ForaDeJogo.net - Nacional 2008/2009


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Clube Desportivo Nacional
Nome: Nacional
Associação: AF Madeira
Cidade: Funchal
Estádio: Engenheiro Rui Alves
Ano de fundação: 1910
Sede: Rua Do Esmeraldo, 46
9000-051 - Funchal
Web: www.cdnacional.pt
Plantel 2008/2009
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Treinadores
T Manuel Machado
Staff
José Augusto(ADJ), Jokanovic(OBS)
Entradas
Mateus (24)Boavista (I)
Rúben Micael (21)União Madeira (II B)
Maicon (19)Cabofriense   (I E)
Luís Alberto (24)Cruzeiro   (A)
João Aurélio (19)Penalva do Castelo (II B)
Miguel Fidalgo (26)União Madeira (II B)
Nuno Pinto (21)Trofense (II)
Leandro Salino (23)Ipatinga   (A)
Nenê (24)Ipatinga   (A)
Rafael Bastos (23)Belenenses (I)
Marco Airosa (23)Fátima (II)
Douglas (22)Pombal (III)
Cop (18)Nacional (JUN)
Juliano (22)CRAC (GO)   (I E)
Brcic (20)NK Maksimir   (II B)
Liga Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Rafael Bracali2Patacas6Cléber Monteiro19Fabiano
12Douglas17João Aurélio8Bruno Amaro9Cop
24Jovisic22Marco Airosa14Rúben Micael16Miguel Fidalgo
  5Alonso26Edson Sitta18Nenê
  49Igor Pita30Leandro Salino20Mateus
  55Nuno Pinto43Luís Alberto  
  3Felipe Lopes7Juliano  
  32Halliche10Rafael Bastos  
  33Maicon23Juninho  
    27Brcic  
Pérola do AtlânticoJorge Carneiro

Aplausos para os alvi-negros: o Nacional continua a viver o período mais dourado da sua história, continuando a bater o seu record de permanência no primeiro escalão ano após ano e, mais que isso, a ter um tal sucesso interno que lhe permite regularmente participar nas competições europeias. Notável para um clube que há 10 anos atrás se encontrava a competir na 2ª divisão B e que anteriormente apenas tinha conseguido permanecer durante três épocas no escalão maior, entre 1989 e 1991. E depois há ainda a pequena questão regional para decidir qual o principal emblema da Madeira, sendo que a notória preferência do Governo Regional pelo arqui-rival Marítimo tem vindo, de alguns anos a esta parte, a ser sucessivamente frustrada pelos resultados e exibições superiores do Nacional. É verdade que o clube de Rui Alves ainda não conseguiu somar qualquer trofeu e nem sequer disputou uma única final, mas essas são agora simples metas no seu crescimento e parece ser apenas uma questão de tempo e maturaridade até que tal venha a acontecer. Para já fica o registo da melhor temporada de sempre na primeira divisão, conquistando 52 pontos em 30 rondas.

Mal grado o relativamente curto número de épocas disputadas é discutível se esta terá sido a melhor equipa de sempre do Nacional. Antes desta ainda existiram elencos mais espectaculares, como o que juntava Hilário, Rossato, Paulo Assunção, Gouveia e Adriano; ou mais tarde Miguelito, Goulart, Chaínho, Bruno, André Pinto e Spadaccio. Mas se foi seguramente \"apenas\" uma das melhores, foi pelo menos com certeza a que apresentou o plantel mais equilibrado e com maior número de soluções. Basta ver que no banco estiveram pesos pesados como o médio Bruno Amaro, o promissor Nuno Pinto e o goleador Miguel Fidalgo; valores não tão destacados quanto por exemplo o rival mais mediatizado do Sp.Braga, mas que à excepção da baliza permitiriam montar facilmente um onze com qualidade suficiente para competir na primeira liga. Isto para além de um onze titular fortíssimo e sem pontos fracos identificáveis: Bracalli, Patacas, Maicon e Felipe Lopes, Alonso; Cléber Monteiro, Salino e Luís Alberto, Ruben Micael; Mateus e Nené. Nem todos jogadores fora de série, mas todos sem excepção rigorosos e totalmente eficazes nas suas funções. Quando a estes se junta ainda um treinador que claramente sabe o que faz, como é o caso de Manuel Machado, ficam reúnidas todas as condições para épocas de sucesso.

