ForaDeJogo.net - Rio Ave 2009/2010


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Rio Ave Futebol Clube
Nome: Rio Ave
Associação: AF Porto
Cidade: Vila do Conde
Estádio: Arcos
Ano de fundação: 1939
Sede: Praça Da Republica, 35
Apartado 42
4481-909 Vila do Conde
Web: www.rioave-fc.pt
Plantel 2009/2010
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Treinadores
T Carlos Brito
Entradas
Bruno Gama (21)Vitória Setúbal (I)
João Tomás (34)Boavista (II)
Zé Gomes (32)Marítimo B (II B)
Ricardo Chaves (31)Vitória Setúbal (I)
Carlos (29)Foolad   (I)
Sidnei (22)Boavista (II)
Nélson Oliveira (17)Benfica (JUN)
Bruno Moraes (24)Vitória Setúbal (I)
Trigueira (21)Boavista (II)
Jeferson (23)Rio Preto   (II E)
Bruno Fogaça (27)Marítimo (I)
Wesllem (24)Leça (III)
Adriano (21)Coritiba   (A)
Tiago Terroso (21)Pampilhosa (II B)
Valdir (25)
Magno (24)Grémio Anápolis   (II E)
André Serrão (23)Ribeirão (II B)
Felipe Alberto (20)União São João   (II E)
Liga Sagres
Guarda-redes Defesas Médios Avançados
1Trigueira18Zé Gomes14André Vilas Boas7Wesllem
13Carlos32Magno3Ricardo Chaves77Bruno Gama
74Mora25Sílvio8André Serrão4Evandro
  55Valdir10Vítor Gomes12Felipe Alberto
  2Gaspar16Tiago Terroso19Sidnei
  5Jeferson17Adriano9João Tomás
  20Bruno Mendes30Wires11Bruno Fogaça
  23Fábio Faria83Tarantini15Chidi
      21Nélson Oliveira
      99Bruno Moraes
As garras do velho tigreJorge Carneiro

É muito simples de resumir a temporada do Rio Ave: inicio fulgurante, manutenção antecipada, gestão de resultados até ao fim. Ou então com João Tomás, com João Tomás já com a cabeça nas Arábias, sem João Tomás.

A pré-época anterior trouxera uma aposta evidente em jogadores oriundos das divisões inferiores e que, embora tenha permitido revelar novos nomes interessantes, não fora totalmente eficaz, em parte precisamente devido à excessiva falta de elementos com experiência no escalão principal que orientassem os novatos dentro de campo. Quer dizer, Mora, Niquinha, Evandro e Bruno Mendes estavam lá, mas eram úteis apenas como presença no balneário dado que quando utilizados não davam resposta satisfatória. Os dirigentes decidiram então focar-se nessa lacuna, e uma intervenção interessante no mercado trouxera figuras emergentes do futebol Português como Sidnei e Bruno Gama, além de recuperar antigos valores da liga como João Tomás, Carlos e Ricardo Chaves. Seria nestes senhores que se alicerçaria o sucesso Vila-Condense, reforçando o banco com a tal linha de históricos do clube - indirectamente dotando Carlos Brito de imensas opções a partir de onde construir uma equipa de respeito.

A temporada iniciou-se de forma convincente, com vitórias pela margem mínima mas exibições seguras frente a adversários do mesmo escalão. O futebol praticado roçava o agradável: sem ser espectacular, o meio-campo mostrava-se tremendamente expedito a anular as iniciativas contrárias e a colocar rapidamente a bola jogável nas alas, para a fantasia de Sidnei e Bruno Gama. E se ambos os extremos por si só possuem uma capacidade de penetração muito acima da média, que dizer quando apoiados por laterais competentes a cruzar como Sílvio e José Gomes? Impressionava a quantidade de soluções para atacar a área, o volume de jogo acumulava-se, e o veterano João Tomás não falhava na tarefa de o materializar em golos. À 10ª jornada e após um brilhante empate frente ao Sporting o Rio Ave apenas tinha registado uma (surpreendente) derrota frente a Naval e era 6º na tabela, encontrando-se na rota da Europa e revelando-se mesmo como um dos principais candidatos para o efeito. Na Taça de Portugal também não haviam veleidades, com o Esmoriz e o muito perigoso Santa Clara a serem eliminados às mãos dos nortenhos.

