fábio Júnior, samba pra cima deles!

A referência Marcelinho partiu pouco depois de iniciado o campeonato deixando a Naval com Kerrouche como o seu homem-golo, e o franco-argelino arrancou de forma fulgurante, somando rapidamente 5 tentos divididos por apenas 3 jogos. Jamais voltaria no entanto a balançar as redes, demonstrando muita dificuldade em integrar-se na estratégia ofensiva desenhada entre outras limitações. Augusto Inácio, frustrado com o seu rendimento, apontou agulhas para o Brasil na reabertura de mercado, e foi mesmo no modesto Campinense de Paraíba que conseguiu encontrar um dianteiro à medida do futebol Português: muito móvel, muito robusto fisicamente, de drible possante; capaz de sozinho preencher a linha avançada; e ainda com experiência de primeira divisão Brasileira. Assim chegou Fábio Júnior à Figueira da Foz.

Se as expectativas eram elevadas, o pequeno Brasileiro cedo tratou de corresponder tendo tido impacto imediato nas exibições navalistas, marcando na estreia frente ao Pinhalnovense, para a Taça. Por outro lado o primeiro golo para o campeonato tardou bastante, surgindo apenas à 25ª jornada e logo frente ao futuro campeão Benfica, mas muito antes disso a influência de Fábio Júnior já era notória no ataque Figueirense. Brilhante a sua capacidade de receber a bola de costas ainda em zonas muito recuadas do terreno, segurando-a e aguentando cargas sucessivas enquanto define a jogada a desenvolver. Depois... depois é furar; passar por um, passar por dois, conquistar a linha de fundo ou a diagonal para a área se houver espaço; rematar, cruzar, rematar uma vez mais. Procurar o espaço vazio, ou criá-lo através do caos; a partir de onde for, seja quem for o adversário. Afinal, ser desamparado por um meio campo muito recuado não é desculpa para se esconder do jogo. Afinal, é sempre possível passar por qualquer defensor, seja ele um David Luiz ou, diga-se, um Lupede ou um Gomis.

Um total de 5 golos em meia época é um registo a não desdenhar, especialmente quando inclui tentos ao Benfica e ao Sporting - neste caso rendendo mesmo a vitória sobre os leões. Por contabilizar restam ainda as várias assistências que providenciou e a desestabilização constante a adversários. Fica apenas o amargo de não conseguir roubar o título de melhor marcador da equipa a Kerrouche, mesmo fazendo claramente mais por isso em meia época do que o franco-argelino a tempo inteiro; sobra-lhe a satisfação de ter conseguido trazer lampejos de bom futebol para um emblema que não produziu muitos ao longo do ano.

Desilusão: Davide, o grande ausente

Este espaço poderia estar preenchido com uma descrição dos jogadores que "reforçaram" a Naval no Verão anterior, mas a verdade é que estes jamais geraram expectativas ou consenso no seio da família Navalista, e sendo assim não podem ser considerados como desilusões, mas antes como confirmações. Quanto a Davide, poder-se-ia supor que foi prejudicado pelo fim do seu contrato tal como na época anterior o fora João Ribeiro, desde cedo colocado a treinar à parte por ordem da Direcção; mas na verdade a explicação estava mesmo dentro das quatro linhas. É que quem viu Davide a comandar o futebol ofensivo da equipa em 07/08 e a semear o pânico em 08/09 não pode deixar de ficar apreensivo com o pouco que este produziu nas raras oportunidades que teve este ano, mesmo que obviamente diminuído por não ter uma referência na frente a quem entregar a bola com a precisão que o caracteriza. Talvez se Fábio Júnior tivesse chegado mais cedo a história fosse outra - é fácil de imaginar o potencial de uma dupla com a mobilidade e o toque de bola de ambos - mas infelizmente quando o avançado aterrou já Davide estava catalogado como opção de recurso e a aguardar o final da temporada.

Uma outra nota negativa, mais global e a denotar um aspecto em falta no seu jogo: não marca um golo para a liga desde... 2004/2005, então no Estrela da Amadora, então na Honra. Sempre lhe faltaram os golos para o seu futebol atingir uma outra dimensão, mas até hoje nunca tinham faltado as assistências para atenuar...


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