ForaDeJogo.net - Olhanense 2009/2010


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Sporting Clube Olhanense
Nome: Olhanense
Associação: AF Algarve
Cidade: Olhão
Estádio: José Arcanjo
Ano de fundação: 1912
Sede: Estádio José Arcanjo
Apartado 104
8700-910
Web: www.scolhanense.com
Plantel 2009/2010
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Treinadores
T Jorge Costa
Staff
Ricardo Chéu(ADJ), Ferreirinha(ADJ), Rui Correia(GR)
Entradas
Carlos Fernandes (31)Marítimo (I)
Ventura (21)FC Porto (I)
Paulo Sérgio (25)Salamanca   (II)
Tengarrinha (20)Estrela Amadora (I)
Rabiola (19)FC Porto (I)
Miguel Ângelo (24)Marítimo (I)
Sandro (26)Leixões (I)
Zequinha (22)Gil Vicente (II)
Delson (28)Larissa   (I)
Lionn (20)Vitória Guimarães (I)
Yazalde (20)Sp. Braga (I)
Gomis (21)Shinnik   (II)
Greg Nwokolo (23)Persija   (I)
Miguel Garcia (26)
Fábio Marques (21)Mafra (II B)
Pietravallo (27)NY Red Bulls   (I)
Éder Baiano (25)Guarani   (B)
Rodrigo Lamardo (21)Fátima (II B)
Liga Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Bruno Veríssimo15Miguel Garcia5Pietravallo17Ukra
12Ricardo Ferreira18João Gonçalves7Rui Baião23Paulo Sérgio
24Ventura26Lionn27Delson28Gomis
  13Carlos Fernandes10Castro9Toy
  20Stéphane8Messi21Fábio Marques
  2Anselmo16Rui Duarte30Guga
  3Sandro25Rodrigo Lamardo11Djalmir
  4Éder Baiano  14Yazalde
  6Tengarrinha  22Zequinha
  49Miguel Ângelo  29Rabiola
      19Greg Nwokolo
Djalmir e os filhos do DragãoJorge Carneiro

Após 7 anos de ausência, o regresso do Algarve aos grandes palcos do futebol nacional deu-se com a ascensão do Olhanense, campeão da Honra em 08/09 com todo o mérito e espectacularidade. Um regresso pela porta grande, resultado de uma gestão financeira rigorosa desde há anos, sempre assente em valorizar os jogadores nacionais e em privilegiar o mercado interno à importação maciça de atletas Brasileiros, da qual resultara uma equipa muito competitiva durante várias épocas a fio. A promoção surgiu apenas como uma consequência natural do trabalho realizado... e da parceria com o FC Porto, da qual resultaram mais-valias como Ukra, Castro e Steven Vitória, entre outros empréstimos de menor expressão. A parceria não extinguiria com o virar de época, facilitando assim o sempre complicado processo de planificação do plantel. Castro e Ukra regressariam a Olhão e consigo trariam a companhia dos conceituados Tengarrinha, Ventura, Zequinha e Rabiola num conjunto de soluções para todos os sectores, todos internacionais jovens à procura de espaço para se afirmarem no panorama sénior. Ainda assim não faltava o que fazer os dirigentes: da defesa anterior apenas transitavam Anselmo e os laterais Stephane e João Gonçalves; e o clube perdera mesmo figuras como Branquinho, Ricardo Silva e Marco Couto, necessitando de carisma novo no balneário. Terá sido neste contexto que o "Herói de Alkmaar" Miguel Garcia e o competente Carlos Fernandes se juntaram ao plantel, juntamente com incógnitas mais ou menos experientes como Éder Baiano e Sandro para o centro da defesa. Juventude na baliza, experiência na defesa, meio campo criativo e irreverente, ataque jovem e móvel - parecia ser esta a estratégia algarvia. Ao leme do conjunto o ainda inexperiente Jorge Costa, capitão do FC Porto durante muitos anos, mas com apenas duas temporadas enquanto treinador principal.

