ForaDeJogo.net - Nacional 2010/2011


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Clube Desportivo Nacional
Nome: Nacional
Associação: AF Madeira
Cidade: Funchal
Estádio: Engenheiro Rui Alves
Ano de fundação: 1910
Sede: Rua Do Esmeraldo, 46
9000-051 - Funchal
Web: www.cdnacional.pt
Plantel 2010/2011
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Treinadores
T Ivo Vieira
Jokanovic
Staff
Ivo Vieira(ADJ), João Abel(PF)
Entradas
Danielson (29)Paços de Ferreira (I)
Bruno Amaro (27)Académica (I)
Claudemir (25)América RJ   (D)
Skolnik (21)Maribor   (I)
Orlando Sá (22)FC Porto (I)
Mihelic (21)Maribor   (I)
Márcio Madeira (24)Juventude Évora (III)
Stojanovic (25)Zrinjski Mostar   (I)
Juninho (27)EC Bahia   (B)
Ricardo Fernandes (18)Nacional (JUN)
Vladan (20)Sutjeska   (I)
Bodul (21)Ajax   (I)
Arthur Henrique (23)Grêmio Barueri   (A)
Liga ZON Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Rafael Bracali2Patacas6Todorovic31Edgar Costa
12Vladan22Claudemir66Ricardo Fernandes11Márcio Madeira
50Elisson5Stojanovic88Luís Alberto20Mateus
  23João Aurélio7Mihelic9Orlando Sá
  32Arthur Henrique8Skolnik18Pedro Oldoni
  55Nuno Pinto13Bruno Amaro19Anselmo
  3Felipe Lopes10Thiago Gentil14Bodul
  33Danielson29Diego Barcelos  
  34Alex Bruno37Pecnik  
  44Tomasevic83Juninho  
Dos Balcãs à EuropaJorge Carneiro

28 golos marcados numa época é um apontamento digno de uma equipa a lutar pela manutenção. Representa, por exemplo, apenas 5 golos a mais do que marcou o artilheiro do campeonato, o incrível Hulk, e é um registo apenas negativamente batido por U.Leiria, Olhanense e Naval, esta última despromovida. 31 golos sofridos numa época, por outro lado, é um valor a roçar o brilhante, perfeitamente legítimo para uma equipa que procura atingir as competições europeias - ainda mais quando apenas o campeão FC Porto o consegue bater, ainda que por uns largos 15 golos de diferença. Em que resultam a soma destes dois valores? Na prática numa equipa que terminou o campeonato na 6ª posição e que assim se qualificou para as competições europeias, e que portanto cumpriu totalmente com os seus objectivos. Também ilustram um conjunto que para o campeonato somente por duas ocasiões conseguiu vencer por uma margem de dois golos: a primeira vez foi à 7ª jornada, frente ao pior Portimonense da temporada, e a última no jogo que fechou a época contra um Beira-Mar já exausto e desmotivado. Dito de outra forma, resultam numa equipa que violou a sua própria imagem de criatividade e bom futebol.

A cada Verão que passa intensifica-se a aposta no mercado da Europa Central, reduzindo a contratação de Brasileiros e continuando quase que a esquecer os Portugueses. Só este ano chegaram Stojanovic, Mihelic, Giljen e Skolnik, todos jovens figuras emergentes nos respectivos países, apresentando números que não deixam margem para dúvidas acerca da respectiva capacidade. Junte-se as permanências de Tomasevic, Todorovic e do "Europeu" Pecnik, e ainda a chegada em Janeiro de Bodul. A curiosa soma de todas estas partes das Balcãs é que apenas Skolnik se fixou efectivamente no onze, mas todo o futebol alvi-negro parece ter sido geladamente afectado pela sua eficácia e entrajuda, com muitos reflexos no seu modelo de jogo.

