ForaDeJogo.net - Sporting 2008/2009


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Sporting Clube de Portugal
Nome: Sporting
Associação: AF Lisboa
Cidade: Lisboa
Estádio: José Alvalade Sec. XXI
Ano de fundação: 1906
Sede: Estádio José Alvalade
Apartado 42099
1601-801
Web: www.scp.pt
Plantel 2008/2009
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Treinadores
T Paulo Bento
Staff
Carlos Pereira(ADJ), Leonel Pontes(ADJ)
Entradas
Hélder Postiga (25)Panathinaikos   (I)
Caneira (29)Valencia   (I)
Daniel Carriço (19)AEL   (I)
Rochemback (26)Middlesbrough   (I)
Wilson Eduardo (17)Sporting (JUN)
Cédric (16)Sporting (JUN)
Ricardo Batista (21)Fulham   (RES)
Diogo Amado (18)Sporting (JUN)
Diogo Rosado (18)Sporting (JUN)
Pedro Mendes (17)Sporting (JUN)
Renato Neto (16)Sporting (JUN)
Rabiu (17)Sporting (JUN)
Liga Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Rui Patrício5Pedro Silva6Adrien Silva20Yannick Djaló
16Tiago41Cédric24Miguel Veloso39Wilson Eduardo
19Ricardo Batista78Abel26Rochemback11Derlei
34Stojkovic8Ronny35Diogo Rosado23Hélder Postiga
  12Caneira50Diogo Amado31Liedson
  18Grimi7Izmaylov22Rodrigo Tiuí
  3Daniel Carriço25Pereirinha  
  4Anderson Polga10Vukcevic  
  13Tonel28João Moutinho  
  38Pedro Mendes30Romagnoli  
    45Rabiu  
    46Renato Neto  
A não tão invencível armada leoninaJorge Carneiro

Mesmo com a quase total ausência de dividendos práticos 2008 fora um ano de muitas promessas para os sportinguistas. A temporada mais antiga encerrara com exibições de futebol ofensivo atractivo e com resultados a condizer, e a pré-época trazia também bons resultados, um futebol interessante e, principalmente, uma intervenção no mercado muito entusiasmante, com uma contratação de nomeada para cada posto: na baliza Ricardo Batista; na defesa Caneira; no meio-campo Rochemback, e no ataque Postiga. A estes juntava-se ainda a continuidade de Grimi, Romagnoli e Derlei, três atletas de grande importância na época anterior cuja permanência, por um motivo ou por outro, estivera seriamente em causa. E quanto a baixas? Nem uma: numa aposta rara dos leões na continuidade, todas as figuras do onze base permaneceram para lutar seriamente pelo título. Tudo isto sob a sábia batuta de Paulo Bento, já um treinador acarinhado, de méritos reconhecidos e um profundo conhecedor da estrutura leonina e dos seus valores. A esperança era realmente verde e todo o optimismo era então mais do justificado, sendo a sólida vitória na Supertaça frente ao FC Porto na abertura da temporada apenas mais um tónico - reforçado pela vitória na 2ª jornada na deslocação a um Braga que por então se mostrava demolidor na Europa.

Só que o início positivo não durou, e se havia alguma fragilidade na hostes leoninas, esta iria começar a revelar-se no imediato. Entre estas duas vitórias em jogos oficiais existira uma dissabor que poderá ter tido um impacto psicológico considerável: os leões haviam sido cilindrados frente ao Real Madrid numa partida em que, apesar do cariz amigável, a equipa revelara muitas dificuldades - tantas que lançara algumas interrogações sobre o valor do plantel. A derrota em Barcelona, agora para a Champions, meros 15 dias mais tarde, e novamente com grandes facilidades agravou as desconfianças dos associados e provavelmente dos próprios jogadores - não terá sido coincidência que Polga, Yannick e Romagnoli, entre outros, tenham iniciado uma quebra exibicional da qual não viriam a recuperar. Pouco mais de uma semana mais tarde novo teste importante desta vez frente ao arqui-rival Benfica, e nova derrota - com a agravante das águias alinharem com uma defesa remendada e com um ataque coxo, imagem de marca com que Quique Flores ficou em Portugal. E para concluir o terrível calendário faltava ainda a derrota em Alvalade na recepção ao FC Porto, uma vingança dos Portistas - mesmo sendo estes vindos de uma derrota traumatizante frente ao Arsenal - que invertia a posição dos dois emblemas na tabela classificativa. À 6ª jornada o Sporting era 5º classificado, estava já moralmente de rastos e tinha demasiado trabalho pela frente para se manter uma equipa competitiva - como era curto o espaço entre o céu e o inferno. A eliminação da Taça de Portugal frente ao FC Porto foi aceite com toda a naturalidade, tal o ambiente pessimista.