Empurrados pelos seus adeptos entusiastas e totalmente determinados a fazer esquecer o rótulo de "FCP B" colocado pela generalidade dos adeptos das outras equipas, as primeiras quatro jornadas trouxeram resultados aceitáveis sob a forma de 3 empates e uma vitória, juntamente um futebol surpreendentemente atractivo e muito embora os problemas de finalização fossem já evidentes. Com Djalmir lesionado por várias semanas cabia à segunda linha assumir a responsabilidade de assinar os golos; só que Toy é um jogador poderoso mas habituado a descair para uma ala, Rabiola móvel, insistente, ainda não consegue marcar presença na área, Nwoklo não conseguiu mais que o papel de arma secreta, fortíssimo no aspecto físico e trapalhão no contacto com a bola; Gomis foi um flop, e quanto a Zequinha, o seu grande êxito foi ter terminado a temporada sem nenhum caso disciplinar de relevo. Uma longa linha de opções significou apenas uma longa linha de fracassos - Rabiola apenas passou mais tempo no onze pela sua facilidade em trocar de posição com os extremos e médios ofensivos.

A história tem-nos ensinado que em equipas jovens são as jornadas iniciais que definem o sucesso da temporada, que indicam se os atletas vão superar-se ou arrastar-se num marasmo psicológico. A esse início auspicioso seguiu-se a fase mais complicada da época, com derrotas perante Sporting, Braga e o "patrão" FC Porto - sempre em bom plano mas traídos por doses generosas de erros individuais e ingenuidade. O desaire em triplicado terá deixado ainda mais marcas na mentalidade dos jovens jogadores que nos jogos seguintes não conseguiram superiorizar-se a adversários de escalões inferiores - Valenciano ou Estoril - ou com as mesmas ambições no campeonato - Belenenses e Setubal. Ao dobrar do campeonato o Olhanense somava uma única vitória, um dos mais dóceis ataques da competição e encontrava-se lado a lado com Belenenses e Leixões, todos os emblemas em igualdade pontual; sendo então que a posição classificativa nada condizente com a qualidade de jogo patenteada. Sentia-se um leve travo a injustiça, mas o facto é que não só os golos continuavam a rarear como o meio campo defensivo não conseguia funcionar eficazmente - Tengarrinha e Rui Baião dividiam o lugar, com o primeiro a jogar mal e o segundo demasiado bem a atacar e demasiado dócil a defender - como ainda a dupla de centrais metia água a cada desafio. Só nas laterais é que Miguel Garcia e Carlos Fernandes se exibiam a bom nível, competentes a fechar caminhos e sóbrios mas eficazes a trilhar avenidas e cruzamentos.

Seria o próprio Djalmir a retornar e a terminar com a crise de golos, embora a entrada de Yazalde também tenha pelo menos trazido outra presença e perigo. Os desiquilibrios que Ukra e Paulo Sérgio criavam tinham deixado de ser apenas fogo de vista e tinham agora um destinatário; alguém inteligente, capaz de farejar o perigo ou o erro adversário, de se desdobrar nos espaços vazios e de enganar defesas e guarda-redes. Com o ponta-de-lança também toda a estrutura cresceu em seu redor, mais organizada dentro de campo e comprometida com os seus papeis. Reflexo disso foram os empates frente a Sporting e FC Porto, jogos em que o Olhanense esteve sólido, compacto, pronto a enervar os oponentes de valia, custo e experiência várias vezes superior; e aproveitando erros para provocar ocasionalmente algum pânico - adicionando finalmente alguma maturidade colectiva a todas as exibições de qualidade individual que vinham acumulando.

Na 2ª volta a equipa conseguiu somar 4 vitórias para contrabalançar as "apenas" 5 derrotas, cedo se afastando da luta cerrada da manutenção para se limitar a gerir o final da época. A 13ª posição final continua a não ser condizente com o show de bola produzido em campo, mas significa o atingir dos objectivos definidos e possibilita que os Algarvios se estabeleçam no escalão maior e aí continuem a procurar criar raízes. Ademais trouxe também para a vista do grande público figuras como Ukra, Paulo Sérgio, Miguel Garcia, Castro e Rui Baião, atletas que graças a esta temporada puderam lançar ou relançar as suas carreiras e fixar os seus nomes no panorama nacional.