Como jogou então o Nacional? Com garra. Com um guarda-redes ouro e uma defesa luso-brasileira de aço. Com um meio-campo coeso e alas que muito suavam para fechar os caminhos para a sua baliza, mas que rapidamente se juntavam aos colegas da frente a fim de que estes nunca estivessem verdadeiramente sozinhos. Com golos essencialmente através lances de bola parada, um ou outro de contra-ataque ou falha defensiva e quase nenhum de ataque organizado. Com muita entreajuda e pouca criatividade, muita eficácia e pouco espectáculo, contra todos os pergaminhos que o clube ostenta. Com frieza e cinismo, e sem espetáculo.

Uma vez mais nada disto importa perante os resultados. O Nacional andou sempre pela metade superior da tabela e chegou à Europa, ainda que para isso tenha de ter prescindido do emblemático (e temperamental) técnico Jokanovic quando a equipa parecia entrar numa espiral descendente. Para o seu lugar entrou Ivo Vieira, antigo colega de balneário no clube do Sérvio e à altura treinador dos júniores; que rapidamente conseguiu injectar a moral necessária nos atletas e levar o Nacional de volta até à 5ª posição, terminando então no 6º lugar europeu. Será esta eficácia cinica e esta aposta no gélido mercado do Leste para manter no próximo ano, agora que Jokanovic já não está ao leme?

O momento: 25ª jornada - Nacional 1 - 0 Paços de Ferreira

Já com a liga a aproximar-se do seu final as duas equipas encontravam-se no terreno dos insulares num jogo extremamente perigoso para a equipa Madeirense. Se é verdade que quem tinha a ligeira vantagem pontual era os Paços, já estacionado na 6ª posição com mais dois pontos que o adversário, esta vantagem nada significava pois os nortenhos tinham-se abstido de se se inscreverem nas provas da UEFA. Se por um lado isto significava que o 7º lugar do Nacional já dava acesso a um passeio pela Europa, por outro significava também que apenas os madeirenses estavam sob pressão, especialmente porque a perigosa União de Leiria se encontrava a apenas um ponto de distância e qualquer distracção poderia ser assim perigosa. Na cabeça de todos estava ainda a recente vitória do Paços para a Taça da Liga por 4-3.

A entrada do Paços em jogo foi intensa, com Rondon e o seu meio campo ofensivo a conseguirem abrir brechas na sempre sólida retaguarda insular. À velocidade e fantasia dos pacenses respondiam os alvi-negros com um colete de forças que se foi apertando com o passar dos minutos, sendo o preço a pagar a ausência de iniciativas atacantes. Assim durante toda a primeira parte o Nacional absteve-se de incomodar Cássio, enquanto os castores por outro lado iam ajudando Rafael Bracalli a ganhar o prémio de melhor em campo. O segundo tempo viu as entradas dos mais ofensivos e ambiciosos Anselmo e Edgar Costa, e finalmente trouxe um golo iminente para os madeirenses, com Cássio finalmente a ter de exibir qualidades aos 47’. Todavia continuavam a ser os pacenses a superiorizarem-se no relvado e a praticarem o melhor futebol, reforçando o estatuto de europeus injustiçados e obrigando os adversários a demonstrarem toda a sua coesão e capacidade de sofrimento para segurarem o marcador. A recompensa viria mesmo no final: saída disparatada e mal resolvida de Cássio aos 84’, sobra para Edgar Costa e finalização com pés e cabeça.

Seguiu-se a euforia nas bancadas por mais um jogo resolvido através de muito rigor e entreajuda defensiva complementados por um enorme erro adversário, que dava a Ivo Vieira a sua primeira vitória enquanto treinador principal e que, em conjugação com a derrota da U.Leiria em casa, aumentava a margem para os principais adversários para 3 pontos, desta feita o Marítimo.