Beneficiando de um calendário acessível, os alvi-negros abriram a participação na liga muito fortes e somando três vitórias em três jogos, encantando Portugal com o seu bom futebol de ataque. Mesmo sem um fio de jogo consistente, as arrancadas de Alonso e Patacas nas alas, combinadas com o apoio musculado de Cléber Monteiro e de Luiz Alberto ao centro criavam lances de perigo em número suficiente para um Nené a despontar enquanto goleador de topo. À 9ª jornada o Nacional era 3º classificado a curtos 5 pontos do líder Leixões, à frente de grandes como Sporting e Fc Porto. Mas os confrontos com os principais concorrentes viriam apenas quase no final da primeira volta, com os encontros frente ao Braga e aos três grandes a surgirem todos entre a 10ª e a 15ª jornadas; uma sequência terrível e apenas intermediados pelos mais acessíveis Belenenses e Paços de Ferreira. Mas mesmo nos grandes confrontos a performance dos nacionalistas não deixou nada a desejar: empates frente a Benfica e Sporting, e um quase empate frente ao FC Porto num desafio durante o qual os madeirenses foram muito superiores e onde baquearam nos minutos finais graças a uma falha ridicula e estranha de Felipe Lopes.

Com esta série de resultados e ao mesmo tempo que se mantinha em prova na Taça de Portugal, o Nacional dobrava o campeonato na 5ª posição com 25 pontos, contrabalançando o 3º melhor ataque com uma das piores defesas. Manuel Machado tentara em vão encontrar soluções para as fragilidades na rectaguarda, sacrificando um dos homens da frente para juntar mais um elemento ao centro da defesa. Não que Maicon e Felipe Lopes estivessem ista assinar prestações infelizes (em especial o primeiro, um portento de serenidade e potência física; uma das revelações da Liga); mas acusavam um pouco a sua juventude e inexperiência, e o meio campo apresentava dois elementos em constante sub-rendimento que poderia facilmente dispensar (Edson Sitta e Rafael Bastos) para dar uma ajuda na rectaguarda e libertar mais os laterais para as suas subidas venenosas. Felizmente o aparecimento gradual de Ruben Micael e o regresso de Leandro Salino à Madeira foram soluções para as posições mais carenciadas e permitiram que, com algumas modificações ao modelo de jogo, Manuel Machado colocasse o Nacional na formação que imaginara originalmente.

A segunda volta não teve grande história. Movidos pela geometria de Ruben Micael, a potência de Salino e os golos de Nené, foi com maior consistência que nunca que os alvi-negros somaram resultados positivos ronda após ronda, tendo conseguido reconquistar o 4º lugar ao poderoso Braga antes de entrar na sequência de finais consecutivas. Série essa que se inciou precisamente contra o clube da cidade dos arcebispos, tendo o Nacional defendido o empate com unhas, dentes e Bracalli. Seguiu-se a vitória da praxe frente ao Belenenses e mais uma, decisiva, frente ao Benfica; mas na jornada seguinte os madeirenses viram-se incapazes de resistir aos futuros Tetracampeões, claramente superiores dentro de campo. Ao mesmo tempo o Braga goleava facilmente o Belenenses e apanhava os alvi-negros na classificação, beneficiando do confronto directo para passar à frente. 29ª jornada e nova inversão de posições; luta ao rubro: Benfica esmagava o Braga beneficiando de exibição infeliz de Eduardo, o Nacional vingava-se do afastamento da final da Taça vencendo o Paços. As decisões estavam adiadas para a última jornada, com ambos os concorrentes a defrontarem oponentes de respeito: o Nacional o Sporting; o Braga o FC Porto. Apenas a vitória interessava aos arsenalistas; mas estes não foram além de um empate, o que tornou a derrota do Nacional em Alvalade indiferente para as contas finais.

