ForaDeJogo.net - Olhanense 2010/2011


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Sporting Clube Olhanense
Nome: Olhanense
Associação: AF Algarve
Cidade: Olhão
Estádio: José Arcanjo
Ano de fundação: 1912
Sede: Estádio José Arcanjo
Apartado 104
8700-910
Web: www.scolhanense.com
Plantel 2010/2011
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Treinadores
T Daúto Faquirá
Staff
Nuno Presume(PF)
Entradas
Fernando Alexandre (24)Leixões (I)
Jorge Gonçalves (26)Vitória Guimarães (I)
Jardel (24)Estoril Praia (II)
Maurício (33)Feirense (II)
Nuno Piloto (28)Iraklis   (I)
Mexer (21)Sporting (I)
Ismaily (20)Estoril Praia (II)
Vinícius (24)Aves (II)
Cadu (28)Bnei Sakhnin   (I)
Yontcha (27)Belenenses (I)
Ricardo Batista (23)Sporting (I)
Adilson (28)Marítimo (I)
Dady (28)Bucaspor   (I)
André Micael (21)Moreirense (II)
Tiero (29)CSKA Sofia   (A)
Lulinha (20)Estoril Praia (II)
Oblak (17)Beira-Mar (I)
Paulo Renato (23)Estrela Amadora (II B)
Suárez (23)Union San Filipe   (I)
André Matias (22)Louletano (II B)
Moretto (32)
Maynard (23)Volendam   (II)
Carvajal (21)Unión San Felipe   (I)
Pedro Pereira (18)Olhanense (JUN)
Pavel (18)Olhanense (JUN)
André Lima (18)Olhanense (JUN)
Daniel Jesus (18)Olhanense (JUN)
Jorge Vale (19)Olhanense (JUN)
Gerson (17)Olhanense (JUN)
Liga ZON Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Bruno Veríssimo18João Gonçalves8Delson9Toy
12Oblak22Maynard65Fernando Alexandre19Jorge Gonçalves
31Moretto7Ismaily6Nuno Piloto23Paulo Sérgio
40Pedro Pereira13Carlos Fernandes15Vinícius29André Matias
51Ricardo Batista2Anselmo35Tiero11Djalmir
  3Jardel45Pavel20Dady
  4André Micael Jorge Vale99Yontcha
  5Maurício21Carvajal17Adilson
  24Paulo Renato42Gerson  
  27Suárez43André Lima  
  30Mexer10Lulinha  
  41Daniel Jesus14Cadu  
    16Rui Duarte  
A Olhanense de duas facesJorge Carneiro

A segunda temporada consecutiva da Olhanense no escalão maior foi bastante menos emotiva do que anterior, com muito menos sustos pelo caminho e um objectivo atingido algum tempo antes do prazo limite. A consistência, essa, é que continua bem ausente, já que o José Arcanjo foi casa de duas equipas completamente diferentes que partilhavam apenas o emblema. Mas já lá iremos.

A planificação da temporada não foi com certeza uma tarefa simples, com tanto para corrigir e actualizar em tão pouco tempo. Jorge Costa terminara o ciclo no clube, a esmagadora maioria dos emprestados regressava a casa e ainda havia as pastas delicadas do centro da defesa e do eixo do ataque, sectores que se tinham mostrado muito deficitários no ano anterior. Através de muita criatividade e rigor nas apostas, Isidoro Sousa conseguiu arranjar soluções pouco dispendiosas e à altura das necessidades do plantel. Escolheu Daúto Faquirá para timoneiro e uma série de contratações muito interessantes a custo zero para compor o plantel, a que se juntou a associação ao grupo Traffic para possibilitar algumas mais-valias.

Os resultados viram-se no imediato e pulverizaram quaisquer expectativas - à 7ª jornada o Olhanense tinha medido forças com FC Porto e Sporting e era... 3º classificado com apenas uma derrota, e a 2ª melhor defesa! Dentro de campo Moretto mostrava-se seguro e carismático, a defesa era um enorme bloco de betão, o meio campo surpreendentemente sólido e muito ágil a partir para o contra-golpe, e na frente Jorge Gonçalves e especialmente Paulo Sérgio eram mestres em infligir dano em contra-ataque, produzindo poucos golos mas muitos sustos e um futebol muito rápido e agradável. Somente Yontcha destoava no conjunto, sempre trapalhão a abordar os lances e pouco perigoso no computo geral, mas a sua seca de golos era compensada pelos restantes jogadores. Apesar da 3ª posição pouco tempo ter durado, as apenas 4 derrotas no total da primeira volta colocavam a turma de Olhão no 9º lugar, mais muito mais perto de lutar pelos lugares europeus do que se preocupar com a manutenção; e estavam ainda em prova em todas as restantes competições.

