ForaDeJogo.net - Leixões 2009/2010


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Leixões Sport Clube
Nome: Leixões
Associação: AF Porto
Cidade: Matosinhos
Estádio: Mar
Ano de fundação: 1907
Sede: Rua Roberto Ivens, 528
Apartado 84
4451-997
Web: www.leixoessc.pt
Plantel 2009/2010
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Treinadores
T Castro Santos
José Mota
Entradas
Fernando Alexandre (23)Sp. Braga (I)
Fábio Espinho (23)Sp. Espinho (II B)
Diego (30)Santo André   (A)
Wenio (29)Vitória Guimarães (I)
Nélson Lenho (25)Freamunde (II)
Fernando Cardozo (30)Marítimo (I)
Bruno Gallo (21)Vasco da Gama   (B)
Antunes (22)Roma   (A)
Tiago Cintra (19)Amarante (II B)
Pouga (23)Sevilla B   (II)
João Paulo (29)Rapid Bucareste   (I)
Cauê (20)Corinthians (AL)   (D)
Pedro Seabra (21)Padroense (III)
Tucker (26)Quilmes   (II)
Didi (26)CFR Cluj   (I)
Nelson Benítez (25)FC Porto (I)
Leo (25)Lecce   (A)
Vinh (23)T&T Ha Noi   (I)
Trombetta (22)Nueva Chicago   (III)
Faioli (25)Vasco da Gama   (B)
Liga Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Berger20Laranjeiro5Brandon Poltronieri8Zé Manel
12Fonseca28Jean-Sony14Bruno China9Braga
25Diego3Nelson Benítez16Fernando Alexandre99Didi
  5Antunes17Wenio11Faioli
  22Nélson Lenho18Cauê15Pouga
  4Tucker23Pedro Seabra21Tiago Cintra
  13Joel2Rúben Ribeiro26Leo
  27Nuno Silva6Bruno Gallo80João Paulo
  30Trombetta19Paulo Tavares29Vinh
  33Fernando Cardozo7Hugo Morais  
    10Fábio Espinho  
Do céu ao infernoFernando Dias

Após uma brilhante prestação na edição 2008/2009 da Liga Sagres que culminou com um histórico 6º lugar, era muita a expectativa da massa associativa Leixonense quanto à nova época. A equipa técnica comandada por José Mota manteve-se, mas a referida brilhante prestação despertou a cobiça de outros clubes em vários jogadores e com a SAD Leixonense a necessitar de fazer encaixes financeiros acabou-se por verificar uma sangria no plantel: entre as várias transferências destacam-se a do guarda-redes Beto para o F. C. Porto, a do “Bebé” Bruno China para o Maiorca e a de Brayan Angulo para o Deportivo La Coruña, ambos da Primeira Liga Espanhola, a de Vasco Fernandes para o Celta de Vigo e a de Roberto Sousa para o Marítimo, bem como o regresso de Diogo Valente ao S. C. Braga para integrar o plantel entre outras.

Com tantas saídas, a equipa que tinha um sistema de jogo bem definido e com qualidade teve de recomeçar praticamente do zero, tendo entrado 16 novos jogadores no plantel. Ainda assim a confiança dos Leixonenses para a nova época era alta, pois a remodelação ficaria a cargo de José Mota e do Director-Técnico Vítor Oliveira, que no seu primeiro ano como parceiros com um orçamento reduzido foram capazes de construir um plantel com elevada qualidade. Mas ao contrário do defeso da época anterior, os jogadores que foram assinando pelo clube de Matosinhos eram quase todos desconhecidos da generalidade dos adeptos e na sua maioria estrangeiros, tendo o mercado Brasileiro sido o principal fornecedor com 6 jogadores e com a novidade da aposta em jogadores Argentinos. A preocupação começou a crescer entre a massa adepta Leixonense com a saída de Vítor Oliveira ainda na pré-época que optou por regressar ao trabalho de campo como treinador, indo para o Trofense. Com o dossier contratações ainda por fechar e já com pouco tempo até ao início da Liga Sagres a SAD Leixonense optou por colocar o seu Presidente Carlos Oliveira no lugar deixado vago. Das entradas os destaques iam para o empréstimo de Fernando Alexandre por parte do S. C. Braga, para a entrada do ex-V. Guimarães Wênio e para o guarda-redes Brasileiro Diego que fez carreira no seu país e que surgia com bom currículo.

