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Sporting Clube Olhanense
Djalmir e os filhos do DragãoJorge Carneiro Após 7 anos de ausência, o regresso do Algarve aos grandes palcos do futebol nacional deu-se com a ascensão do Olhanense, campeão da Honra em 08/09 com todo o mérito e espectacularidade. Um regresso pela porta grande, resultado de uma gestão financeira rigorosa desde há anos, sempre assente em valorizar os jogadores nacionais e em privilegiar o mercado interno à importação maciça de atletas Brasileiros, da qual resultara uma equipa muito competitiva durante várias épocas a fio. A promoção surgiu apenas como uma consequência natural do trabalho realizado... e da parceria com o FC Porto, da qual resultaram mais-valias como Ukra, Castro e Steven Vitória, entre outros empréstimos de menor expressão. A parceria não extinguiria com o virar de época, facilitando assim o sempre complicado processo de planificação do plantel. Castro e Ukra regressariam a Olhão e consigo trariam a companhia dos conceituados Tengarrinha, Ventura, Zequinha e Rabiola num conjunto de soluções para todos os sectores, todos internacionais jovens à procura de espaço para se afirmarem no panorama sénior. Ainda assim não faltava o que fazer os dirigentes: da defesa anterior apenas transitavam Anselmo e os laterais Stephane e João Gonçalves; e o clube perdera mesmo figuras como Branquinho, Ricardo Silva e Marco Couto, necessitando de carisma novo no balneário. Terá sido neste contexto que o "Herói de Alkmaar" Miguel Garcia e o competente Carlos Fernandes se juntaram ao plantel, juntamente com incógnitas mais ou menos experientes como Éder Baiano e Sandro para o centro da defesa. Juventude na baliza, experiência na defesa, meio campo criativo e irreverente, ataque jovem e móvel - parecia ser esta a estratégia algarvia. Ao leme do conjunto o ainda inexperiente Jorge Costa, capitão do FC Porto durante muitos anos, mas com apenas duas temporadas enquanto treinador principal. Empurrados pelos seus adeptos entusiastas e totalmente determinados a fazer esquecer o rótulo de "FCP B" colocado pela generalidade dos adeptos das outras equipas, as primeiras quatro jornadas trouxeram resultados aceitáveis sob a forma de 3 empates e uma vitória, juntamente um futebol surpreendentemente atractivo e muito embora os problemas de finalização fossem já evidentes. Com Djalmir lesionado por várias semanas cabia à segunda linha assumir a responsabilidade de assinar os golos; só que Toy é um jogador poderoso mas habituado a descair para uma ala, Rabiola móvel, insistente, ainda não consegue marcar presença na área, Nwoklo não conseguiu mais que o papel de arma secreta, fortíssimo no aspecto físico e trapalhão no contacto com a bola; Gomis foi um flop, e quanto a Zequinha, o seu grande êxito foi ter terminado a temporada sem nenhum caso disciplinar de relevo. Uma longa linha de opções significou apenas uma longa linha de fracassos - Rabiola apenas passou mais tempo no onze pela sua facilidade em trocar de posição com os extremos e médios ofensivos. A história tem-nos ensinado que em equipas jovens são as jornadas iniciais que definem o sucesso da temporada, que indicam se os atletas vão superar-se ou arrastar-se num marasmo psicológico. A esse início auspicioso seguiu-se a fase mais complicada da época, com derrotas perante Sporting, Braga e o "patrão" FC Porto - sempre em bom plano mas traídos por doses generosas de erros individuais e ingenuidade. O desaire em triplicado terá deixado ainda mais marcas na mentalidade dos jovens jogadores que nos jogos seguintes não conseguiram superiorizar-se a adversários de escalões inferiores - Valenciano ou Estoril - ou com as mesmas ambições no campeonato - Belenenses e Setubal. Ao dobrar do campeonato o Olhanense somava uma única vitória, um dos mais dóceis ataques da competição e encontrava-se lado a lado com Belenenses e Leixões, todos os emblemas em igualdade pontual; sendo então que a posição classificativa nada condizente com a qualidade de jogo patenteada. Sentia-se um leve travo a injustiça, mas o facto é que não só os golos continuavam a rarear como o meio campo defensivo não conseguia funcionar eficazmente - Tengarrinha e Rui Baião dividiam o lugar, com o primeiro a jogar mal e o segundo demasiado bem a atacar e demasiado dócil a defender - como ainda a dupla de centrais metia água a cada desafio. Só nas laterais é que Miguel Garcia e Carlos Fernandes se exibiam a bom nível, competentes a fechar caminhos e sóbrios mas eficazes a trilhar avenidas e cruzamentos. Seria o próprio Djalmir a retornar e a terminar com a crise de golos, embora a entrada de Yazalde também tenha pelo menos trazido outra presença e perigo. Os desiquilibrios que Ukra e Paulo Sérgio criavam tinham deixado de ser apenas fogo de vista e tinham agora um destinatário; alguém inteligente, capaz de farejar o perigo ou