ForaDeJogo.net - Naval 2010/2011


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Associação Naval 1º de Maio
Nome: Naval
Associação: AF Coimbra
Cidade: Figueira da Foz
Estádio: Municipal José Bento Pessoa
Ano de fundação: 1893
Sede: Apartado 2052
Estádio Municipal Figueira Foz
3080-036 - Figueira Da Foz
Web: www.naval1demaio.com
Plantel 2010/2011
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Treinadores
T Carlos Mozer
Rogério Gonçalves
Fernando Mira
Victor Zvunka
Staff
Fernando Mira(ADJ), António Caetano(ADJ)
Entradas
Salin (25)Tours   (II)
João Pedro (24)Oliveirense (II)
Orestes (29)Hansa Rostock   (2.B)
Manuel Curto (23)Estoril Praia (II)
Hugo Machado (27)Standard   (I)
Godinho (24)Oliveirense (II)
Bruno Moraes (25)Gloria Bistrita   (I)
Rogério Conceição (25)Vila Nova   (B)
Tiago Rosa (24)Oriental (II B)
Prévitali (23)Gueugnon   (NAT)
Diego Silva (21)Vizela (II B)
Lucas Klysman (20)Serzedelo (III)
Jonathas (25)Pelotas   (D)
Liga ZON Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Jorge Batista7Carlitos5Manuel Curto20João Pedro
17Salin23Tiago Rosa16Godinho77Marinho
24Bruno Jorge31Zé Mário25Godemèche9Michel Simplício
90Diego Silva6Daniel Cruz30Giuliano12Lucas Klysman
  45Camora10Davide19Prévitali
  3Lupède11Edivaldo Bolívia22Tandia
  4Orestes15Alex Hauw28Fábio Júnior
  13João Real37Hugo Machado99Bruno Moraes
  26Gomis    
  91Rogério Conceição    
  62Jonathas    
Traídos pela letargiaJorge Carneiro

...E finalmente a lenta agonia da Naval chegou ao fim. O emblema esteve seis temporadas consecutivas entre os grandes, mas nas últimas duas ou três parecia ter tombado para um poço de profunda desmotivação ao qual não soube escapar. Neste período os treinadores normalmente dispuseram de um reinado curto, muitas vezes entrando em conflito com o autoritário presidente Aprígio Santos e raramente dispondo de muitos ovos para fazer as suas omoletes. Os próprios jogadores pareciam actuar sem ambição, alguns mesmo frustrados por continuarem a alinhar num clube que habitualmente lhes fecha as portas de saída para outros patamares quando se destacam, época após época. As próprias mexidas no plantel costumam introduzir pouca pressão para os que já estavam no grupo, já que a Naval aposta fortemente em atletas de divisões inferiores no estrangeiro (e por vezes de Portugal), atletas sem nome feito e sem pesados encargos. Raramente tem dado certo, o que portanto mantém o onze estável e sem ambição: normalmente as novas entradas são apenas para cobrir saídas de anteriores titulares.

Por falar em saídas, este ano mais uma vez enfraqueceram os figueirenses: perdas por empréstimo dos titulares Diego Ângelo e de Lazaroni para o estrangeiro, e do guarda-redes titular Peiser pelo final do seu contracto. Muito pouco para descansar os adeptos… e Zvunka, o primeiro treinador ao leme. Se a sua personalidade afável conquistou os jornalistas já o mesmo não se pode dizer dos seus resultados práticos perante os adeptos, acabando por ceder o lugar quando acumulou 4 pontos em 6 jogos. O seu reinado caracterizou-se pelas exibições confrangedoras, pela aposta teimosa em flops como Lupede, Jonathas e Previtali, e pelo azar com o calendário - defrontou Braga, FC Porto e Sporting e averbou 3 naturais derrotas.

