ForaDeJogo.net - Marítimo 2009/2010


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Clube Sport Marítimo
Nome: Marítimo
Associação: AF Madeira
Cidade: Funchal
Estádio: Barreiros
Ano de fundação: 1910
Sede: Rua Campo Do Marítimo
Santo António
9000-331
Web: www.csmaritimo.pt
Plantel 2009/2010
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Treinadores
T Mitchell van der Gaag
Carlos Carvalhal
Staff
Rifa(ADJ), Joaquim Loureiro(GR)
Entradas
Peçanha (29)Thrasivoulos   (I)
Alonso (28)Nacional (I)
Roberto Sousa (24)Leixões (I)
Robson (25)Vitória Setúbal (I)
Rafael Miranda (24)Atlético Paranaense   (A)
Cláudio Pitbull (27)Rapid Bucareste   (I)
Diakité (28)Belenenses (I)
Miguel Ângelo (24)Trofense (I)
Tchô (22)Atlético Mineiro   (A)
Sami (20)Aves (II)
Fidélis (20)Marítimo B (II B)
João Diogo (21)Marítimo B (II B)
Tito Silva (23)Marítimo B (II B)
Ricardo Neves (20)CD Ourense   (III)
Ytalo (21)Internacional PA   (A)
Dylan (20)Marítimo B (II B)
Luís Carlos (20)Marítimo B (II B)
Bak (26)Lechia Gdansk   (I)
Sapina (24)Mouscron   (I)
Liga Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Marcelo Boeck8Paulo Jorge20João Luiz11Kanu
24Peçanha21Briguel25Rafael Miranda15Manú
47Ricardo Neves51João Diogo32Tito Silva17Djalma
50Luís Carlos2Alonso10Bruno22Kléber
83Bak7Taka13Olberdam31Fidélis
  18Luís Olim23Tchô35Baba
  3Fernando Cardozo26Roberto Sousa40Sami
  4Miguel Ângelo5Miguelito59Ytalo
  6Robson9Cláudio Pitbull16Cherrad
  14Fernando28Marcinho33Dylan
  43Sapina    
  44João Guilherme    
  80Diakité    
Contra todosJorge Carneiro

Um final de época em baixa obrigava o Marítimo crónico candidato à Europa a apostar forte para limpar a sua imagem, o que se traduziu numa aposta mais cuidada em brasileiros com história em território Português - Peçanha, Robson, Alonso, Roberto Sousa, Pitbull - em vez dos habituais reservas de equipas do Brasileirão. No entanto o plano desde cedo começou a falhar à grande e Carlos Carvalhal deu sequência ao mau trabalho com que terminara a temporada anterior, confirmando o Marítimo como a fase mais negra da sua carreira de treinador. Ao fim de 6 jornadas acumulara 3 derrotas, 2 empates e uma misera vitória frente ao Leixões - clube que terminaria na ultima posição da tabela - com uma vantagem de apenas um ponto sobre a linha de água. O onze variava entre um 4-4-2 e 4-3-3, com muitas mexidas na defesa que a mantinham sempre permeável, um meio-campo pouco rigoroso e nada rotinado, e um ataque a viver exclusivamente da inspiração de Djalma.

Carvalhal foi assim dispensado sem contestação - nem mesmo do próprio - e Van der Gaag, antigo ícone do clube, foi então promovido dos B para o comando da equipa principal; pegando numa equipa que não escolhera, procurando resolver o mais rapidamente possível as suas muitas lacunas e pô-la finalmente a jogar futebol. Estavamos então a entrar para a 7ª jornada e o panorama não era muito animador: 11º lugar na classificação geral, um treinador sem experiência ao mais alto nível no leme, uma equipa abalada e com poucas soluções. Entre a defesa permeável, o meio campo pouco agressivo ( assentando num Olberdam em défice exibicional, num Bruno em défice físico, e num Marcinho em défice... mental - até se esqueceu de regressar das férias natalícias!) e um ataque sem soluções, o difícil era mesmo escolher o que manter da estrutura existente.