o erro adversário, de se desdobrar nos espaços vazios e de enganar defesas e guarda-redes. Com o ponta-de-lança também toda a estrutura cresceu em seu redor, mais organizada dentro de campo e comprometida com os seus papeis. Reflexo disso foram os empates frente a Sporting e FC Porto, jogos em que o Olhanense esteve sólido, compacto, pronto a enervar os oponentes de valia, custo e experiência várias vezes superior; e aproveitando erros para provocar ocasionalmente algum pânico - adicionando finalmente alguma maturidade colectiva a todas as exibições de qualidade individual que vinham acumulando. Na 2ª volta a equipa conseguiu somar 4 vitórias para contrabalançar as "apenas" 5 derrotas, cedo se afastando da luta cerrada da manutenção para se limitar a gerir o final da época. A 13ª posição final continua a não ser condizente com o show de bola produzido em campo, mas significa o atingir dos objectivos definidos e possibilita que os Algarvios se estabeleçam no escalão maior e aí continuem a procurar criar raízes. Ademais trouxe também para a vista do grande público figuras como Ukra, Paulo Sérgio, Miguel Garcia, Castro e Rui Baião, atletas que graças a esta temporada puderam lançar ou relançar as suas carreiras e fixar os seus nomes no panorama nacional. O momento: 24ª jornada: Rio Ave 1 - 5 OlhanensePonto mais alto da época e indicador máximo da qualidade da linha atacante algarvia: o Olhanense olhou nos olhos uma das surpresas do campeonato e venceu sem margem para dúvidas. Apesar de tudo foi mesmo o Rio Ave a inaugurar o marcador, dando sequência a um início muito positivo com Bruno Gama, Sidnei e Valdir a causarem muitas dores de cabeça a Lionn e companhia. Neste caso seria o brasileiro a conseguir desbloquear a defesa e sacar um cruzamento tenso para o segundo poste, para o esquecido Vítor Gomes surgir a cabecear para o interior da baliza. Por esta altura Castro e Rui Baião labutavam no meio-campo, conquistando metros e servindo Ukra e Paulo Sérgio para as suas diabruras habituais; mas do seu esforço (ainda) não resultavam dividendos práticos para a equipa. O atropelamento aos vila-condenses iniciou-se apenas no final da primeira parte, quando a capacidade de infligir dano de Djalmir transformou um passe longo bombeado para a área numa assistência para a raça de Tengarrinha. A segunda parte abriu com a reviravolta algarvia, com a fantasia da dupla de extremos a abrir definitivamente a defensiva do Rio Ave e a proporcionar dois golos a Djalmir: primeiro com Ukra a fugir pela direita e a conquistar um penalty, depois com Paulo Sérgio a demolir Lionn na esquerda antes de assistir a cabeça do capitão. Em 5 minutos, um bis e o Olhanense bem lançado para a vitória. A tarde não terminaria sem muitas diabruras de Ukra e Paulo Sérgio, um golo felino de Yazalde e outro de Rabiola através de novo penalty, fazendo o resultado assumir contornos claríssimos de goleada injusta para o Rio Ave, que sempre se mostrara empreendedor e corajoso no relvado - mas por outro lado incapaz de deter a maré ofensiva algarvia e a inspiração dos seus intérpretes. Como bónus adicional, a vitória nos Arcos revestiu-se de importancia extra para o Olhanense pelo conjunto de vitórias somados pelos concorrentes directos na luta pela manutenção, dado que Leixões e Vit.Setúbal haviam também vencido os seus desafios. Perder pontos nesta jornada teria tido como consequência a queda para o 14º posto com apenas 3 ou 4 pontos de vantagem sobre um Leixões em crescendo, colocando pressão indesejada sobre uma equipa demasiado jovem e inexperiente. As consequências seriam portanto imesuráveis, mas os 3 pontos afastaram esse cenário no imediato. A estrela: Djalmir, quem mais?Djalmir já marcou mais de 100 golos no nosso país desde que aqui aterrou em 2000 para representar o Famalicão na 2ªB, mas tem-se revelado especialmente eficaz em Olhão, somando 50 golos em quatro épocas e mesmo sofrendo algumas lesões de recuperação muito demorada. Como curiosidade, 4 desses tentos foram ao serviço do Belenenses na primeira divisão, onde assumira o estatuto de arma secreta mas não convencera o suficiente para se manter no clube. Apesar de todas as credenciais e do óbvio carinho do sócios a presença no plantel de 2009/2010 esteve por um canudo: o experiente ponta de lança fora o melhor marcador do Olhanense em cada uma das 3 temporadas a representar o clube, e mal a Honra terminou soube-se da existência de negociações para transferir o artilheiro rumo a uma reforma dourada na China. A transferência não se concretizou, mas a lesão que se lhe seguiu determinou a perda da pré-temporada e das dez primeiras jornadas do campeonato durante as quais foi intensamente lembrado pelos adeptos, saudosos dos golos que Djalmir garantiva e que escasseavam por esses dias em Olhão. Ainda teve um falso arranque em que foi expulso e se ressentiu da lesão, mas depois