As 5 jornadas seguintes foram o primeiro abalo nesse sonho, rendendo apenas 4 pontos que, apesar de envolver confrontações com FC Porto, Benfica e Vitória de Guimarães, face ao produzido anteriormente não deixaram de saber a muito pouco. O Rio Ave começava a revelar limitações: a partida de João Tomás no final dessa série e a inexistência de uma alternativa à altura eram uma fraqueza evidente, mas já antes disso se notava que era no meio campo - até considerado por muitos um dos pontos fortes dos verde e brancos - que estava a principal lacuna. Um sector incorruptível, compacto e exímio na ocupação de espaços, seguro a trocar a bola entre si, tacticamente culto; mas também parco em progressões, parco em rasgos, parco em ambições, pouco dado a soltar-se para apoiar os avançados. Dos seus titulares, Vilas Boas é excelente apenas até à linha de meio-campo; Wires autoreduz-se a um marcador de bolas paradas e Ricardo Chaves a uma muleta defensiva pouco preocupado em progredir - apenas Vítor Gomes, um transportador ainda à procura de glória e de se firmar no panorama nacional, pareceu querer elevar o sector até à Europa.

Seguiram-se 5 pontos somados em 5 rondas agora frente a equipas acessíveis, e que mesmo sendo mais um passo seguro rumo à manutenção ao mesmo tempo significavam várias passadas atrás no caminho para as competições europeias e o seu orçamento milionário. Confirmando a evolução negativa, a recta final da liga foi incrivelmente penosa face ao demonstrando no primeiro terço. Talvez por estar entre objectivos - o da manutenção muito bem encaminhado e a Europa num ponto demasiado difícil - os jogadores simplesmente deixaram de corresponder dentro de campo, arrastando consigo a equipa na sua queda de produção. Nos últimos 12 jogos para o campeonato o Rio Ave apenas conseguiu uma única vitória tangencial frente à Académica, revelando inéditas fragilidades jogo após jogo e tornando-se de repente num dos alvos preferenciais de todas as restantes equipas: se o meio campo e ataque já antes estavam em sub-rendimento também a defesa entrou em colapso completo, excepção feita ao veterano Gaspar. E mesmo a interessante carreira na Taça, que incluira uma grande vitória nas grandes penalidades frente ao Sporting de Braga, fora comprometida pelas humilhantes derrotas na meia final frente ao FC Porto por 3-1 (com o Dragão a meio-gás) e por 4-0 (com um Dragão recheado de reservas). O 12º lugar final, para onde o Rio Ave caiu pela primeira vez e após uma derrota que consagrou o Benfica como campeão nacional, foi quase uma benesse - tivesse ainda o campeonato 34 jornadas e a manter-se a evolução talvez estivessem por debaixo da linha de água.

Carlos Brito é um técnico com muitos anos de liga e uma ligação umbilical ao Rio Ave, e esta não é de todo uma situação virgem no seu percurso como treinador, tendo já sucedido o mesmo no Boavista, no Nacional, no Leixões. Consegue rapidamente implementar um modelo de jogo consistente, estável e até agradável de assistir, com meio campo organizado e unido a defender e desdobrável e imprevisível a atacar - mas também uma preocupante incapacidade de motivar os seus pupilos em momentos de quebra, que não raras vezes coloca em causa todo o bom trabalho realizado nas primeiras fases da temporada. Uma lacuna que terá necessariamente de rever se ainda pretender dar alguns passos mais ousados na sua carreira, até agora demasiado identificada com Vila de Conde.

