ForaDeJogo.net - Leixões 2008/2009


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Leixões Sport Clube
Nome: Leixões
Associação: AF Porto
Cidade: Matosinhos
Estádio: Mar
Ano de fundação: 1907
Sede: Rua Roberto Ivens, 528
Apartado 84
4451-997
Web: www.leixoessc.pt
Plantel 2008/2009
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Treinadores
T José Mota
Entradas
Braga (25)Leça (II B)
Laranjeiro (25)U. Leiria (I)
Zé Manel (33)Sp. Braga (I)
Vasco Fernandes (21)Olhanense (II)
Roberto Sousa (23)Racing Ferrol   (II)
Wesley (27)Paços de Ferreira (I)
Sandro (25)Anápolis   (C)
Jean-Sony (22)Aigle Noir   (I)
Diogo Luís (27)Beira-Mar (II)
Paulo Tavares (22)Estoril Praia (II)
Brayan Angulo (18)Boavista (I)
Rodrigo Silva (25)Nacional (I)
Chumbinho (21)Rio Claro   (I E)
Marques (23)Grémio Anápolis  
Berger (26)Ried   (I)
Serginho Baiano (30)
Fonseca (23)Moreirense (II B)
Brandon Poltronieri (22)Brujas   (I)
Liga Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Beto15Vasco Fernandes5Brandon Poltronieri16Zé Manel
12Fonseca20Laranjeiro14Bruno China19Jorge Gonçalves
77Berger28Jean-Sony2Rúben Ribeiro11Serginho Baiano
  6Diogo Luís22Castanheira18Nwoko
  17Brayan Angulo25Paulo Tavares23Diogo Valente
  3Sandro26Roberto Sousa9Roberto
  4Elvis7Hugo Morais21Braga
  13Joel8Pedro Cervantes29Rodrigo Silva
  27Nuno Silva10Chumbinho30Marques
    80Wesley  
Galácticos de meia épocaFernando Dias

Após uma temporada anterior em que a permanência foi garantida com uma grande dose de sofrimento apenas na última jornada e tendo novamente um dos orçamentos mais baixos da competição tudo apontava para que o Leixões na edição 2008/2009 da Liga Sagres tivesse pela frente mais uma árdua batalha pela manutenção. Com Vítor Oliveira novamente no “leme” do Departamento de Futebol na função de Director Desportivo a prioridade passou pela contratação do treinador para a nova época. A escolha recaiu em José Mota, treinador do Paços de Ferreira na época anterior, que apresenta como imagem de marca a construção de equipas baratas - recorrendo sobretudo a jogadores de escalões secundários e a jogadores Brasileiros – que têm como ponto forte o colectivo e que se destacam pelo seu futebol atractivo.

Assegurado o “Timoneiro” para a nova época seguiu-se a definição do plantel que foi alvo de uma mini-revolução. Logo à partida ficou clara uma alteração na política de contratações: a aproximação entre as SADs de Leixões e do F.C. Porto – e que tanto foi criticado por parte da massa adepta Leixonense – foi resfriada tendo a “armada” Portista sido reduzida de 4 jogadores para apenas 1 (Diogo Valente). Com a política da SAD Matosinhense de rubricar contratos de apenas 1 ano de duração com os jogadores eram muitos os que estavam em final de contrato. Destes apenas alguns renovaram sendo de destacar as saídas de Nuno Amaro, Nuno Diogo e Pedro Cervantes. Outro ponto a realçar são as vendas de Filipe Oliveira ao S.C. Braga e principalmente de Jorge Gonçalves – que ainda actua nos dois primeiros jogos do campeonato – ao Racing de Santander da Iª Liga Espanhola. Estas vendas permitem encaixes financeiros aos Matosinhenses - algo que já não acontecia há muitos anos - e no caso de Jorge Gonçalves chega a ser histórico por ser a primeira transferência internacional do Leixões Sport Clube. Quanto a contratações um nome sobressai entre todos: Wesley – que em Portugal já tinha alinhado com sucesso no Penafiel e depois no Vitória de Guimarães – é a surpresa e é imediatamente apelidado de “Mágico Wesley”, cognome que o jogador viria a justificar plenamente em campo. Outras contratações interessantes são a cedência por empréstimo pelo Celta de Vigo do médio-defensivo internacional sub-20 Brasileiro Roberto Sousa, a contratação do veterano Zé Manuel e a já falada manutenção no plantel por empréstimo de Diogo Valente. A pré-temporada arranca e os resultados – ainda que não sejam muito importantes nessa fase – e algumas exibições deixam a desejar e começa a surgir alguma desconfiança da massa adepta Leixonense em relação ao plantel. José Mota parece também não estar satisfeito e já com a pré-época a decorrer chegam ao plantel Wesley, Laranjeiro, Roberto Sousa e Vasco Fernandes.

