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Clube Sport Marítimo
Contra todosJorge Carneiro Um final de época em baixa obrigava o Marítimo crónico candidato à Europa a apostar forte para limpar a sua imagem, o que se traduziu numa aposta mais cuidada em brasileiros com história em território Português - Peçanha, Robson, Alonso, Roberto Sousa, Pitbull - em vez dos habituais reservas de equipas do Brasileirão. No entanto o plano desde cedo começou a falhar à grande e Carlos Carvalhal deu sequência ao mau trabalho com que terminara a temporada anterior, confirmando o Marítimo como a fase mais negra da sua carreira de treinador. Ao fim de 6 jornadas acumulara 3 derrotas, 2 empates e uma misera vitória frente ao Leixões - clube que terminaria na ultima posição da tabela - com uma vantagem de apenas um ponto sobre a linha de água. O onze variava entre um 4-4-2 e 4-3-3, com muitas mexidas na defesa que a mantinham sempre permeável, um meio-campo pouco rigoroso e nada rotinado, e um ataque a viver exclusivamente da inspiração de Djalma. Carvalhal foi assim dispensado sem contestação - nem mesmo do próprio - e Van der Gaag, antigo ícone do clube, foi então promovido dos B para o comando da equipa principal; pegando numa equipa que não escolhera, procurando resolver o mais rapidamente possível as suas muitas lacunas e pô-la finalmente a jogar futebol. Estavamos então a entrar para a 7ª jornada e o panorama não era muito animador: 11º lugar na classificação geral, um treinador sem experiência ao mais alto nível no leme, uma equipa abalada e com poucas soluções. Entre a defesa permeável, o meio campo pouco agressivo ( assentando num Olberdam em défice exibicional, num Bruno em défice físico, e num Marcinho em défice... mental - até se esqueceu de regressar das férias natalícias!) e um ataque sem soluções, o difícil era mesmo escolher o que manter da estrutura existente. O impacto do novo técnico não foi imediato, mas no entanto a pouco e pouco começou a formar-se uma identidade, um fio de jogo na equipa maritimista. Começava a tornar-se evidente a preocupação em fechar melhor o centro da defesa e em apostar em transições rápidas pelas alas para subir no terreno, coisa pouco tradicional no Marítimo. Manu à esquerda e Paulo Jorge à direita subiam de forma e ganhavam preponderância de jornada para jornada... mas continuava a sentir-se a falta de referências ao centro. E porque continuavam a existir lacunas no plantel, no Inverno deu-se uma mini-revolução no balneário com a chegada de reforços supostamente credenciados. O gigante Diakité e o euro-experiente Sapina para fortalecer a defesa, do Brasil (como sempre) os médios Tchô e Rafael Miranda; o internacional Argelino Cherrad para as alas e a esses juntou-se ainda Bak, guarda-redes Polaco desconhecido mas experiente; provavelmente uma tentativa arriscada de elevar o rendimento da baliza, onde Peçanha cumpria sem grande brilho. Em sentido contrário entre vários excedentários seguiam algumas surpresas consagradas, habituais titulares: Cardozo, Miguelito, Olberdam e Marcinho... Surpreendente era no entanto a ausência de contratações de relevo para a linha da frente, dadas as óbvias lacunas nessa posição - Baba atravessava fase muito infeliz. Parecia que Van der Gaag adivinhava já a explosão de Kleber, o jovem tinha estado a alternar entre a equipa B e o banco do grupo principal, mas a pouco e pouco começou a conquistar minutos, golos e os adeptos com o seu estilo técnico e esguio. Resolvido o problema do goleador, e com Manu e Paulo Jorge a manterem-se em alta rotação nas respectivas alas, o Marítimo atacava a segunda volta com fé renovada e o olhar bem fixo na Europa. Apesar disso, à 23ª jornada o Marítimo havia tombado de volta para o 11º posto fruto de uma derrota caseira frente ao Paços de Ferreira e a Europa era então pouco mais que uma possibilidade matemática. Solicito como sempre, Carlos Pereira iniciou a habitual campanha contra o seu próprio treinador via imprensa, deixando diversas indicações explicitas de que a temporada 2010/2011 estaria já a ser planificada sem que Van der Gaag fosse ouvido na matéria. Portanto não será difícil imaginar o tamanho do sapo que Carlos Pereira teve que engolir quando o seu emblema iniciou uma valente cavalgada final que rendou 4 vitórias e dois empates nos ultimos 7 jogos, e por arrasto conseguiu cruzar a meta final da qualificação para a Europa - embora beneficiando e muito da quebra livre do Vit. Guimarães - e se viu assim obrigado a congratular Van der Gaag e convidá-lo a permanecer no cargo. O treinador Holandês bem que mereceu todas palmadinhas nas costas: teve apenas de pegar num plantel indisciplinado que não escolhera, lidar com um presidente que não o apreciava, escutar os habituais recados de Alberto João Jardim e, acima de tudo, aprender rapidamente para compensar a própria inexperiência - e contra todos estes factores, mesmo assim atingir os objectivos a que se tinha proposto. O momento: 30ª jornada - Vit.Guimarães 1-2 Marítimo.O jogo que definiu a temporada do Marítimo. Chegados à ultima jornada a depender de uma vitória em casa do concorrente