ForaDeJogo.net - Marítimo 2008/2009


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Clube Sport Marítimo
Nome: Marítimo
Associação: AF Madeira
Cidade: Funchal
Estádio: Barreiros
Ano de fundação: 1910
Sede: Rua Campo Do Marítimo
Santo António
9000-331
Web: www.csmaritimo.pt
Plantel 2008/2009
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Treinadores
T Carlos Carvalhal
Lori Sandri
Staff
Rifa(ADJ), João Abel(PF)
Entradas
Miguelito (27)Sp. Braga (I)
Paulo Jorge (27)Malaga   (II)
Baba (20)Marítimo B (II B)
Manú (25)AEK Atenas   (I)
Fernando Cardozo (29)Nacional (I)
Carlos Fernandes (30)Sp. Braga (I)
Rodrigo António (20)Vasco da Gama   (A)
Pedro Moutinho (28)Falkirk   (I)
Ytalo (20)Corinthians (AL)   (I E)
Gonçalo Abreu (22)Marítimo B (II B)
Taka (26)Urawa RD   (I)
Zé Gomes (31)Konyaspor   (I)
João Diogo (20)Marítimo B (II B)
Fidélis (19)Marítimo B (II B)
Lelo (26)São Paulo (RS)  
Christopher (23)Marítimo B (II B)
Sidnei (22)Marítimo B (II B)
Aquino (22)Palestino   (I)
Juliano Vicentini (26)Pisa   (B)
Gutierrez (22)Rangers   (I)
Cadu (26)Coritiba   (A)
Rodri (23)Poli Ejido   (II)
Liga Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Marcelo Boeck8Paulo Jorge14Fernando Kanu
12Bruno Grassi21Briguel20João Luiz15Manú
24Christopher22Zé Gomes54Sidnei30Gutierrez
26Marcos51João Diogo10Bruno40Gonçalo Abreu
  6Carlos Fernandes13Olberdam9Bruno Fogaça
  18Luís Olim27Rodrigo António16Cadu
  77Taka5Miguelito25Aquino
  2Rodri29Juliano Vicentini31Fidélis
  3Fernando Cardozo28Marcinho35Baba
  4van der Linden60Victor Júnior36Lelo
  44João Guilherme  59Ytalo
      7Pedro Moutinho
      17Djalma
Républica das bananasPedro Gonçalves

O Marítimo partia para esta época como um dos “Europeus”. A presença na Europa do futebol tinha sido concretizada após uma boa época em que a equipa tinha apresentado uma defesa muito sólida (apenas os “grandes” sofreram menos golos), muito talento no meio campo, e avançados capazes de marcar com relativa regularidade. De um ano para o outro, quase tudo mudou.

Do quarteto defensivo, saíram 3 (Ediglê para o Brasil, Ricardo Esteves para a Grécia e Evaldo para o Braga). Nas posições mais ofensivas, saíram Fábio Felício (Grécia), Makukula (Benfica), autor de 7 golos em menos de meia-época, que durou apenas até ao mercado de Inverno, e Márcio Mossoró (Braga), que demorou a entrar no 11 mas que quando o fez, salvou um Marítimo que aparentava estar órfão dos golos de Makukula, marcando 7 golos na 2ª volta, e desequilibrando de tal forma que até relegou o brilhante tecnicista Marcinho para segundo plano nessa função. Com estas saídas, não se podia esperar que o Marítimo conseguisse uma época ao mesmo nível, até porque os seus adversários se tinham reforçado bem (sobretudo o Sporting de Braga).

Para satisfazer as lacunas deixadas, o novo treinador Lori Sandri, recebeu alguns jogadores que se destacavam mais pela sua capacidade física e determinação do que pelas suas faculdades técnicas, contrariamente aos que abandonavam o clube. Chegavam o central Fernando Cardozo vindo do Nacional, o lateral esquerdo Miguelito e os extremos Paulo Jorge e Manu. Pelo meio eram promovidos brasileiros (e ocasionalmente um português) que tinham feito a maior parte da época anterior pela equipa B para adaptação ao futebol português (algo em que o Marítimo até se tem saído bem). A época começou tremida, com a primeira vitória a surgir apenas à 4ª jornada, altura em que Lori Sandri passou a apostar num dos sistemas que mais utilizava no Brasil, o 3-5-2, com dois laterais com permissão (e obrigação) de atacar, centrais a fecharem as subidas dos laterais, 2 volantes e 1 criativo para aparecer na área aproveitando as movimentações dos 2 avançados. Com este sistema, Lori Sandri, pôs o Marítimo a jogar um futebol eficaz e bonito, com as armas de que dispunha. Na defesa Cardozo e João Guilherme que viria a ser o único totalista da equipa, transmitiam nesta fase segurança à equipa, Os laterais (com escola de extremos) faziam bem a sua função, Olberdam e Bruno garantiam um meio campo coeso, Marcinho parecia estar de volta aos seus melhores dias, Baba era agradável surpresa, e Djalma Campos dava continuidade à boa época anterior. Este 11 (com poucas variações) levou o Marítimo a 5 vitórias em 7 partidas, entre a 4ª e 10ª jornadas, sem nenhuma derrota, e com vários golos marcados, e muito poucos sofridos. O Marítimo chegava assim ao final do 1º terço do campeonato na 5ª posição (portanto, em lugar europeu – o objectivo traçado) com a melhor defesa do campeonato e o 4º melhor ataque, o que tendo em conta as condicionantes tinha forçosamente de ser considerado, um excelente desempenho.