A figura: Bracalli, o S. Rafael do Funchal

Há três temporadas e meia que não falha um único minuto no campeonato, e assim já soma 104 jogos e uns assombrosos 9360 minutos consecutivos. Dá uma ideia bastante precisa da importância do guarda-redes brasileiro que foi recrutado em 2006 ao secundário Paulista, na altura para dar alguma luta ao jovem Benaglio, a quem há muito fez esquecer e suplantou em exibições e mesmo em carinho dos adeptos. Ao longo destes anos tem vindo a evoluir e a aprimorar capacidades: se a princípio Bracalli era “apenas” um guarda redes de agilidade e reflexos fora do normal, actualmente melhorou muito em aspectos que dantes não dominava tanto, especialmente ao nível das saídas de entre os postes. Também adoptou uma postura de liderança que em nada o prejudica, e que ajudou de sobremaneira o trabalho dos compatriotas Danielson e Felipe Lopes à sua frente para alcançarem a marca de segunda melhor defesa do campeonato. E com tantas vitórias pela margem mínima e empates conseguidos pelo Nacional este ano torna-se quase impossível contabilizar exactamente quantos pontos rendeu o contributo directo do guardião.

Terminou contrato com o Nacional e diz-se que se encontra a caminho de um grande, provavelmente o Braga para suceder ao compatriota Artur Moraes. Com 30 anos ainda está longe do declínio físico e encontra-se no ponto de maturidade exacto para assumir o maior desafio da carreira. Quem o acolher fará uma óptima escolha, e quem lhe suceder na baliza alvi-negra terá um pesado manto para suportar.

A revelação: Claudemir, sangue novo na lateral

Merece totalmente o destaque por ter conseguido roubar o lugar a um baluarte de qualidade e liderança como Patacas. Ao longo dos anos passaram pelo Eng. Rui Alves diversos candidatos a ocupar o lugar do capitão, mas todos tinham até então acabado devorados pela eficácia do emblemático lateral ou pela sua própria incompetência. Mas Claudemir não é o típico lateral brasileiro exuberante; pelo contrário, apresenta-se sempre muito sóbrio e concentrado no relvado, privilegiando a segurança defensiva em detrimento de correrias para a frente. Também é verdade que não é um atleta muito rápido, mas compensa a dificuldade em correr através de um óptimo posicionamento a defender e de uma invulgar inteligência e precisão no passe a atacar. E finalmente há ainda o talento bruto nas bolas paradas, que renderam assistências e 4 golos ao Nacional - partilha o posto de melhor marcado da equipa com o avançado Diego Barcellos.

Menção honrosa ainda para Márcio Madeira, que apesar de praticamente não ter sido utilizado toda a temporada (somou 90 minutos em todas as competições) conseguiu demonstrar talento e resultados dentro de campo, entre golos (vs Gil Vicente, Taça da Liga) e assistências (Rio Ave e Vit.Setúbal) .

Desilusão: Bodul, falso messias

Orlando Sá foi o nome mais mediático que não correspondeu às expectativas e bem que poderia ter exibido outra produtividade, mas tem a atenuante de ter sofrido diversos problemas físicos e actuado num esquema táctico que em nada o beneficia. Já Bodul é o reflexo de uma aposta num mercado dos Balcãs que - influências no modelo de jogo à parte - tarda em dar retorno individual significativo. Chegou com características idênticas a outros compatriotas seus: muito jovem, com qualidades em bruto e algum renome internacional, pelo menos ao nível das camadas jovens. A seu favor Bodul em particular trazia ainda o certificado de qualidade das escolas do Ajax e muito boa publicidade feita pelo presidente Rui Alves, mas em compensação carregava aos ombros com a esperança de terminar com o incrivelmente fraco pecúlio ofensivo do ataque insular. Na prática teve algumas oportunidades quando chegou, às quais não conseguiu corresponder nem de perto nem de longe, fosse por falta de ritmo ou de qualidade. Totalizou 113 minutos, zero golos, e um total desaparecimento das opções da equipa técnica mal Jokanovic abandonou o seu comando.


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