A época inicia-se com o primeiro jogo da fase de grupos da Carlsberg Cup com o Leixões a deslocarem-se a Braga. Os Matosinhenses são goleados por 4-0 e perdem Roberto que se lesiona no jogo e fica arredado da competição praticamente até ao final da época. Esta lesão e a transferência de Jorge Gonçalves para o Racing de Santander obrigam a uma alteração táctica no esquema montado por Mota: inicialmente a equipa foi pensada para jogar num 4x3x3 com dois extremos a servirem o ponta de lança Roberto, mas com a sua lesão e sem alternativas para aquela posição Mota altera o esquema e faz entrar de imediato o recém-chegado Wesley no 11 titular tornando-se peça fulcral na equipa; fazendo-o actuar como falso ponta de lança o Brasileiro numa 1ª fase de construcção de jogo recua até ao meio-campo para com a sua boa visão de jogo lançar os extremos nas alas para depois numa 2ª fase aparecer na àrea vindo de trás. Este esquema de jogo viria a revelar-se acertado ao ponto de Wesley ter rapidamente ascendido aos lugares cimeiros dos marcadores da Liga Sagres. Após uma derrota no jogo inaugural da Liga Sagres por 1-3 em casa com o Nacional os Leixonenses iniciam uma série de resultados – alguns deles inesperados para uma equipa que luta pela manutenção – que os levam a um inédito e por isso histórico 1º lugar. Face a este bom desempenho a equipa e alguns dos seus jogadores começam a ter uma visibilidade acima do que seria expectável no início da época, ficando na memória de todos o empate e sobretudo a exibição em casa contra o Benfica em que os Encarnados acabaram o jogo encostados à sua baliza. Mas o melhor ainda estaria para vir: no jogo seguinte – 6ª jornada – os Matosinhenses deslocam-se ao Dragão para defrontar o campeão F.C. Porto. Num jogo onde se esperaria que os Leixonenses tivessem um papel menor acabam por ser os protagonistas ao chegarem aos 29 minutos de jogo a vencer por 0-2 para delírio dos cerca de 2000 Leixonenses que lotaram o sector visitante do Dragão como poucas massas adeptas o fazem. O F.C. Porto reage e chega ao empate na 2ª parte, mas os Leixonenses conseguem o 2-3 final e assim alcançam a sua 1ª vitória em casa dos Portistas nos últimos 35 anos. Neste jogo um nome salta para a ribalta: Braga – que na época anterior jogava na IIª B no Leça – bisa no Dragão e passa a ser acompanhado com especial interesse.

Na 8ª jornada do campeonato mais uma prova de fogo dos comandados de José Mota com a deslocação a Alvalade e mais uma prova superada com distinção: vitória por 0-1 com golo de Roberto Sousa e uma das várias exibições fantásticas do guardião Beto. O Leixões continuava a surpreender o mundo futebolístico e começa a despertar o interesse da imprensa estrangeira. Os Leixonenses sofrem a 1ª derrota fora de portas da época em curso apenas na 11ª jornada em Guimarães, mas ainda assim deixa boa imagem pois foi a melhor equipa em campo. No fim de semana seguinte jogo grande a contar para os oitavos-de-final da Taça de Portugal com recepcão ao Benfica e com mais um resultado memorável. Com o marcador a não sofrer qualquer alteração até mesmo no prolongamento o jogo teve de ser decidido nas grandes penalidades: os Leixonenses convertem as 5 penalidades e Beto torna-se herói ao defender o remate de Reyes e assim permitir que o Leixões tenha vencido os 3 grandes na mesma época.

O percurso na Taça de Portugal termina nos quartos-de-final no Dragão ao ser derrotado por 1-0, um jogo que os Leixonenses encararam de peito aberto tendo jogado de igual para igual com o campeão nacional, proporcionando assim o que foi considerado pela crítica um excelente espectáculo de futebol.

Na sequência desta brilhante campanha Braga e Beto são distinguidos com o prémio de melhor jogador da Liga Sagres dos meses de Outubro e Novembro e conjuntamente com Wesley, Roberto Sousa, Bruno China e Vasco Fernandes são apontados como reforços já no mercado de Inverno de equipas de maior nomeada. De todas estas especulações apenas uma se concretiza, a transferência de Wesley – na altura o 3º melhor marcador da Liga Sagres - para os Romenos do F.C. Vaslui.

