ForaDeJogo.net - Rio Ave 2008/2009


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Rio Ave Futebol Clube
Nome: Rio Ave
Associação: AF Porto
Cidade: Vila do Conde
Estádio: Arcos
Ano de fundação: 1939
Sede: Praça Da Republica, 35
Apartado 42
4481-909 Vila do Conde
Web: www.rioave-fc.pt
Plantel 2008/2009
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Treinadores
T Carlos Brito
João Eusébio
Entradas
Tarantini (24)Portimonense (II)
Fábio Coentrão (20)Zaragoza   (II)
Vítor Gomes (20)Cagliari   (A)
Yazalde (19)Varzim (II)
Sílvio (20)Odivelas (II B)
Semedo (28)Odivelas (II B)
Jorge Humberto (28)Santa Clara (II)
Candeias (20)FC Porto (I)
André Carvalhas (19)Benfica (I)
Pedro Moutinho (28)Marítimo (I)
Edson (20)Académica (I)
Bruno Novo (28)Santa Clara (II)
Pedro Coentrão (21)Valdevez (II B)
Liga Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1César7Miguel Lopes6Delson77Candeias
51Paiva17Pedro Coentrão14André Vilas Boas4Evandro
74Mora21Ribeiro5Niquinha11Henrique
  22Bruno Novo10Vítor Gomes16Fábio Coentrão
  3Rogério Matias30Wires19André Carvalhas
  25Sílvio8Livramento12Mateus
  2Gaspar83Tarantini31Ronaldo
  15Edson  35Chidi
  20Bruno Mendes  88Yazalde
  23Fábio Faria  18Semedo
  27Jorge Humberto  79Pedro Moutinho
Ao sprint de CoentrãoPedro Gonçalves

Na época 2006/07, o Rio Ave encontrava-se na Liga Vitalis na luta pela subida à Superliga. Chegou aos lugares de subida à 19ª jornada e à entrada para o último terço do campeonato já era 1º. A cinco jornadas do fim, mantinha o primeiro lugar e tinha já 8 pontos de vantagem sobre o 3º. Um avanço que provavelmente garantiria a subida de divisão, até porque 3 dos últimos 5 jogos seriam em casa. Apenas uma catástrofe afastaria o Rio Ave da subida. No entanto seria mesmo isso que viria a acontecer. Os 4 jogos seguintes começaram com uma surpreendente derrota em casa frente ao penúltimo. Seguiram-se derrotas em Guimarães e em casa frente ao Gondomar, e concluiu-se com nova derrota em Olhão. O Rio Ave perdia assim 4 jogos que enviavam a equipa para o 3º lugar e com 4 pontos de atraso para o 2º, depois de ter perdido apenas 3 nas 25 jornadas anteriores e falhava inacreditavelmente a subida. No ano seguinte, lutando contra a desmoralização que esta época pudesse ter causado, o Rio Ave voltava à luta pela subida, e desta vez logo desde cedo se colocou nesses lugares, apenas com pequenas excursões ao 3º lugar. No entanto, uma derrota em casa contra o Varzim à 28ª jornada, lembrou a equipa do desastre do ano anterior e à última jornada, o Rio Ave perdia com o Feirense até que Evandro, como em tantas outras ocasiões, marcou a 5 minutos de final o golo do empate e o Rio Ave regressava à primeira liga.

A partir para esta época, o objectivo do Rio Ave era o objectivo de sempre na primeira liga: conseguir a manutenção. Para tal, João Eusébio, o treinador da subida, dispunha de um plantel onde se alternava a juventude com a experiência. Para a baliza havia Paiva, jogador com alguns anos de experiência na Liga Vitalis, mas com apenas 8 jogos disputados na 1ª divisão, que tinha roubado a titularidade ao habitual Mora, no ano da subida. Na defesa, alternava-se a experiência dos centrais (Gaspar e Bruno Mendes) com a juventude e irreverência dos laterais (Miguel Lopes e Sílvio). No meio-campo eram utilizados em posições mais defensivas André Vilas Boas, Delson e o veteraníssimo Niquinha. Para posições mais criativas existiam o organizador de jogo Livramento, que com uma série de boas exibições na parte inicial da época roubou o lugar a Tarantini, e o veterano Evandro, jogador que já acumulava à partida para esta época 235 partidas de liga ao serviço do Rio Ave (do actual plantel apenas o eterno Niquinha acumulou mais: 318). Para o ataque não abundavam opções que dessem garantias. Chidi nunca tinha passado dos 7 golos numa época nas ligas profissionais em Portugal (e esses foram marcados na liga Vitalis), Semedo vinha de uma época de 18 golos (mas na 2ªB) e Ronaldo goleador consumado da 2ª divisão B madeirense, nunca se tinha conseguido impor a um nível mais elevado.