Paulo Bento fez os possíveis: tentou injectar moral nos seus atletas, testou novas soluções no onze, redesenhou estratégias para tentar obter um nível de rendimento consentâneo com a valia do plantel. Inútil: a equipa não produzia espectáculos de qualidade e continuava a apresentar lacunas em todos os sectores e, pior que isso, sentia-se que o balneário não estava concentrado e unido em torno do mesmo objectivo. O treinador não fez por menos e procurou ter mão nos jogadores, castigando os focos de instabilidade à medida que iam surgindo: Stojkovic, Vukcevic, Miguel Veloso, Rochemback e até símbolos como Caneira foram sucessivamente castigados por atitudes menos profissionais. A verdade é que com maior ou menor qualidade exibicional a equipa foi-se levantando a pouco e pouco, e encetando uma recuperação assinalável na tabela - à 14ª jornada já haviam recuperado o 2º lugar, à 15ª desperdiçava-se a oportunidade de saltar para primeiro.

Livres das obrigações europeias por força de duas humilhações sucessivas às mãos do Bayern, a segunda volta traria o registo interessante de 11 vitórias, 3 empates e uma única derrota frente ao Braga de Jesus. As exibições continuavam a não ser as melhores, note-se - as lacunas continuavam lá na lateral esquerda e no miolo - mas Paulo Bento havia finalmente identificado alguns pontos fortes em torno dos quais montar a estratégia. Derlei (7 golos) e Liedson (11 golos) formaram neste período uma dupla intensa e venenosa na frente, que abria espaços e se assistia mutuamente - quase auto-suficientes, quase sem precisarem do auxílio do resto da equipa. O meio-campo também se encontrava finalmente estabilizado, com Adrien e Veloso a assumirem o duplo pivot defensivo (mesmo sem grande brilhantismo), e Izmailov e Moutinho a transportar a bola uns metros mais à frente, ambos a darem sequência à boa temporada individual. Na defesa sobressaía o talento precoce de Carriço ao centro e a explosão de Pedro Silva na lateral direita, a não dar hipóteses ao mais experiente Abel. Mais fortes que nunca, os leões enfrentavam olhos nos olhos os adversários directos: o Nacional conseguira a custo arrancar um empate à 16ª jornada; o grande rival Benfica vira-se claramente batido à 19ª, seguia-se empate personalizado no Dragão frente ao FC Porto à 20ª, e à 23ª caía o surpreendente Leixões. Frágil ou não, os leões não quebravam e seguravam o 2º lugar bem longe da concorrência; mas infelizmente o FC Porto realizava também uma 2ª volta brutal e não concedia qualquer aberta para discutir o primeiro posto, mantendo sempre uma vantagem de pelo menos 4 pontos que, não sendo folgada, não dava azo a grandes esperanças. A única hipótese de conquistar um título em 08/09 passou então a ser a recém-criada Carlsberg Cup, mas à semelhança da edição inaugural o Sporting não conseguiu mais que ser finalista vencido, vergado a uma polémica derrota frente a um Benfica que se resumiu a aproveitar a noite de gala do seu guarda-redes Quim e a noite menos inspirada de Lucilio Baptista, com influencia mais do que directa no resultado.