Depois chegou a intempérie. O Marítimo foi batido no seu reduto por 6 bolas a zero contra um Benfica, cuja capacidade ofensiva nunca esteve em causa, num jogo em que Marcos foi expulso aos 19 minutos após fazer penalty, deixando a equipa com 10, e na baliza um inexperiente Bruno Grassi de 21 anos a tremer como varas verdes após ter efectuado apenas 1 jogo em Portugal no espaço de 1 ano (e este ter ocorrido na 2ª Divisão B). O desfecho, apesar de exagerado, foi o mais natural tendo em conta as circunstâncias, mas logo surgiram as críticas intensas ao treinador (que tinham sido ouvidas anteriormente na surpreendente eliminação da Taça pelo Arouca), vindas de indivíduos a quem o futebol pouco interessa, ignorando tudo o que de bom tinha sido conseguido até então.

A verdade é que nos 5 jogos seguintes, o Marítimo perdeu apenas com o Sporting (apesar de ter igualmente defrontado o FC Porto na parte mais complicada do seu calendário), mas independentemente disso, Lori Sandri passou a caminhar sobre brasas, sendo atenuado qualquer bom resultado e exagerado qualquer percalço, até que após uma derrota em Coimbra, o inevitável aconteceu, e o 7º lugar com apenas 3 pontos de atraso para os lugares europeus revelou-se suficientemente abaixo das expectativas para justificar a troca de treinador. De entre as apostas do mercado de Inverno para a segunda volta, nenhuma justificou plenamente a aposta. O volante Rodrigo chegou do Vasco da Gama para ser titular, mas sairia da equipa com a chegada de novo treinador. Enzo Gutierrez chegou a jogar apenas uma vez como suplente utilizado e o paraguaio Aquino, representado pelo mesmo agente de Gutierrez, marcou na estreia, e não mais o voltou a fazer. Juntaram-se a outras apostas falhadas para o meio-campo/ataque, como Lelo, Cadu e Juliano Vicentini, que juntos somaram 3 jogos a titulares e 3 a suplentes. De todas as contratações, apenas a mais exótica teve alguma aceitação, o japonês Takahito Soma (conhecido por Taka em Portugal), mas mesmo este teve apenas a presença constante nas convocatórias dos treinadores como razão de destaque.

Chegou então Carlos Carvalhal, para tentar dar um novo rumo à época dos insulares, que verdade seja dita não estava a ser má. E até começou bem vencendo o primeiro jogo em que pegou na equipa. No entanto, esse jogo foi contra o último classificado, o Vitória de Setúbal cujos jogadores não recebiam há vários meses, e que havia vencido apenas uma das últimas 10 jornadas tendo perdido 6 partidas para a liga nesse período, inclusive contra o anterior último classificado, o Rio Ave. Este viria a ser o resultado mais positivo do Marítimo até ao final da época visto que não voltaria a ganhar nas últimas 10 jornadas, empatando 5 partidas e perdendo outras 5, tendo eventualmente terminado na metade inferior da tabela classificativa e com mais derrotas que vitórias. Um desfecho claramente negativo para uma equipa que jogou a sua 25ª época consecutiva na 1ª liga.

Uma época com bons momentos mas que fica marcada por decisões de dirigentes com intenções dúbias. Foram, são e (infelizmente) continuarão a ser, o calcanhar de Aquiles do Beautiful Game.

O momento: A troca de treinador

O Marítimo encontrava-se na altura na 7ª posição a 3 pontos dos lugares europeus, após uma má fase que incluíra derrotas com a Académica e Vitória de Guimarães. Estava longe de ser preocupante no entanto, visto que pelo meio, mesmo neste mau período, o Marítimo vencia também alguns jogos, que o mantinham sempre com a Europa debaixo de olho. O desempenho na temporada até então não pode seria suficiente para justificar a mudança de treinador, ou teríamos assistido a idêntica situação na maioria das épocas anteriores. Olhando apenas para o exemplo mais recente, Lazaroni estava também fora dos lugares europeus à 19ª jornada mas foi-lhe dada a possibilidade de terminar a época acabando até por ter sucesso, qualificando a equipa para as competições europeias. No entanto, nesta edição da liga, por razões extra-desportivas, a troca de treinador foi a opção, opção essa que se viria a revelar completamente falhada. E se o comportamento da equipa dentro de campo não for suficiente para prová-lo aos mais cépticos, as estatísticas demonstram-no com frieza. Lori Sandri, após uma derrota fora contra a Académica deixou a equipa no 7º lugar com 8 vitórias, 5 empates e 6 derrotas, conquistando 29 pontos. Com Carvalhal, a equipa venceu 1 jogo, empatou 5, e perdeu outros 5, conquistando 8 pontos e terminou na segunda metade da tabela classificativa.