O momento: 10ª jornada: Rio Ave 2-2 Sporting

Foi o último jogo da fase dourada do Rio Ave e possivelmente o momento mais alto da época. Defrontando o grémio leonino a viver a transição entre Paulo Bento e o não menos transitório Carlos Carvalhal, os nortenhos cedo imprimiram a sua personalidade no jogo, batendo o pé ao meio-campo leonino e às suas estrelas. Apesar de tudo eram estes que iam progressivamente conquistando a área vila-condense, a qual sentia em demasia ausência do suspenso capitão Vilas Boas, ficando a defesa demasiado exposta às diabruras de Veloso, Matias e Moutinho. Foi assim relativamente cedo que o Sporting chegou à vantagem através de Matias Fernandez, e ampliou perto do intervalo através do capitão Moutinho; ambos os tentos castigando falhas da defesa e de um Carlos incrivelmente intranquilo. Do outro lado do campo Sidnei e Bruno Gama mesmo sem apoios agitavam, partiam rins e assustavam sem conseguirem nada de concreto, e João Tomás passeava-se frente aos centrais, rosnando e dando a entender que precisava apenas de uma oportunidade para fazer sangue.

A qual não tardou a aparecer. André Marques e Pedro Silva já perdiam completamente a noite para os extremos do Rio Ave quando novo raide de Bruno Gama proporcionou a Sidnei espaço para este cruzar em esforço para a pequena área. Felino e mortal, João Tomás executava um desvio de primeira sob pressão que não deu hipoteses a Patricio. Logo a seguir, André Marques sentenciava a sua noite ao ser batido uma vez mais por Bruno Gama, cruzando este com peso e medida para nova finalização eficaz de Tomás, mais rápido a reagir que colegas 5 e 10 anos mais jovens. E poucos minutos volvidos era Carriço - que estava a afirmar-se como o melhor defesa em campo nessa noite - a ver o segundo amarelo e a cortar as ambições leoninas de vencer o desafio. Pelo meio, muita qualidade também na exibição de Tarantini, adicionado para gerir o meio campo de Vila do Conde e abrir espaços que dantes não existiam.

Sem opções no banco para renovar os endiabrados extremos, não restou mais combustível ao Rio Ave para explorar a vantagem numérica e alcançar vantagem também no marcador, chegando apenas para segurar o jogo e manter o empate a salvo - com a ligeira excepção do falhanço obsceno de Caicedo após nova falha grave de Carlos.

Figura: João Tomás, o tigre ainda com garras.

Chegou ao clube após um trajecto descendente de sucesso: artilheiro durante anos em Braga, artilheiro nas Arábias, regresso a Braga para lesão grave e consequente dispensa, artilheiro no Bessa. Sem convites à altura da sua categoria, em Vila do Conde esteve apenas 6 meses e marcou 6 golos, colocou o Rio Ave a lutar pela Europa e de seguida partiu para amealhar mais uns quantos petrodólares. Meia temporada depois, a sua produção até Dezembro bastou para se tornar... o artilheiro do Rio Ave.

Curiosamente é a escolha para figura mais pela sua ausência do que propriamente pelo que produziu ao serviço do clube - quando saiu de Vila do Conde haviam pelo menos Bruno Gama e Vítor Gomes em melhor forma, mais leves, mais exuberantes nas suas exibições. Mas na ausência do matador a produtividade destes ressentiu-se quase no imediato, as respectivas tarefas dificultadas agora sem ninguém a segurar defesas e a abrir linhas entre centrais e meio-campo adversários, sem ninguém como ponto de referência entrincheirado na grande área. De nada valeram as aquisições dos experientes Bruno Fogaça e Bruno Moraes ou do promissor Nélson Oliveira - nenhum chegou aos calcanhares do veterano Jardel de Coimbra. Nenhum domina a arte de se ocultar à vista dos centrais para depois disparar ao encontro da bola e disparar para o fundo das redes. E certamente nenhum conseguiu facturar a adversários tão ilustres ilustres como Nacional, Braga, FC Porto ou Sporting (este por duas vezes).

