ForaDeJogo.net - Trofense 2008/2009


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Clube Desportivo Trofense
Nome: Trofense
Associação: AF Porto
Cidade: Trofa
Estádio: Trofense
Ano de fundação: 1930
Web: www.cdtrofense.pt
Plantel 2008/2009
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Treinadores
T Tulipa
Shéu
António Conceição
Staff
Manuel Pinho(ADJ)
Entradas
Hélder Barbosa (21)FC Porto (I)
Miguel Ângelo (23)Portimonense (II)
Mércio (28)Aves (II)
Hugo Leal (28)Belenenses (I)
Delfim (31)Naval (I)
Tiago Pinto (20)Olivais e Moscavide (II B)
Areias (31)Belenenses (I)
Varela (20)Estoril Praia (II)
Paulinho (24)Vitória Setúbal (I)
Lipatin (31)Nacional (I)
David Caiado (21)Estoril Praia (II)
Dagil (28)Estoril Praia (II)
Zé Carlos (33)APOEL Nicosia   (I)
Charles Chad (26)Ceará   (B)
Sidney (31)Al-Wahda   (I)
Moustapha (20)Stella Club   (I)
Marco Araújo (18)Trofense (JUN)
Liga Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Paulo Lopes13Varela5Edu10Moustapha
27Vítor15Bessa18Sidney87David Caiado
31Marco30Zamorano83Rios7Hélder Barbosa
  3Areias6Delfim21Rui Borges
  12Tiago Pinto14Hugo Leal8Lipatin
  4Valdomiro16Pinheiro9Zé Carlos
  17Milton do Ó77Mércio9Charles Chad
  49Miguel Ângelo2Paulinho11Reguila
  28Marco Araújo10Ricardo Nascimento19Dagil
      20Edu Souza
Bom enquanto durou...Miguel Senra

Após 78 anos de história o Trofense, liderado por António Conceição, finalmente conseguia alcançar o primeiro escalão do futebol Português depois de apenas dois anos na 2ª divisão. Relativamente à última época, mantinham-se alguns jogadores chave na vitória da 2ª liga como Paulo Lopes; Ricardo Nascimento; a dupla de centrais, Milton do Ó e Valdomiro; Pinheiro; Edu; e Rui Borges. Perderam-se apenas dois titulares indiscutíveis: Nuno Pinto e André Barreto. No que toca a novas contratações, chegaram para a defesa, Miguel Ângelo, que voltou ao clube depois de um ano no Portimonense, Tiago Pinto que tinha a sua primeira época no futebol profissional, emprestado pelo Sporting, e Areias, já em final de carreira.O meio campo foi o sector com menos contratações, mas estas foram importantes, com as aquisições de Mércio e Delfim. Ao contrário do meio-campo, para o ataque foram contratados vários jogadores, mas estes acabariam por não compensar o investimento. Hélder Barbosa juntava-se a David Caiado, Marcelo Lipatin e Zé Carlos. Ainda no início da época, Paulinho e Sidney assinaram com o clube da Trofa. Paulinho era aposta de Toni para extremo e Sidney para interior.

O início de temporada para o Trofense foi tudo menos fácil. Apresentou-se em Alvalade para o primeiro jogo a este nível na história do clube e não podia ter tido pior começo. Uma derrota por 3-1 em que a equipa foi completamente dominada pela equipa de Paulo Bento.Toni apostava num sistema com 4 defesas: Zamorano, Milton do Ó, Valdomiro e Areias, com Delfim e Mércio como interiores, Nascimento a \"10\", Edu Souza e Helder Barbosa nos flancos e Zé Carlos como único avançado. As 3 derrotas consecutivas de António Conceição e o péssimo nível exibicional deram origem à primeira chicotada psicológica da liga. Shéu tomaria assim conta da equipa até que um novo treinador fosse contratado. Este ganhou ao Leiria para a taça da liga a jogar no sistema de Toni, mas decidiu jogar com 3 centrais para a liga, dando assim uma oportunidade a Miguel Ângelo, opção que não resultaria. Antes da 5ª jornada, o Trofense anunciou a contratação de Manuel Tulipa, que pretendia implementar um losângo no meio campo, tendo-o testado logo na sua estreia contra o Estrela. Apesar de ser muito cedo para avaliar o trabalho do novo técnico, a equipa parecia estar melhor. Este optou por meter Delfim a trinco, Pinheiro e Mércio como interiores e Nascimento no vértice mais adiantado. Neste início de época Areias parecia ser o elo mais fraco da equipa, mas a alternativa Tiago Pinto não esteve em bom plano quando teve a sua oportunidade. Em regiões mais adiantadas, Helder Barbosa muito prometia e pouco fazia. Paulinho demonstrava ter muita qualidade ofensivamente mas era algo comprometedor a defender, Zé Carlos não estava a adaptar-se bem ao novo clube e Edu Souza parecia incapaz de ganhar um lance.A equipa da Trofa tinha assim um grande problema do lado esquerdo da defesa e no último terço do terreno.