A manutenção não se previa fácil, sobretudo pelas previsíveis dificuldades na marcação de golos, e tal veio a confirmar-se visto que no final do primeiro terço do campeonato, o Rio Ave se encontrava abaixo da linha d’água, com apenas uma vitória e com apenas 6 golos marcados em 10 partidas. Como ponto positivo, o clube tinha conseguido qualificar-se para a última fase de grupos da Carlsberg Cup deixando pelo caminho Braga e Leixões. A 2ª vitória da época, obtida por 2-0 frente à Naval, à 11ª jornada poderia atenuar um pouco a situação complicada de João Eusébio, mas duas jornadas e duas derrotas depois, com a equipa no último lugar, deu-se a troca de treinador e chegou Carlos Brito, já contando com uma recuperação milagrosa no seu currículo. No entanto, desta vez não era necessário um milagre, visto que a distância que separava o Rio Ave da linha de salvação era de apenas um ponto. Desta vez, Carlos Brito teve o pior arranque possível, perdendo jogos contra Paços de Ferreira e Sporting que eliminaram a equipa da Carlsberg Cup e perdeu 3 jogos consecutivos para a Liga, colocando a equipa numa situação ainda pior que a que se encontrava anteriormente. Felizmente para a equipa de Vila do Conde, as outras equipas na luta pela manutenção não conseguiam muito melhor, e o atraso do Rio Ave em relação às restantes era ainda de uns, facilmente recuperáveis, 3 pontos.

Para a 2ª volta no entanto, Carlos Brito viria a ter algo que João Eusébio não tivera: qualidade no ataque. E isso deveria ajudar a resolver um dos maiores problemas dos vila-condenses, que chegaram ao final da primeira volta tendo em Semedo o seu melhor marcador com apenas 2 golos. Chegaram na abertura do mercado Pedro Moutinho que não tinha conseguido vingar no Marítimo depois de uma época destacada no Falkirk da Escócia; o jovem Yazalde, autor de 5 golos na 1ª volta pelo Varzim e já presença assídua na selecção de Sub-21 portuguesa; e principalmente Fábio Coentrão, que regressava a casa por empréstimo, após falhada experiência em Zaragoza. Os 2 últimos viriam a revelar-se as peças mais importantes do Rio Ave na segunda volta do campeonato. Além dos jogadores de ataque, chegava à equipa, o defesa central brasileiro Edson que depois de ter começado a época a titular em Coimbra viria a perdê-la à 6ª jornada acabando por não voltar a jogar pela Académica.

Com os novos reforços Carlos Brito abdicou do losango, apostando num 4-3-3 com um meio campo maioritariamente de contenção, e na frente, Fábio Coentrão e Pedro Moutinho (ou ainda Chidi) como extremos, e Yazalde ao centro. O objectivo era claro - apostar no contra-ataque. Na defesa, Edson ganhava lugar a Bruno Mendes e no meio-campo, onde haviam menos lugares em disputa, Carlos Brito gradualmente foi efectuando alterações. Niquinha, apesar de ter feito sempre parte da equipa titular do Rio Ave nos primeiros tempos de Brito ao comando, viria eventualmente a ser relegado para o banco, na parte final da época, coincidindo com a ascensão do regressado Vítor Gomes (pouco utilizado enquanto João Eusébio esteve ao comando) ao 11 titular. Livramento e Evandro, jogadores mais ofensivos no meio-campo, tiveram menos oportunidades, decisão algo surpreendente tendo em conta que Livramento até estava a ser dos melhores elementos da equipa; e o brasileiro Wires começou a entrar no onze, jogando à direita na ausência de Miguel Lopes e subindo posteriormente para o meio campo com boas exibições. Como resultado, o volume de jogo ofensivo do Rio Ave caiu, visto que diversas vezes nem Livramento nem Evandro, nem Tarantini estavam em campo, mas as bolas longas para as corridas sobretudo de Coentrão e Yazalde, motivaram que as chances de golo, embora em menor número fossem mais claras tendo os 2 reforços de inverno marcado 7 golos entre os dois. Entretanto, o maior poder de combate a meio-campo permitiu reduzir o número de golos sofridos. Coincidência ou não, os resultados do Rio Ave melhoraram. A equipa que tinha vencido apenas 2 partidas na primeira volta, venceu 6 na segunda e assim assegurou a manutenção terminando a época num 12º lugar, que não espelha totalmente as dificuldades sentidas durante a temporada.