O impacto do novo técnico não foi imediato, mas no entanto a pouco e pouco começou a formar-se uma identidade, um fio de jogo na equipa maritimista. Começava a tornar-se evidente a preocupação em fechar melhor o centro da defesa e em apostar em transições rápidas pelas alas para subir no terreno, coisa pouco tradicional no Marítimo. Manu à esquerda e Paulo Jorge à direita subiam de forma e ganhavam preponderância de jornada para jornada... mas continuava a sentir-se a falta de referências ao centro. E porque continuavam a existir lacunas no plantel, no Inverno deu-se uma mini-revolução no balneário com a chegada de reforços supostamente credenciados. O gigante Diakité e o euro-experiente Sapina para fortalecer a defesa, do Brasil (como sempre) os médios Tchô e Rafael Miranda; o internacional Argelino Cherrad para as alas e a esses juntou-se ainda Bak, guarda-redes Polaco desconhecido mas experiente; provavelmente uma tentativa arriscada de elevar o rendimento da baliza, onde Peçanha cumpria sem grande brilho. Em sentido contrário entre vários excedentários seguiam algumas surpresas consagradas, habituais titulares: Cardozo, Miguelito, Olberdam e Marcinho...

Surpreendente era no entanto a ausência de contratações de relevo para a linha da frente, dadas as óbvias lacunas nessa posição - Baba atravessava fase muito infeliz. Parecia que Van der Gaag adivinhava já a explosão de Kleber, o jovem tinha estado a alternar entre a equipa B e o banco do grupo principal, mas a pouco e pouco começou a conquistar minutos, golos e os adeptos com o seu estilo técnico e esguio. Resolvido o problema do goleador, e com Manu e Paulo Jorge a manterem-se em alta rotação nas respectivas alas, o Marítimo atacava a segunda volta com fé renovada e o olhar bem fixo na Europa.

Apesar disso, à 23ª jornada o Marítimo havia tombado de volta para o 11º posto fruto de uma derrota caseira frente ao Paços de Ferreira e a Europa era então pouco mais que uma possibilidade matemática. Solicito como sempre, Carlos Pereira iniciou a habitual campanha contra o seu próprio treinador via imprensa, deixando diversas indicações explicitas de que a temporada 2010/2011 estaria já a ser planificada sem que Van der Gaag fosse ouvido na matéria. Portanto não será difícil imaginar o tamanho do sapo que Carlos Pereira teve que engolir quando o seu emblema iniciou uma valente cavalgada final que rendou 4 vitórias e dois empates nos ultimos 7 jogos, e por arrasto conseguiu cruzar a meta final da qualificação para a Europa - embora beneficiando e muito da quebra livre do Vit. Guimarães - e se viu assim obrigado a congratular Van der Gaag e convidá-lo a permanecer no cargo. O treinador Holandês bem que mereceu todas palmadinhas nas costas: teve apenas de pegar num plantel indisciplinado que não escolhera, lidar com um presidente que não o apreciava, escutar os habituais recados de Alberto João Jardim e, acima de tudo, aprender rapidamente para compensar a própria inexperiência - e contra todos estes factores, mesmo assim atingir os objectivos a que se tinha proposto.

O momento: 30ª jornada - Vit.Guimarães 1-2 Marítimo.

O jogo que definiu a temporada do Marítimo. Chegados à ultima jornada a depender de uma vitória em casa do concorrente directo para conseguir o acesso às competições europeias e com Van der Gaag pré-convidado pelo presidente (via imprensa) a abandonar o comando técnico, a moral insular não se encontrava propriamente em alta. Pior terá ficado quando Valdomiro lançou os vimaranenses para a frente do marcador e colocou os seus adeptos em euforia perante a qualificação iminente para a Liga Europa. O mesmo Valdomiro viria no entanto a mostrar-se incapaz de anular a irreverencia de Kleber, que, escapando-se à vigilancia de toda a defensiva vitoriana, não desperdiçou duas optimas assistencias de Tchô e do estreante Cherrad para redireccionar a qualificação europeia para os verde-rubros. E assim, perante milhares de adeptos vimaranenses chocados e em fúria, o Marítimo transformava em sucesso um campeonato turbulento e há muito dado como perdido. Graças a Kleber.

