ForaDeJogo.net - Marítimo 2011/2012


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Clube Sport Marítimo
Nome: Marítimo
Associação: AF Madeira
Cidade: Funchal
Estádio: Barreiros
Ano de fundação: 1910
Sede: Rua Campo Do Marítimo
Santo António
9000-331
Web: www.csmaritimo.pt
Plantel 2011/2012
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Treinadores
T Pedro Martins
Staff
Joaquim Loureiro(GR)
Entradas
Sami (22)Marítimo B (II B)
Rúben Ferreira (21)Marítimo B (II B)
Olberdam (26)Rapid Bucareste   (I)
Salin (26)Naval (I)
Fábio Felício (29)Rio Ave (I)
João Luiz (26)Beira-Mar (I)
Fidélis (22)Marítimo B (II B)
Ricardo Ferreira (21)Marítimo B (II B)
João Diogo (23)Marítimo B (II B)
Pouga (25)Vaslui   (I)
Gonçalo Abreu (25)Feirense (II)
Igor Rossi (22)Marítimo B (II B)
Ibrahim (18)Dolphin FC   (I)
Edivândio (20)Marítimo B (II B)
Adilson (29)Olhanense (I)
João Vieira (19)Atlético Reguengos (II B)
Liga ZON Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Peçanha21Briguel8Roberto Sousa20Heldon
47Ricardo Ferreira22João Diogo28João Luiz27Gonçalo Abreu
77Salin18Luís Olim13Olberdam30Danilo Dias
  41Rúben Ferreira23Hassan7Marquinho
  2Igor Rossi25Rafael Miranda15Edivândio
  3Robson29Tchô17Sami
  16Roberge81Benachour48Fábio Felício
  44João Guilherme  9Baba
      10Pouga
      11Ibrahim
      35Fidélis
      46João Vieira
      26Adilson
O plano B de MartinsJorge Carneiro

Com a torneira do Governo Regional bem seca pela primeira vez em décadas não foi possível presentear o jovem técnico Pedro Martins com os habituais craques do Brasileirão. A alternativa assim foi repescar símbolos encostados como Briguel e Luís Olim, chamar ao activo suplentes de luxo como Peçanha e João Guilherme e ainda apostar forte em jovens reservistas como Sami, Ruben Ferreira e mesmo Heldon. Contratações, muito poucas e todas conhecidas: apenas um Fábio Felicio bem espremido, um Pouga já visto, um Olberdam que já conhecia os cantos à casa e dois ou três jovens nigerianos sem cv e directos para a equipa de reservas. Face à situação, mais surpreendente do que as parcas entradas foram até as dispensas do talento e experiência de Alonso, Marquinhos e Tchô - a aposta no plano B era total.

Assente no meio-campo de trabalho mas com capacidade de desequilibrar, e um ataque tão inconsistente quanto profícuo os insulares foram conquistando vitória a vitória, sempre sem margens folgadas nem grandes brilharetes mas deixando óptima imagem sobre o relvado. Babá era a grande figura de destaque na primeira fase da temporada, revelando muito maior eficácia que noutros tempos e marcando golos atrás de golos até se isolar no topo da lista de melhores marcadores. Associado a FC Porto, PSG, St Ettiene, Marselha e Lille, foi o Sevilla quem acabou por assegurar os seus préstimos em Janeiro; e a perda do seu artilheiro mais os problemas físicos de Ruben Ferreira e Olberdam, duas óptimas surpresas, prometiam cortar o crescendo insular.

A Babádependencia afinal não se veio a sentir. Num golpe de sorte ou de génio, a reentrada de Benachour no onze permitiu que a frente ofensiva se tornasse mais repentina e brusca do que nunca, alinhando sem ponta de lança fixo para deixar os adversários 45 a 60 minutos sem ninguém para marcar. Se findo esse período o jogo não estivesse bem encaminhado era altura de recorrer a outro plano B: Fidélis ou Pouga fixavam-se entre os centrais, a equipa ganhava uma referência poderosa e, não raras vezes, os golos apareciam com naturalidade. Demonstrava também que o verdadeiro poder deste Marítimo não estava no ponta de lança senegalês, mas sim no meio-campo empenhado, rigoroso mas ao mesmo tempo criativo.

O Marítimo andou assim a temporada nos lugares cimeiros, raramente abaixo da 5ª posição e sempre namorando o 4º lugar. À 25ª jornada por exemplo mantinham-se ainda no 4º posto, debaixo da cobiça de um Sporting que tinha apostado alto sem resultados visíveis. No entanto a equipa quebrou perante a série de jogos mais difícil do campeonato (Nacional, Benfica e FC Porto) e já não foi capaz de recuperar animicamente para os dois jogos finais, fixando-se num sólido e espectacular 5º lugar final que dá direito à liga Europa.