O momento: 25ª e 26ª jornadas

O Rio Ave vinha de uma série de 5 jogos sem ganhar, e 3 derrotas consecutivas, que tinham apagado uma ligeira recuperação motivada por 2 vitórias em casa pela margem mínima (em ambas marcou Yazalde), repondo a anterior desvantagem de 3 pontos para a zona de salvação. A motivação não andava alta, mas ainda assim, o Rio Ave venceu a 25ª jornada contra um adversário directo, o Trofense e novamente pela margem mínima (desta vez por 2-1 com golos de Yazalde e Coentrão). Esta vitória teve como resultado imediato, o abandono da última posição (onde se encontrava há 3 jornadas) por troca com o derrotado Trofense, ficando a faltar mais um salto para passar para fora dos lugares de descida. Com alguma surpresa, esse salto ocorreu logo na jornada seguinte com uma vitória fora frente à Naval, novamente pela margem mínima, e voltando a marcar Yazalde, a quem meia época bastou para se tornou o melhor marcador da equipa, e cujos golos deram nada menos do que 12 importantíssimos pontos na luta pela manutenção. A vitória frente à Naval marcaria a primeira vitória fora da equipa para o campeonato, bem como a primeira vez que o clube vencia em 2 jornadas consecutivas, e acima de tudo, marcaria a saída dos lugares de despromoção, para onde o Rio Ave não voltou a cair.

A estrela: Fábio Coentrão

Em Abril de 2005, Fábio Coentrão, nascido e formado em Vila do Conde, com 17 anos acabados de fazer, estreava-se nos seniores do clube da sua terra. Um ano depois, ainda a jogar pelos juniores, teve a oportunidade de ser titular, nas 2 últimas jornadas, tendo marcado pela primeira vez, no segundo desses jogos. A equipa caiu à segunda liga, e talvez tenha sido isso que deu a oportunidade a Fábio Coentrão de se destacar. Ganhou a titularidade, apontou 4 golos, e colocou o Rio Ave na rota da subida. Por esta altura começou a falar-se da saída para outros clubes de maior dimensão e a cabeça do jovem jogador começou a pairar por outras paragens. Foi expulso na derrota em Guimarães falhando assim o jogo seguinte que o Rio Ave também perderia. Faltou cabeça para aliar ao seu talento, mas mesmo assim, sairia para o Benfica.

Dois empréstimos depois (um bem sucedido na Madeira, e uma experiência falhada em Espanha), regressava a casa por empréstimo, para tentar salvar o Rio Ave da situação difícil em que se encontrava. O veloz, hábil e imaginativo extremo, demorou a entrar no jogo colectivo, mas pareceu acordar na sequência de dois golos pela selecção sub-21 e de um golaço em pleno Estádio do Dragão. A partir daí o seu nível exibicional começou gradualmente a subir, e passou a ter grande preponderância no desempenho da equipa, que por sua vez começou também a vê-lo como uma referência e a atacar invariavelmente pelo seu lado. Desta vez Coentrão não falhou na altura decisiva, e continuou a ser o maior criador de jogadas de perigo baseando o seu jogo em arranques, cruzamentos, fintas e desmarcações rápidas; assumindo ainda um papel preponderante em grande parte dos golos obtidos pela equipa na fase decisiva da época.

A revelação: Miguel Lopes

Miguel Lopes, como tantos outros em Portugal, é um jogador com escola de extremo convertido em lateral. Igualmente como é costume em Portugal, é um lateral que joga pelo lado direito. Começou a sua formação em vários clubes da AF Lisboa, tendo chegado a jogar pelo Benfica (pela equipa B). Como tantos outros saiu da Luz e foi procurar melhor sorte noutras paragens, tendo no seu caso a solução sido o Operário dos Açores. Após uma excelente época no Operário onde foi o segundo melhor marcador, ganhou um passaporte para a liga de honra, no caso para o Rio Ave. Aí encontrou um treinador, João Eusébio, que apostava num meio campo povoado e avançados móveis, não restando grande alternativa aos extremos puros. Miguel Lopes ainda foi utilizado nessa posição, mas foi quando recuou para a lateral que agarrou em definitivo a titularidade, mantendo-a já após a subida à Liga Sagres.

