ForaDeJogo.net - Sp. Braga 2008/2009


Nome:
Pass:
Registo Recuperar
.



Sporting Clube de Braga
Nome: Sp. Braga
Associação: AF Braga
Cidade: Braga
Estádio: Estádio AXA
Ano de fundação: 1921
Sede: Estádio Municipal De Braga
Apartado 12
4711-909
Web: www.scbraga.pt
Plantel 2008/2009
<<   >>
Treinadores
T Jorge Jesus
Staff
Miguel Quaresma(ADJ), Jorge Vital(GR)
Entradas
Alan (28)Vitória Guimarães (I)
Evaldo (26)Marítimo (I)
Eduardo (25)Vitória Setúbal (I)
Meyong (27)Belenenses (I)
Paulo César (28)U. Leiria (I)
Márcio Mossoró (24)Marítimo (I)
Luís Aguiar (22)Académica (I)
Renteria (22)Strasbourg   (I)
Moisés (28)Boavista (I)
Filipe Oliveira (24)Leixões (I)
André Leone (29)Vila Nova   (B)
Orlando Sá (20)Maria da Fonte (II B)
Mário Felgueiras (21)Portimonense (II)
Edimar (22)Ipatinga   (A)
Zé Manuel (17)Sp. Braga (JUN)
Dani Coelho (18)Sp. Braga (JUN)
Aníbal Capela (17)Sp. Braga (JUN)
Palmeira (18)Diogo Cão (JUN)
Nani (18)Sp. Braga (JUN)
Januário (17)Sp. Braga (JUN)
Liga Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Eduardo27Filipe Oliveira13Stélvio30Alan
24Mário Felgueiras35Dani Coelho23Andrés Madrid15Wender
31Kieszek47João Pereira8Bruno Tiago21César Peixoto
  6Evaldo88Vandinho39Zé Manuel
  66Edimar7Márcio Mossoró50Januário
  2Rodriguez10Jorginho99Matheus
  3Paulo Jorge22Luís Aguiar9Paulo César
  4Palmeira57Nani11Orlando Sá
  5Moisés  18Renteria
  17Frechaut  19Meyong
  42Aníbal Capela  29Linz
  44André Leone    
Dream Team BracarensePedro Gonçalves

A 33ª época consecutiva do Braga na 1ª divisão terminou com o clube na 7ª posição e a falhar o acesso directo às competições europeias, naquela que foi a pior época em termos desportivos das últimas cinco. Felizmente para o Braga, existia ainda a Taça Intertoto, na sua última edição, que poderia garantir o acesso à Taça UEFA, prestes a ser rebaptizada. Para a 34ª (apenas os 3 “grandes” estão na competição maior do nosso futebol há mais tempo), o Braga reforçou-se. Reforçou-se de uma forma tal que tivemos a treinar em Braga um dos melhores planteis (e apenas a previsível inconsistência das opções no centro da defesa impedirá de irmos mais longe), tanto em qualidade como sobretudo em quantidade (o habitual calcanhar de Aquiles das equipas “pequenas”), que qualquer equipa fora das duas maiores cidades portuguesas teve o privilégio de ter nos últimos 20 anos. Na baliza, havia Eduardo, regressado após excelente época em Setúbal. Como alternativas, Kieszek que tinha sido o guarda-redes titular do Braga no último terço da época anterior, e o jovem promissor Mário Felgueiras (campeão europeu de sub-17 com Miguel Veloso, João Moutinho, Manuel Fernandes, entre outros). Na defesa existia João Pereira para a direita com Filipe Oliveira, chegado do Leixões, como alternativa. Para a esquerda chegava Evaldo, titular no Marítimo que conquistara um lugar na Europa no ano anterior, o que permitiria a César Peixoto explorar a sua capacidade técnica em terrenos mais adiantados. Para o centro da defesa, a equipa dispunha do peruano Rodríguez (algo propenso a lesões), Moisés (vindo do Boavista), André Leone, experiente jogador brasileiro com muitos anos na primeira divisão do seu país e para completar, o capitão Paulo Jorge, titular nas épocas anteriores.

No entanto, era do meio campo para a frente que residiam, as maiores armas do Braga. Para posições mais de contenção havia Vandinho, um excelente box-to-box, o antigo internacional Frechaut, e Madrid (que viria a terminar a época como campeão pelo FC Porto), além de Stélvio, jovem lançado na época anterior.