Os resultados dos jogos da pré-época tiveram balanço positivo (3 vitórias, 2 empates e 1 derrota com o F. C. Porto), mas com o arranque da Liga Sagres o cenário alterou-se: nas primeiras 4 jornadas os Rubro-Brancos somam 2 empates e 2 derrotas, alcançado a 1ª vitória apenas à 5ª jornada contra o Vitória de Guimarães; após uma série de 3 derrotas consecutivas chega à 10ª jornada com apenas 8 pontos e no penúltimo lugar da classificação; a partir daí nos jogos no “Mar” somam empates e nos jogos fora derrotas, cenário que leva que à 15ª jornada (última jornada da 1ª volta) os Leixonenses sejam o último classificado. Por esta altura o sinal de alarme já estava dado não só pela classificação, como pela aparente falta de soluções por parte de José Mota para dar a volta à situação. O facto de o 11 titular ser constantemente alterado de uma jornada para a outra sem que isso resultasse em melhorias, o facto de a meio da temporada proceder a alterações tácticas aparentando não saber ainda como tirar o melhor rendimento do plantel à disposição e a utilização do mesmo discurso após derrotas ou jogos menos conseguidos de que tal se devia a terem entrado muitos jogadores no plantel e que era um discurso aceitável no arranque do campeonato acabou por desgastar a imagem de José Mota junto da massa associativa Leixonense, pois por essa altura era evidente que bem mais grave do que ter várias caras novas era a falta de qualidade da generalidade do plantel.

Com a chegada do mercado de Inverno chegaram reforços: o avançado Didi emprestado pelo Cluj da Roménia (tinha jogado anteriormente no Paços de Ferreira orientado por Mota), o central Fernando Cardoso emprestado pelo Marítmo, o defesa-esquerdo internacional Português Antunes emprestado pela Roma e o ponta de lança João Paulo ex-Rapid de Bucareste. Estes jogadores acrescentaram qualidade ao plantel, mas todos eles chegaram sem ritmo de jogo por estarem sem competir nos seus clubes anteriores, tendo no caso de Antunes e de Didi culminado em lesões que os impediram de dar maior contributo. Didi antes de se lesionar apontou o seu único golo na Liga Sagres à 16ª jornada em Belém, naquela que era apenas a 2ª vitória dos Leixonenses no campeonato e a 1ª fora de portas. Com estes 3 pontos somados o Leixões saia novamente debaixo da linha de água e pensava-se que essa vitória fosse a mola impulsionadora para uma boa ponta final de campeonato, mas as 3 derrotas consecutivas nos jogos seguintes acabaram com essa ilusão, bem como com a permanência de José Mota no comando técnico do Leixões. Se a saída de Mota face aos maus resultados e às péssimas exibições não foi alvo de contestação (embora os Leixonenses não tenham esquecido que foi parte integrante do excelente campeonato realizado na época anterior) até pela necessidade de dar uma “abanão” na equipa, já a contratação do seu substituto gerou desconfiança entre os adeptos do clube do Mar. O eleito foi o Espanhol Fernando Castro Santos, que em épocas anteriores já tinha treinado por 2 ocasiões o S. C. Braga sem ser feliz em nenhuma delas. O facto de não ser Português e de assim não ter um conhecimento profundo do plantel que iria orientar bem como das equipas que iriam ser suas adversárias não combinavam com a exigência imediata de resultados face à difícil situação pontual. A seu favor o facto de ser considerado especialista na manutenção de equipas em risco de descida de divisão, exactamente o cenário que iria encontrar no Leixões.

Após um estágio de uma semana em Melgaço para trabalhar mais tranquilamente seguiu-se o seu 1º jogo e logo um grande teste, com a recepção ao F. C. Porto que por essa altura lutava com o S. L. Benfica e com o S. C. Braga pela liderança do campeonato. Adoptando uma atitude de maior contenção, onde a segurança defensiva foi previligiada em detrimento do ataque os Leixonenses com muita garra e com alguma dose de sorte à mistura empataram a zero golos, ganharam moral e indirectamente acabaram por afastar o F. C. Porto da luta pelo título. Na jornada seguinte em Guimarães e com a mesma táctica de maior consistência defensiva o resultado já foi outro, derrota por 2-0. Seguem-se mais 2 derrotas mas a permanência mantinha-se possível, pois equipas como Belenenses, Vitória de Setúbal e Olhanense também não conseguiam descolar dos últimos lugares. A 1ª das “finais” foi à 23ª jornada em casa contra o também aflito Vitória de Setúbal, jogo em que o Leixões dominou, arriscou muito mais que a equipa adversária mas acabou derrotado nos últimos minutos por 1-2, um autêntico balde de água fria. Na jornada seguinte novo jogo em casa, novo jogo de carácter praticamente decisivo e o regresso da tão desejada vitória, desta feita contra a Naval por 1-0 e que manteve os Leixonenses na luta, embora ainda a 5 pontos da linha de água. A 26ª jornada trouxe mais uma vitória para os Rubro-Brancos, vencendo o Paços de Ferreira por 2-0 e reduzindo a diferença pontual para 4 pontos, mas apenas com mais 12 pontos em disputa. O jogo em casa frente à Académica torna-se assim fulcral para as ambições matosinhenses, mas são os estudantes quem vence, complicando e de que maneira a situação . Matematicamente a permanência é ainda possível, tendo os Bebés de vencer obrigatoriamente na casa do Olhanense em jogo da 29ª jornada, mas a derrota por 1-0 deita por terra as ténues esperanças Leixonenses e confirma o regresso à Liga Vitalis.