O senhor que se seguiu foi Rogério Gonçalves, um regresso à Figueira com a missão de retirar a Naval do incómodo 15º lugar em que se encontrava, e que até assistiria ao retorno do fugitivo Fábio Júnior. Só que apesar de todo o capital de confiança os resultados deste não foram nada positivos e quando Rogério abandonou após a 14ª jornada havia amealhado apenas um singelo ponto.... e metade do campeonato estava já cumprido. Com 8 pontos de abismo até à linha de água e um plantel profundamente desmotivado pelos resultados desportivos e por ordenados em atraso, o rótulo de despromovidos começava a assentar definitivamente sobre a turma da Figueira.

A contratação do carismático Carlos Mozer foi, inesperadamente, a pedrada no charco que faltava. Talvez a intenção de Aprígio fosse apenas testar e dar alguma rodagem a um técnico relativamente jovem e barato, mas a avaliação que Mozer fez do plantel e a empatia que conseguiu criar junto dos seus atletas ultrapassaram tudo o que seria de esperar. No seio das suas tropas descobriu craques como João Real, Manuel Curto e mesmo Michel Simplício, injectando ainda moral em Marinho e por fim, recebendo e tirando partido do velho conhecido Bruno Moraes para ressuscitar a frente de ataque. A equipa foi montada então de forma a aproveitar a capacidade de construção do meio campo, a mobilidade de Bolivia entre linhas, e o veneno das diagonais dos extremos Marinho e Simplicio, subindo assim de sobremaneira o nível exibicional - e assim de repente a Naval somava apenas duas derrotas em 12 jogos, entrando na fase final da temporada com boas perspectivas de conseguir um milagre. Só então faltou o fôlego ao conjunto, somando quase inexplicavelmente 4 derrotas nos últimos 4 jogos e tombando mesmo para a última posição - mas pelo menos com a pobre consolação de ter conseguido chegar a assustar os competidores acima da linha de água.

O momento: 27ª jornada Rio Ave 1 - 0 Naval, o fim da remontada

A duas últimas vitórias frente a Olhanense e Benfica haviam sido mais dois passos numa série de 10 jogos com apenas uma derrota pelo meio, e serviam de catalisador moral para um plantel que mesmo sem margem de manobra nenhuma para falhar começava a ver a salvação como possível. O Rio Ave era a final que se seguia, num confronto que media as duas equipas-sensação da segunda volta.

O Rio Ave entrou muito bem em jogo e Milhazes tratou de marcar logo a abrir, num petardo de primeira que certamente figurará entre os seus golos mais belos. Com tanto em risco os figueirenses não se renderam à sua sorte e partiram em busca do empate, com Godemeche e Curto a trucidarem o miolo vilacondense e a criarem condições para Bruno Moraes colocar Paulo Santos à prova, mas sem sucesso até ao intervalo. A segunda parte resume-se à Naval a tentar de todas as formas e feitios chegar ao empate e Mozer a arriscar cada vez mais nas substituições, enquanto o Rio Ave aproveitava cinicamente o balanceamento dos adversários para infligir alguns sustos. Sem quaisquer novas alterações no marcador, no entanto.

A derrota alargou o fosso pontual para 5 pontos havendo agora apenas 9 em disputa; e a pressão acrescida quebrou por completo os atletas figueirense que não mais se aproximaram no nível exibido no último terço da temporada. As 3 rondas finais saldaram-se portanto com outras 3 derrotas e lançaram a Naval para o último lugar da classificação. Vila do Conde terá sido mesmo o golpe de misericórdia nas ambições navalistas...

A estrela: Godemeche, sempre lúcido

Está feito um bom médio, depois de vários períodos em que a sua acção dentro de campo se resumia a defender o seu pedaço de relva e passar para trás e para o lado. Agora já consegue adaptar o seu raio de acção consoante as iniciativas do adversário e surgir mesmo em zonas mais adiantadas do terreno, pelo menos para distribuir jogo mais próximo da área. Nunca será um desiquilibrador, antes sempre discreto por natureza, mas agora a discrição é apenas um sinónimo da eficácia com que gere os ritmos e os espaços do centro do terreno.