2ª classificado pela 4ª vez consecutiva, não se pode assim dizer que o investimento na equipa tenha trazido um grande retorno. A estratégia que parecia acima de qualquer crítica fracassou, em grande parte devido a más prestações dos próprios jogadores. Basta ver que as principais figuras falharam: Polga realizou a pior temporada desde que chegou a Portugal, Veloso está uma sombra do jogador que encantou a Europa, Vukcevic estragou tudo o que produziu na temporada anterior e Rochemback, Ricardo Batista, Grimi, Caneira e Romagnoli foram aquisições totalmente fracassadas. Todavia, todos são jogadores com qualidade e um historial pessoal que fala por si; em teoria qualquer um tem potencial para ser uma mais-valia para o conjunto leonino. Cabe agora a Paulo Bento decidir quais deverão ter direito a uma segunda oportunidade, tendo em conta que depois do investimento feito esta temporada dificilmente haverá abertura para proceder a uma limpeza de balneário.

O momento: Sporting 0 - 5 Bayern Munich

Ponto prévio: este destaque não surge pela importância estratégica do jogo em si - o Nacional-Sporting, por exemplo, foi bem mais decisivo para os destinos do campeonato - mas porque resume na perfeição a temporada leonina: uma equipa que atravessou momentos positivos para o campeonato, apenas para acumular grandes frustrações nas competições europeias.

A pesada derrota em casa para a Liga dos Campeões surgiu num contexto delicado, quando no campeonato o Sporting começava a desperdiçar a brava recuperação que conseguira logo após a negra fase inicial; isto embora curiosamente no jogo imediatamente anterior havia derrotado o Benfica. Talvez pretendendo gerir o plantel na ressaca dessa vitória ou simplesmente preferindo os atletas mais consagrados, Paulo Bento introduziu diversas alterações no onze e especialmente na defesa, retirando jogadores com ritmo em nome da maior experiência internacional. Pedro Silva trocou com Abel, a revelação Carriço trocou com Tonel regressado de lesão, Grimi deu lugar ao mais defensivo Caneira, Romagnoli entrou para o lugar do irrequieto Vukcevic.

A primeira parte não correu nada mal e pode-se inclusivamente falar de superioridade leonina, dado que apesar da clara vantagem do Bayern a nível técnico e físico, o posicionamento dos jogadores sportinguistas em campo e a sua atitude agressiva e ambiciosa anulou as estrelas germânicas. Mais, o dinamismo de Izmailov e de Moutinho enchiam o meio campo, assegurando mais dois homens a atacar em todos os momentos e ao mesmo tempo impedindo a sua defesa pouco rotinada de ficarem totalmente expostos a Ribery e companhia. A inteligência de Liedson fazia o resto: Lúcio não conseguia segurar o levezinho que, sentindo a fragilidade, insistia no defesa e procurava uma oportunidade de alvejar um Rensing permanentemente em alerta. 35 mil pessoas sentiam assim que poderia acontecer uma surpresa em Alvalade... Mas um disparate de Derlei a 5 minutos do intervalo começou a estragar a noite, proporcionando a Ribery o espaço e a oportunidade de inaugurar o marcador após passar... por entre Tonel e Polga, que se atropelaram. O Sporting não se atemorizou e reentrou para a 2ª parte com a mesma atitude positiva, voltando a anular os bávaros e desperdiçando oportunidades de empatar o jogo - a melhor por Abel, que dentro da pequena área não conseguiu desfeitear Reising.