Para posições mais criativas, a equipa tinha contratado Luís Aguiar, organizador de jogo de grande classe e Márcio Mossoró, rápido e tecnicista, que havia sido uma das principais figuras do Marítimo “europeu” na época transacta. Tinha ainda Jorginho, um jogador talhado para aproveitar os espaços abertos pela movimentação dos avançados e a quem nunca faltaram os golos, embora se possa dizer que os seus melhores dias já estarão para trás.

Para os flancos, mais jogadores de nome feito em Portugal: Alan, vindo de uma excelente época ao serviço do Vitória de Guimarães que culminou com a conquista de um lugar na pré-eliminatória da liga dos Campeões; César Peixoto, agora com maior liberdade para criar desequilíbrios desde a chegada de Evaldo, e Matheus, que tinha destacado no Vitória de Setúbal até ter saído para Braga na reabertura do mercado em Janeiro de 2008.

Por fim, para o centro do ataque tinha chegado o camaronês Meyong, crónico goleador na liga portuguesa, juntando-se ao austríaco Linz, que tinha marcado 11 golos para a liga e 5 para a Taça UEFA no ano anterior. A equipa tinha contratado ainda Paulo César, um avançado talhado para o contra-ataque que ia já para a sua 9ª época no principal escalão português, e como quarta opção existia ainda Orlando Sá, um jovem que viria a destacar esta época ao serviço da selecção Sub-21.Como se não bastasse, viria ainda a juntar-se-lhes o colombiano Wason Renteria, emprestado pelo FC Porto, que tinha feito 9 golos ao serviço do Strasbourg no ano anterior.

Com este plantel à disposição, exigia-se ao treinador Jorge Jesus, chegado de Belém onde tinha estado nas duas épocas anteriores, um lugar nas competições europeias, embora se pedisse obviamente algo mais, não tivesse já o Braga chegado à Europa nas 5 edições anteriores da liga e com menores recursos. A época começou com o Braga a dar cartas nas primeiras pré-eliminatórias da UEFA (incluamos a Taça Intertoto neste lote), eliminando adversários menos cotados, é certo, mas com grande clarividência e resultados expressivos (assim foi até à fase de grupos). Na liga, os resultados não eram os esperados, com vários pontos perdidos logo nas primeiras jornadas. O Braga, jogo após jogo, mantinha os adversários em sentido durante grande parte do desafio, mas revelava-se sempre perdulário na finalização. Neste aspecto, Renteria foi o expoente máximo. O colombiano ganhou a titularidade à 4ª jornada e logo se percebeu que iria ter enorme importância no jogo ofensivo da equipa. A capacidade que demonstrou em fugir à marcação da defesa recebendo a bola em boa posição já nas suas costas, fundamental para qualquer avançado, estava lá. Fazia-o com facilidade constrangedora para as defesas, pelas rápidas mudanças de direcção, pela sua agilidade de movimentos, pela sua criatividade, que não só abria espaço para si, como para os colegas finalizadores. Meyong na primeira volta, e Paulo César na 2ª foram os que melhor se aproveitaram desta sua capacidade, já que o próprio revelava bastantes limitações na finalização, que aliadas à sua irregularidade, ajudam a explicar o porquê de ainda não ter chegado mais longe.

Apesar do início tremido na liga, Jorge Jesus manteve-se fiel ao seu sistema de jogo (4-1-3-2) durante toda a época independentemente do adversário, embora em jogos contra adversários mais cotados, não fosse estranho aparecer Mossoró no ataque. Não sendo o brasileiro um jogador de área, víamos várias vezes Renteria sozinho, situação em que o colombiano claramente rendia menos. Aliás, o próprio Renteria é um avançado muito móvel e que ocasionalmente foge para os corredores, para longe da pequena área e para longe do papel de referência; nãoraras vezes o Braga viu-se sem qualquer jogador para onde direccionar o seu jogo. Na segunda metade da primeira volta, a equipa foi recuperando os lugares necessários após tão tremido começo através de uma fórmula que consistia em ganhar todos os jogos em casa, e pelo menos empatar fora (embora o Braga estivesse mais perto da vitória nesses empates). Entre a 5ª e 13ª jornadas, o Braga disputou 5 jogos em casa, nos quais conseguiu 5 vitórias, e 4 jogos fora, empatando-os. Esta série foi quebrada com duas derrotas difíceis de digerir contra FC Porto e Benfica. Estas derrotas levaram a equipa que se encontrava a 3 pontos do 2º, e 4 do líder a passar a estar a 7 e 8 pontos respectivamente. Não dizendo ainda a última palavra o Braga venceu o Paços e conquistou uma extraordinária vitória por 3-2 em Alvalade, mas começou a ditar o fim das suas aspirações a algo mais do que um lugar na Taça UEFA do próximo ano com a derrota em casa com o Leixões, e dois empates consecutivos contra adversários menos cotados pouco depois. Daí para a frente, e como nem o Nacional tinha equipa para mais do que a Europa, nem o Leixões para lá chegar, a luta resumiu-se ao confronto com o Nacional pelo 4º lugar, que até seria ganho pelos insulares.