directo para conseguir o acesso às competições europeias e com Van der Gaag pré-convidado pelo presidente (via imprensa) a abandonar o comando técnico, a moral insular não se encontrava propriamente em alta. Pior terá ficado quando Valdomiro lançou os vimaranenses para a frente do marcador e colocou os seus adeptos em euforia perante a qualificação iminente para a Liga Europa. O mesmo Valdomiro viria no entanto a mostrar-se incapaz de anular a irreverencia de Kleber, que, escapando-se à vigilancia de toda a defensiva vitoriana, não desperdiçou duas optimas assistencias de Tchô e do estreante Cherrad para redireccionar a qualificação europeia para os verde-rubros. E assim, perante milhares de adeptos vimaranenses chocados e em fúria, o Marítimo transformava em sucesso um campeonato turbulento e há muito dado como perdido. Graças a Kleber. Estrela: Paulo Jorge, expresso às direitasApesar do sucesso na qualificação para a Liga Europa, a verdade é que no Marítimo não existiu uma referência a tempo inteiro que se destacasse dos demais jogadores. A distinção premeia essencialmente a sua regularidade no lado direito da defesa, onde jornada após jornada demonstrou muita garra e competência a defender e a partir de onde procurou arrastar o conjunto consigo, imprimindo muita velocidade e ambição ao jogo marítimista. A sua capacidade de preencher todo o flanco terá mesmo sido um dos grandes motivos para que Van der Gaag optasse por um 3-5-2 como estratégia preferencial, concedendo a Paulo Jorge toda a liberdade para subir no terreno e alimentar os seus avançados com cruzamentos tensos e milimétricos. Baba e Kleber têm-lhe mesmo a agradecer vários golos, tal como os restantes colegas que muito beneficiaram dos rombos abertos pelas suas incursões ofensivas. E mesmo sem ter grande formação em tarefas defensivas acabou por se afirmar como o menos mau da defesa, mesmo competindo com figuras consagradas da Liga como Robson, Alonso e João Guilherme. Com o final da época e do seu vínculo com o Marítimo chegou a ser mencionado como alvo de emblemas Espanhois, Alemães e Romenos e ainda apontado como reforço do Braga; mas em vez disso optou por rentabilizar o seu ciclo na Madeira num grande contracto com o Al-Serjah das Arábias. Fará falta ao campeonato Português e, numa altura em que a lateral direita da Selecção se encontra em fase de renovação, parece auto-excluir-se da corrida à sucessão. É pena, mas a verdade é que o dinheiro também conta. Revelação: Kleber, a enguia dentro da áreaNuma pré-época em que o Marítimo atipicamente pouco apostou no reforço da sua frente de ataque Kleber foi uma das poucas novidades a apresentar aos sócios, uma jovem promessa chegada por empréstimo do Atlético Mineiro por quem aliás já alinhara no Brasileirão. À semelhança de diversos outros exemplos no passado não estava claro se viria para reforçar a equipa principal ou o conjunto de reservas, dependendo do rendimento evidenciado pelo jovem Brasileiro a decisão de o fixar numa destas. Como o efeito não foi imediato e o jovem teve de superar a natural fase de adaptação a um país e estilo diferentes, Kléber passou os primeiros meses alternando entre ambos os conjuntos, aprendendo as manhas e entrosando-se com os colegas. Só em Janeiro começou a demonstrar qualidades de destaque na equipa de reservas, sendo então promovido para o conjunto principal a fim de tentar resolver a seca insular de golos. E assim, aproveitando os espaços concedidos pelo perdulário Baba e pelos inofensivos Ytalo, Sami e Kanu, não tardou em assumir-se como a grande referência na frente que faltava aos verde-rubros, relegando os colegas para um papel secundário. Estreou-se a marcar apenas à 17ª jornada, mas a partir daí nunca mais parou - somou 8 golos nesses 13 jogos finais da liga, muitos deles incompletos, e demonstrando uma cartilha de qualidades que deixou água na boca a clubes maiores... como o FC Porto. Esguio e ágil, muito bom no drible curto e na impulsão para cabecear, marcou muitos dos seus golos graças a um notável sentido de oportunidade que lhe permite aparecer no sítio correcto para facturar, escapando-se muito facilmente a qualquer marcação. Ainda tem muito para evoluir antes de se tornar um artilheiro de topo, mas o potencial está todo lá. Desilusão: Claudio Pitbull, desmotivadoFoi a face maior do excelente Vitória de Setúbal de há duas temporadas atrás, e uma das figuras da liga Romena em 2009 mesmo limitado por uma lesão grave. Premissas suficientes para que a sua chegada tardia e surpreendente ao Marítimo chegasse para dar novo animo a um conjunto debilitado por maus resultados na pré-temporada e um arranque em falso no campeonato, galvanizando a massa associativa. Só que Pitbull demorou a atingir os níveis físicos necessários para entrar o onze e intercalou a recuperação com pequenas lesões e curtas exibições pouco entusiasmantes. No computo geral nunca deu ideia de estar motivado para assumir verdadeiramente o desafio da Madeira e mesmo com alguns momentos de permeio partiu no final da temporada sem deixar grandes saudades. |
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