O momento: 24ª jornada: Rio Ave 1 - 5 Olhanense

Ponto mais alto da época e indicador máximo da qualidade da linha atacante algarvia: o Olhanense olhou nos olhos uma das surpresas do campeonato e venceu sem margem para dúvidas. Apesar de tudo foi mesmo o Rio Ave a inaugurar o marcador, dando sequência a um início muito positivo com Bruno Gama, Sidnei e Valdir a causarem muitas dores de cabeça a Lionn e companhia. Neste caso seria o brasileiro a conseguir desbloquear a defesa e sacar um cruzamento tenso para o segundo poste, para o esquecido Vítor Gomes surgir a cabecear para o interior da baliza. Por esta altura Castro e Rui Baião labutavam no meio-campo, conquistando metros e servindo Ukra e Paulo Sérgio para as suas diabruras habituais; mas do seu esforço (ainda) não resultavam dividendos práticos para a equipa.

O atropelamento aos vila-condenses iniciou-se apenas no final da primeira parte, quando a capacidade de infligir dano de Djalmir transformou um passe longo bombeado para a área numa assistência para a raça de Tengarrinha. A segunda parte abriu com a reviravolta algarvia, com a fantasia da dupla de extremos a abrir definitivamente a defensiva do Rio Ave e a proporcionar dois golos a Djalmir: primeiro com Ukra a fugir pela direita e a conquistar um penalty, depois com Paulo Sérgio a demolir Lionn na esquerda antes de assistir a cabeça do capitão. Em 5 minutos, um bis e o Olhanense bem lançado para a vitória. A tarde não terminaria sem muitas diabruras de Ukra e Paulo Sérgio, um golo felino de Yazalde e outro de Rabiola através de novo penalty, fazendo o resultado assumir contornos claríssimos de goleada injusta para o Rio Ave, que sempre se mostrara empreendedor e corajoso no relvado - mas por outro lado incapaz de deter a maré ofensiva algarvia e a inspiração dos seus intérpretes.

Como bónus adicional, a vitória nos Arcos revestiu-se de importancia extra para o Olhanense pelo conjunto de vitórias somados pelos concorrentes directos na luta pela manutenção, dado que Leixões e Vit.Setúbal haviam também vencido os seus desafios. Perder pontos nesta jornada teria tido como consequência a queda para o 14º posto com apenas 3 ou 4 pontos de vantagem sobre um Leixões em crescendo, colocando pressão indesejada sobre uma equipa demasiado jovem e inexperiente. As consequências seriam portanto imesuráveis, mas os 3 pontos afastaram esse cenário no imediato.

A estrela: Djalmir, quem mais?

Djalmir já marcou mais de 100 golos no nosso país desde que aqui aterrou em 2000 para representar o Famalicão na 2ªB, mas tem-se revelado especialmente eficaz em Olhão, somando 50 golos em quatro épocas e mesmo sofrendo algumas lesões de recuperação muito demorada. Como curiosidade, 4 desses tentos foram ao serviço do Belenenses na primeira divisão, onde assumira o estatuto de arma secreta mas não convencera o suficiente para se manter no clube.

Apesar de todas as credenciais e do óbvio carinho do sócios a presença no plantel de 2009/2010 esteve por um canudo: o experiente ponta de lança fora o melhor marcador do Olhanense em cada uma das 3 temporadas a representar o clube, e mal a Honra terminou soube-se da existência de negociações para transferir o artilheiro rumo a uma reforma dourada na China. A transferência não se concretizou, mas a lesão que se lhe seguiu determinou a perda da pré-temporada e das dez primeiras jornadas do campeonato durante as quais foi intensamente lembrado pelos adeptos, saudosos dos golos que Djalmir garantiva e que escasseavam por esses dias em Olhão. Ainda teve um falso arranque em que foi expulso e se ressentiu da lesão, mas depois disso precisou de apenas alguns minutos para se livrar da ferrugem acumulada e começou no imediato a soltar misérias, correspondendo ao futebol espectacular dos seus colegas com a frieza e eficácia que faltara até então. O Olhanense transfigurava-se no imediato e passava de uma equipa simpática e ingénua com um futebol positivo mas poucos resultados para uma força ofensiva que exigia respeito. A estratégia de 4-3-3 com dois alas bem abertos encaixa na perfeição nas caracteristicas de Djalmir, especialmente quando esses alas eram Ukra e Paulo Sérgio - venenosos, móveis e precisos nos cruzamentos - e ainda havia uma segunda linha pronta a dar-lhe mais apoio, com Castro e Rui Duarte em plano de destaque. O veterano Brasileiro retribuiu o serviço de qualidade abrindo espaços e segurando a bola para as entradas dos companheiros, e essencialmente fazendo jus à manchete de apoio "Deus perdoa, Djalmir não": com golos, com muitos golos, com 12 golos no total, 11 nas 14 jornadas em que esteve realmente em boas condições físicas. Graças à sua acção directa o Olhanense elevou a produtividade de 12 para 19 golos, entre a primeira e a segunda volta.