Entretanto, na Taça UEFA, mas deste ano, uma goleada ao Portsmouth continuou a aumentar as expectativas na campanha da equipa na Europa, expectativas essas atenuadas após duas derrotas ao cair do pano com Wolfsburg e Milan, tendo o Braga jogado de igual para igual em ambos os desafios. Uma vitória no último jogo frente ao Heerenveen repôs justiça numa excelente campanha que merecia a presença na fase a eliminar. Eliminado o Standard Liège e conquistada a última edição da Taça Intertoto, o Braga empatou em Paris com o Paris-SG, mas não conseguiu o golo que daria o apuramento para os quartos-de-final, tendo esse sido conseguido pelos franceses numa falha de Eduardo que tão bem tinha estado esta época.

O Momento: 18ª Jornada - Braga 0 vs Leixões 1

Escolher o momento que mais marcou a época do Braga não é tarefa fácil. A nível da competição continental houve dois momentos positivos. A vitória sobre o Heerenveen que levou a equipa à fase a eliminar da competição, e a vitória na eliminatória frente ao Standard que garantiu ao Braga a vitória na Taça Intertoto. A nível interno, a irregularidade demonstrada ao longo da época, proporcionou vários momentos em que a uma vitória robusta do clube se seguia um jogo em que a equipa sentia dificuldades em marcar um golo que fosse. A vários desses jogos se pode apontar o dedo quando se pensa que o Braga poderia e deveria ter obtido uma classificação mais meritória, mas o mais importante desses momentos terá sido a derrota em casa frente ao Leixões. E porquê? Porque o Braga vinha de 2 vitórias consecutivas, uma delas em Alvalde por 3-2! Porque tinha vencido 4 dos últimos 6 jogos, em que apenas tinha perdido com Porto e Benfica em dois jogos polémicos. Porque por essa altura, o Braga começava finalmente a demonstrar no campo a valia que o seu plantel tinha no papel. Porque o adversário depois de um começo confiante, seguia numa má fase em que tinha vencido apenas um dos últimos 8 jogos (em casa frente ao último), e porque já agora, só voltou a vencer 2 meses e 7 jogos depois. Porque tendo dominado o jogo do início ao fim viria a pagar caro o seu desperdício perdendo com um “auto-golaço” de Frechaut. E por fim, porque após este jogo, a equipa ficou a 5 pontos do 4º e a 8 do 3º, atraso significativo.

Estrela: Eduardo

Após período de rodagem na 2ª divisão ao serviço da equipa B do clube, e duas experiências bem sucedidas no Beira-Mar (a nível pessoal) e Vitória de Setúbal (a nível pessoal e colectivo), Eduardo regressava a Braga. Depois de uma época extraordinária, que culminou com a conquista de um lugar na Europa para o Vitória, Eduardo estava pronto para defender as cores do seu “novo” clube.