De volta ao campeonato os Leixonenses conseguem uma feliz e excelente vitória em Braga, mas já nessa altura o sentimento generalizado era de que o Leixões já não conseguia apresentar o mesmo futebol atractivo e perfumado com que surpreendeu o mundo futebolístico na 1ª volta. Vários factores contribuiram para que isso acontecesse: um maior estudo e consequentemente um maior conhecimento por parte das equipas adversárias da forma de actuar dos Leixonenses que assim deixaram de constituir surpresa e passaram a ser mais facilmente anuláveis; os constantes rumores sobre possíveis transferências dos principais jogadores para clubes de maior dimensão que não se vieram a concretizar e que prejudicou o rendimento desses mesmos jogadores – com a honrosa excepção de Beto – e gestão de entradas e saídas no mercado de Inverno, onde saíram vários jogadores do ataque tendo apenas entrado o ponta de lança Rodrigo - - emprestado pelo Nacional - e que se mostrou manifestamente insuficiente para as necessidades da equipa.

Após ainda conseguir assustar o Benfica na derrota por 2-1 num jogo intenso na Luz o Leixões soma algumas exibições e resultados menos interessantes sendo ultrapassado por Braga e Nacional e caindo assim para o 6º lugar, mas na 29ª jornada da Liga Sagres ao vencer em Setúbal alcança matematicamente a manutenção, afinal o grande objectivo com que partiu para a edição 2008/2009 da Liga Sagres. Na última jornada da Liga Sagres - perante uma boa moldura humana no Estádio do Mar que comparece em peso em sinal de reconhecimento da excelente época dos jogadores e equipa técnica - o Leixões vence o Marítimo por 1-0 e garante o 6º lugar do campeonato, a 2ª melhor classificação de sempre dos Leixonenses na 1ª Divisão.

Momento Chave: F.C. Porto 2 – 3 Leixões

Mais que o momento chave foi o momento mais alto – porque durante esta época muitos houve – da temporada Leixonense. A muito improvável vitória por 2-3 no reduto dos Portistas ocorreu 35 anos depois da última vez que tal tinha acontecido e permitiu que a época 2008/2009 entre para a história do Clube pelo facto de o Leixões pela 1ª vez ter sido líder isolado do principal campeonato Português.

Estrela: Beto

Perante campanha tão brilhante muitos jogadores se destacaram, tornando difícil a escolha de apenas um jogador. Se na 1ª metade da época provavelmente Wesley mereceria esta distinção, a sua saída e a continuidade de excelentes exibições do guarda-redes Beto fazem-no merecedor do estatuto de “estrela”. Adorado pela massa adepta Leixonense, foi decisivo em muitos jogos e a garantia de muitos pontos. O reconhecimento de tão boa época chegou com os rumores do interesse de vários clubes na sua contratação e principalmente com a sua chamada – ainda que considerada tardia pelos adeptos matosinhenses e não só – à Selecção Nacional A. A sua 1ª internacionalização A e a sua contratação pelo F.C. Porto fizeram-no saltar para a ribalta e será acompanhado com carinho pelos Leixonenses.

Revelação: Braga

Apesar de ter chegado a perder a titularidade na 2ª volta, a verdade é que este jogador formado no Salgueiros chegou ao “Mar” proveniente do vizinho Leça que disputava a IIªB e desde logo mostrou-se capaz de ser opção. Apontado na pré-temporada como possível jogador para ser cedido por empréstimo, não se atemorizou com o salto de duas divisões e não só ganhou lugar no 11 titular como foi figura de proa na vitória no Dragão ao apontar 2 dos 3 golos. Foi claramente dos jogadores que mais se ressentiram com os rumores de interesse de outros clubes no mercado de Inverno e na 2ª volta perdeu “gás”. Espera-se a confirmação do valor de Braga na próxima época, sobretudo com uma época mais regular.

Decepção: Chumbinho

Jogador formado nas escolas do São Paulo, Chumbinho foi contratado a custo 0 e as suas exibições nos jogos de pré-época desde logo entusiasmaram os Leixonenses que viram nele um craque com uma boa visão de jogo e capaz de causar desiquilíbrios no um para um devido à sua excelente técnica. Estas aptidões apenas puderam ser postas à prova em jogos a sério na reabertura do mercado em Janeiro e a enorme expectativa gerada acabou por ser defraudada. Foi aposta de Mota durante alguns jogos, mas contra já conscientes do valor da equipa Matosinhense e por isso mais fechadas Chumbinho revelou sempre dificuldades em ultrapassar esse obstáculo. Saiu pela porta pequena ao abandonar o Clube sem justificação, tendo defraudado como jogador mas principalmente como homem.


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