Tulipa foi a Setúbal para defender e alcançou a primeira vitória da época, já sem Ricardo Nascimento e Zé Carlos que viriam a rescindir devido a problemas disciplinares. Com a qualidade de passe de Delfim e a velocidade de Mércio, Edu Souza e Helder Barbosa, a equipa da Trofa ganhava por 2-0.O técnico por esta altura apostava numa táctica com Delfim mais à frente, ao lado de Mércio e Milton do Ó passava a ser o único trinco, posição que viria a desempenhar até ao final da época, sendo substituído por Miguel Ângelo na defesa.Assim se manteve até ao jogo de Braga, em que decidiu voltar a testar o losango com Pinheiro a “10” e colocar dois avançados. Tiago Pinto começava a impressionar e ganhava a titularidade no lado esquerdo da defesa.

Durante este período, a estreia de Hugo Leal foi o ponto mais positivo. Este entrou com um notório excesso de peso e má forma física, tendo sido suplente utilizado nas primeiras 3 participações, mas desde logo demonstrou que mantinha uma precisão de passe soberba, grande leitura de jogo e inteligência a jogar. Após esta fase de recuperação da forma física, Hugo Leal começou então a tomar conta do vértice mais adiantado do losango, e a equipa entrou imediatamente na sua melhor fase da época, ao pontuar contra 3 grandes em 4 jornadas demonstrando uma excelente organização defensiva, muito devido a enormes prestaçoes de Valdomiro, Tiago Pinto e Miguel Ângelo que acabou por se impor como titular. Paulinho, agora utilizado como lateral, apoiava pouco o ataque o que impossibilitava que a equipa aproveitasse as suas principais qualidades. O meio campo estava agora bem entrosado e complementava-se mas os avançados Lipatin, Helder Barbosa e Edu Souza continuavam a desiludir, o que fez com que Reguila conseguisse conquistar o seu lugar. Para terminar, Paulo Lopes estava a ter uma época má e eventualmente seria substituido por Marco.

A meio da época chegavam Dagil, Varela e Charles Chad. O primeiro estreou-se logo que chegou, e com a falta de entrosamento não se poderia esperar mais. Não caiu nas boas graças dos adeptos e quebrou psicologicamente. O segundo revelou irregularidade, nada positivo para uma equipa que necessitava claramente de consistência.O terceiro seria a grande surpresa da equipa na 2ª volta. Charles Chad que viria a ser um dos melhores jogadores da formação da Trofa, criava muitos lances de perigo graças às suas excelentes desmarcações, era rápido e sabia aproveitar os espaços que lhe eram concedidos. Abria bem na direita criando linhas de passe e problemas nas defesas adversárias e acabou até por marcar golos, embora não fosse esse o seu ponto forte. Será certamente muito mais perigoso se jogar com um goleador a seu lado.

Durante a segunda volta começaram a tornar-se evidentes as fragilidades do losango de Tulipa. Com um trinco adaptado sem qualidade de passe, os restantes elementos do losango a não conseguirem desmarcar-se convenientemente e com dois bons laterais ofensivamente presos estrategicamente à defesa, não existiam linhas de passe e a equipa da Trofa não conseguia sair a jogar, o que acaba por explicar o porquê da subida de rendimento da equipa a partir do momento em que Rui Borges passou a jogar no vértice mais adiantado. Com um jogador mais móvel nessa posição e com Hugo Leal a interior direito, a equipa acabava por criar linhas de passe, já que este pegava no jogo mais atrás, organizava-o melhor e abria mais o jogo, melhorando consideravelmente o nível exibicional da equipa. De referir que esta situação se verificou durante 4 jogos em que o Trofense igualou a melhor série de resultados da época até aí.Contudo, devido a lesões, Rui Borges foi afastado e isto afectou o rendimento da equipa, juntamente com a prestação de Milton do Ó que continuava a ser sacrificado no meio-campo, bem como Paulinho, que tinha dado provas do seu valor no meio-campo contra Marítimo e Benfica, mas continuava preso à defesa direita.

A incapacidade da equipa em assumir o jogo reconhecida pelo próprio treinador, acaba por explicar os pontos conquistados pelo Trofense contra equipas de topo, e os desperdícios contra equipas \"do seu campeonato\". Ao analisar com cuidado a equipa de Tulipa, verifica-se que a maioria dos pontos conquistados foram em jogos em que foi o adversário a assumir a posse de bola, com a equipa da Trofa a apostar no contra-golpe. Assim a equipa acabou por terminar no último lugar e por voltar à segunda divisão, algo que só ficou garantido na derrota na Mata Real na última jornada, onde uma vitória manteria a equipa na primeira. Foi bom enquanto durou.

O Momento: 25ª jornada - Rio Ave 2-1 Trofense

O Trofense chegava a esta jornada com 2 pontos de vantagem sobre o Rio Ave, e podia acabar de vez com as esperanças da equipa de Vila do Conde. Estava também na zona de despromoção apenas a 1 ponto do Belenenses. A vitória do Trofense daria alguma segurança, até por o jogo ser disputado frente a um adversário directo. No entanto, o Trofense entrou muito mal na partida, mostrou-se sempre muito intranquilo, perdeu; e com esta derrota, foi ultrapassado pelo Rio Ave passando para o último lugar, e tendo o calendário mais complicado de entre as equipas que lutavam pela manutenção.O golo de Tiago Pinto foi totalmente inútil perante os tentos madrugadores de Yazalde e Coentrão. 5 jornadas depois, apesar de toda a boa vontade e alguns bons momentos de futebol, a descida consumar-se-ia.