A estrela: Marcinho

Marcinho é um caso de sucesso na Madeira onde chegou vindo do Santos. Voltando a esse ano de 2004, Marcinho deu nas vistas, marcando 3 golos em 2 partidas pelo CRB de Alagoas (que militava na 2ª divisão) numa eliminatória da Taça do Brasil frente ao histórico Flamengo. Pouco depois jogava na equipa do Santos onde actuavam outras estrelas que o mantinham tapado na equipa. Ganhou estatuto de jogador para as segundas partes tendo jogado 28 partidas nessa edição da liga, sendo que mais de 20 foram como suplente utilizado. Assim, enquanto os seus colegas conseguiam um maior estatuto interno, ou transferências por valores avultados para a Europa, o Marítimo conseguiu resgatar esta pérola. Depois de meio ano de adaptação ao futebol português, seguiram-se duas épocas a grande nível, e uma época algo apagada na anterior, em que Márcio Mossoró lhe roubou parte do protagonismo.

Este ano, um dos maiores tecnicistas a evoluir na liga portuguesa recuperou o estatuto de elemento decisivo na equipa madeirense e a magia voltou a sair dos seus pés nos Barreiros. Foi o principal responsável pelo melhor período da sua equipa em que marcou 4 golos e fez várias assistências, entre muitos lances de perigo criados, tendo inclusive marcado o golo que fez a equipa sonhar em Valência, embora viesse depois a assistir do banco, à reviravolta da equipa valenciana que eliminaria os madeirenses da UEFA. No segundo terço do campeonato, viveu uma fase irregular como aliás, toda a equipa, o que a fez cair para fora dos lugares europeus, e após a chegada de Carlos Carvalhal, foi dos poucos jogadores a remar contra a maré no descalabro da equipa que falhou a vitória nas últimas 10 jornadas, tendo marcado mais 3 golos nesse período. Aos 28 anos, ainda na plenitude das suas faculdades e com 4 anos de experiência na liga portuguesa, será peça fulcral na luta pelo acesso às competições europeias na temporada que se avizinha.

A revelação: Baba Diawara

O senegalês Baba chegou à Madeira na época anterior e fez a maior parte da mesma pelo Marítimo B na 2ª divisão. Em 2008/09, após 6 jornadas em que marcou 2 golos pela “B”, teve a sua primeira oportunidade da época na equipa principal na 6ª jornada da liga Sagres frente ao Rio Ave. Entrou aos 72 minutos na sequência de um golo do Rio Ave que colocava o Marítimo a perder em casa por uma bola a zero e marcou o golo que daria o empate. Na jornada seguinte, em pleno derby madeirense, teve a oportunidade de ser titular e marcou logo no primeiro minuto de um jogo que o Marítimo venceria por quatro bolas a duas. Com um começo tão positivo, a titularidade foi agarrada, tendo assim a possibilidade de demonstrar as suas principais qualidades na competição maior do nosso futebol. Demonstrou ser ágil de movimentos, forte nas desmarcações, corajoso nas divididas e capaz de aparecer no lugar certo para finalizar com os pés ou de cabeça, o que ajudou a esconder algumas limitações quando a bola ficava nos seus pés durante muito tempo. No total, viria a marcar 10 golos (mais 2 na equipa B), que foram ajudando a alimentar as esperanças dos maritimistas, na busca pelo lugar europeu. Mas também é verdade que quando a equipa falhou, Baba falhou com ela, ficando em branco nas últimas 8 jornadas, quando o Marítimo mais precisava dos seus golos.

A desilusão: Fogaça

Se é verdade que não se esperava de Bruno Fogaça que revelasse um pecúlio goleador que lhe permitisse rivalizar com os melhores goleadores da liga, não é menos verdade, que pelo menos se esperava que marcasse com alguma regularidade. Na sua primeira experiência em Portugal ao serviço da Naval, havia marcado 6 golos, e no regresso, após uma temporada sem sucesso na Grécia, marcou outros 6 pelo Marítimo, apesar de apenas entrar para a equipa titular após a venda de Makukula ao Benfica. Assim, e após um ano de adaptação ao clube, pedir pelo menos os mesmos 6 golos, não seria nada de extraordinário. No entanto, Fogaça cedo provou que este ano não estava para aí virado. Começou como suplente, tornou-se titular, devido à ineficácia dos avançados maritimistas nas primeiras duas jornadas, mas não fez melhor, regressando ao banco, na sequência da descoberta de melhores opções para marcar golos como Baba ou mesmo Djalma Campos. No total jogou por 12 vezes para todas as competições até à 15ª jornada, não tendo marcado um único golo, já não voltando a vestir a camisola do Marítimo na segunda metade da época.


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