Momento: 28ª jornada Leixões 1 - 2 Académica

A 28ª jornada quase que sentenciou o destino do Leixões: jogo em casa contra a Académica que por essa altura não tinha ainda a manutenção assegurada e com Olhanense e V. de Setúbal a jogar com S. L. Benfica e F. C. Porto respectivamente. Dada a importância do jogo o Estádio do Mar regista uma das melhores “casas” da época, com cerca de 6000 adeptos nas bancadas a apoiar ruidosamente o seu clube do princípio ao fim...correcção, do princípio até aos 80 minutos de jogo, altura em que contra a corrente do jogo os Estudantes fazem o 1-2 e silenciam o estádio onde se começa a sentir o peso do regresso à Liga Vitalis. E se o golo de Diogo Gomes já é era mau, se a expulsão de Nuno Silva no mesmo minuto ainda agravou a situação, então o tento de Éder 5 minutos mais tarde foi apenas o escutar da sentença...

Estrela: Fernando Alexandre

Médio-centro de características mais defensivas que deu nas vistas no Estrela da Amadora, que foi contratado pelo S. C. Braga e emprestado ao Leixões. Se os Leixonenses lamentaram a saída do “Bebé” Bruno China, cedo perceberam que não seria por aí que a época iria correr mal pois Fernando Alexandre não só não ficava a dever a China nas recuperações de bola, como era o 1º a construir jogo; foi em muitos jogos o melhor jogador do Leixões em campo e confirmou qualidades para mais altos voos.

Revelação: Sony / Pedro Seabra

O Haitiano Sony ingressou no plantel a meio da época anterior e se demonstrou predicados como a velocidade e a técnica também não é menos verdade que se mostrou muitas vezes trapalhão e sem sentido de jogo colectivo, não convencendo a exigente massa adepta Leixonense. Na época a que esta crónica diz respeito José Mota resolveu testá-lo a defesa direito e se é verdade que nos primeiros jogos não foi mais do que regular, o certo é que com o decorrer do campeonato e ganhando rotinas na posição acabou por se revelar uma mais valia da qual não se estava à espera, fazendo uma boa ponta final de campeonato. Partindo de posições mais recuadas consegue fazer melhor uso da sua técnica e principalmente da sua velocidade provocando vários desiquílibrios na frente, falta-lhe apenas melhorar a cobertura defensiva.

Pedro Seabra é um “Bebé” que já desvinculado do Leixões mostrou serviço no Padroense na IIª B e que levou os Leixonenses a apostarem novamente nele. Após um início de temporada mais discreto, foi ganhando espaço no plantel e na 2ª volta a presença no 11 titular começou a ser habitual. Bom tecnicamente, precisa de ser mais rápido a executar e de perder ainda alguma timidez que demonstra em campo.

Decepção: Planificação da época 2009/2010

Após uma temporada tão má muitos poderiam ser os nomes aqui presentes; tendo isso em conta a decepção é a forma como a época foi planeada e, por arrasto, os seus responsáveis. Desde o Presidente da SAD ao Director Técnico Vítor Oliveira - e neste mais acentuado ainda pela sua saída em plena fase de construção do plantel - ao treinadore José Mota e a toda a estrutura do Futebol Profissional que funcionou mal e que acabou por construir um plantel de pouca qualidade.

A época 2010/11 será de luta para o regresso ao convívio entre os grandes, afinal o lugar que um clube como o Leixões e com a sua massa associativa merecem. Se tal desiderato for atingido, espera-se que a má planificação da época 2009/2010 e que ditou o regresso do clube aos escalões secundários sirva de lição para não se voltarem a repetir os mesmos erros.


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