A distinção premeia essencialmente a sua evolução e o facto de ter sido dos elementos que menos oscilou ao longo do campeonato, conseguindo manter-se como opção indiscutível dos três treinadores que passaram pela Figueira da Foz. Nos piores momentos de Zvunka e Rogério Gonçalves foi mesmo um farol de lucidez, e nos melhores - com Manuel Curto ao lado - soube apagar-se em favor do colectivo. O seu estilo aliás casa muito bem com o de Curto: ambos fecham bem os caminhos para a sua baliza, mas com a bola nos pés o francês coordena o ritmo e Curto quebra-o, Godemeche vê espaços nas alas enquanto o colega olha directamente para os colegas na frente.

À semelhança de figuras de anos anteriores como Fajardo, João Ribeiro, Peiser e Paulão, é mais uma das estrelas figueirenses que termina contrato com a Naval e que se prepara para sair sem contrapartidas para o clube que o lançou. Felizmente para os pretendentes, aos 26 anos está no ponto de calibração exacto para assinar o desafio da sua vida, e a um nível mais alto do que a Figueira da Foz.

Revelação: Manuel Curto, o avançado que afinal era um grande trinco

Cresceu como ponta de lança, estagnou nas divisões inferiores de Portugal e Espanha, reinventou-se como médio defensivo a fim de não ser dispensado pelo Estoril na Liga Vitalis e actualmente é apenas uma das melhores surpresas da Zon Sagres. Mas nem sempre foi assim: Zvunka fez com ele a pré-temporada e Rogério Gonçalves teve-o às suas ordens durante todo o seu reinado, mas foi preciso chegar Carlos Mozer para, à 15ª jornada, conceder a Manuel Curto a primeira titularidade e, em simultâneo, a terceira utilização para a liga. Nunca mais saiu do onze dado que num ápice o miolo da Naval como que se solidificou, muito mais eficaz tanto a ocupar espaços como a fazer a bola chegar à frente, e nessa diferença nasceu o período dourado do conjunto neste campeonato. Facto impressionante: nos 16 jogos em que alinhou a titular a Naval amealhou 5 vitórias e 7 empates, nada menos que uns estrondosos 81% dos pontos conquistados!

Dentro de campo parece jogar com o enquadramento de um bom ponta de lança, em que tudo o que faz tem de ser executado de forma lesta, directa e assumindo que não disporá de outra oportunidade, embora na sua posição actual isso não se refira a finalizações mas sim a passes e recuperações de bola. E depois há os hábitos de quem está habituado ao último terço do terreno: as bolas paradas são todas dele, nunca pede licença para rematar e quando o faz, o resultado é quase sempre um tiro forte bem calibrado. Agora pediu a justa rescisão de contrato por ordenados em atraso e é um dos atletas com mais mercado deste Verão: aos 24 anos o seu futuro voltou a ser brilhante.

Desilusão: Fábio Junior, sacanagem

Só ele saberá o que o levou a permanecer no Brasil durante tanto tempo, mas daí nada de bom terá resultado e com a sua atitude pouco profissional acabou mesmo por afastar muitos dos eventuais interessados. Regressou após a 5ª jornada mas já falhara toda a preparação da pré-temporada, facto que viria a pagar alguns meses mais tarde. Dada a falta de opções melhores foi lançado às feras logo no jogo seguinte à sua chegada, correspondendo imediatamente com um golo; e durante algumas rondas ainda mostrou alguns momentos a lembrar o Fábio Júnior da temporada anterior. No entanto estourou fisicamente e praticamente desapareceu da equipa após a 20ª jornada, figurando nas fichas de jogo mas nada produzindo de relevante - precisamente quando a Naval mais precisava da sua ajuda.


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