A figura: Hugo Leal

Hugo Leal fez a sua estreia aos 16 anos no Benfica, onde desde logo impressionou. Foi emprestado ao Alverca, onde conseguiu atingir um nível suficiente para ficar na equipa do Benfica na época seguinte onde se conseguiria impor como titular. Saiu para o Atlético de Madrid onde se esperava que fizesse história. Durante duas épocas foi titular no clube Madrileno e saiu para França, onde as lesões o começaram a afectar. O Porto apostou no jogador mas este esteve mais uma época de fora devido a lesões, o mesmo se passou depois na Académica, Braga e Belenenses. Resta-nos imaginar onde poderia ter chegado se não tivesse sido visitado com regularidade pelas lesões no decorrer da sua carreira, porque talento não lhe falta. Já o que os adeptos da Trofa não querem imaginar é como teria sido a temporada do Trofense sem este jogador.

Outros jogadores também estiveram em muito bom plano nesta temporada, como Valdomiro, que apesar de por vezes comprometer, é bastante difícil de ultrapassar e um dos melhores no jogo aéreo a jogar em Portugal (o que explica os golos marcados), para além de que consegue superar-se nos jogos importantes; ou Mércio, um jogador que, apesar de muito faltoso e de não practicar um jogo demasiado bonito e atractivo, sendo algo irregular a atacar, é incansável defensivamente, recuperando muito jogo e obrigando os adversários a errar. Mas a figura não podia ser outra. Hugo Leal é um senhor jogador que transpira classe e faz magia quando toca na bola. Um dos melhores organizadores de jogo da liga, que merecia claramente um clube superior, com uma inteligência muito acima da média, uma visão de jogo brilhante e uma precisão no passe fantástica. Finalmente conseguiu completar uma época sem lesões e mostrar que a sua carreira ainda não acabou.

Dificilmente conseguirá voltar a um grande, mas se continuar a jogar a este nível, uma transferência para um clube que esteja regularmente na Europa parece estar perfeitamente ao seu alcance.

A revelação: Marco

Escolher a revelação foi tarefa complicada. Miguel Ângelo não destaca por nada de especial técnica ou fisicamente mas acabou por fazer uma grande temporada devido à sua “cabeça”. Quem olha para este jogador nota desde logo que foi formado numa boa escola: não complica, raramente compromete e reage muito bem sobre pressão. Tiago Pinto teve a sua primeira época como sénior e impressionou, tanto defensiva como ofensivamente, e atingiu a melhor fase da época sensivelmente a meio, no melhor período da equipa, mas o seu rendimento acabou por descer na parte final, também devido a algumas lesões.

A escolha acaba então por recair sobre o guarda-redes Marco. Marco chegou ao clube na primeira temporada do Trofense na Liga Vitalis e completou este ano a terceira época no Trofense depois de ter sido cedido pelo Boavista. É ainda muito novo para um guardião, mas \"roubou\" o lugar a Paulo Lopes e nunca mais o largou. Apesar de em alguns lances a sua inexperiência vir ao de cima, demonstrou ter muita qualidade e livrou a equipa de algumas aflições. É um guarda-redes ágil e com um jogo de pés muito acima da média para a sua posição. Tal como no caso de Miguel Ângelo é proveniente de uma boa escola. Já é um dos preferidos da massa associativa do clube, que espera que o guarda-redes fique na Trofa.

A desilusão: Paulo Lopes

Há quem passe de besta a bestial, mas neste caso aconteceu exactamente o contrário. Por ironia, aquele que foi o jogador que mais contribuiu para a subida de divisão do Trofense, acabou por custar alguns pontos a esse mesmo clube que foram preponderantes para a descida. Falamos de Paulo Lopes. Após ter feito uma época brilhante na segunda divisão, a sua época de 2008/2009 foi a todos os níveis horrível. Comprometeu em quase todos os jogos que fez, cometeu erros gravíssimos, alguns elementares (nenhum Guarda-redes profissional pode montar uma barreira e ficar atrás desta, deixando o seu canto aberto). Acabou por ser substituido pelo jovem Marco e abandonou o clube para o Feirense, assim como Pinheiro.

Outros jogadores também estiveram abaixo do exigido, como Hélder Barbosa, demasiado individualista, demasiadas vezes no chão e raramente trazendo algo de novo à equipa; Zé Carlos, que prometeu marcar muitos golos e não marcou nenhum, Sidney que viria a fazer apenas um jogo, e rescindiu antes do final da época; Areias, que apesar de ter feito boas exibições no final causou muitas dores de cabeça a esta equipa; Lipatin que nunca se conseguiu impor e acabou por jogar várias vezes por ser o menos mau, e Dagil que nunca se conseguiu adaptar ao clube. Mas Paulo Lopes, até pelo ano anterior, foi mesmo a maior das desilusões.


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