Veio então o mercado de Inverno e com ele uma série de propostas irrecusáveis, ora para a direcção, ora para o grupo de investidores que tinha auxiliado a formação do plantel, ora para os próprios atletas. As saídas sucediam-se a um ritmo alucinante, tendo cerca de um terço do onze-base e principais suplentes abandonado o clube ou estado à beira disso: Moretto, Jardel, Vinicius e Lulinha, mais o assédio intenso a João Gonçalves, Cadu e Yontcha. Enquanto isso as contratações feitas visaram mais o mercado externo e as divisões inferiores, no entanto poucos reforços efectivamente apareceram. Veio então ao de cima então o banco de luxo de Olhão, de onde saltaram Ricardo Baptista, Mexér, Nuno Piloto e Cadu para ocupar as vagas em aberto.

Com tantas mexidas foi mais do que natural que o onze necessitasse de tempo para se adaptar e assentar processos, com evidentes consequências a nível de exibições e, especialmente, resultados - só não se previa que a queda assumisse contornos tão dramáticos. As fragilidades em todos os sectores eram agravadas pelo abaixamento de forma dos extremos Jorge Gonçalves e Paulo Sérgio, denotando algumas dificuldades em manter o ritmo supersónico com que tinham surpreendido na primeira volta. Entre a 19ª e a 28ª jornadas a Olhanense não conseguiu uma única vitória, tendo sido eliminado de todas as restantes competições e tornado-se uma espécie de porto de abrigo para todas as equipas que defrontava. Derrota após derrota a manutenção chegou a estar em risco, mas o consentido empate frente ao Benfica à 28ª jornada fechou de vez a questão e, agora livres de pressão, os jogadores fecharam a temporada com resultados positivos frente ao Nacional e ao Rio Ave.

O momento: Janeiro, ponto de viragem

Não se pode falar em grandes oscilações de forma entre os jogadores do plantel, dado que regra geral os que começaram em bom plano mantiveram-se sempre em bom nível, com ligeiras. O que ditou a quebra exibicional terá sido mesmo a acção nociva do mercado de Inverno, que em nome do equilibrio orçamental introduziu imensos prejuízos desportivos no clube. Os atletas que entraram no onze por um motivo ou outro não conseguiram fazer esquecer as saídas do clube, que ainda perdeu alguns suplentes de luxo. Assim, o carismático Moretto partiu rumo ao principal campeonato da Polónia, o seguríssimo Jardel foi dar continuidade à sua evolução explosiva para o Benfica, o médio interior Vinicius levou a sua fantasia para Braga e até o talento bruto de Lulinha deixou o banco do Olhanense mais pobre quando partiu de regresso ao Brasil. Saídas com efeitos directos na qualidade exibicional... e nos respectivos resultados.

Estrela: Maurício, eterno central goleador

Dispensa apresentações, já que ano após ano continua a passear competência e classe pelos clubes que representa, mesmo que a sua idade já pudesse ser desculpa para o seu rendimento se ressentir. Foi recrutado a Feirense depois de mais uma óptima época individual, escolhido para ajudar a tapar o buraco que fora o centro da defensiva algarvia na temporada 2010 e acrecentar experiência a um sector totalmente renovado - apenas o emblemático Anselmo transitava em relação ao grupo anterior de centrais. E certo é que Mauricio não deixou os créditos por mãos alheias, pegando de estaca no onze e deixando a sua marca no melhor que o Olhanense produziu neste campeonato. Ao virar da 15ª jornada por exemplo eram os algarvios a segunda melhor defensiva, com registo de uns míseros 14 tentos totalizados que apenas o líder FC Porto superava; e Maurício assumia-se como o seu patrão incontestável e melhor marcador do conjunto. Talvez movendo-se com pouca velocidade, é certo, mas sem nunca deixar de ser influente e sereno mas rigoroso e eficaz; exibindo uma atitude em campo que serenou e potenciou o crescimento de jovens colegas de posto - primeiro Jardel, talento bruto que terminou rumo ao Benfica, depois mais tarde os menos mediáticos mas igualmente promissores Mexer, André Micael e Cristian Suaréz. E para além do mais, Maurício ainda é uma mais valia a sair a jogar e nas bolas paradas, tanto a marcá-las como a corresponder a cruzamentos.