Contas feitas mesmo com a ligeira quebra final na qualidade das exibições o Nacional somou mais 2 pontos na segunda volta; mais uma vitória (7 vs 8); mais um golo marcado (24 vs 23); e melhorou muito em termos de golos sofridos (13 vs 19), dando razão às alterações introduzidas por Manuel Machado. Atingiu uma vez mais a UEFA, colocando a Madeira no mapa Europeu com uma frequência que o rival Marítimo nunca conseguira anteriormente. E continua a crescer, a sedimentar os seus processos e estruturas, a ganhar nome e tradições no escalão maior.

Infelizmente para manter a forte aposta nos principais mercados Brasileiros e em jogadores já com algum renome no respectivo campeonato nacional, será necessário a Rui Alves desmembrar a quase totalidade da equipa a fim de realizar um encaixe financeiro. As próprias ambições dos atletas dificilmente permitiria que muitos destes permanecessem na Madeira, dado que até atletas que não corresponderam totalmente às expectativas geradas, como Felipe Lopes e Luís Alberto têm um extenso rol de clubes interessados e a acenar com propostas. A manter-se esta evolução virá o dia em que o Nacional não necessitará de vender jogadores para equilibrar contas e ambições, mas não será já este ano...

Momento: 27ª jornada - Nacional 3 vs 1 Benfica

Com um mísero ponto de vantagem no 4º lugar sobre o Braga e com o organizador Ruben Micael a apresentar sinais de esgotamento físico, a visita do Benfica à Madeira vinha em altura muito complicada, com qualquer deslize a afigurar-se crítico. Outro ponto de interesse seria o duelo de goleadores entre um Cardozo em crescendo e o líder Nené, ambos em boa forma e à procura de deixar a sua marca.

Manuel Machado arriscara ao deixar o centro da defesa em igualdade numérica para fazer frente à dupla ofensiva do Benfica e o mesmo fizera Quique em relação ao ataque do Nacional; e assim com ambas as equipas a assumirem poucas preocupações defensivas o jogo foi-se desenrolando a bom ritmo e com bons pormenores. Surpreendentemente, mesmo sendo destacadamente os sectores mais jovens e inexperientes de ambos os lados, seriam as duplas de centrais a evidenciarem-se pelas boas prestações, negando qualquer espaço aos oponentes e obrigando Nené e Cardozo a procurarem aberturas fora da área para poderem alvejar a baliza. Depois, era a vez de Quim e Bracalli esgrimirem os seus galões e ajudarem também eles a manter o nulo, ambos a mostrarem grande qualidade sempre que chamados a intervir. Ao intervalo o 0-0 era um resultado enganador mas que premiava o bom trabalho dos homens mais recuados; Maicon e Miguel Vitor eram até ver as grandes figuras da noite.

A toada de jogo na primeira parte permitia adivinhar que se o ritmo se mantivesse e, uma vez desencravado o marcador, a noite poderia vir a proporcionar número elevado de tentos. A segunda parte não desiludiu, iniciando-se com mais bom futebol e lances de perigo para cada lado. O Benfica procurava cada vez mais explorar as alas por força do trabalho dos laterais e de Reyes; o Nacional obrigava-se organizar jogo aproveitando o muito espaço entre linhas encarnadas, concedido pela noite menos acertada de Katso. Mesmo diminuido, Ruben Micael ia aproveitando para aparecer esporadicamente em jogo.