Aos 57 minutos deu-se o momento em que o Sporting perde o jogo: Caneira não ataca a subida de Odo, este cruza à vontade; Tonel não consegue superiorizar-se ao enorme Toni e este assiste Klose, em fora de jogo, para o 2-0 claramente contra a corrente. Em resposta Paulo Bento dá seguimento à sua noite negativa e substitui Izmailov e Abel para entrarem Vukcevic e Pereirinha - de uma assentada sai o elemento mais regular da defesa e o jogador que, a par de Moutinho, estava a dominar o meio-campo. No onze mantêm-se por exemplo Romagnoli e Derlei, em noite muito, muito desinspirada. Sem Izmailov - que se no plano ofensivo pouco se estava a destacar, se encontrava a cumprir com brilho todas as obrigações defensivas - o sempre estático Rochemback viu-se de repente muito exposto às estrelas bávaras e incapaz de dar resposta a condizer; e o Bayern finalmente começou a vencer a batalha na intermediária. O meio-campo leonino tornou-se uma espécie de auto-estrada com uma única saída: a baliza de Tiago. A defesa, agora mais desprotegida e descompensada do que nunca, desempenhava um papel pouco superior ao de um sinal de transito na berma de estrada - aconselhando moderação, mas sem capacidade de por si só reforçar qualquer autoridade. Foram mais 3 golos, mas poderiam ter sido bem mais, tal a facilidade com que Ribery e companhia conseguiam de repente encontrar espaços...

A estrela: Izmailov, a unidade de suporte.

Em 2007/2008 o jovem Izmailov chegava a Portugal proveniente da Rússia para representar o Sporting, descrito como um médio ofensivo que trazia a velocidade e a acutilância que nem Romagnoli, nem Farnerud conseguiam imprimir no onze leonino. A estreia em jogos oficiais foi auspiciosa e garantiu-lhe logo um enorme capital de crédito junto dos adeptos: um remate do meio da rua seu derrotou o FC Porto e entregou a Supertaça a Alvalade. Daí para a frente intercalaria alguns momentos altos com fases de algum apagamento, passando a imagem de um jogador abnegado e com muita qualidade técnica mas imaturo tácticamente e com tendência para se esconder do jogo.

A mudança de época trouxe consigo uma nova disposição no terreno e uma enorme alteração na postura de Izmailov: mais recuado e com licença para preencher a zona central - por vezes colocado lado a lado com o trinco de serviço - apresentou-se como um atleta muito mais regular e influente na manobra da equipa. A alteração fora motivada pela qualidade do entendimento entre Liedson e Derlei, que obrigou Paulo Bento a deixar cair os seus extremos o que por sua vez promoveu a passagem de Izmailov de extremo direito para médio interior do losango; e com isso ganhou uma opção simultaneamente capaz de auxiliar Rochemback a defender, Moutinho a gerir o meio-campo, e Romagnoli a entregar a bola aos homens da frente. Melhor: enquanto Rochemback abria clareiras na retaguarda e Romagnoli se deixava esconder nas linhas defensivas adversárias, Izmailov sobressaia cumprindo todas as suas tarefas com fervor e dinamismo muito superiores aos evidenciados pelos companheiros, sendo demasiadas vezes o único elemento capaz de acompanhar o sempre ultra-sacrificado João Moutinho. Os dois exibiram aliás qualidades complementares: Moutinho, mais capaz de surgir entre linhas a controlar a bola e a entregá-la jogável, unindo a equipa; Izmailov mais disponível para explorar todos os espaços por ocupar, compactando-a ou esticando-a no terreno consoante necessário. Foi frequente vê-lo no mesmo jogo bem na frente a abrir caminhos para os avançados, nas alas, dando suporte às ofensivas de Pedro Silva e Grimi; ao lado de Romagnoli, abrindo linhas de passe, e na rectaguarda, uma vez mais ajudando os laterais ou lutando ao lado de Rochemback; tudo enquanto mantém a intermediária fluída e dinâmica.

Não se pense no entanto que Izmailov apenas existiu em função de outros jogadores. Marat consegue fazer-se notar no onze por si só e até possuí atributos para desiquilibrar: para além do mais que conhecido pontapé de meia distância forte e espontâneo, revelou ainda capacidades de drible e transporte de bola capazes de escancarar muralhas adversárias - a sua jogada típica envolveu surgir ligeiramente descaído para um dos flancos com a bola controlada e, após arrancar em acelerações simples, arrastar trincos, centrais e laterais para o deter, antes de desmarcar com mestria e simplicidade alguma opção dentro da grande área ou, noutros casos, abrir para a entrada do seu lateral, conquistado que está o respectivo corredor. Referência honrosa para a exemplar capacidade de sacrifício: A última recta da liga seria feita em grande esforço e dificuldades, alinhando com evidentes limitações físicas antes de parar antecipadamente para ser submetido a uma intervenção cirúrgica.