A revelação: Castro, motor de excelência

O homem que encheu o meio campo algarvio. Uma muleta a defender, um motor a transportar, e um autêntico tanque a alvejar a baliza contrária; paixão de artista e personalidade de general com pés de veludo. Acompanhado pelo geométrico capitão Rui Duarte e/ou pelo mais criativo Rui Baião, juntos estabeleceram uma das intermediárias mais dinâmicas, fantasistas e perigosas de Portugal, uma sociedade de luxo num modesto clube recém-promovido e recheado de lacunas. Ironicamente e em contraste, Jesualdo Ferreira e os sócios portistas suspiravam por quem desempenhasse as mesmas funções mais a norte, colocando os olhos no jovem médio, conscientes do erro que fora a dispensa.

Castro gozava de muita reputação nas camadas jovens enquanto médio de marcação, apimentando desde cedo o apetite com aparições esporádicas no plantel principal do FC Porto, e fez questão de explicar dentro dos relvados algarvios o porquê da fama. Chegou aos séniores e a Olhão ainda com o clube na Honra e afirmou-se no imediato como uma das principais figuras, desempenhando papel fulcral na ascensão rumo ao escalão principal pela combatividade e organização que conferia à intermediária. Este ano aproveitou o facto de jogar com mais espaço e destacou-se ainda mais no plano ofensivo, assumindo a responsabilidade de conduzir as saídas para o ataque, de aparecer na área a finalizar, de utilizar o seu pontapé forte e colocado. Apontou 6 golos - um registo muito bom para um médio centro - mas onde impressionou verdadeiramente foi na qualidade a transportar e trocar a bola, com classe e objectividade.

Finda a primeira época a sério e a tempo inteiro na primeira divisão o balanço é bastante positivo e o regresso à casa-mãe no Porto parece ser uma forte possibilidade já na próxima campanha, parecendo Castro bem colocado para ombrear por um lugar com Guarin e Ruben Micael. Com a própria Selecção aguardando por uma nova geração de médios-centro de referência depois de o tempo de Costinha e Maniche ter terminado e o de Deco se aproximar a passos largos do final, os próximos anos parecem ser propícios para se vir a eleger Castro como um dos melhores atletas da década.

A desilusão: Tengarrinha, a outra face da inexperiência

Por um lado pode-se considerar que também este empréstimo do FC Porto foi um sucesso, dado que Tengarrinha jogou com muita assiduidade em Olhão e terá acumulado experiência importante para o seu futuro profissional. Por outro e atentando apenas ao presente, o que demonstrou dentro do campo não entusiasmou de todo, falhando na missão de reforçar o modelo defensivo algarvio e colocá-lo ao mesmo nível de performance do ataque. A sua versatilidade permitiu-lhe ser opção para lateral, central ou trinco e pretendia-se que conseguisse impôr-se em pelo menos um deles, mas não convenceu em nenhum e obrigou a que o clube procurasse novas opções em Dezembro para tapar os buracos (Lionn, Miguel Ângelo e Delson, respectivamente). Para médio defensivo, onde mais apareceu, até tem a robustez física necessária para o efeito, mas esta época faltou-lhe intensidade e eficácia - enfim, impôr personalidade num sector sempre macio, muito macio. A atacar, as suas lacunas no passe e na construção de jogo em geral já são bastante conhecidas.

Evidentemente que não foi o único culpado para os problemas defensivos da equipa, mas a sua ineficácia, inexperiência e mesmo a condição de emprestado do FC Porto fazem de Tengarrinha uma figura emblemática do que houve a criticar no Olhanense em 09/10. Ainda tem muito tempo para reafirmar a sua imagem, mas depois do Algarve e de também na Amadora não ter impressionado, que fazer a seguir?


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