disso precisou de apenas alguns minutos para se livrar da ferrugem acumulada e começou no imediato a soltar misérias, correspondendo ao futebol espectacular dos seus colegas com a frieza e eficácia que faltara até então. O Olhanense transfigurava-se no imediato e passava de uma equipa simpática e ingénua com um futebol positivo mas poucos resultados para uma força ofensiva que exigia respeito. A estratégia de 4-3-3 com dois alas bem abertos encaixa na perfeição nas caracteristicas de Djalmir, especialmente quando esses alas eram Ukra e Paulo Sérgio - venenosos, móveis e precisos nos cruzamentos - e ainda havia uma segunda linha pronta a dar-lhe mais apoio, com Castro e Rui Duarte em plano de destaque. O veterano Brasileiro retribuiu o serviço de qualidade abrindo espaços e segurando a bola para as entradas dos companheiros, e essencialmente fazendo jus à manchete de apoio "Deus perdoa, Djalmir não": com golos, com muitos golos, com 12 golos no total, 11 nas 14 jornadas em que esteve realmente em boas condições físicas. Graças à sua acção directa o Olhanense elevou a produtividade de 12 para 19 golos, entre a primeira e a segunda volta. A revelação: Castro, motor de excelênciaO homem que encheu o meio campo algarvio. Uma muleta a defender, um motor a transportar, e um autêntico tanque a alvejar a baliza contrária; paixão de artista e personalidade de general com pés de veludo. Acompanhado pelo geométrico capitão Rui Duarte e/ou pelo mais criativo Rui Baião, juntos estabeleceram uma das intermediárias mais dinâmicas, fantasistas e perigosas de Portugal, uma sociedade de luxo num modesto clube recém-promovido e recheado de lacunas. Ironicamente e em contraste, Jesualdo Ferreira e os sócios portistas suspiravam por quem desempenhasse as mesmas funções mais a norte, colocando os olhos no jovem médio, conscientes do erro que fora a dispensa. Castro gozava de muita reputação nas camadas jovens enquanto médio de marcação, apimentando desde cedo o apetite com aparições esporádicas no plantel principal do FC Porto, e fez questão de explicar dentro dos relvados algarvios o porquê da fama. Chegou aos séniores e a Olhão ainda com o clube na Honra e afirmou-se no imediato como uma das principais figuras, desempenhando papel fulcral na ascensão rumo ao escalão principal pela combatividade e organização que conferia à intermediária. Este ano aproveitou o facto de jogar com mais espaço e destacou-se ainda mais no plano ofensivo, assumindo a responsabilidade de conduzir as saídas para o ataque, de aparecer na área a finalizar, de utilizar o seu pontapé forte e colocado. Apontou 6 golos - um registo muito bom para um médio centro - mas onde impressionou verdadeiramente foi na qualidade a transportar e trocar a bola, com classe e objectividade. Finda a primeira época a sério e a tempo inteiro na primeira divisão o balanço é bastante positivo e o regresso à casa-mãe no Porto parece ser uma forte possibilidade já na próxima campanha, parecendo Castro bem colocado para ombrear por um lugar com Guarin e Ruben Micael. Com a própria Selecção aguardando por uma nova geração de médios-centro de referência depois de o tempo de Costinha e Maniche ter terminado e o de Deco se aproximar a passos largos do final, os próximos anos parecem ser propícios para se vir a eleger Castro como um dos melhores atletas da década. A desilusão: Tengarrinha, a outra face da inexperiênciaPor um lado pode-se considerar que também este empréstimo do FC Porto foi um sucesso, dado que Tengarrinha jogou com muita assiduidade em Olhão e terá acumulado experiência importante para o seu futuro profissional. Por outro e atentando apenas ao presente, o que demonstrou dentro do campo não entusiasmou de todo, falhando na missão de reforçar o modelo defensivo algarvio e colocá-lo ao mesmo nível de performance do ataque. A sua versatilidade permitiu-lhe ser opção para lateral, central ou trinco e pretendia-se que conseguisse impôr-se em pelo menos um deles, mas não convenceu em nenhum e obrigou a que o clube procurasse novas opções em Dezembro para tapar os buracos (Lionn, Miguel Ângelo e Delson, respectivamente). Para médio defensivo, onde mais apareceu, até tem a robustez física necessária para o efeito, mas esta época faltou-lhe intensidade e eficácia - enfim, impôr personalidade num sector sempre macio, muito macio. A atacar, as suas lacunas no passe e na construção de jogo em geral já são bastante conhecidas. Evidentemente que não foi o único culpado para os problemas defensivos da equipa, mas a sua ineficácia, inexperiência e mesmo a condição de emprestado do FC Porto fazem de Tengarrinha uma figura emblemática do que houve a criticar no Olhanense em 09/10. Ainda tem muito tempo para reafirmar a sua imagem, mas depois do Algarve e de também na Amadora não ter impressionado, que fazer a seguir? |
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