Aos 56 minutos, golpe profundo no emblema da águia: Luiz Alberto controla bem o meio campo; Ruben Micael aproveita a (mais uma vez) ténue pressão de Katso para descobrir Alonso, e o cruzamento largo e tenso deste encontra Nené desmarcado à entrada da pequena área, pronto a cabecear sem hipóteses para Quim. Letal, frio, eficaz; vantagem no duelo com o infeliz Cardozo, que se fartara de dar trabalho a Bracalli. Sidnei ficava mal, muito mal na avaliação do lance. Katso também, e com essa falha sentenciava a sua noite ao ser substituido no imediato por Di Maria.

O Benfica agitou-se, procurou reagir no imediato ao resultado; mas o KO veio no golpe seguinte. Com mais liberdade que nunca, Ruben Micael tem espaço para avançar até perto da área encarnada e num remate colocadíssimo assina o 2-0 e mata a parcas aspirações do Benfica à Liga dos Campeões. 8 minutos depois do primeiro golo; novamente sem qualquer hipótese para Quim.

Não houve tempo para festejar: 4 minutos depois, lance confuso na área do Nacional, toque de calcanhar de Ruben Amorim a isolar Reyes, e o espanhol prova com toda a classe e precisão que Bracalli não é sobre-humano. Benfica de volta ao jogo... mas por pouco tempo. David Luiz acerta na trave aos 73, e de seguida Quique amputa a equipa do seu organizador de jogo e o único elemento clarividente do meio-campo para apostar tudo num eventual lance aéreo: Carlos Martins sai para entrar Yebda. O Benfica morre de vez ao minuto 80; o franco-argelino entra pessimamente no jogo. O Nacional substitui jogadores para as ovações.

Já em tempo de descontos João Aurélio aproveita a passividade gritante de David Luiz para correr toda a ala direita e cruzar rasteiro para o lado oposto. Fabiano Oliveira arrasta a defesa mas não chega à bola; só que Miguel Fidalgo, há um minuto em campo, está ao segundo poste para fuzilar o uma vez mais desamparado Quim. Fim do jogo; e este resultado quando conjugado com o empate do Braga em Vila do Conde significa que o Nacional passa a somar 3 pontos de vantagem sobre os arsenalistas, para tentar manter durante 3 jornadas. É o 4º lugar quase garantido.

A estrela: Nené

Chegou a Portugal na digressão que o Cruzeiro de Belo Horizonte promoveu para tentar colocar algumas das suas segundas escolhas no continente Europeu, tendo marcado em todos os jogos particulares que realizou mas nem por isso convencido alguns dos emblemas que o observaram. O Nacional viu nele as capacidades para dotar a equipa de um novo ponta de lança de referência que materializasse o bom futebol ofensivo que os restantes jogadores produziam, como anteriormente o haviam feito Adriano e André Pinto; e ofereceu-lhe um contrato a título definitivo por um período de duas épocas para provar capacidades. Não podia ter sido uma decisão mais acertada: rendeu 20 golos para o campeonato, 4 para a Taça de Portugal, 1 para a Carlsberg; rendeu golos de pé direito, golos de pé esquerdo, golos de cabeça, golos de fora da área, golos de livre directo, golos, golos, golos. É um ponta de lança tremendamente completo a todos os níveis - excepto talvez no drible, o que ajudaria a explicar o seu percurso discreto no Brasil - e com qualidade para jogar em quase qualquer equipa do mundo, capaz de concretizar o jogo criado pelos companheiros mas sem depender destes para continuar a marcar. Aproveita espaços concedidos, desmarca-se bem e suporta com facilidade e agilidade cargas e pressões; e quando estes espaços rareiam sabe fugir para fora da área a fim de abrir clareiras a aproveitar pelos colegas e de encontrar pontos de tiro à baliza. Além de tudo isso, evidentemente, é também letal a surgir na área e rapidissimo a concretizar oportunidades; e tem ainda como trunfo o brutal poder de impulsão com que faz . Formou com Mateus uma dupla diabólica, combinando a sua frieza e eficácia com a mobilidade desconcertante do Angolano; e fosse este último menos perdulário a pontuação do Nacional poderia ter sido ainda mais impressionante, tantas as oportuniades desperdiçadas.