Taça de Portugal: CS Marítimo 2-1 Benfica

A época dos insulares foi sempre nivelada por cima, praticando um futebol agradável e desde cedo se colocando entre os 5 primeiros classificados, jamais dali descendo no decurso da prova. Faltava apenas um momento alto que consagrasse definitivamente Pedro Martins e os seus comandados como a equipa sensação do campeonato, e este viria a surgir para Taça de Portugal. O Benfica vivia a sua melhor fase na temporada, mostrava-se confiante e ambicioso em todas as frentes e o próprio Jorge Jesus apostava muito nesta competição que nunca conseguira vencer, contradizendo-se quando colocou em campo um onze repleto de segundas opções. Pedro Martins por seu turno assumiu o papel de outsider e apenas premiou Ricardo Ferreira, habitual guardião da equipa B, de resto mantendo as suas escolhas habituais e o respectivo ritmo e entrosamento.

Saviola ainda inaugurou o marcador de grande penalidade (duvidosa), mas era notória a desvantagem a meio-campo dos atletas encarnados, engolidos pelo alto ritmo e coesão do trio Roberto Sousa, Rafael Miranda e Olberdam. A segunda metade mostrou um Benfica apostado apenas em defender a vantagem e um Marítimo apostado em fazer brilhar Eduardo, que se foi revelando um oponente à altura... até que Roberto Sousa inventou um tiro pouco depois do meio-campo que entrou junto ao ângulo. 10 minutos mais tarde ainda com os encarnados mal refeitos do choque era Sami quem - descoberto por Roberto Sousa - consumava reviravolta e invertia os papéis no jogo. O Benfica arrancou então para 20 minutos finais de qualidade que no entanto não foram suficientes para igualar o resultado.

Finda a partida, o Benfica perdia o primeiro troféu e por via da exibição mais pobre tinha a sua superioridade colocada em causa. No outro oposto o Marítimo conquistava o respeito aos olhos do grande público e percebia-se que, definitivamente, o plano B estava a funcionar em grande.

A figura: Roberto Sousa, o pulmão de altas rotações

Estranha-se como é que um jogador tão elegante consegue ser o carregador de piano e o rei das recuperações no Funchal. A resposta é simples: concentração, trabalho e dois pulmões do tamanho do mundo que lhe permitem ter uma média superior a 20 recuperações por cada partida. Fundamental a manter a intermediária unida, é fortíssimo na pressão e na antecipação e muito prático a sair a jogar - e sem recorrer a brutalidades desnecessárias. E depois ainda tem aqueles pormenores de craque, como o bujardo do meio-campo com que ajudou a retirar o Benfica da Taça de Portugal.

Terminou contrato com o clube e sendo um alvo muito apetecível não é de acreditar que aceite renovar com os verde-rubros, especialmente perante a politica de contenção de custos em vigor no arquipélago. De resto qualquer cenário é perfeitamente possível, sendo certo que a classe de Roberto Sousa encaixaria muito bem numa equipa com ambições nas competições europeias.

A revelação: Sami, ariete na ala

Antigo artilheiro dos juniores encarnados, assinou há duas épocas atrás com o Marítimo mas nunca tinha conseguido ir muito além da equipa B e de alguns empréstimos a divisões inferiores, por onde já antes andara perdido. Pedro Martins recuperou-o para o grupo principal, colocou-o a jogar na ala esquerda para tentar aproveitar a sua mobilidade e Sami não deixou de corresponder: foram 5 golos de bola corrida e muito poder de choque a desgastar adversários em prol do colectivo. Alto, espadaúdo e de passada larga mas rápida, dificilmente poderia lembrar menos o seu antecessor na posição - Djalma Campos, actualmente no FC Porto - mas promete também vir a deixar a sua marca no clube e nas balizas adversárias. Para já foi o terceiro mais utilizado do plantel e também o seu terceiro melhor marcador. Para primeira época a sério não está mal.

A desilusão: Fábio Felício, veterano precoce

É quase injusto bater ainda mais num jogador que já não rende desde 2008, precisamente ao serviço deste CS Marítimo. Na altura o seu pé esquerdo era a gazua que escancarava defesas e que colocava milimetricamente bolas para Makukula encostar. Valorizou-se e partiu rumo a aventura lucrativa na Grécia que não resultou, como não resultaram as passagens por Guimarães e Vila do Conde. O regresso à última casa onde tinha tido sucesso foi uma espécie de fôlego final que rapidamente se esbateu em somente cento e poucos minutos de utilização e um papel nulo nas vitórias da equipa. Aos 29 anos e milhentos problemas físicos depois já perdeu grande parte do seu poder de explosão, e tal como a um veterano provavelmente resta-lhe agora apenas a reforma dourada em ligas estrangeiras.


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