João Tomás já anunciou que não jogará mais do que um par de temporadas, mas ainda arranjou tempo para regressar aos Arcos para a época vindoura e a expectativa será alta - será curioso ver como reagirá agora tendo Yazalde, Saulo ou Cícero como concorrentes. Se nada se alterar, será mais uma temporada a provar que foi menosprezado por Portugal durante toda uma carreira inteira.

Revelação: Fábio Faria, rei das alturas

Já somava duas temporadas integrado no plantel sénior do emblema de Vila do Conde, mas nesse período de tempo Fábio Faria ainda não havia somado mais do que 2 jogos para o campeonato. Mas não se pense que se encontrava perdido no anonimato, dado que no entretanto o filho de Chico Faria - antigo avançado do clube - já conquistara algum prestígio nas selecções jovens, fora trazido para a ribalta por um período de testes no poderoso Chelsea, e destacara-se a grande altura nos jogos da Lusofonia ainda nesta pré-temporada. O seu surgimento como opção válida para disputar o lugar no onze ao lado de Gaspar veio assim até com grande naturalidade, tal como foi com naturalidade que venceu a disputa frente ao desconhecido Jefferson e à veterania de Bruno Mendes. Depois, lado a lado com um colega de características semelhantes mas com muito mais experiência e batalhas nas pernas soube aprender e desenvolver-se ao longo do ano, injectando ainda uma saudável dose de energia e irreverência num sector sólido e posicional. Fábio Faria é um jogador muito rápido e ágil para o porte físico de que dispõe e que não hesita em utilizar, na linha da escola de jogadores de Vila do Conde, possuindo ainda um pé esquerdo com assinalável qualidade - e que lhe permite esporadicamente ser desviado para a lateral canhota - e um poder de impulsão facilmente comparável até ao de Bruno Alves. É a nível táctico que ainda necessita de percorrer algum caminho para se tornar um central de referência - a sua mobilidade leva-o por vezes a atacar jogadas que não deve e a desposicionar-se sem dar por isso, comprometendo a estabilidade e solidez do sector. Discernimento que se adquire principalmente através de jogos e de experiência.

As exibições suscitaram o interesse do Benfica, que rapidamente se apressou a contratar o jovem craque para juntar ao seu grupo de centrais de elite. Não se prevê que venha a ter muitas oportunidades já na temporada 2010/2011, dado que mesmo que David Luiz ou Luisão concretizem a saída para Espanha ainda restam figuras como Sidnei e Miguel Vitor; mas pode aproveitar para aprender com outros mestres e, quem sabe, evoluir e ir conquistando o seu próprio espaço.

Desilusão: Evandro, a despedida injusta.

O outro veterano da frente de ataque mereceu uma avaliação completamente diferente de João Tomás por parte dos responsáveis. Mesmo já com mais de 75 golos apontados pelo Rio Ave, épocas de dedicação ao emblema Vila-Condense e participação activa em muitos dos seus melhores momentos recentes - basta lembrar por exemplo que foi ele que marcou o golo que carimbou o último regresso à Liga - não conseguiu evitar a saída pela porta pequena após uma temporada de utilização residual. Na mesma linha de Niquinha, Bruno Mendes ou Mora, aliás, terminando dispensado e sem direito a proposta de renovação. Aos 36 anos não lhe podem exigir que facture como antigamente, mas Evandro vinha a reinventar-se como médio de ataque com algum sucesso, demonstrando bons argumentos na arte de segurar a bola e servir colegas mais adiantados. Agora, afastado dos Arcos e com o peso dos anos nas pernas, terá de ponderar continuar a desenvolver-se ao serviço de outro emblema ou terminar a sua saga de goleador.


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