Estrela: Paulo Jorge, expresso às direitas

Apesar do sucesso na qualificação para a Liga Europa, a verdade é que no Marítimo não existiu uma referência a tempo inteiro que se destacasse dos demais jogadores. A distinção premeia essencialmente a sua regularidade no lado direito da defesa, onde jornada após jornada demonstrou muita garra e competência a defender e a partir de onde procurou arrastar o conjunto consigo, imprimindo muita velocidade e ambição ao jogo marítimista. A sua capacidade de preencher todo o flanco terá mesmo sido um dos grandes motivos para que Van der Gaag optasse por um 3-5-2 como estratégia preferencial, concedendo a Paulo Jorge toda a liberdade para subir no terreno e alimentar os seus avançados com cruzamentos tensos e milimétricos. Baba e Kleber têm-lhe mesmo a agradecer vários golos, tal como os restantes colegas que muito beneficiaram dos rombos abertos pelas suas incursões ofensivas. E mesmo sem ter grande formação em tarefas defensivas acabou por se afirmar como o menos mau da defesa, mesmo competindo com figuras consagradas da Liga como Robson, Alonso e João Guilherme.

Com o final da época e do seu vínculo com o Marítimo chegou a ser mencionado como alvo de emblemas Espanhois, Alemães e Romenos e ainda apontado como reforço do Braga; mas em vez disso optou por rentabilizar o seu ciclo na Madeira num grande contracto com o Al-Serjah das Arábias. Fará falta ao campeonato Português e, numa altura em que a lateral direita da Selecção se encontra em fase de renovação, parece auto-excluir-se da corrida à sucessão. É pena, mas a verdade é que o dinheiro também conta.

Revelação: Kleber, a enguia dentro da área

Numa pré-época em que o Marítimo atipicamente pouco apostou no reforço da sua frente de ataque Kleber foi uma das poucas novidades a apresentar aos sócios, uma jovem promessa chegada por empréstimo do Atlético Mineiro por quem aliás já alinhara no Brasileirão. À semelhança de diversos outros exemplos no passado não estava claro se viria para reforçar a equipa principal ou o conjunto de reservas, dependendo do rendimento evidenciado pelo jovem Brasileiro a decisão de o fixar numa destas. Como o efeito não foi imediato e o jovem teve de superar a natural fase de adaptação a um país e estilo diferentes, Kléber passou os primeiros meses alternando entre ambos os conjuntos, aprendendo as manhas e entrosando-se com os colegas. Só em Janeiro começou a demonstrar qualidades de destaque na equipa de reservas, sendo então promovido para o conjunto principal a fim de tentar resolver a seca insular de golos. E assim, aproveitando os espaços concedidos pelo perdulário Baba e pelos inofensivos Ytalo, Sami e Kanu, não tardou em assumir-se como a grande referência na frente que faltava aos verde-rubros, relegando os colegas para um papel secundário. Estreou-se a marcar apenas à 17ª jornada, mas a partir daí nunca mais parou - somou 8 golos nesses 13 jogos finais da liga, muitos deles incompletos, e demonstrando uma cartilha de qualidades que deixou água na boca a clubes maiores... como o FC Porto. Esguio e ágil, muito bom no drible curto e na impulsão para cabecear, marcou muitos dos seus golos graças a um notável sentido de oportunidade que lhe permite aparecer no sítio correcto para facturar, escapando-se muito facilmente a qualquer marcação. Ainda tem muito para evoluir antes de se tornar um artilheiro de topo, mas o potencial está todo lá.

Desilusão: Claudio Pitbull, desmotivado

Foi a face maior do excelente Vitória de Setúbal de há duas temporadas atrás, e uma das figuras da liga Romena em 2009 mesmo limitado por uma lesão grave. Premissas suficientes para que a sua chegada tardia e surpreendente ao Marítimo chegasse para dar novo animo a um conjunto debilitado por maus resultados na pré-temporada e um arranque em falso no campeonato, galvanizando a massa associativa. Só que Pitbull demorou a atingir os níveis físicos necessários para entrar o onze e intercalou a recuperação com pequenas lesões e curtas exibições pouco entusiasmantes. No computo geral nunca deu ideia de estar motivado para assumir verdadeiramente o desafio da Madeira e mesmo com alguns momentos de permeio partiu no final da temporada sem deixar grandes saudades.


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