Estreou-se a marcar à 3ª jornada num tento oportuno frente ao Vitória de Guimarães, apenas o primeiro capítulo numa saga de lances memoráveis. Contas feitas, Nené rendeu:

  • 6 golos de pé direito, dentro de área;
  • 2 golos de pé esquerdo, dentro de área;
  • 7 golos de cabeça;
  • 2 golos em remates de fora da área;
  • 1 penalty;
  • 2 golos de livre directo.
  • Com 25 anos de idade e fisicamente a atravessar as melhores épocas da sua carreira, o título de melhor marcador e o manancial de soluções e capacidades revelados tornaram impossível a sua permanência no Nacional e em Portugal. Resta apenas agradecer a Nené pelo seu bom trabalho, pelos momentos inesquecíveis proporcionados e pelo avultado encaixe financeiro que o seu passe permitiu; e desejar-lhe boa sorte para o desafio que o Cagliari lhe colocou.

    Revelação: Ruben Micael

    Afirmar que existem mais valores nos escalões inferiores do que no mercado Brasileiro é um tanto ao quanto optimista e, provavelmente, uma mentira. Mas dizer que um atleta contratado nas divisões inferiores tem mais probabilidades de se adaptar às divisões profissionais Portuguesas do que um recrutado no segundo ou terceiro escalão Brasileiro já não, e Ruben Micael é mais um bom exemplo. Nascido na Madeira e futebolisticamente formado no União local, pelo qual se estrou na divisão de Honra com meros 17 anos, chegou ao Nacional pela porta pequena, vindo da 2ªB ainda jovem para ocupar o papel de alternativa para uma posição que à partida estaria reservada para Rafael Bastos, a grande contratação da temporada. As pálidas exibições protagonizadas por este viriam a redundar na dispensa de regresso ao Brasil e a originar uma mini competição dentro do plantel pelo lugar deixado vago. Edson Sitta, Juninho e Juliano foram testados no mesmo papel sem sucesso, mas Ruben Micael - que então apenas uma tímida opção para entrar no decorrer do desafio - começou a alcançar alguma notoriedade, mesmo alinhando numa posição um pouco mais recuada. Aos poucos Manuel Machado e os próprios companheiros começaram a entregar o controle do jogo ao dinâmico número 14, cada vez mais impressionados pela organização que este conseguia imprimir na equipa e pela precisão com que soltava a bola, sempre jogando rápida e cirurgicamente. Daí até começarem a sugir também os golos foi apenas um curto espaço de tempo: logo após o primeiro grande jogo, frente ao futuro tetracampeão FC Porto, marcou à 14ª jornada no confronto com o Paços de Ferreira. Voltaria a fazê-lo por mais três vezes, frente a Naval, Guimarães e Benfica; com a particularidade dos alvi-negros terem vencido todos os jogos em que facturou. Com o acumular de minutos nas pernas viria a somar cada vez maior classe e clarividência nas suas acções, multiplicando passes de ruptura e assistências para o super-goleador Nené; mas talvez por se encontrar pouco habituado ao ritmo de liga profissional começou a evidenciar também alguma fadiga e uma menor intensidade de jogo, que se viriam a intensificar até final do campeonato. Terminou a época em baixa, mas pelo anonimato com que começou mesmo assim é provavelmente o jogador do Nacional que maior valorização alcançou em 08/09.