Terminou a temporada em alta, com o passe valorizado e como um dos elementos mais acarinhados pela massa associativa. Se dúvidas houvesse acerca das qualidades do jovem Russo após a sua época de estreia estas ficaram certamente dissipadas em 08/09; e actualmente está claro que se o Sporting pretende refazer a sua equipa para a nova temporada, pode e deve fazê-lo em torno de Izmailov.

A revelação: Daniel Carriço

Que central apareceu este ano em Alvalade! Com base no que demonstrou esta temporada, o Sporting arrisca-se a juntar mais um jogador de qualidade na senda de Figo, Dani, Beto, Quaresma, Viana ou Ronaldo; ou seja, um grande nome no panorama internacional e uma referência para a próxima geração de atletas. Habituado a conviver com a responsabilidade e com os grandes palcos por força da braçadeira de capitão nas selecções jovens, mesmo assim não se previa que gozasse de grande utilização na temporada de estreia entre os séniores verde-e-brancos - desde logo pela sua juventude, mas também porque a primeira época de sénior, dividida entre a Olhanense da Vitalis e o AEL do Chipre, não fora um sucesso e trouxera-lhe menos minutos do que a sua qualidade faria supor. A sua inclusão no plantel parecia limitada ao posto de 4º central, e foi portanto com nenhuma surpresa que quando a oportunidade aberta pela lesão de Tonel surgiu Paulo Bento tenha optado por entregar o posto a Caneira. Só que o internacional A não convenceria nos jogos seguintes, tremendo perante o Shaktar e sendo expulso perante o FC Porto para a Taça de Portugal no meio de algumas demonstrações de fragilidade. O castigo consequente proporcionou então a Daniel Carriço a oportunidade de entrar no onze para a 9ª jornada; e, mesmo debaixo do justificável cepticismo dos adeptos leoninos, a verdade é que arrancou para uma série de exibições de qualidade inatacável, rebaixando mesmo Polga para um papel secundário e obrigando Tonel a aguardar por uma vaga no onze, de onde, aliás, não voltaria a sair.

A principal característica do jogo é a maturidade: pisa o relvado com a elegância e a serenidade de um veterano, parecendo saber já quais os centimetros deve ocupar para ganhar vantagem sobre os oponentes. Apesar da boa impulsão não é fisicamente sobredotado, longe disso; mas consegue gerir as suas intervenções para não ter de fazer uso do cabedal mais do que estritamente necessário. No resto recusa-se a comprometer a equipa, atacando a bola sem dar azo aos oponentes de ganhar lances e saindo a jogar com simplicidade mas com inteligência. Complementa-se estas características com uma técnica e uma relação com a bola refinada, muito rara em defesas na Europa, e chega-se a uma conclusão: mesmo aparte todo o potencial assombroso, Daniel Carriço é já um central de eleição.

Na selecção A assiste-se com apreensão ao envelhecimento de Ricardo Carvalho, Jorge Andrade e de Bruno Alves sem que surjam opções à altura para a renovação, e ainda com a agravante de que as segundas opções como Ricardo Costa, Tonel e Ricardo Rocha também já terem passado pelos respectivos picos de carreira. Os mais jovens Manuel dos Santos e Zé Castro parecem ter estagnado a sua evolução; enquanto a Nuno André falta ainda um desafio num emblema que comprove a real dimensão das suas capacidades. Por isso, por tudo o que demonstrou nesta temporada, e por estar já habituado a lidar com desafios homéricos, Carriço é já neste momento a maior esperança lusitana para o centro da defesa e um dos principais estandartes de uma nova geração de jogadores. Portugal inteiro agradece a revelação e aguarda ansiosamente pelo desenrolar da sua carreira.

A desilusão: Miguel Veloso, Rochemback e Adrien, ou a maldita posição 6.