Na sua estreia no escalão maior do nosso futebol, jogou imediatamente contra o Benfica e não sentiu problemas de adaptação. O Rio Ave empataria a uma bola, e Miguel Lopes seria a estrela do jogo. À medida que se sucediam as excelentes exibições de Miguel Lopes (contrastantes com as da generalidade dos seus colegas de equipa), o seu nome começava a ser falado para representar os maiores emblemas do nosso futebol. Não seria já grande motivo de surpresa, visto que o agora lateral direito extremamente ofensivo foi de facto no primeiro terço do campeonato, um dos melhores jogadores da liga, o que lhe valeu a estreia na selecção Sub-21. Na segunda volta, e já com a transferência para o FC Porto consumada, Miguel Lopes, em boa verdade, não voltou a atingir os níveis exibicionais do início da época, mas o nível apresentado, em conjunto com o dos reforços de Inverno, foi suficiente para assegurar a manutenção para o Rio Ave. O próximo desafio será ganhar um lugar ao sol no tetra-campeão nacional.

A desilusão: Chidi

Não é fácil escolher a desilusão do Rio Ave num ano em que o plantel não era vasto em soluções, e em que mesmo assim a equipa conseguiu terminar na décima segunda posição. Evandro e Niquinha já viveram melhores dias, mas é verdade que com a idade que têm apenas com grande dedicação ao clube, poderiam continuar a ser soluções viáveis para as posições que ocupam. A elevada utilização de ambos demonstra-o. Vítor Gomes, regressado de Itália, jogou muito pouco mas apareceu a bom nível na parte final e decisiva da época. Tarantini vinha de uma excelente época no Portimonense, e acabou por não conseguir demonstrar o seu talento no Rio Ave, mas não deixa de ser verdade que foi a sua primeira época no clube e no escalão maior. André Carvalhas, jovem prodígio das escolas do Benfica foi publicitado como estrela da companhia na pré-época, começando o campeonato como jogador de segundas partes, e eventualmente desapareceu da equipa sem deixar saudades; mas também é verdade que está na sua primeira época como sénior. Havia ainda Candeias, reforço para a segunda volta que chegava a Vila do Conde depois de um ano de empréstimo bem sucedido ao Varzim no ano anterior e uma primeira volta promissora no Dragão; mas que não teria a mesma sorte no Rio Ave.

Mas a maior desilusão será um jogador que tarda em afirmar-se e cujas exibições aparentam estar até em decrescendo. Chidi, avançado Nigeriano que chegou a Portugal ainda adolescente, começou a jogar no Fornos de Algodres da 3ª divisão nacional. Cedo chamou a atenção de grandes clubes portugueses, inclusivé do FC Porto onde chegou a representar a equipa júnior, marcando vários golos. Após abandonar o Porto, voltou a jogar no escalão sénior, agora já com 19 anos, tendo destacado com vários golos marcados pelo Famalicão. Chegou ao Rio Ave juntamente com o Senegalês Keita numa altura de renovação no ataque do Rio Ave. No primeiro ano marcou 4 golos na 1ª divisão, o que foi pouco mas aceitável para um jovem de 21 anos que saltava directamente da 3ª divisão nacional, para o escalão maior. Nos anos seguintes, na liga de honra, os golos de Chidi permaneciam a rondar a meia dúzia por época, enquanto que Keita passava dos 10 golos. O Rio Ave regressava à primeira liga, e Keita abandonava o clube para o Chipre onde teve pouco sucesso, enquanto que Chidi, há 4 épocas no clube e já com obrigação de estar ambientado fazia a pior época em termos de golos desde que chegou a Portugal. Curiosamente, o nigeriano já nem devia ter alinhado pelo Rio Ave esta temporada, tendo assinado pelo Poli Timosoara da Roménia ainda no Verão; mas dada a sua condição de extra-comuniitário o clube viria desinteressar-se da transferência, o que motivaria uma queixa na FIFA contra a equipa das Balcãs. Regressou a Vila do Conde com expectativas renovadas; mas acabou por marcar apenas 1 tento para o campeonato e mais 1 para a Carlsberg Cup, de certa forma dando razão à desistência dos Romenos. Muito pouco. Chidi continua a demonstrar grande mobilidade e velocidade, mas o talento e facilidade goleadora que evidenciava nos primeiros tempos em Portugal não tem aparecido. Agora com 25 anos, o nigeriano já não terá muitas oportunidades para finalmente conseguir uma época ao nível do que prometeu quando chegou.


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