    Infelizmente é bastante provável que Ruben Micael seja transferido por Rui Alves já durante este Verão, uma vez que o presidente desejará rentabilizar a boa época e a juventude do jogador enquanto este procurará um campeonato e um ordenado mais ambiciosos. Todavia o futebol do centrocampista madeirense não se encontra ainda devidamente maturado, pelo que uma eventual transferência para outra liga poderia ter, a médio prazo, efeitos nefastos na evolução da sua carreira e das suas capacidades. Rubén Micael teria certamente muito a ganhar com uma segunda época no Nacional a fim de aprimorar qualidades e acumular experiência ao mais alto nível lusitano... caso contrário, arrisca-se a desaparecer numa qualquer Roménia, Bulgária ou Chipre, mais um talento pouco trabalhado escondido e perdido em troca de um bom salário.

    Desilusão: Rafael Bastos

    Chegou a Portugal em 07/08 emprestado pelo Bahia ao Belenenses de Jorge Jesus e passara uma temporada semi-discreta, sendo titular na segunda equipa que disputava as Taças internas, e uma opção de segunda ou terceira linha para entrar em campo em jogos para o campeonato. Alguns observadores elogiavam a sua velocidade e drible acutilante, considerando-o um talento bruto a ser lapidado e explicando a sua ausência das primeiras opções pelo facto de disputar a mesma posição em campo que os mais renomados Silas e Zé Pedro. Mesmo assim apareceu em grande força na recta final da temporada, sendo titular numa posição ligeiramente mais descaída para a direita nas últimas 5 jornadas e acabando por se revelar como uma lufada de ar fresco e de entusiasmo numa equipa cansada.

    O seu último sprint exibicional viria a convencer o Belenenses a inverter a dispensa anunciada e a conceder-lhe uma nova oportunidade novamente por empréstimo, mas surpreendentemente o Bahia desta vez não se mostrou disponível para renovar o negócio - alegavam os dirigentes que Rafael Bastos alcançara forte valorização em Portugal e que face a isso o clube apenas se encontrava disponível para negociar uma transferência a título definitivo. Poucos dias depois veio a justificação do estranho comportamento: as previligeadas relações de Rui Alves com o Cruzeiro permitiram-lhe reservar o passe para o seu Nacional da Madeira e fazer do jogador o substituto para Juliano Spadaccio... pelo inesperado e inflaccionado valor de 300 mil euros.

    Numa altura em que Nené, Maicon, e Ruben Micael eram ainda valores desconhecidos, Rafael Bastos entrou assim em 08/09 com o estatuto de estrela da companhia, a camisola 10 dos alvi-negros e sem nenhum concorrente directo credível para o lugar em questão. Via verde para um regresso triunfal a terreas Lusas, mas que no entanto não chegou a acontecer: se a pré-temporada discreta não impediu uma entrada a titular para o campeonato, as exibições dentro do rectângulo de jogo estiveram longe, muito longe de fazer esquecer as que Juliano Spadaccio protagonizava. Independentemente de possuir capacidades técnicas acima da média Rafael Bastos não possui a leitura de jogo ou a cultura táctica que lhe permitam gizar lances de ataque com mestria, e assim quando colocado numa posição central limita-se a agitar as defesas contrárias através de raides muitas vezes inconsequentes. Assim, com o seu 10 em campo o Nacional mostrou-se uma equipa partida e sem ninguém ao comando do conjunto, com os seus elementos a imprimirem o seu próprio ritmo e estilo em cada lance.

    Ao fim de 7 jogos incompletos em que frequentemente foi o primeiro sacrificado por manifesta ineficácia exibicional começaram a circular noticias de incompatibilidades com o técnico Manuel Machado. Os rumores foram a gota de água que faltava para esgotar a paciência do presidente, que se rendeu às evidências: Bastos não valia nem o avultado investimento, nem o chorudo ordenado que auferia. Daí até à dispensa do plantel foi um par de dias, regressando o jogador até ao Brasil para representar o Esporte Bahía; mas nem aí conseguiu ser feliz, não agarrando um lugar no onze e terminando novamente dispensado. Como curiosidade, refira-se que (ainda) não marcou um único golo na sua passagem por Portugal, nem somou minutos suficientes para prefazer meia temporada...


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