Como principais armas, Eduardo apresentava um excelente posicionamento, segurança nas bolas aéreas, critério nas saídas, e uma agilidade significativa para um homem da sua estatura, e foram essas armas que permitiram um excelente começo de época. Foram necessárias 7 partidas, incluindo partidas europeias, até que alguém o conseguisse desfeitear. Foi Hélder Postiga, na vitória do Sporting por uma bola a zero. Em Outubro começaria nova série de jogos sem sofrer qualquer golo. Desta vez foi ao 6º jogo que sofreu o golo, num empate a um golo em Coimbra. E como se já não bastasse, após esse empate, o Braga esteve mais 6 jornadas consecutivas sem sofrer qualquer golo para a liga, tendo desta vez a série sido quebrada por David Luiz numa derrota na Luz em que Eduardo esteve ainda assim muito bem. O mesmo não se poderá dizer da recepção ao Benfica, em que Eduardo claramente esteve mal, tendo realizado aí a pior exibição da época. Pelo meio ia mantendo bons desempenhos na Europa, nomeadamente, frente ao Portsmouth, Heerenveen, Standard e na primeira-mão dos oitavos de final frente ao Paris-SG. Infelizmente, e como no melhor pano cai a nódoa, Eduardo falhou no lance do golo do Paris-SG que terminou a temporada europeia dos bracarenses.

Concluindo, a equipa do Braga terminou a época com a 3ª melhor defesa da liga (atrás de Porto e Sporting) apesar de massacrada por lesões que afectaram todos os seus defesas centrais, o que levou a que a equipa jogasse meia época com adaptações nesse sector, sem que qualquer deles tivesse chegado sequer aos 20 jogos disputados, e isto numa equipa que jogava claramente voltada para o ataque, apenas com um médio defensivo. Para completar a demonstração da sua importância na equipa, Eduardo falhou apenas uma partida para todas as competições. Nessa partida o Sporting de Braga foi eliminado da Carlsberg Cup pelo Rio Ave. Como prémio pelo seu trabalho, na sequência de uma goleada sofrida pela selecção nacional frente ao Brasil, Eduardo passava a defender também a baliza de Portugal onde não sofreu qualquer golo em 3 partidas.

Revelação: Orlando Sá

Atribuir o título de revelação numa equipa onde quase todo o plantel tinha já provas dadas não é fácil. Poder-se-ia atribui-lo a João Pereira caso se chamasse Evolução, pelo quanto tem melhorado aquele jogador voluntarioso na defesa e ataque, que joga agora de forma muito mais inteligente, tornando-o num dos jogadores mais importantes da equipa. De entre os jogadores desconhecidos do plantel (que em boa verdade eram poucos) quem mais se destacou foi o jovem avançado Orlando Sá.

Orlando Sá fora promovido dos escalões jovens do Sporting de Braga no ano anterior, tendo sido colocado a rodar no Maria da Fonte da 2ª divisão, onde começou a jogar enquanto suplente habitualmente utilizado, até ter ganho a titularidade na viragem do ano, tendo terminado a época com 6 golos, 5 dos quais já em 2008. Este ano previam-se poucas oportunidades num plantel tão vasto, mas após a saída de Linz, e a lesão que terminou a época de Meyong, começou a ter mais oportunidades, até à 24ª jornada, altura em que a sua época também terminou. Durante esse pequeno período, marcou por 2 vezes pelo clube: ao Vitoria de Setúbal e ao Estrela da Amadora e por mais 5 vezes, em 5 partidas disputadas pela selecção sub-21 (incluindo um hattrick à Espanha) e deixou no ar alguma esperança para o futuro de uma posição em que Portugal tem, tradicionalmente, problemas.

Desilusão: Roland Linz

O austríaco que esteve presente no EURO 2008 pela sua selecção vinha de 2 épocas em que tinha acumulado 20 golos para a primeira liga, 5 para a Taça UEFA e 1 para a Taça. Dele se esperava uma grande parceria com outro jogador habituado a marcar golos em Portugal, Meyong. E Linz até começou bem a (pré)época, marcando consecutivamente nas 2 mãos da eliminatória da Taça Intertoto frente aos turcos do Sivasspor, e também na primeira mão da eliminatória seguinte frente ao Zrinjski Mostar. A este jogo seguiu-se a goleada imposta ao Leixões para a Carlsberg Cup, em que Linz marcou mais um golo, e a este seguiram-se 6 jogos para o campeonato, mais 5 para outras competições, em que Linz acumulou 0 golos e vários pedidos e queixas para jogar mais tempo. Assim terminava a aventura em Portugal de um jogador que apesar de ter deixado muito boa impressão durante 2 anos, saía agora pela porta pequena na reabertura do mercado, após um jogo em que não saiu do banco, de onde viu o clube vencer o Rio Ave com um golo marcado pelo jogador que lhe roubou o lugar, Renteria.


Quem somos1 Contactos Agradecimentos Detectou um erro ou tem uma sugestão?
ForaDeJogo.net 2010