Quando em Setembro Paulo Bento olhou para a constituição do seu plantel e passado os olhos para as opções para médio defensivo, decerto não terá pensado que iria ter problemas de escassez de qualidade. Muito pelo contrário, terá até julgado ter em mãos uma das poucas boas dores de cabeça para um treinador: como gerir a luta pela titularidade entre um internacional Português que vinha de uma presença num campeonato da Europa, um internacional Brasileiro vindo da mais espetacular liga da Europa, e uma das maiores jovens esperanças Portuguesas? Quem sabe, terá talvez até equacionado utilizar dois médios de cariz defensivo a fim de aproveitar melhor o talento que lhe sobrava para uma posição absolutamente fulcral.

Por outro lado, com certeza que quando em Janeiro voltou a olhar para o seu plantel e para as mesmíssimas três opções Paulo Bento terá hesitado bastante mais, provavelmente considerando pedir reforços à sua Direcção para resolver o grave problema que tinha em mãos. Afinal, do trio de médios defensivos o melhor intérprete para a posição vinha sendo... o capitão João Moutinho, que normalmente era recuado para essa zona no decurso de cada jogo para resolver o défice exibicional do elemento que estivesse a ocupar o lugar - mutilando a equipa em velocidade, criatividade e circulação de bola, mas pelo menos oferecendo alguma consistência e segurança. Jogo após jogo assim foi a imagem do meio-campo leonino, partido e separado pela ausência de um "anchor man" credível que fosse simultâneamente capaz de filtrar as iniciativas atacantes dos adversários, e também o primeiro a definir a saída de bola para o ataque. Um por um, todos os jogadores deixaram os seus créditos por mãos alheias e fracassaram na sua afirmação.

Rochemback regressou em glória a Alvalade e foi imediatamente eleito a melhor contratação da pré-época Portuguesa e a potencial figura do campeonato que se iniciava. Não impressionou na pré-temporada, alinhando com pouco fulgor e pulmão mas sendo estas limitações atribuídas à má forma física característica do início de temporada. Não evoluiria no entanto e viria até a perder progressivamente estatuto e tempo no onze, falhando jornadas por pequenas mazelas, indisciplina ou por mera opção até terminar 2008/2009 ao intervalo da 23ª jornada, na vitória frente ao Leixões. Em campo nunca escondeu a vontade de alinhar em terrenos mais adiantados apesar de ser o elemento que melhor cumpria o lado defensivo da sua posição, falhando no entanto na construção de jogo e na reduzida mobilidade que evidenciou.

Miguel Veloso cedo começou a perder pontos fora dos relvados, parecendo atípicamente concentrado na sua vida social e em estimular a sua relação com a imprensa através de entrevistas onde deixava vincada a vontade de deixar o Sporting, a pouca apetência para alinhar a lateral, as queixas por não ser titular e as reclamações de ser perseguido pela própria imprensa... Já quando dentro das quatro linhas, mesmo sem a qualidade de outras épocas ainda se afirmou como o melhor construtor de jogo na posição 6, a léguas de vantagem da concorrência; mas foi também ele o mais indisciplinado e o menos eficaz a segurar o meio-campo, completamente aburguesado e displicente na altura de defender e lutar pela posse de bola. A escassez de opções para o lado esquerdo da defesa também obrigou Paulo Bento a experimentá-lo aí com relativo sucesso, retirando-o no entanto da luta pelo miolo.

Adrien Silva aproveitou a instabilidade como pôde e procurou ao máximo agarrar o precário lugar, primando não só pela baixa de forma dos colegas como também pela originalidade dos seus argumentos. Muito mais aplicado, ágil e veloz a defender, revelou-se como um bom transportador de bola a atacar em completa oposição com o estilo mais de distribuição da concorrência. Não foi no entanto feliz, apresentando algumas falhas de concentração/decisão graves que por vezes causaram calafrios aos colegas - o que é um tanto ao quanto perigoso quando a sua principal função é tranquilizar a defesa. E, obviamente, ainda tem de evoluir em muitos aspectos.


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