A quebra exibicional da equipa na segunda volta em nada o beliscou, mantendo a cabeça bem erguida à medida que os parceiros iam alternando a restante vaga no centro da defesa e assinando exibições menos conseguidas. Terminou com uma dupla presença no pódio da equipa, alcançando a primeira posição em termos de minutos acumulados e um honroso terceiro lugar na lista de goleadores, em igualdade pontual com o ponta de lança Yontcha. Como reconhecimento da sua excelência e do cumprimento dos objectivos propostos, Isidoro Sousa apressou-se a renovar contrato com o veterano, que assim à partida irá iniciar 2011/2012 com 35 anos e com o estatuto de patrão da equipa.

Revelação: João Gonçalves, uma direita dos diabos.

Cumpriu a terceira época em Olhão, sempre na condição de emprestado pelo Sporting, clube responsável pela sua formação. Na primeira, ainda na Honra, foi peça importante no onze, mas no ano passado perdeu parte da temporada por lesão, tendo ainda de lidar com a concorrência do mais experiente Miguel Garcia durante a primeira metade. Já em 2010/2011 agarrou o lugar com unhas e dentes e formou uma parceria com o extremo Jorge Gonçalves que encantou o país, galvanizando o flanco direito dos algarvios e elevando-o ao nível de uma equipa que lutasse pela Europa. Em Janeiro chegou, aliás, a ser apontado como reforço do Euro Braga, um alegado interesse que não se concretizou mas que pelo menos permitiu a João Gonçalves continuar a exibir-se em grande plano pelos algarvios apesar da quebra generalizada da equipa.

Nota-se a boa escola de onde provém, destacando-se pela tranquilidade e inteligência na abordagem dos lances, particularmente a defender: decide quase sempre bem a acção a tomar e com isso interrompe ou pelo menos atrapalha as investidas adversárias. A atacar é solícito e está sempre lá quando o extremo precisa de apoio, e Jorge Gonçalves muitas vezes beneficiou das linhas passes que o colega abriu para combinar. O maior defeito ainda se prende com a estampa física pouco desenvolvida, tendo evidenciado dificuldades perante atletas de contacto como Hulk e Varela.

Aos 23 anos e depois de ter triunfado sem margem para dúvidas na 2ªB, Honra e agora 1ª liga, João Gonçalves ainda tem margem de progressão para explorar, mas encontra-se já no ponto em que tem de definir a que escalão pertence: ou se afirma como um lateral de categoria internacional numa equipa com essas ambições, ou se fixa como um bom defesa de nível doméstico. Nesse sentido a próxima época será decisiva e muito dificilmente passará por Olhão - mas será mesmo que o que já fez basta para chegar a Alvalade? Tem a palavra Domingos Paciência...

Desilusão: Djalmir, agora sem fulgor

O cartão vermelho aplica-se a todos os pontas de lança que figuravam no plantel, um conjunto de opções renovado para corrigir um sector com pouco rendimento na época transacta mas que incrivelmente ainda se viriam a revelar menos eficazes que os antecessores. Qualquer um dos nomes já tinha provas dadas nas ligas Portuguesas: Djalmir é um histórico do clube e apontara 12 golos no ano passado, Yontcha estreara-se no inofensivo Belenenses com 5 em meio campeonato, Adilson vinha de 9 no Feirense e o reforço de Inverno Dady fora o segundo melhor artilheiro da Liga bWin em 2007 com 12 tentos, a que posteriormente somava bons registos em Espanha. Surpreendentemente após 30 jornadas todos juntos não conseguiram no entanto sequer somar os mesmos 12 golos de Djalmir na época passada...

O veterano ponta de lança é apenas destacado pela negativa porque para além já somar épocas sucessivas como artilheiro-mor em Olhão ainda no ano transacto tinha conseguido uma performance extraordinária para quem apenas tinha iniciado a época em Dezembro, transfigurando mesmo o rendimento da equipa com a sua entrada no onze. Naturalmente esperava-se que iniciando esta temporada em igualdade de circunstâncias com os restantes colegas desse continuidade ao bom rendimento, mas em vez disso Djalmir pareceu em pior forma física, revelando maiores dificuldades para iludir os centrais adversários e mostrando-se muito menos venenoso que o habitual. As combinações com os colegas também raramente surtiram efeito, mesmo que agora contasse com o completo e altruista Jorge Gonçalves para fornecer apoio, e isto para além de manter o incisivo Paulo Sérgio como condutor da manobra ofensiva. Enfim, mas o mais triste é mesmo que os parcos 4 golos que Djalmir somou bastaram para ser o melhor marcador da equipa. A rever na próxima temporada.


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